"Fatos são objetivos, valores são subjetivos"
Essa é uma frase muito repetida. Ela sugere que dizer "o sofrimento é ruim" seria só uma opinião, como dizer "eu gosto de azul". O autor mostra que a frase tem problemas.
Dois sentidos de "subjetivo"
"Subjetivo" pode querer dizer:
- que acontece na mente de alguém, como uma dor ou um pensamento;
- que é questão de opinião, sem resposta certa.
Descrever o que se passa na mente de alguém (por exemplo, "ele está com dor") pode ter resposta certa ou errada, mesmo sendo sobre algo "subjetivo" no primeiro sentido. Então, ser sobre a mente não torna algo uma questão de opinião.
Como confirmar que o sofrimento é ruim?
Alguém pode dizer: "descrever a dor tem resposta certa, mas avaliar se ela é ruim, não".
O autor responde: temos acesso direto ao sofrimento e ao prazer. Quando sentimos dor, percebemos diretamente que ela é ruim. Ninguém precisa de um argumento para saber disso.
O exemplo dos alienígenas
Imagine alienígenas que sentem, mas que nunca sentiram nem dor nem prazer, só experiências neutras. Eles ouvem falar da dor na Terra, mas não entendem bem o que é. Se um dia sentissem dor, perceberiam imediatamente que ela é ruim. É uma descoberta, e não uma escolha.
Impossível explicar sem o valor
Não dá para explicar o que é sofrimento sem dizer que ele é ruim, nem o que é prazer sem dizer que ele é bom. O valor faz parte do que essas coisas são.
E o prazer do torturador?
Alguém pode perguntar: "então o prazer de um torturador é bom?". O autor separa as coisas: o prazer em si pode ser bom, mas a ação de torturar é errada, porque causa um sofrimento muito maior na vítima. Uma coisa é a teoria do valor; outra é a ética da ação.
Resumindo
- "Subjetivo" pode querer dizer "na mente" ou "questão de opinião".
- Temos acesso direto ao fato de que o sofrimento é ruim.
- O valor de uma experiência não é a mesma coisa que o certo e errado de uma ação.