Questão
de Ética
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Volume IX · Nível avançado

A ética e o futuro

O que são riscos de sofrimento futuro e como preveni-los

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Sobre este volume

Este livro apresenta o debate sobre questões éticas referentes ao futuro em longo prazo, em especial os riscos de sofrimento futuro: o que são, como identificá-los e como preveni-los.

ISBN 978-65-01-55743-4 · 1a edição, Julho de 2025. Texto original de Luciano Carlos Cunha.

Em poucas palavras

O futuro pode conter muito mais seres sencientes do que o presente, e muito mais sofrimento. O volume apresenta os riscos-s, a imparcialidade temporal, o longoprazismo, os fatores de risco, estratégias amplas e direcionadas, o papel da política e das tecnologias emergentes, como a inteligência artificial.

Para crianças

As crianças que vão nascer daqui a cem anos ainda não existem, mas vão sentir tudo o que acontecer com elas. O mesmo vale para os animais do futuro. Este livro pergunta: o que podemos fazer hoje para que o futuro não tenha um sofrimento gigante?

Você vai aprender

  • O que são riscos-s e como se diferenciam dos riscos-x
  • Por que o futuro importa tanto quanto o presente
  • Quais fatores aumentam os riscos de sofrimento futuro
  • Como a política e a IA entram nessa discussão

Ajuda ter lido: Volumes II e VIII.

Capítulos

  1. 1
    Riscos futuros para os seres sencientes: uma introdução

    Riscos-s são riscos de sofrimento futuro em escala maior que todo o sofrimento já existente; diferem dos riscos-x (extinção humana), sua seriedade é gravidade vezes probabilidade, e surgem de modo incidental, agencial ou natural.

    15 min
  2. 2
    Imparcialidade temporal: o que é, e por que é importante

    Imparcialidade temporal é dar o mesmo peso a um sofrimento seja quando ele ocorrer; o viés temporal e a ideia de que seres futuros são só potenciais não justificam desconsiderá-los. A preocupação com o futuro deve rejeitar o especismo, e vice-versa.

    8 min
  3. 3
    A objeção de que seres futuros são apenas seres em potencial

    Mesmo quem nega o dever de criar novos seres tem deveres para com seres futuros, como não lhes causar sofrimento; e a luta pelos animais já é, em geral, sobre seres futuros, os que nasceriam para sofrer na exploração.

    7 min
  4. 4
    Que razões existem para focarmos no longo prazo?

    Longoprazismo pode ser uma meta (ter o melhor impacto na história inteira) ou um foco prático (agir pensando no longo prazo); há boas razões para o foco prático, e até quem prioriza o presente tem razões para aceitar a meta.

    12 min
  5. 5
    Devemos focar em prevenir riscos-s ou riscos-x?

    Há razões para focar mais nos riscos-s do que nos riscos-x: as tentativas de justificar o foco nos riscos-x por ser a humanidade "essencial" ou por atrair mais recursos costumam ser especistas; mas uma meta não exclui a outra.

    5 min
  6. 6
    Quais metas priorizar em longo prazo?

    Entre as metas de longo prazo possíveis, há razões para dar peso extra a prevenir sofrimento (e mortes prematuras): várias teorias aceitam esse foco, e não é preciso ser muito pessimista sobre o futuro para adotá-lo.

    15 min
  7. 7
    De que consiste o foco nos riscos-s?

    Focar nos riscos-s não significa focar em poucos cenários específicos: o sofrimento futuro pode vir da soma de muitos riscos; coletivamente, devemos cobrir um leque amplo, ainda que cada pessoa se especialize.

    3 min
  8. 8
    Identificando fatores de risco para os riscos-s

    Mesmo sem prever o futuro em detalhe, podemos identificar fatores de risco para os riscos-s: tecnologia avançada, aversão à tecnologia, desconsideração por não humanos, falta ou ineficácia de esforços, polarização e falta de segurança contra agentes malévolos.

    8 min
  9. 9
    Estratégias longoprazistas: amplas e direcionadas

    Estratégias amplas buscam bom impacto em quase todos os cenários; as direcionadas, impacto grande em cenários específicos. Exemplos amplos: aumentar a consideração pelos sencientes; direcionados: evitar novas formas de exploração, criar a biologia do bem-estar, alinhar a IA de modo não antropocêntrico.

    5 min
  10. 10
    Por que focar na consideração pelos seres sencientes e no futuro?

    A maneira como afetaremos os seres futuros é pouco discutida; promover a consideração por todos os sencientes é central para preveni-la, mas há riscos em como fazê-lo, e ainda não sabemos a forma mais eficiente; é preciso manter a mente aberta.

    5 min
  11. 11
    Mudando o debate público, as formas de ativismo e as instituições políticas

    Política disfuncional aumenta os riscos-s; para melhorá-la, devemos reduzir o tribalismo, elevar o padrão do debate (discutir argumentos, não pessoas; honestidade intelectual), adotar abordagens de leque amplo, proteger a democracia e buscar representação para todos os sencientes.

    13 min
  12. 12
    Moldando as tecnologias emergentes para prevenir sofrimento futuro

    Tecnologias emergentes podem multiplicar o sofrimento: o capítulo discute moldar a inteligência artificial com foco nos riscos-s, evitar riscos indiretos da IA, administrar a exploração espacial e o risco de criar novas formas de senciência.

    9 min
  13. 13
    A tríade de influência e o sofrimento futuro

    A tríade de influência (intenção, conhecimento e poder de um agente) ajuda a avaliar o sofrimento que pode resultar das decisões: agentes que querem prejudicar ou são indiferentes, com muito poder, são os mais perigosos; querer o bem sem conhecimento ou sem poder tende a ser ineficaz.

    27 min