Volume IX · A ética e o futuro · capítulo 4
Que razões existem para focarmos no longo prazo?
Antes de ler camada de estudo, não faz parte do texto original
Longoprazismo pode ser uma meta (ter o melhor impacto na história inteira) ou um foco prático (agir pensando no longo prazo); há boas razões para o foco prático, e até quem prioriza o presente tem razões para aceitar a meta.
Algumas escolhas boas para hoje podem ser ruins para daqui a muito tempo, e vice-versa. Pensar no longo prazo é olhar o filme inteiro, não só a cena de agora.
Um agricultor que cuida do solo pensando nas próximas décadas colhe mais no total do que um que esgota a terra em uma safra.
- P1 O futuro pode conter um número muito maior de seres sencientes do que o presente.
- P2 Não é garantido que ele será melhor por causa do progresso moral; depende do que fizermos agora.
- P3 Nossas decisões podem ter efeitos duradouros sobre esse futuro.
- C Logo, há boas razões para adotar um foco prático no longo prazo.
Forma lógica do argumento central do capítulo. Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão se segue. Para discordar, é preciso mostrar qual premissa é falsa.
Eles dizem “O progresso moral vai resolver tudo sozinho.”
Resposta Não é garantido. Depende de divulgarmos a consideração por todos os sencientes agora. A tecnologia pode avançar mais rápido que a ética.
Mais objeções e respostas em Desbancando objeções.
Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume IX, p. 32 da edição em PDF
4.1. O que é longoprazismo?
A palavra 37 é utilizada para expressar diferentes ideias, dependendo do autor. Por vezes, ela é utilizada em referência a uma meta. Em outras, é utilizada em referência a um foco prático para tentar alcançar essa meta38. A seguir, estão comparados dois tipos de metas (uma longoprazista e outra curtoprazista) e dois focos práticos (um longoprazista e outro curtoprazista).
- Meta longoprazista: almeja ter o melhor impacto possível na história daqui até o final dos tempos. Essa meta implica necessariamente dar igual peso a cada momento no tempo (isto é, implica a ).
Entretanto, duas pessoas que concordam com a meta longoprazista podem discordar quanto ao que deveríamos focar na prática para melhor alcançá-la. Assim, há pelo menos dois tipos de focos práticos para alcançar a meta longoprazista:
- Foco prático longoprazista: para termos o melhor impacto possível na história daqui até o final dos tempos, devemos focar no impacto que nossas decisões terão no futuro em longo prazo.
- Foco prático curtoprazista: para termos o melhor impacto possível na história daqui até o final dos tempos, devemos focar no impacto que nossas decisões terão no momento atual ou em um futuro próximo.
Considere agora a meta curtoprazista:
- Meta curtoprazista: almeja ter o melhor impacto possível no presente ou no futuro próximo. Essa meta dará um peso menor (ou mesmo negligenciará totalmente) o futuro distante (isto é, rejeita a temporal).
Como a meta curtoprazista não busca ter impacto no futuro em longo prazo, para alcançá-la existe apenas um tipo de foco prático:
- Foco prático curtoprazista: para termos o melhor impacto possível no presente ou no futuro próximo, devemos focar no impacto que nossas decisões terão no momento atual ou em um futuro próximo.
Assim, temos as seguintes possibilidades:
- Meta longoprazista com foco prático longoprazista
- Meta longoprazista com foco prático curtoprazista
- Meta curtoprazista com foco prático curtoprazista
4.2. O que veremos neste capítulo?
No item 4.3 veremos a razão central para se adotar uma meta longoprazista. No item 4.4 veremos argumentos para se adotar um foco prático longoprazista. No item 4.5 veremos as principais objeções ao foco prático longoprazista e como essas objeções podem ser respondidas.
4.3. Por que adotar uma meta longoprazista?
A razão central para se adotar uma meta longoprazista é a seguinte: se o que nos importa é o bem de todos os seres que poderemos afetar, a pergunta que faremos não será "como podemos ter o melhor impacto no mundo atual ou do futuro próximo?", e sim "como podemos ter o melhor impacto na história daqui para frente?". Uma defesa mais detalhada dessa ideia pode ser encontrada no Capítulo 2.
4.4. Razões a favor de um foco prático longoprazista
Como vimos, o foco prático no longo prazo defende que, para termos o melhor impacto na história daqui para frente, devemos focar nas consequências de longo prazo de nossas decisões.
A principal razão a favor do foco prático no longo prazo é que, a menos que haja uma extinção em massa da vida senciente, é muito provável que haverá muito mais seres no futuro distante do que no presente ou no futuro próximo, tanto diacronicamente quanto sincronicamente:
- Diacronicamente porque o futuro pode ter uma extensão vastíssima. Os indivíduos vivos agora ou no futuro próximo são pouquíssimos em comparação aos que viverão nos próximos séculos, milênios, eras etc.
- Sincronicamente porque poderá haver um aumento da população de seres sencientes em cada momento. Por exemplo, a colonização espacial poderia multiplicá-los em muitas ordens de magnitude39.
Em resumo, dependendo de como decidimos agora, afetaremos positiva ou negativamente uma quantidade gigantesca de seres que existirão ao longo do futuro.
Vejamos uma analogia para entendermos melhor o foco prático no longo prazo. Imaginemos que alguém precise escolher, ou evitar ter certo sofrimento agora, ou evitar ter certo sofrimento daqui a vinte anos. Entretanto, imagine que o sofrimento que ocorreria daqui a vinte anos seria muito mais intenso e prolongado. Se a pessoa escolhe evitar o sofrimento do momento atual, fará com que sua vida contenha mais sofrimento do que se tivesse escolhido a outra opção.
Analogamente, se o que almejamos é a melhor história do mundo daqui para frente para todos os seres sencientes, precisamos dar igual peso a cada momento. Porém, como o futuro em longo prazo conterá muito mais seres sencientes do que o momento presente ou do que o futuro em curto prazo, temos fortes razões para priorizar como nossas decisões afetam o futuro em longo prazo — essa é a ideia básica do foco prático no longo prazo.
Curiosamente, mesmo se fosse dado um peso cada vez menor ao bem de cada ser senciente dependendo do quão longe no futuro viverá, a quantidade de seres sencientes que poderão existir no futuro em longo prazo é tão vasta que ainda teríamos que concluir por priorizá-los, se nosso objetivo é a melhor história completa do mundo. Assim, mesmo quem rejeita a imparcialidade temporal, mas ainda dá alguma consideração aos seres futuros, teria que priorizá-los.
É claro, por quanto tempo o futuro conterá seres sencientes e qual será a população de seres sencientes em cada momento é algo altamente incerto. Mas, os seres futuros sobrepassam vastamente os atuais em expectativa (isto é, multiplicando-se sua quantidade pela sua probabilidade de virem a existir), e isso é suficiente para termos fortes razões para nos preocuparmos com eles. Esse problema da incerteza será discutido a seguir no item 4.5.3.
4.5. O debate sobre o foco no longo prazo
A seguir serão discutidas algumas das objeções mais comuns ao foco prático no longo prazo40:
4.5.1. É melhor deixar os problemas futuros para as gerações futuras?
Uma objeção ao foco prático no longo prazo defende que as gerações futuras estarão em melhor posição para resolver os problemas futuros: saberão quais 41 (isto é, riscos de sofrimento de magnitude gigantesca) são mais sérios e quais as melhores estratégias para preveni-los. Pela mesma razão, conclui a objeção, temos uma vantagem em termos de conhecimento se focarmos no presente.
Uma possível resposta a essa objeção é observar que não é garantido que as gerações futuras saberão como resolver tais problemas. Por exemplo, se deixarmos para as gerações futuras investigarem esses problemas, pode ser tarde demais para impedir os piores cenários42. Em
resumo, essa resposta defende que o quanto antes começarmos a trabalhar nesses problemas, antes surgirão soluções para eles, e que isso tornará melhor a história dali para frente.
Além disso, mesmo se as gerações futuras estiverem em melhores condições de resolver tais problemas, isso não significa que desejarão fazê-lo (pois isso dependerá do quanto eles considerarão os seres sencientes). Então, devemos tentar fazer com que venha a existir tanto a capacidade quanto a vontade de prevenir o sofrimento no futuro.
Por vezes é alegado que o futuro já será melhor devido ao progresso moral e que, portanto, não precisamos nos preocupar. Porém, isso não é garantido, pois depende crucialmente do que faremos agora para divulgar a consideração por todos os seres sencientes e do que continuará sendo feito ao longo do tempo.
4.5.2. Focar no presente tem mais influência?
Alguém poderia aceitar que o bem dos seres sencientes futuros conta igualmente mas rejeitar o foco prático no longo prazo por acreditar que vivemos em uma época crucial para determinar tudo o que acontecerá daqui para frente. Por exemplo, certos eventos que provavelmente ocorrerão no século XXI (como o surgimento de inteligências artificiais super inteligentes e autônomas) poderiam ter uma influência desproporcional dali para frente. Com base nisso, poderia ser defendido que, para termos o melhor impacto na história de mundo daqui para frente, devemos focar no presente (ou, pelo menos, no futuro próximo).
Uma possível resposta aqui é apontar que não sabemos qual será o grau de influência que cada um desses possíveis eventos terá na história dali para frente. Por exemplo, não sabemos se esses é que serão os eventos cruciais, se serão outros ainda desconhecidos, ou se as mudanças serão graduais, sem eventos cruciais. Se focarmos em determinados eventos e eles acabarem não tendo muita influência no futuro, teremos desperdiçado esforços43. Assim, parece melhor focar em investigar como nossas decisões podem influenciar o futuro positivamente independentemente do que vier a ocorrer. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio da investigação sobre para os riscos-s e planejando para lidar com sua prevenção.
4.5.3. A objeção de que o grau de certeza quanto ao presente é maior
Outra objeção ao foco prático no longo prazo aponta que, quanto mais longo o prazo, mais difícil prever a probabilidade de um evento ocorrer. Por essa razão, defende a objeção, devemos focar no curto prazo, pois nesse caso nosso grau de certeza é maior.
Entretanto, o grau de certeza não deveria determinar sozinho o quanto devemos focar em um cenário. Outro fator crucial é a magnitude do cenário (isto é, o quão bom ou ruim é). Dependendo do quão ruim é um cenário, ainda vale a pena priorizar preveni-lo, mesmo que estejamos mais incertos sobre se ele ocorrerá ou não. Uma maneira de levar em conta a magnitude e o grau de incerteza é multiplicar um fator pelo outro, e o resultado é chamado de valor esperado (ou , se o resultado for negativo44).
Vejamos um exemplo. Imaginemos que temos de escolher, ou evitar um evento negativo que poderia ocorrer no futuro próximo, ou um evento negativo que poderia ocorrer no futuro distante. Imaginemos que conseguimos estimar o quão negativo cada evento provavelmente seria, e que o evento do futuro próximo seria de -100 e do futuro distante seria de -1000. Entretanto, imaginemos que a probabilidade de o evento do futuro próximo ocorrer seja de 80% e que, devido à incerteza quanto ao futuro, a probabilidade de o evento do futuro distante ocorrer seja de apenas 10%.
O desvalor esperado do evento do futuro próximo seria de -100 x 0.8 = -80. Já o desvalor esperado do evento do futuro distante seria de -1000 x 0.1 = -100. Assim, de acordo com o cálculo do desvalor esperado, ainda teríamos razões para priorizar evitar o evento do futuro distante, mesmo que a probabilidade de ele ocorrer seja mais baixa.
Em resumo, o que essa resposta aponta é que a magnitude do futuro em longo prazo é tão vasta que, mesmo que haja grande incerteza quanto ao futuro, ainda valeria a pena priorizar tentar influenciá-lo.
Nesse ponto poderia ser objetado que o cálculo do desvalor esperado poderia nos conduzir a priorizar evitar cenários que, caso ocorressem, seriam desastrosos, mas cuja probabilidade de ocorrência é remotíssima.
Há no mínimo duas respostas possíveis a essa objeção. A primeira é reconhecer que ela aponta um problema com a fórmula do cálculo do desvalor esperado, mas defender que é possível adaptar a fórmula do cálculo para corrigir esse problema. Por exemplo, em vez de os fatores magnitude do dano e probabilidade de ocorrência terem o mesmo peso na multiplicação, o fator probabilidade poderia ter um peso maior.
Já a segunda resposta aponta que há estratégias que tendem a influenciar positivamente o futuro sem que para isso seja necessário estimarmos a probabilidade de o futuro ser dessa ou daquela maneira. As estratégias longoprazistas são divididas em dois grandes grupos: direcionadas e amplas. As direcionadas são focadas em prevenir cenários catastróficos específicos. Já as amplas são planejadas de modo a influenciar de modo positivo o futuro independentemente de quais cenários ocorrerem. Assim, a objeção em questão poderia fazer sentido apenas em relação às estratégias direcionadas, mas não atingiria as estratégias amplas.
Um exemplo de estratégia ampla é identificar fatores de risco para os riscos-s e tentar preveni-los. Veremos mais sobre isso a seguir.
4.5.4. A objeção de que o futuro é tão incerto que não temos como decidir
Uma objeção similar defende que o futuro em longo prazo é tão incerto que não temos a mínima ideia de como nossas decisões atuais o afetarão. Por exemplo, nossa influência será diluída pelas decisões dos muitos agentes futuros45. Quanto mais longo o futuro, mais está em jogo, mas também menor nossa influência. Assim, conclui a objeção, o fato de o futuro ser longo não é suficiente para embasar a conclusão de que devemos focar no longo prazo.
Entretanto, há coisas que podemos fazer agora que possuem a tendência de influenciar positivamente o futuro em longo prazo mesmo que tenhamos uma grande incerteza em relação ao futuro. Por exemplo, podemos identificar fatores de risco46 para os riscos-s e tentar
fazer coisas que diminuam esses fatores de risco. Fatores de risco não são eles próprios riscos-s, mas aumentam muito a probabilidade de que venham a ocorrer.
O conceito de fatores de risco já é amplamente utilizado na medicina. Por exemplo, fumar, alimentar-se mal e não fazer exercícios não são, em si, doenças, mas aumentam muito a probabilidade de várias doenças, ainda que não as impliquem necessariamente. Para saber que é algo bom evitar esses fatores de risco não é necessário saber como será a trajetória de saúde de cada indivíduo. Similarmente, podemos tentar identificar fatores de risco para os riscos-s e tentar identificar as ações que contribuiriam para evitá-los.
Dentre alguns fatores de risco para os riscos-s estão:
- Desconsideração por seres sencientes não humanos.
- Desconsideração por possíveis seres sencientes não biológicos futuros47.
- Demanda por produtos e serviços cuja produção prejudica seres sencientes.
- Prevalência de valores ambientalistas em vez da preocupação com seres sencientes.
- Expansão humana e aumento do poder tecnológico.
- O progresso tecnológico ser muito mais rápido do que o progresso moral48.
Cada um desses fatores de risco será abordado em mais detalhes no Capítulo 8.
4.5.5. A objeção de que o foco no longo prazo implicaria negligenciar o presente
Outra objeção comum ao foco prático no longo prazo é apontar que ele parece ter a implicação de negligenciar o sofrimento presente ou do futuro próximo, pois este é muitíssimo menor em magnitude, em comparação ao possível sofrimento em longo prazo.
Uma possível resposta aqui é apontar que, novamente, há ações que podemos tomar que têm a tendência de influenciar positivamente toda a história daqui para frente (por exemplo, promover a consideração moral de todos os seres sencientes) e que, então, não há necessariamente um dilema entre, ou abordar o futuro em longo prazo, ou abordar o presente.
À primeira vista, isso pode soar contraditório. Alguém poderia, por exemplo, perguntar: "não se está a defender então o foco prático no longo prazo?". A resposta para isso é que algumas das estratégias mais promissoras para o foco prático no longo prazo (como defender a de todos os seres sencientes) também ajudam a melhorar o curto prazo.
4.6. Conclusão
Vimos que o foco prático no longo prazo é uma possível resposta à pergunta "como ter o melhor impacto na história do mundo daqui para frente?". Abordamos também algumas objeções a esse foco e as respostas que têm sido dadas a elas.
Parece haver boas razões a favor do foco prático no longo prazo. Entretanto, outra conclusão importante aqui é que, mesmo quem rejeita esse foco (e escolhe dar prioridade, por exemplo, ao presente ou ao futuro próximo), ainda tem fortes razões aceitar a meta longoprazista, mesmo que não aceite o foco prático longoprazista.
Pratique
Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.
O termo longoprazismo pode se referir a...
Quem rejeita o foco prático no longo prazo ainda tem razões para aceitar o quê?
Para pensar
Que decisão sua hoje terá efeito daqui a cinquenta anos?
Notas do autor 12
- 37 Para uma introdução ao longoprazismo, ver (2018). Para mais informações sobre longoprazismo, ver (1984, p. 351-443); (2013) e ; Macaskill (2019). ↩
- 38 A distinção entre meta e foco prático é feita por (2022, p. 22-6). ↩
- 39 Para uma explicação do porquê a colonização espacial representa um grande risco de maximizar o sofrimento, ver O'brien (2022). ↩
- 40 Para uma discussão sobre esses pontos, ver Baumann (2022, p. 22-28). ↩
- 41 Sobre riscos-s, ver (2019b) e Baumann (2022). ↩
- 42 Isso vem sendo conhecido como time sensitive risks (riscos sensíveis ao tempo), ou seja, riscos de sofrimento futuro que devem ser tratados em um momento concreto, do contrário poderá ser tarde demais. ↩
- 43 Isso vem sendo conhecido como wasted years (anos perdidos), que são os anos desperdiçados, que poderiam ter sido empregues para adiantar uma causa (no caso, a causa que visa prevenir sofrimento). ↩
- 44 Sobre essa forma de medir, ver Tomasik (2016 [2007]), Baumann (2022, p. 20-1). ↩
- 45 Essa questão é discutida em Baumann (2022, p. 25-6). ↩
- 46 Sobre vários fatores de risco para os riscos-s, ver Baumann (2022, p. 49-56). ↩
- 47 Sobre essa possibilidade, ver Tomasik (2015). ↩
- 48 Isso vem sendo conhecido como progresso diferencial. ↩
Fontes citadas neste texto 8
A lista completa do volume está em referências do Volume IX.
- BAUMANN, T. Avoiding the worst final: how to prevent a moral cathastrophe. Center for Reducing Suffering, 2022.
- BECKSTEAD, N. On the overwhelming importance of shaping the far future. Tese (Doutorado em Filosofia). New Brunswick: Rutgers University, 2013.
- GREAVES, H. & MACASKILL, W. The case for strong longtermism. Global Priorities Institute, v. 7, set. 2019.
- PARFIT, D. Reasons and persons. Oxford: Oxford University Press, 1984.
- TOMASIK, B. Risks of astronomical future suffering. Foundational Research Institute, 02 jul. 2019b.
- TOMASIK, B. Why Maximize Expected Value? Essays on Reducing Suffering, 07 abr. 2016 [2007].
- TOMASIK, B. Why digital sentience is relevant to animal activists. Animal Charity Evaluators. 03 fev. 2015.
- ÉTICA ANIMAL. A importância do futuro. Ética Animal: ativismo e investigação em defesa dos animais, 24 out. 2018.
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