Volume II · Nível básico
Considerando os seres sencientes
Fundamentos da ética centrada na senciência
Sobre este volume
Este livro apresenta os principais argumentos que fundamentam a consideração moral plena de todos os seres sencientes, isto é, de todos os seres capazes de sofrer e desfrutar. Também examina as principais objeções a essa proposta, bem como suas implicações práticas, além de investigar quais critérios poderíamos utilizar para saber quais seres são sencientes.
ISBN 978-65-01-30511-0 · . Texto original de Luciano Carlos Cunha.
Em poucas palavras
Se não é a espécie, o que importa? O volume apresenta a resposta mais aceita na ética animal contemporânea: a senciência. Explica o argumento da relevância, o da sobreposição das espécies, o princípio da igual consideração e testes práticos para perceber quando estamos sendo tendenciosos.
Para crianças
Quem pode sentir dor e alegria pode ser machucado ou ficar feliz. Por isso, todo mundo que sente merece cuidado, seja gente, cachorro, peixe ou abelha. O livro ensina a pensar: "e se fosse eu no lugar dele?".
Você vai aprender
- O que é senciência e quais seres provavelmente a têm
- O argumento da relevância e o da sobreposição das espécies
- O princípio da igual consideração e o teste da imparcialidade
- O que fazer quando não temos certeza se um ser sente
Ajuda ter lido: o Volume I ajuda, mas não é obrigatório.
Começando do zero?
Cada capítulo tem uma versão simplificada, em linguagem para quem não conhece o tema. Leia a versão simples e depois o texto completo do autor.
- O que é relevante para saber a quem devemos consideração?
- O que é o argumento da sobreposição das espécies?
- O que é senciência e por que ela é importante?
- Quais seres são sencientes?
- Por que igual consideração?
- Questões relativas a merecimento poderiam justificar o especismo?
- A rejeição do especismo é compatível apenas com uma visão da ética?
- Se rejeitarmos o especismo, como decidiremos questões de prioridade?
- Mas, os humanos não são capazes de sofrer em maior grau?
- O que decidiríamos sob condições de imparcialidade?
- Testando se uma atitude é ou não especista
- Que importância devemos dar à situação dos animais?
- Incerteza sobre senciência e benefício da dúvida
Capítulos
- 1O que é relevante para saber a quem devemos consideração?6 min
O que importa para saber a quem devemos consideração é quem pode ser prejudicado ou beneficiado pelas nossas decisões; capacidades para agir moralmente importam para responsabilizar, não para considerar.
- 2O que é o argumento da sobreposição das espécies?2 min
Se a falta de certas capacidades e relações em alguns humanos não justifica tratá-los pior, a mesma falta nos animais também não justifica; e ela costuma ser motivo para cuidar mais, por aumentar a vulnerabilidade.
- 3O que é senciência e por que ela é importante?2 min
Senciência é a capacidade de ter experiências positivas e negativas; é ela que faz alguém ser "alguém" e não "algo", e por isso poder ser prejudicado pela presença do que é ruim ou pela ausência do que é bom.
- 4Quais seres são sencientes?5 min
Para saber quais seres são sencientes, investigamos indícios: sistema nervoso centralizado, outros indicadores fisiológicos, comportamento em geral e vantagem evolutiva. Muitos invertebrados satisfazem esses critérios, e a senciência não orgânica é uma possibilidade futura.
- 5Por que igual consideração?6 min
O princípio da igual consideração diz que prejuízos e benefícios de magnitude similar devem ter o mesmo peso, seja de quem for; violá-lo é especismo, que não se limita à exploração, à desconsideração total nem ao antropocentrismo.
- 6Questões relativas a merecimento poderiam justificar o especismo?3 min
O merecimento pode, às vezes, mudar prioridades, mas só para agentes responsabilizáveis que violaram alguma regra; como os animais não são responsabilizáveis, o merecimento não justifica dar-lhes menos peso.
- 7A rejeição do especismo é compatível apenas com uma visão da ética?3 min
Rejeitar o especismo não exige aderir a uma teoria ética específica, como o utilitarismo: as mais variadas teorias, que discordam em muito, podem concordar em condenar a exploração dos animais.
- 8Se rejeitarmos o especismo, como decidiremos questões de prioridade?2 min
Dar igual consideração a todos os sencientes não nos deixa sem guia para decidir prioridades: há vários critérios compatíveis com ela, como priorizar quem está pior, o maior número, o maior benefício ou o maior impacto futuro.
- 9Mas, os humanos não são capazes de sofrer em maior grau?2 min
Uma cognição mais complexa nem sempre implica sofrer mais: às vezes aumenta o sofrimento (antecipar), às vezes diminui (entender que o tratamento é para o bem); e menor cognição costuma vir com maior vulnerabilidade.
- 10O que decidiríamos sob condições de imparcialidade?8 min
Uma decisão é justa se for a que escolheríamos sem saber qual posição ocuparíamos entre os afetados; sem saber se seríamos humanos ou animais, não aceitaríamos a exploração nem o especismo.
- 11Testando se uma atitude é ou não especista2 min
Uma atitude é especista se é injusta com seres sencientes por causa da espécie; podemos testá-la perguntando se manteríamos a decisão sem saber a espécie dos afetados, sem saber a nossa, se as vítimas fossem humanas ou se trocássemos de lugar.
- 12Que importância devemos dar à situação dos animais?2 min
Diante de "por que se preocupar com animais com tantos humanos precisando?", o capítulo mostra que, pela gravidade, pelo número de vítimas e pela negligência, a causa animal mereceria prioridade muito alta sob condições de imparcialidade.
- 13Incerteza sobre senciência e benefício da dúvida10 min
Diante da incerteza sobre a senciência de um ser, devemos aplicar o benefício da dúvida: errar para o lado da precaução, porque tratá-lo como objeto, se ele sentir, é um erro mais grave do que o contrário.