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Volume II · Considerando os seres sencientes · capítulo 12

Que importância devemos dar à situação dos animais?

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Diante de "por que se preocupar com animais com tantos humanos precisando?", o capítulo mostra que, pela gravidade, pelo número de vítimas e pela negligência, a causa animal mereceria prioridade muito alta sob condições de imparcialidade.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume II, p. 41 da edição em PDF

Qualquer pessoa que defende os animais muito provavelmente já se deparou com essa objeção: "por que se preocupar com os animais não humanos enquanto há ainda tantos humanos necessitando de ajuda?".

Normalmente as pessoas que defendem os animais respondem que ajudar os animais não impede alguém de ajudar os humanos. Isso é verdade, mas não toca no problema principal da objeção, que é assumir que o bem dos humanos é mais importante. Essa pressuposição é altamente questionável, por vários motivos. Um deles, é que parece que ela seria amplamente rejeitada se estivéssemos sob condições de imparcialidade49 (isto é, se estivéssemos sob condições que nos impedissem de sermos tendenciosos). Vejamos por quê:

Uma visão comum é a de que, mesmo que os animais não humanos estejam normalmente em uma situação muito pior do que a dos humanos, mesmo que a quantidade total de vítimas não humanas seja gigantescamente maior do que a de vítimas humanas, e mesmo que haja uma quantidade muito maior de pessoas já investindo em ajudar humanos, deveríamos, ainda assim, priorizar ajudar os humanos.

Entretanto, jamais diríamos isso se não soubéssemos a espécie das vítimas em cada um dos casos. Muito menos diríamos a mesma coisa se os papéis fossem invertidos. Imagine, por exemplo, que os humanos estivessem em uma situação pior do que a dos animais não humanos, houvesse uma maior quantidade de vítimas humanas, e houvesse uma maior quantidade de pessoas já investindo em ajudar animais não humanos, Nesse cenário, a defesa de que, ainda assim, deveríamos priorizar ajudar os animais não humanos seria vista como algo absurdo.

O inverso só não é visto como absurdo dada a predominância do que é, em si, uma violação da . Aliás, se estivéssemos sob condições de imparcialidade, dada à quantidade de vítimas, a gravidade de sua situação, e o grau com que são , concluiríamos que a causa animal deveria receber uma prioridade muito alta50.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume II
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Que fatores o capítulo usa para avaliar a importância da causa animal?

Por que o inverso ("por que ajudar humanos com tantos animais sofrendo?") parece absurdo para muitos?

Para pensar

Quanto do seu tempo ou dinheiro hoje vai para causas que envolvem animais? A proporção corresponde à gravidade do problema?

Notas do autor 2
  1. 49 Sobre imparcialidade, ver (2015g, 2015h, 2016f). ↩
  2. 50 Para uma análise dessa questão, ver (2021, p. 193-223; 2023). ↩
Fontes citadas neste texto 5

A lista completa do volume está em referências do Volume II.

  • CUNHA, L. C. Especismo e priorização de causas. In: ROSARIO, M. C.; PEREIRA, F. S.; AZEVEDO, M. A. O. Anais do Simpósio Ética Animal em Ação. São José dos Campos: Entrementes Editorial, 2023, p. 33-45
  • CUNHA, L. C. Uma breve introdução à ética animal: desde as questões clássicas até o que vem sendo discutido atualmente. Curitiba: Appris, 2021.
  • ÉTICA ANIMAL. Contratualismo. Ética Animal: ativismo e investigação em defesa dos animais, 24 dez. 2015g.
  • ÉTICA ANIMAL. Justiça plena: o que o véu da ignorância nos mostra sobre uma sociedade justa. Ética Animal: ativismo e investigação em defesa dos animais, 31 dez. 2016f.
  • ÉTICA ANIMAL. O argumento da imparcialidade. Ética Animal: ativismo e investigação em defesa dos animais, 24 dez. 2015h.

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