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Desbancando objeções
248 objeções comuns ao respeito pelos animais e como respondê-las: 65 dos quadros do Volume XII, no texto do autor, e 183 respostas curtas capítulo a capítulo.
Como usar: abra a objeção que você ouviu, leia a resposta e siga o link para o capítulo completo. Para treinar, use o modo cartões de estudo. Para um catálogo ainda maior de argumentos, veja o Guia de Argumentação pelos Animais.
Dos quadros do Volume XII texto original
Eles dizemEsses animais não pertencem à espécie humana. (I, cap. 2).
Resposta
Isso não explica por que pertencer à espécie humana é relevante para a consideração moralAprofunde: Vol. I, cap. 2
Eles dizemEsses animais não pertencem à espécie que nós pertencemos. (I, cap. 2)
Resposta
Isso não explica a relevância do critério da espécie. O critério da espécie pode ser arbitrário, como são os critérios da raça e do gênero, por exemplo.Aprofunde: Vol. I, cap. 2
Eles dizemEsses animais não possuem almas imortais e não foram criados à imagem e semelhança de uma divindade. (I, cap. 3).
Resposta
Não é possível comprovar essas alegações. Mas, mesmo que fosse, o argumento não explica por que cumprir esses requerimentos seria relevante para receber consideração moralAprofunde: Vol. I, cap. 3
Eles dizemEsses animais carecem de certas capacidades e relações, e até mesmo do potencial para desenvolvê-las. Por exemplo, não têm noção de certo e errado, de justiça, de direitos, não têm relações políticas conosco etc. (I, cap. 4 e 5).
Resposta
O argumento não explica por que a posse dessas características seria relevante para a consideração moral. Por exemplo, há humanos que também não as possuem (bebês, por exemplo) ou que sequer possuem o potencial para desenvolvê-las (como vítimas de certas doenças que incapacitam durante toda a vida) mas isso não parece justificar desconsiderá-los.Aprofunde: Vol. I, cap. 4 · Vol. I, cap. 5
Eles dizemEsses animais não pertencem à mesma espécie dos seres que têm aquelas capacidades e relações (I, cap. 6).
Resposta
Isso não explica a relevância, nem do critério das capacidades/relações, nem do critério da espécie. O argumento já assume de antemão ambas as coisas.Aprofunde: Vol. I, cap. 6
Eles dizemO critério da espécie é justo porque faz referência a características biológicas (já os critérios da raça e do gênero seriam injustos porque se tratam de construções sociais). (I, cap. 7).
Resposta
O fato de um critério ser baseado em características biológicas não o torna justo. Por exemplo, um sistema de escravidão baseado na altura ou na cor da pele seria baseado em características biológicas. Entretanto, seria tão injusto quanto qualquer outra forma de escravidão. O mesmo vale para a escravidão baseada em espécie.Aprofunde: Vol. I, cap. 7
Eles dizemÉ natural e/ou tradicional desconsiderar os animais (I, cap. 8 e 9).
Resposta
Do fato de um comportamento ser natural ou tradicional não se segue que necessariamente seja bom, justo, desejável, ou sequer que seja aceitável.Aprofunde: Vol. I, cap. 8 · Vol. I, cap. 9
Eles dizemA ética é uma criação humana. Portanto, todas as visões são igualmente arbitrárias, e não precisamos justificar o que fazemos. (I, cap. 11).
Resposta
O fato de uma área do conhecimento ter sido criada não implica que todas as posições nessa área sejam arbitrárias. Em ética, por exemplo, há posições que são tendenciosas na consideração dos danos e benefícios sobre os indivíduos afetados e outras que não são.Aprofunde: Vol. I, cap. 11
Eles dizemA ética é uma atividade humana. Como os animais não são capazes de agir moralmente, não devem ser considerados. (I, cap. 10).
Resposta
Os beneficiários de certa atividade não necessariamente têm que ser capazes também de exercê-la. Exigir que, para alguém receber consideração moral, também tem de ser capaz de agir moralmente, é como exigir que, para alguém ser atendido por um médico, também tem que ser médico.Aprofunde: Vol. I, cap. 10
Eles dizemOs humanos inventaram a ética para se proteger. Portanto, está justificado desconsiderar aqueles indivíduos que não têm poder de nos ameaçar. (I, cap. 12).
Resposta
Não está provado que a ética surgiu por autointeresse. E mesmo que tivesse, isso não implica que essa concepção de ética está correta. Uma coisa é descrever como surgiu certa atividade. Outra é justificar certa visão nessa atividade. Por exemplo, os primeiros astrônomos tinham certas convicções que, com o tempo, se revelaram equivocadas. O mesmo vale para a ética.Aprofunde: Vol. I, cap. 12
Eles dizemHumanos são capazes de sofrer em maior grau, devido ao alto grau de cognição. Portanto, o tratamento padrão dado aos animais não humanos está justificado. (II, cap. 9).
Resposta
Mesmo se fosse esse o caso, o fato de um tipo de indivíduo sofrer em maior grau não implica que está justificado desconsiderar os indivíduos que são capazes de sofrer em menor grau. Além disso, também é possível questionar a tese de que um maior grau de cognição implica sofrimento maior. Isso será assim em certas situações (por exemplo, só alguém que entende que será morto daqui a alguns dias sofrerá por antecipação), mas não em outras (por exemplo, um animal que é capturado para ser medicado e entra em pânico por achar que será morto). Além disso, um menor grau de cognição normalmente vem acompanhado de maior vulnerabilidade, o que nos dá razões para dar a esses 4 indivíduos uma proteção maior.Aprofunde: Vol. II, cap. 9
Eles dizemSó importam os ecossistemas e as espécies, e não os indivíduos. (V, cap. 10, VI, cap. 14).
Resposta
O que está em jogo em questões de consideração moral é a possibilidade de, com nossas decisões, afetarmos positiva ou negativamente os atingidos por elas. Por isso, os indivíduos deveriam ser o centro da consideração moral, pois são eles que são passíveis de ser prejudicados e beneficiados.Aprofunde: Vol. V, cap. 10
Eles dizemHá autoridades morais (religiosas ou de outro tipo) que aprovaram a exploração animal. Logo, a exploração animal está justificada. (I, cap. 13).
Resposta
O fato de uma autoridade aprovar determinada prática não implica que ela esteja necessariamente certa. O que teria de ser analisado são as razões que a autoridade em questão ofereceu para tentar justificar a prática. Entretanto, essas razões serão plausíveis ou implausíveis, quer tenham sido oferecidas por uma autoridade ou por qualquer outra pessoa. A vontade de uma autoridade não tem poder de tornar bom um argumento ruim. Portanto, é completamente irrelevante saber se quem ofereceu um argumento é ou não uma autoridade. O que importa é saber se o argumento que ofereceu é ou não sólido.Aprofunde: Vol. I, cap. 13
Eles dizemHá outras coisas para além do sofrimento/prazer que afetam o bem-estar (como a satisfação de preferências e obter bens objetivos como conhecimento, relações especiais etc.). (VI, cap. 5; XI, cap. 2).
Resposta
O critério da senciência diz apenas quais seres possuem um bem-estar. O critério não se compromete necessariamente (ainda que seja compatível) com a tese de que o bem-estar se resume à sofrimento/prazer. Também é compatível com a tese de que o bem-estar inclui também, por exemplo, a satisfação de preferências e bens objetivos.Aprofunde: Vol. VI, cap. 5 · Vol. XI, cap. 2
Eles dizemO critério da senciência só faz sentido em uma ética utilitarista. (II, cap. 7).
Resposta
O critério da senciência diz apenas quais seres devemos considerar, sem se comprometer com uma maneira específica de determinar a ação correta. De fato, este critério tem sido incorporado pelas mais variadas teorias e 13 correntes da ética contemporânea.Aprofunde: Vol. II, cap. 7
Eles dizemO critério da senciência é antropocêntrico, pois busca nos animais uma similaridade com humanos (a senciência). (VI, cap. 2)
Resposta
O critério da senciência não defende que devemos considerar os animais sencientes porque se parecem com humanos, e sim, porque são passíveis de ser prejudicados e beneficiados.Aprofunde: Vol. VI, cap. 2
Eles dizemO critério da senciência comete uma discriminação baseada nos reinos, pois exclui quem não pertence ao reino animal (VI, cap. 3).
Resposta
Ser senciente não é o mesmo que ser um animal. Há animais não sencientes (como as esponjas, por exemplo) e no futuro poderá haver seres sencientes não animais (por exemplo, se a senciência em meios digitais for possível). O critério prescreve considerar todos os seres sencientes, independentemente de pertencerem ou não ao reino animal.Aprofunde: Vol. VI, cap. 3
Eles dizemHá danos que não necessariamente causam sofrimento, como o dano da morte. Logo, o critério da senciência está errado. (VI, cap. 4).
Resposta
Aceitar o critério da senciência não implica afirmar que a única forma de dano é o sofrimento. Por exemplo, um ser senciente também é prejudicado se é impedido de experimentar o que lhe seria positivo (que é o que acontece quando morre, por exemplo).Aprofunde: Vol. VI, cap. 4
Eles dizemHá danos que não causam sofrimento nem impedem alguém de desfrutar algo positivo (como, por exemplo, se alguém for violentado enquanto está inconsciente e quando acordar não se lembrar de nada). O critério da senciência não levaria tais danos em consideração. (VI, cap. 5).
Resposta
O critério da senciência diz que os seres passíveis de ser prejudicados são os que possuem consciência, mas não afirma necessariamente que todas as formas de dano, ou causam sofrimento, ou impedem experiências positivas (ainda que seja compatível com essa visão). O critério da senciência também é compatível com a visão de que um ser senciente é prejudicado quando tem suas preferências violadas (sejam as que de fato possui, ou as que teria se fosse racional e tivesse as informações relevantes sobre o que está ocorrendo).Aprofunde: Vol. VI, cap. 5
Eles dizemO critério da senciência exclui os invertebrados. (VI, cap. 6).
Resposta
Há muitos invertebrados que satisfazem os critérios para a senciência, como cefalópodes, crustáceos decápodes, muitos tipos de insetos e aracnídeos, e talvez 14 gastrópodes, bivalves e até mesmo vermes nematodos.Aprofunde: Vol. VI, cap. 6
Eles dizemO critério da senciência é melhor do que o antropocêntrico pois inclui um número maior de seres. Pela mesma razão, o critério da vida é melhor do que o da senciência. (VI, cap. 15).
Resposta
O número de seres considerados, por si só, não mostra que um critério é melhor do que outro. Teria que ser mostrado que os seres vivos não sencientes são, de fato, passíveis de ser prejudicados e beneficiados.Aprofunde: Vol. VI, cap. 15
Eles dizemSeres vivos não sencientes também são passíveis de ser prejudicados, pois sobrevivem sob certas condições e perecem sob outras. (VI, cap. 17 e 18).
Resposta
O fato de um organismo sobreviver ou perecer dependendo das condições não mostra que necessariamente é prejudicado ou beneficiado dependendo da condição em que se encontra, pois isso por si só não mostra que há alguém naquele organismo experimentando certos estados como positivos e outros como negativos.Aprofunde: Vol. VI, cap. 17 · Vol. VI, cap. 18
Eles dizemOs seres sencientes usam a sensação da dor para evitar o que os mataria e, por meio das sensações positivas, sabem quais coisas contribuem para permanecerem vivos. Logo, a senciência é apenas um meio para preservar a vida, que é o que realmente tem valor em si. (VI, cap. 16 e 19).
Resposta
O fato de almejarmos permanecer vivos não implica que a vida biológica possua valor em si. Normalmente, pensamos que estar vivo é bom porque nos permite ter experiências valiosas. Não vemos tais experiências como possuindo valor meramente instrumental a permanecermos vivos. Em vez disso, estar vivo é bom porque permite essas experiências. Se pensássemos que a vida biológica possui valor em si, manteríamos que há algo de bom em permanecer como um corpo vivo sem nenhuma possibilidade de experiências (e nem de voltar a tê-las), e inclusive quando só pudéssemos experimentar sofrimento extremo e nada mais.Aprofunde: Vol. VI, cap. 16 · Vol. VI, cap. 19
Eles dizemE, se o critério da senciência estiver errado? Se entidades não sencientes (como plantas, ecossistemas, espécies etc.) forem consideráveis, está justificado prejudicar os seres sencientes se isso for necessário para preservá-las. (VI, cap. 14).
Resposta
Mostrar que uma entidade é moralmente considerável não é o mesmo que mostrar que ela deve ter prioridade. Mesmo que entidades não sencientes fossem consideráveis, há razões para, em casos de conflito, priorizar os seres sencientes. As principais razões são duas: (1) apenas seres sencientes são capazes de experimentar sofrimento (2) apenas no seu caso a morte impede experiências positivas. Esses são danos particularmente graves, que nenhuma entidade não senciente é passível de padecer.Aprofunde: Vol. VI, cap. 14
Eles dizemO critério da senciência valoriza apenas seres que possuem uma subjetividade. Então, assume que valores são subjetivos (isto é, que não há certo/errado quanto a valores). (VI, cap. 7).
Resposta
Isso é confundir dois sentidos do termo "subjetivo". Algo pode ser subjetivo no sentido de fazer referência à consciência. Algo pode ser subjetivo no sentido de não haver uma verdade objetiva a seu respeito. Entretanto, uma coisa não implica necessariamente a outra. Por exemplo, poderia ser dito que a felicidade tem objetivamente valor em si e que o sofrimento tem objetivamente desvalor em si.Aprofunde: Vol. VI, cap. 7
Eles dizemSe plantas forem sencientes, tanto faz comer animais ou plantas, certo? (VI, cap. 21).
Resposta
Se plantas também fossem sencientes, o que se segue é o frugivorismo, e não que é certo comer, tanto animais quanto plantas. Uma analogia: a constatação de que humanos e outros animais são sencientes implica o veganismo, e não que está certo comer, tanto animais quanto humanos.Aprofunde: Vol. VI, cap. 21
Eles dizemA morte não os prejudica porque não entendem o que é a morte. (III, cap. 2).
Resposta
Isso é confundir ser prejudicado com ter consciência do prejuízo que terá. A morte priva alguém de continuar a desfrutar daquilo que lhe seria positivo, e isso é independente de o indivíduo entender ou não o que é a morte.Aprofunde: Vol. III, cap. 2
Eles dizemA morte não os prejudica porque não possuem desejos orientados para o futuro. (III, cap. 2).
Resposta
A morte impede alguém de desfrutar aquilo que de positivo experimentaria caso não morresse, e isso independe de esse alguém possuir ou não desejos orientados para o futuro. Por exemplo, suponha que duas crianças se divertirão em um passeio amanhã, mas apenas uma delas é grande o bastante para entender o conceito de amanhã e formar um desejo de ir no passeio amanhã. Entretanto, se ambas morrem hoje, ambas são prejudicadas.Aprofunde: Vol. III, cap. 2
Eles dizemSão pouco prejudicados com a morte porque não são capazes de prazeres intelectuais, e estes são mais valiosos. (III, cap. 4).
Resposta
Mesmo que esse fosse o caso, não fundamentaria a conclusão. O que teria de ser mostrado para fundamentar a conclusão é que prazeres não intelectuais não são valiosos (e não que prazeres intelectuais são mais valiosos). Além disso, também é questionável a tese de que todo prazer intelectual é mais valioso. Por exemplo, reencontrar depois de 20 anos um ente querido desaparecido parece ser mais valioso do que muitas atividades intelectuais.Aprofunde: Vol. III, cap. 4
Eles dizemComê-los beneficia-os, pois os faz nascer, e a morte de um é anulada pelo nascimento de outro. (III, cap. 8 e 9; IV, cap. 7).
Resposta
Se isso justificasse matar alguém, então todos os pais teriam direito de matar os filhos, desde que fizessem nascer outros para substituí-los. O mal de matar alguém que já existe é mais grave do que deixar de produzir novos seres, pois no primeiro caso já há um indivíduo que é prejudicado, enquanto que no segundo caso o que há são apenas inúmeras possibilidades futuras de seres sencientes.Aprofunde: Vol. III, cap. 8 · Vol. III, cap. 9 · Vol. IV, cap. 7
Eles dizemSão pouco prejudicados com a morte porque possuem uma conexão psicológica fraca com o seu futuro (pois suas mentes são mais simples). O grau de conexão psicológica depende do grau de memórias, intenções, desejos, etc. em comum entre dois instantes. (III, cap. 9).
Resposta
Duas críticas: (1) O fato de suas mentes serem mais simples pode implicar uma maior conexão psicológica, pois os seus conteúdos mentais variariam menos, e então a proporção de conteúdos mentais em comum nos diversos momentos seria maior (ainda que a quantidade de conteúdos em comum possa ser menor). (2) Possuir um alto grau de conexão psicológica (ou mesmo alguma conexão psicológica) não é necessário para alguém ser bastante prejudicado com a morte. Por exemplo, se alguém viveu pouco, e teria pela frente um futuro com experiências bastante positivas, parece que é prejudicado em alto grau se morrer (devido à morte impedir essas experiências), e isso independe do grau de conexão psicológica que teria com o seu eu futuro.Aprofunde: Vol. III, cap. 9
Eles dizemA morte os beneficia porque suas vidas, seja na exploração, seja na natureza, seriam repletas de sofrimento. (IV, cap. 6).
Resposta
Essa constatação jamais poderia justificar a exploração animal. Pelo contrário, dá razões para aboli-la, pois ela produz novos seres que terão vidas repletas de sofrimento. Ela também não poderia justificar "deixar a natureza seguir o seu curso". Pelo contrário, ela dá razões para tentar prevenir que os animais nasçam na natureza em contextos nos quais suas vidas seriam repletas de sofrimento.Aprofunde: Vol. IV, cap. 6
Eles dizemA morte não os prejudica se tiverem pouco tempo pela frente (por serem idosos ou por conta de seu lifespan curto). (III, cap. 10).
Resposta
Alguém ter pouco tempo de vida pela frente não implica que a morte lhe será pouco prejudicial. O tempo que lhes resta pode ser muito valioso. Isso já é amplamente reconhecido no caso humano. Além disso, é possível que animais com cérebros menores (como insetos) tenham uma percepção subjetiva mais rápida do tempo. Assim, o que nos parece pouco tempo de vida talvez não seja.Aprofunde: Vol. III, cap. 10
Eles dizemSe houver vida após a morte, a morte não os prejudica, mesmo que sua vida aqui seja boa. (III, cap. 13).
Resposta
Há incerteza: (1) sobre se há ou não vida após a morte; e (2) sobre se, caso houver, se ela será pior ou melhor do que a atual. Por outro lado, sabemos como será provavelmente a vida do indivíduo se continuar vivo. Assim, a incerteza sobre ambos os pontos não pode justificar matar animais que possuem uma vida boa.Aprofunde: Vol. III, cap. 13
Eles dizemAmbientalismo e defesa animal almejam o bem dos animais, mas discordam dos meios para alcançar essa meta: o ambientalismo concorda com matar uma minoria para salvar a maioria e a defesa animal discorda.Quando programas ambientalistas matam animais, o fazem porque essa é a única maneira de salvar muitos animais daí para frente (essa é a sua meta). (V, cap. 2 e 8).
Resposta
Ambientalismo e defesa animal possuem metas diferentes. A defesa dos animais valoriza em si o bem-estar dos seres sencientes. O ambientalismo valoriza em si entidades não sencientes, como ecossistemas ou espécies. A meta do ambientalismo é manter os ecossistemas em certas configurações que valoriza, mesmo que isso não seja o melhor para os seus habitantes. A meta dos programas ambientalistas não é salvar seres sencientes (seja maioria ou minoria). Já entre os defensores dos animais, há tanto quem defende matar uma minoria se essa for a única maneira de salvar uma maioria, quanto quem rejeita essa posição.Aprofunde: Vol. V, cap. 2 · Vol. V, cap. 8
Eles dizemA defesa animal é centrada nos indivíduos, e o ambientalismo é centrado no "todo" (como espécies e ecossistemas). Isso significa que o ambientalismo prioriza salvar a maioria dos seres sencientes, mesmo que para isso seja necessário matar uma minoria (pois prioriza o todo), e a defesa animal se opõe a isso (pois prioriza o indivíduo). (V, cap. 2 e 8).
Resposta
Consideração por indivíduos não implica necessariamente priorizar um indivíduo frente a vários. Quer dizer apenas que o foco da consideração moral são os seres sencientes (isto é, os indivíduos), e não, entidades não sencientes. Isso é compatível tanto com posições que priorizam salvar a maioria quanto com as que priorizam a minoria em certas condições (por exemplo, por estarem em uma situação pior). Da mesma maneira, consideração pelo "todo", tal como presente no ambientalismo, não é a consideração pela maioria (ou por indivíduo algum). É a consideração pela espécie enquanto entidade abstrata (e não por seus membros) e por ecossistemas (e não por seus habitantes).Aprofunde: Vol. V, cap. 2 · Vol. V, cap. 8
Eles dizemA defesa animal defende ajudar os animais selvagens sem se preocupar com as consequências, e o ambientalismo prescreve não ajudá-los por receio de que fazê-lo possa causar ainda mais sofrimento. (V, cap. 4).
Resposta
A diferença entre essas posições não tem a ver com uma delas considerar o longo prazo e outra não. Ambas podem considerar o longo prazo. O que as diferencia são suas metas. Afirmar que certa ajuda não deveria ser conduzida porque poderia causar mais sofrimento em longo prazo é uma preocupação com os seres sencientes (portanto, não é uma preocupação ambientalista).Aprofunde: Vol. V, cap. 4
Eles dizemApesar das diferenças, ambientalismo e defesa animal convergem na prática, pois os animais precisam do meio ambiente, e o ambientalismo visa preservá-lo. (V, cap. 3).
Resposta
Isso ocorrerá em alguns casos, mas não em outros. É possível preservar o meio ambiente nas mais distintas configurações. As configurações almejadas pelo ambientalismo muitas vezes não coincidem com aquela que é melhor (ou mesmo boa) para os animais.Aprofunde: Vol. V, cap. 3
Eles dizemQuanto maior o grau de equilíbrio ecológico e de biodiversidade, melhor para os animais. É por isso que os ambientalistas almejam tais coisas: porque sua meta é o bem dos animais. (V, cap. 5).
Resposta
O ambientalismo valoriza o equilíbrio ecológico e a biodiversidade não por preocupação com o bem dos animais. Valoriza essas coisas em si, ou como meio para manter os ecossistemas em certas configurações (estas sim, valorizadas em si). Além disso, muitas vezes um maior grau de equilíbrio e/ou de biodiversidade não coincidem com o que é melhor (ou mesmo minimamente bom) para os animais. Esses conceitos são baseados, respectivamente, na variação no tamanho das populações ao longo do tempo e na diversidade de espécies. Isso não indica que o bem-estar dos animais nessas situações é necessariamente positivo.Aprofunde: Vol. V, cap. 5
Eles dizemO ambientalismo é cientificamente informado pela ecologia, enquanto a defesa animal é anti-científica. (V, cap. 6, VII, cap. 19).
Resposta
Na verdade, qualquer visão normativa precisa ser bem informada cientificamente pois, do contrário, não alcançará as metas que busca. A ecologia é uma ciência que descreve como se dão as interações nos ecossistemas. Esse conhecimento pode ser utilizado para tentar buscar metas ambientalistas, mas também pode ser utilizado para tentar beneficiar os seres sencientes.Aprofunde: Vol. V, cap. 6
Eles dizemSe for mostrado que ecossistemas e espécies possuem valor em si, está justificado matar os animais para preservar espécies e ecossistemas e também que é errado ajudar os animais quando vítimas de processos naturais. (V, cap. 10).
Resposta
Não, pois para fundamentar tais conclusões seria necessário não apenas mostrar que tais entidades não sencientes possuem valor em si, mas também que sua preservação é mais importante do que prevenir sofrimento e morte de seres sencientes. Além disso, há razões para se priorizar os seres sencientes, pois nenhuma entidade não senciente é capaz de sofrer ou de a morte impedi-la de desfrutar – prejuízos muito graves.Aprofunde: Vol. V, cap. 10
Eles dizemNão há necessidade de ajudar os animais na natureza: basta parar de prejudicá-los, pois, se deixarmos a natureza seguir o seu curso, os animais geralmente terão vidas predominantemente positivas. (VII, cap. 3).
Resposta
Os animais na natureza são altamente prejudicados pelos processos naturais. Desnutrição, fome, sede, doenças, lesões físicas, estresse psicológico, eventos meteorológicos hostis, desastres naturais e vários tipos de conflitos entre animais são a norma na natureza. Além disso, a vasta maioria das espécies de animais se reproduz maximizando os filhotes (em ninhadas que vão desde milhares até muitos milhões, dependendo da espécie). Em períodos de aproximada constância populacional, é possível deduzir que, em média, a cada geração está sobrevivendo um único descendente por adulto (isto é, apenas dois por ninhada). Todo o restante da ninhada nasce geralmente apenas para experimentar sofrimento extremo e morrer de modo bastante 27 prematuro. Por conta desses fatores, a quantidade de animais que sofrem e morrem em decorrência dos processos naturais é tão gigantesca que faz até mesmo os números da exploração animal ficarem pequenos em comparação28.Aprofunde: Vol. VII, cap. 3
Eles dizemMuitos ovos são destruídos antes de formarem seres sencientes. Assim, poucos animais são prejudicados. (VII, cap. 3).
Resposta
Mesmo que isso acontecesse com a vasta maioria dos ovos, ainda seria uma quantidade gigantesca de indivíduos que nasceria para viver uma vida na qual predomina largamente o sofrimento. Por exemplo, mesmo que 90% dos 2 milhões de ovos da posta de um bacalhau fossem destruídos antes de formarem seres sencientes, os 10% restantes ainda seriam 200.000 indivíduos.Aprofunde: Vol. VII, cap. 3
Eles dizemA maioria dos animais morre muito jovem, e nesse estágio ainda são pouco capazes de sofrer. Portanto, são pouco prejudicados pelo que lhes acontece. (VII, cap. 3).
Resposta
Não há evidências de que, por serem muito jovens, sejam pouco capazes de sofrer. Pelo contrário, dado que a maior parte desses animais é precocial, é bem provável que sua capacidade de sentir seja muito aguçada nesse estágio, pois, do contrário, 29 provavelmente tais espécies não mais existiriam. E mesmo que fossem pouco capazes de sofrer, isso não quer dizer que foram pouco desafortunados, pois a morte prematura agrava o dano da morte (viveram vidas curtas e repletas de sofrimento).Aprofunde: Vol. VII, cap. 3
Eles dizemNão devemos minimizar danos naturais porque essa questão está fora do escopo da ética, uma vez que nem os processos naturais nem os animais são responsabilizáveis. (VII, cap. 2, 15, 16).
Resposta
É contraditório afirmar que a questão dos danos naturais está fora do escopo da ética e depois dizer que não devemos minimizar esses danos. Além disso, o fato de os processos naturais e os animais não serem responsabilizáveis é irrelevante, uma vez que quem tem que decidir somos nós, não eles. Quando humanos são as vítimas em situações similares, não é dito que não devemos socorrer as vítimas só porque os processos naturais e os animais não são responsabilizáveis.Aprofunde: Vol. VII, cap. 2 · Vol. VII, cap. 15 · Vol. VII, cap. 16
Eles dizemIntervir na natureza (isto é, no território natural e em processos naturais) é sempre errado, pois é uma atitude arrogante. Trata-se de "brincar de deus". (VII, cap. 6).
Resposta
Há muitas intervenções na natureza que são aceitas por quase todas as pessoas. Por exemplo, aquelas feitas para beneficiar humanos (medicina, agricultura, construção de moradias, escolas, hospitais, bibliotecas etc.) e para alcançar metas ambientalistas (intervenções para preservar espécies raras, para manter os ecossistemas em certa configuração etc.). Se alguma dessas intervenções é justificável, então não faz sentido dizer que é errado ajudar os animais selvagens só porque envolveria intervir na natureza.Aprofunde: Vol. VII, cap. 6
Eles dizemÉ errado influenciar no destino desses animais. (VII, cap. 6).
Resposta
Estaremos influenciando o destino desses animais de qualquer maneira, quer decidamos ajudar, quer decidamos não ajudar.Aprofunde: Vol. VII, cap. 6
Eles dizemA proposta é antropocêntrica, pois surge dos humanos. (VII, cap. 7).
Resposta
O fato de uma proposta ser antropogênica (isto é, surgir dos humanos) não significa que seja antropocêntrica (isto é, que sua meta é centrada em beneficiar humanos). A proposta em questão visa beneficiar os animais. Portanto, não é antropocêntrica.Aprofunde: Vol. VII, cap. 7
Eles dizemQuanto menos influência humana, melhor para os animais. (VII, cap. 8)
Resposta
Não necessariamente. Teria de ser avaliado, caso a caso, se é agir ou se omitir aquilo que possui os melhores resultados para os animais. Não há base para dizer que se omitir é sempre melhor.Aprofunde: Vol. VII, cap. 8
Eles dizemDevemos reduzir a influência humana no mundo, mesmo em situações nas quais reduzi-la seria pior para os animais. (VII, cap. 8).
Resposta
É contraditório dizer que devemos reduzir a influência humana porque ela prejudica os animais, e em seguida dizer que devemos reduzi-la mesmo quando fazê-lo for pior para os animais. Para fundamentar tal tese, o que teria de ser demonstrado é que a influência humana é errada em si, com total independência de como os animais são afetados. Entretanto, a objeção em questão já assume que tal tese está correta, em vez de demonstrá-la.Aprofunde: Vol. VII, cap. 8
Eles dizemA partir de nossa perspectiva humana, não conseguimos saber o que é melhor para os animais. Logo, o que é melhor para os animais é deixar a natureza seguir o seu curso. (VII, cap. 7).
Resposta
É contraditório dizer, primeiro que não podemos saber o que é melhor para os animais, e depois dizer que sabemos que o melhor para eles é deixar a natureza seguir o seu curso. Além disso, nas situações em que a proposta de ajudar os animais selvagens visa intervir, nós sabemos o que é melhor para os animais. Seria absurdo dizer que talvez o melhor para os animais seria terem seus corpos queimados, morrerem de inanição, de doenças, nascerem para terem apenas sofrimento etc.Aprofunde: Vol. VII, cap. 7
Eles dizemAjudar violaria a liberdade dos animais. (VII, cap. 10).
Resposta
Pelo contrário. Ajudar é a única maneira de garantir que eles possam exercer sua liberdade, pois para isso precisam estar vivos e livres de sofrimento extremo. Poderia ser objetado que por vezes a proposta requer intervir na liberdade deles (por exemplo, para vaciná-los). Mas, se o grau de liberdade depende do quanto alguém pode realizar o que quer, restringir a liberdade deles em certo momento pode ser necessário para garantir que possam continuar a exercê-la.Aprofunde: Vol. VII, cap. 10
Eles dizemAjudá-los pode criar neles uma dependência dos cuidados humanos. Logo, não devemos ajudá-los. (VII, cap. 11).
Resposta
Essa objeção não se aplica à maioria das intervenções, pois visam diminuir a quantidade de nascimentos, nem à proposta de suspender práticas que fazem os processos naturais maximizarem o sofrimento e mortes. Mesmo intervenções que ajudam animais já nascidos não fazem com que percam a habilidade que já possuem, nem impedem que a adquiram. Não ajudar é que faria os animais não poderem exercer a habilidade de buscar alimento ou de a adquirirem, pois morreriam. Mesmo se ajudar criasse nos animais uma dependência dos cuidados humanos, isso ainda seria melhor para os animais do que sofrerem mais e morrerem logo.Aprofunde: Vol. VII, cap. 11
Eles dizemA proposta de ajudá-los é paternalista. Logo, não devemos ajudá-los. (VII, cap. 12).
Resposta
Se uma ação é paternalista quando visa beneficiar o afetado, mas é contra o que ele prefere, então ajudar os animais na natureza só seria paternalista se eles preferissem não ser ajudados em situações de inanição, doenças, acidentes, incêndios, enchentes etc. Mas, esse não é o caso. É claro, por vezes os animais fogem de tentativas de ajudá-los. Mas isso não mostra que preferem não ser ajudados (fogem por não entenderem que se está ali para ajudar). E mesmo que houvesse algum animal que preferisse ficar em uma situação na qual teria o seu sofrimento aumentado, muito provavelmente não estaria ele em uma posição epistêmica favorável a enxergar o que é melhor para o seu bem-estar em longo prazo. Portanto, mesmo que ajudá-lo fosse paternalista, seria o tipo de paternalismo justificado.Aprofunde: Vol. VII, cap. 12
Eles dizemNão devemos ajudá-los, pois o sofrimento possui valor instrumental (isto é, ajuda o indivíduo a evitar aquilo que o prejudicaria). (VII, cap. 13).
Resposta
No caso da imensa maioria dos animais que sofre na natureza devido aos processos naturais, o sofrimento, em vez de ajudá-los a fomentar o seu bem-estar, apenas os prejudica (pois têm sofrimento extremo desde o nascimento até à morte bastante prematura por conta do sofrimento). Além disso, quando o sofrimento ajudasse os animais a alcançarem algo de positivo, há razões para pesquisar como fazer com que alcancem tal estado positivo sem que, para isso, precisem sofrer (é por isso que preferimos receber anestesia antes de uma cirurgia).Aprofunde: Vol. VII, cap. 13
Eles dizemA proposta vê os humanos como algo separado da natureza. (VII, cap. 14).
Resposta
Pelo contrário. É a ideia de que os humanos não devem intervir no território natural que parece ver os humanos como algo separado da natureza. Se enxergarmos os humanos como parte do mundo natural, então os resultados influenciados por práticas humanas não deixam de ser (nem são menos) naturais.Aprofunde: Vol. VII, cap. 14
Eles dizemA natureza não é boa nem má. Os processos naturais não são agentes imputáveis. Portanto, não temos razões para ajudar. (VII, cap. 2, 15, 16).
Resposta
É verdade que os processos naturais não são agentes imputáveis. Mas, isso não faz com que não tenhamos razões para prevenir e minimizar os efeitos negativos que decorrem dos processos naturais (isso já é amplamente aceito quando os humanos são vítimas dos processos naturais). A responsabilidade moral recai sobre nós, em ter que decidir ajudar ou não ajudar.Aprofunde: Vol. VII, cap. 2 · Vol. VII, cap. 15 · Vol. VII, cap. 16
Eles dizemA natureza é indiferente ao sofrimento dos animais. Ecossistemas surgem, perduram e desaparecem com total indiferença ao sofrimento e morte dos animais. (VII, cap. 2, 15, 16).
Resposta
Sim, mas isso não justifica que nós também o sejamos. Os ecossistemas também surgem, perduram e desaparecem com total indiferença ao sofrimento humano, mas isso não justifica sermos indiferentes ao sofrimento. A objeção em questão assume que o modo como acontecem os fenômenos naturais deveria ser um modelo do que deveríamos fazer. Ao fazer isso, ela dá um salto injustificado, de descrever como as coisas são, para prescrever como deveriam (moralmente) ser.Aprofunde: Vol. VII, cap. 2 · Vol. VII, cap. 15 · Vol. VII, cap. 16
Eles dizemDevemos respeitar a natureza dos animais selvagens, e isso requer largá-los à própria sorte. (VII, cap. 17).
Resposta
Temos de perguntar: por que devemos respeitar a natureza de alguém? Se a resposta for "porque fazê-lo o beneficiaria", então é falso que respeitar a natureza dos animais selvagens requer largá-los à própria sorte, pois isso provavelmente os prejudicaria. Por outro lado, se a resposta for "porque sim, mesmo quando isso os prejudicaria", então não se está a dar nenhuma razão para explicar por que respeitar a natureza de alguém seria mais importante do que evitar prejudicá-lo.Aprofunde: Vol. VII, cap. 17
Eles dizemIntervir em conflitos entre animais poderia piorar ainda mais a situação (por exemplo, intervir na predação poderia gerar uma explosão populacional das presas). (VII, cap. 18, 31).
Resposta
Em qualquer caso onde intervir tiver uma boa probabilidade de piorar ainda mais a situação por conta dos desdobramentos de consequências, a proposta de ajudar os animais selvagens prescreveria não intervir. Entretanto, isso não significa que intervir sempre terá piores consequências. Por exemplo, ao se diminuir a produtividade primária, a tendência é haver uma diminuição geral das populações, pois é um tipo de intervenção "de baixo para cima" na cadeia alimentar.Aprofunde: Vol. VII, cap. 18 · Vol. VII, cap. 31
Eles dizemA proposta implicaria em intervir em conflitos entre animais, e isso é errado mesmo quando fazê-lo melhorar a situação. (VII, cap. 18, 31).
Resposta
Essa objeção assume que a ação correta por vezes tem consequências piores do que outros cursos de ação disponíveis. Entretanto, essa tese teria de ser demonstrada, e a objeção já a assume como correta de antemão. Além disso, quando humanos são vítimas de animais, essa tese não é defendida. Quando humanos são as vítimas é defendido que é sempre certo ajudar, independentemente das consequências. Quando os animais são as vítimas, é defendido que é sempre errado ajudar, mesmo que as consequências de não ajudar sejam piores. Isso é especismo.Aprofunde: Vol. VII, cap. 18 · Vol. VII, cap. 31
Eles dizemEssa é uma questão para a ecologia responder, não para a ética. Se aplicarmos o que diz a ecologia, valorizaremos espécies, ecossistemas e o equilíbrio natural, e não essa busca por evitar sofrimento e mortes de seres sencientes. (VII, cap. 19).
Resposta
Descrever o que acontece nos ecossistemas naturais é uma tarefa para a ecologia. Porém, quais metas deveríamos buscar (por exemplo, se é o bem dos seres sencientes ou se são valores ambientalistas) é uma questão para a área da ética. Nenhuma ciência descritiva tem a resposta para essa questão. Os defensores dos animais não rejeitam o conhecimento em ecologia (aliás, dependem dele para ajudar os animais selvagens de modo seguro). Mas, a ecologia jamais prescreveria que devemos valorizar espécies, ecossistemas, a biodiversidade ou qualquer outra coisa, pois ela apenas descreve – como qualquer ciência, ela não é sobre quais metas devemos almejar. Quem é contra ajudar os animais selvagens e afirma que está "apenas aplicando o que a ecologia diz" está a disfarçar uma posição moral ambientalista de descrição moralmente neutra.Aprofunde: Vol. VII, cap. 19
Eles dizemO que importa são os ecossistemas e as espécies, e não os animais. Então, se todo esse sofrimento e mortes não extingue espécies nem ameaça ecossistemas, não precisamos nos preocupar. (VII, cap. 20).
Resposta
Se a questão da consideração moral existe porque, com nossas decisões, é possível beneficiar ou prejudicar os afetados por elas, então para alguém ser moralmente considerável, é suficiente que seja passível de ser prejudicado/beneficiado. Todo ser senciente, por ser capaz de experimentar certos estados como positivos e outros como negativos, é passível de ser prejudicado/beneficiado. Se é assim, então cada ser senciente importa por si. A tese de que cada ser senciente importa por si é muito menos controversa do que a tese de que espécies e ecossistemas importam em si.Aprofunde: Vol. VII, cap. 20
Eles dizemMesmo que os animais importem, ajudar conflitaria com metas ambientalistas (como manter o ecossistema em certas configurações), e isso torna errado ajudar. (VII, cap. 20).
Resposta
Na vasta maioria dos casos não haveria conflito de metas, pois os programas de ajuda aos animais selvagens não alterariam as propriedades dos ecossistemas que são valorizadas pelo ambientalismo: apenas fariam com que houvesse menos sofrimento para os habitantes desses ecossistemas. Há vários programas, inclusive, que realizariam ambas as metas. Por 30 exemplo, a vacinação de abelhas previne que uma quantidade enorme de animais sofra por conta de doenças e também ajuda na conservação de espécies.Aprofunde: Vol. VII, cap. 20
Eles dizemMas, claramente há casos em que ajudar conflitaria com metas ambientalistas. Por exemplo, os ambientalistas podem querer manter apenas a vegetação nativa do local, mas pode ser que inserir vegetação não nativa diminuísse o sofrimento total dos animais que ali vivem. Nesses casos, não seria errado ajudar? (VII, cap. 20).
Resposta
Haver conflito por si só é insuficiente para fundamentar a conclusão de que não devemos ajudar. Teria de ser mostrado: (1) que devemos acatar as metas ambientalistas e que, (2) essas metas são mais importantes do que os interesses básicos dos animais (como não sofrer e não morrer). Mesmo que o ponto 1 fosse demonstrado, poderiam ser endereçadas razões para se rejeitar o ponto 2. Por exemplo, poderia ser dito que somente os seres sencientes são prejudicados pelo sofrimento e pela morte, e que esses prejuízos são particularmente graves. Assim, quando houvesse conflito, haveria razões para se priorizar os interesses básicos dos seres sencientes. Isso já é aceito pelos ambientalistas no caso humano: defendem limitar interesses não básicos de humanos (estéticos, econômicos, recreativos etc.) para alcançar suas metas, mas não defendem que isso justifica causar sofrimento e mortes a humanos, ou deixar de ajudá-los quando são vítimas de processos naturais.Aprofunde: Vol. VII, cap. 20
Respostas curtas, capítulo a capítulo camada de estudo escrita para este site
Volume I · Discutindo o especismo
Eles dizem“Eu respeito os animais, só acho que os humanos vêm primeiro.”
Resposta curta
Essa é uma das três posições do capítulo: dar consideração aos animais, mas em menor grau. Se o peso menor vem só da espécie, e não do tamanho do prejuízo em jogo, ela também é especista.
Aprofunde: Vol. I, cap. 1: Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais
Eles dizem“Humano é humano, animal é animal. Simples assim.”
Resposta curta
A pergunta é justamente por que essa diferença deveria mudar o peso de uma dor ou de uma morte. Repetir que são diferentes não responde. Raça e gênero também marcam diferenças reais, e isso não justifica discriminar.
Aprofunde: Vol. I, cap. 2: O que importa é a espécie?
Eles dizem“Só o ser humano tem alma, por isso pode usar os animais.”
Resposta curta
Mesmo aceitando a alma, falta explicar por que ela tornaria aceitável causar sofrimento a quem não a tem. O sofrimento do animal não deixa de existir por falta de alma.
Aprofunde: Vol. I, cap. 3: Características metafísicas poderiam justificar o especismo?
Eles dizem“Animais não raciocinam, não falam, não entendem direitos.”
Resposta curta
Bebês e algumas pessoas com deficiência também não, e ninguém acha que por isso podem ser criados para virar comida. A capacidade de entender direitos importa para ter deveres, não para ser vítima.
Aprofunde: Vol. I, cap. 4: A posse de capacidades ou relações poderia justificar o especismo?
Eles dizem“Todo humano tem o potencial de ser racional, nenhum animal tem.”
Resposta curta
Há humanos com condições congênitas que nunca terão esse potencial, e não aceitamos explorá-los. E o motivo para não fazer uma criança sofrer é que o sofrimento é ruim, e não o que ela poderá ser no futuro.
Aprofunde: Vol. I, cap. 5: O suposto potencial que os humanos tem poderia justificar o especismo?
Eles dizem“Bebês contam porque são da espécie racional; animais não.”
Resposta curta
Isso não explica por que o que é típico da espécie deveria decidir o destino de cada indivíduo. Cada um sofre na própria pele, não na média da espécie.
Aprofunde: Vol. I, cap. 6: O que importa é pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades?
Eles dizem“Raça é construção social, espécie é biologia. Por isso o especismo não é como o racismo.”
Resposta curta
O que torna o racismo injusto não é a raça ser uma construção social, e sim o tratamento tendencioso. Um critério biológico pode ser tão arbitrário quanto um social.
Aprofunde: Vol. I, cap. 7: Se espécies não forem uma construção social, então o especismo está justificado?
Eles dizem“Estamos no topo da cadeia alimentar. É a lei da natureza.”
Resposta curta
A natureza também tem a "lei" do mais forte contra os humanos mais fracos, e a rejeitamos. Ter poder para fazer algo não mostra que é certo fazê-lo.
Aprofunde: Vol. I, cap. 8: Se o especismo for natural, então o especismo está justificado?
Eles dizem“Churrasco, rodeio e pesca fazem parte da nossa cultura.”
Resposta curta
Cultura pode mudar, e muda: abolimos várias tradições quando percebemos o mal que causavam. A cultura pode continuar sem o sofrimento dos animais, como continuou sem outras práticas injustas.
Aprofunde: Vol. I, cap. 9: As práticas especistas serem tradições mostra que devemos respeitá-las?
Eles dizem“Animal não tem deveres, então não tem direitos.”
Resposta curta
Bebês também não têm deveres e têm direito de não serem maltratados. Deveres dependem da capacidade de agir moralmente; ser considerado depende só de poder ser prejudicado.
Aprofunde: Vol. I, cap. 10: Se a ética é uma atividade humana, é justo desconsiderar os animais?
Eles dizem“A moral foi inventada pelos humanos, então podemos fazer o que quisermos com os animais.”
Resposta curta
Pelo mesmo raciocínio, poderíamos fazer o que quiséssemos com outros humanos. Ninguém aceita isso. A origem da ética não diz quais posições dentro dela são justas.
Aprofunde: Vol. I, cap. 11: Se a ética for uma invenção, é justo desfavorecer os animais?
Eles dizem“A moral existe para nos proteger uns dos outros; os animais não são uma ameaça.”
Resposta curta
Bebês, idosos frágeis e pessoas com deficiência também não são ameaça, e ninguém conclui que podem ser maltratados. E a origem histórica da ética não diz o que é certo hoje.
Aprofunde: Vol. I, cap. 12: Se a ética foi inventada para autoproteção, é justo desfavorecer os animais?
Eles dizem“Está escrito que os animais foram dados para o nosso uso.”
Resposta curta
O que importa são as razões oferecidas, e elas podem ser examinadas por si. Muitas leituras religiosas também já foram usadas para justificar a escravidão, e hoje as rejeitamos.
Aprofunde: Vol. I, cap. 13: Tentativas de justificar o especismo que apelam a autoridades
Eles dizem“Os humanos têm dignidade; os animais, não. Por isso vêm sempre primeiro.”
Resposta curta
A "dignidade" funciona aqui como uma carta trunfo que ninguém explicou. Se você não soubesse se nasceria humano ou animal, aceitaria uma regra que ignora o seu sofrimento só por não ter essa carta?
Aprofunde: Vol. I, cap. 14: O apelo a graus diferenciados de status moral
Eles dizem“Moral é relativa; para mim, comer carne não é errado.”
Resposta curta
Se a moral fosse relativa, também seria "relativo" quem condena maus-tratos a cães ou a crianças. Quem diz isso raramente aceita essa consequência, o que mostra que a afirmação aparece só para encerrar a discussão.
Aprofunde: Vol. I, cap. 15: Tentativas de justificar o especismo que apelam à metaética
Volume II · Considerando os seres sencientes
Eles dizem“Só merece consideração quem também pode agir moralmente.”
Resposta curta
É a confusão entre ser responsabilizável e ser considerável. Para ser atendido por um médico, ninguém precisa ser médico.
Aprofunde: Vol. II, cap. 1: O que é relevante para saber a quem devemos consideração?
Eles dizem“Mas esses humanos são exceções.”
Resposta curta
O argumento não depende de quantos humanos estão nessa situação: basta que existam e que, com razão, não aceitemos maltratá-los. As espécies se "sobrepõem" quanto a essas capacidades.
Aprofunde: Vol. II, cap. 2: O que é o argumento da sobreposição das espécies?
Eles dizem“Mas uma árvore também pode ser prejudicada quando cortamos.”
Resposta curta
Sem experiência, não há alguém para quem o corte seja ruim. A árvore pode ser danificada como um carro é danificado, mas não prejudicada no sentido moral.
Aprofunde: Vol. II, cap. 3: O que é senciência e por que ela é importante?
Eles dizem“Peixe não sente dor, é só reflexo.”
Resposta curta
Reflexos isolados não provam senciência, mas o capítulo pede que olhemos o comportamento em geral, a fisiologia e a evolução. Peixes têm nociceptores, aprendem a evitar o que os fere e trocam recompensas para evitar dor.
Aprofunde: Vol. II, cap. 4: Quais seres são sencientes?
Eles dizem“Igual consideração não quer dizer tratamento igual; um porco não precisa votar.”
Resposta curta
Exato, e o princípio concorda: ele pede peso igual para interesses iguais. O porco não tem interesse em votar, mas tem em não sofrer e não morrer.
Aprofunde: Vol. II, cap. 5: Por que igual consideração?
Eles dizem“Nem sempre o dano maior deve ter prioridade: e se a vítima mereceu?”
Resposta curta
Mesmo aceitando o merecimento, ele vale para quem é responsável pelos próprios atos. Animais, bebês e humanos com certas deficiências não merecem dano algum, pois não podem ser responsabilizados.
Aprofunde: Vol. II, cap. 6: Questões relativas a merecimento poderiam justificar o especismo?
Eles dizem“Esse papo de animal é coisa de utilitarista.”
Resposta curta
O capítulo mostra o contrário: utilitaristas, igualitaristas e defensores do maximin divergem em vários casos, mas convergem na rejeição do especismo. Criticar o utilitarismo não salva o especismo.
Aprofunde: Vol. II, cap. 7: A rejeição do especismo é compatível apenas com uma visão da ética?
Eles dizem“Se todos contam igual, como você vai decidir quem salvar?”
Resposta curta
Do mesmo jeito que fazemos entre humanos: pela gravidade, pelo número de vítimas, pelo tamanho do benefício. Nenhum desses critérios precisa da espécie.
Aprofunde: Vol. II, cap. 8: Se rejeitarmos o especismo, como decidiremos questões de prioridade?
Eles dizem“Humanos sofrem mais porque entendem o que acontece com eles.”
Resposta curta
Às vezes; às vezes é o contrário. Um animal capturado para ser medicado pode entrar em pânico por achar que vai morrer. E sofrer um pouco menos nunca justificaria sofrer à toa.
Aprofunde: Vol. II, cap. 9: Mas, os humanos não são capazes de sofrer em maior grau?
Eles dizem“Mas eu não sou um animal, então essa hipótese não faz sentido.”
Resposta curta
O teste não pede que você vire um animal; pede que você julgue sem usar a sua posição a seu favor. É assim que avaliamos regras entre humanos: sem saber se seremos ricos ou pobres, homens ou mulheres.
Aprofunde: Vol. II, cap. 10: O que decidiríamos sob condições de imparcialidade?
Eles dizem“Não sou especista, eu amo os animais.”
Resposta curta
Gostar dos animais não basta. O teste é sobre decisões: você manteria cada decisão que afeta animais se as vítimas fossem humanas, com prejuízos de mesmo tamanho?
Aprofunde: Vol. II, cap. 11: Testando se uma atitude é ou não especista
Eles dizem“Por que se preocupar com animais enquanto há tantos humanos precisando de ajuda?”
Resposta curta
Ninguém diz o contrário ("por que ajudar humanos com tantos animais sofrendo?") porque o especismo é a regra. E ajudar animais não impede ajudar humanos: muitas ações, como mudar o consumo, quase não competem com outras causas.
Aprofunde: Vol. II, cap. 12: Que importância devemos dar à situação dos animais?
Eles dizem“Não há prova de que insetos ou camarões sentem, então podemos usá-los.”
Resposta curta
A falta de prova absoluta vale até para outros humanos. A questão é o que fazer na incerteza: se há chance razoável de senciência, o custo de errar contra eles é alto demais.
Aprofunde: Vol. II, cap. 13: Incerteza sobre senciência e benefício da dúvida
Volume III · Os animais e o dano da morte
Eles dizem“Se a morte é sem dor, o animal não perde nada.”
Resposta curta
Ele perde todo o tempo de vida positivo que teria. Ninguém acha que matar um humano dormindo, sem dor, não o prejudica.
Aprofunde: Vol. III, cap. 1: De que consiste o dano da morte?
Eles dizem“O animal nem sabe que vai morrer, então não perde nada.”
Resposta curta
Confunde-se ser prejudicado com ter consciência do prejuízo. Uma criança pequena também não entende a morte, e morrer cedo a prejudica muito.
Aprofunde: Vol. III, cap. 2: Discutindo a alegação de que os animais não são prejudicados com a morte
Eles dizem“Não dá para saber se o animal teria uma vida boa, então matá-lo não o prejudica.”
Resposta curta
Na maioria dos casos sabemos bastante: um animal saudável, em boas condições, tende a ter dias bons pela frente. A incerteza também existe para humanos e não autoriza matá-los.
Aprofunde: Vol. III, cap. 3: Objeções à explicação do dano da morte enquanto impedimento do que é positivo
Eles dizem“Um porco não lê nem escuta música; a vida dele vale menos.”
Resposta curta
A vida dele vale para ele, pelas experiências que ele tem. Reencontrar um ente querido depois de anos não é intelectual e pode valer mais que muitas atividades intelectuais.
Aprofunde: Vol. III, cap. 4: Quem é incapaz de prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte?
Eles dizem“Um frango vive pouco mesmo, então matá-lo é um dano pequeno.”
Resposta curta
Frangos de corte são mortos com cerca de seis semanas, quando poderiam viver anos. Pelos AVAQs, perdem quase toda a vida possível.
Aprofunde: Vol. III, cap. 5: Como avaliar o quão prejudicado alguém é com a morte?
Eles dizem“Se a conta dá que um animal perde tanto quanto um humano, a conta está errada.”
Resposta curta
Dizer que está errada só porque contraria a intuição é assumir de antemão que os animais importam menos, que é justamente o que está em discussão.
Aprofunde: Vol. III, cap. 6: Objeções à avaliação da magnitude do dano da morte com base em AVAQs
Eles dizem“O animal vive no presente, não tem um "eu" futuro.”
Resposta curta
Mesmo assim ele terá experiências no futuro, e é delas que a morte o priva. E viver mais no presente pode até significar uma continuidade psicológica maior.
Aprofunde: Vol. III, cap. 7: Os animais teriam uma conexão psicológica menor?
Eles dizem“Se eu não comer, esses animais nem nasceriam. Um morre, outro nasce: fica tudo igual.”
Resposta curta
Para o animal morto, nada fica igual: ele perde a vida. O raciocínio permitiria a pais matar filhos desde que tivessem outros.
Aprofunde: Vol. III, cap. 8: Discutindo a alegação de que os animais são substituíveis
Eles dizem“Animais têm pouca ligação psicológica com o futuro, então perdem pouco ao morrer.”
Resposta curta
Mesmo humanos com pouca conexão com o seu eu futuro (como crianças pequenas) têm muito a perder. O que importa é o bem que viria, não o grau de semelhança psicológica.
Aprofunde: Vol. III, cap. 9: Seriam os animais não humanos pouco prejudicados com a morte?
Eles dizem“Inseto vive poucas semanas; matá-lo não tira quase nada.”
Resposta curta
Para o inseto, aquelas semanas são a vida inteira, e talvez sejam vividas de modo mais longo do que parecem para nós. E não aceitamos esse raciocínio com humanos que têm pouco tempo.
Aprofunde: Vol. III, cap. 10: A alegação de que ter pouco tempo restante torna a morte um dano pequeno
Eles dizem“A vida humana vale mais, então posso matar animais.”
Resposta curta
Mesmo concedendo que vale mais, falta mostrar que a vida do animal vale quase nada. E o que está em jogo na maioria das mortes de animais são benefícios humanos pequenos, como sabor.
Aprofunde: Vol. III, cap. 11: E, se humanos fossem mais prejudicados com a morte?
Eles dizem“Matar um humano é muito mais errado que matar um animal.”
Resposta curta
Mesmo que fosse um pouco mais errado, matar um animal continuaria podendo ser muitíssimo errado. "Mais errado" não implica que o outro ato não é errado.
Aprofunde: Vol. III, cap. 12: Status moral diferenciado, dano da morte e erro em matar
Eles dizem“Se o animal vai para um lugar melhor, matá-lo não o prejudica.”
Resposta curta
Não sabemos se há esse lugar nem se seria melhor. Ninguém aceita esse raciocínio para matar humanos felizes.
Aprofunde: Vol. III, cap. 13: Reflexões adicionais: morte, aniquilação, decisão racional e probabilidades
Volume IV · O debate sobre a exploração animal
Eles dizem“Hoje os animais são criados e abatidos com bem-estar.”
Resposta curta
O capítulo descreve o que é prática comum e legal: confinamento, mutilações sem anestesia, doenças, transporte longo e abate em escala. E a pesca, que mata a maioria dos animais, quase não tem regra alguma.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 1: Como vivem e morrem os animais explorados pelos humanos?
Eles dizem“O problema é o capitalismo e a indústria, não comer animais.”
Resposta curta
O capítulo responde: a injustiça está em usar e matar seres sencientes como recursos. Ela não some se a produção for pequena, ecológica ou fora do capitalismo.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 2: Por que a exploração animal é injusta?
Eles dizem“Veganismo é só uma dieta da moda.”
Resposta curta
Dieta é o que se come por saúde ou estética. O veganismo é uma posição ética sobre não prejudicar os animais; se a palavra significasse qualquer dieta sem produtos animais, faltaria um nome para essa posição.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 3: O que é veganismo?
Eles dizem“Plantas também estão vivas e também sentem.”
Resposta curta
Viver não é sentir. E, se elas sentissem, comer animais seria pior para as plantas, pois um animal de corte come muito mais vegetais do que comeríamos diretamente.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 4: E as plantas?
Eles dizem“Nossos dentes caninos mostram que somos feitos para comer carne.”
Resposta curta
Mesmo que fossem, poder fazer algo não mostra que é certo fazê-lo. E responder "não somos carnívoros" é cair na mesma armadilha: o natural não decide o que é justo.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 5: A objeção de que o consumo de animais é natural
Eles dizem“Na natureza eles sofreriam mais; pescar e caçar é até um favor.”
Resposta curta
Se fosse por preocupação com eles, buscaríamos formas de reduzir esse sofrimento, não o consumo. E a caça e a pesca não reduzem o número de nascimentos que geram o sofrimento.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 6: A alegação de que consumir os animais acaba com o sofrimento deles
Eles dizem“Se não fosse a pecuária, essas vacas nem existiriam.”
Resposta curta
Elas existem para sofrer e morrer jovens. Nenhum pai teria o direito de matar um filho alegando que, sem ele, o filho não existiria.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 7: Criar animais para consumo está justificado, uma vez que os faz existir?
Eles dizem“Se você estivesse numa ilha deserta, comeria um animal.”
Resposta curta
Talvez, assim como talvez fizéssemos coisas terríveis com humanos em situação extrema. Isso não autoriza fazê-las fora da emergência, que é onde quase todo o consumo acontece.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 8: Importa o que faríamos em uma ilha deserta ou em uma casa em chamas?
Eles dizem“Sem proteína animal a gente não vive.”
Resposta curta
Leguminosas, cereais, castanhas e sementes fornecem proteína. A vitamina B12 é suplementada, como muitos alimentos já são. As grandes associações de nutrição atestam a adequação da dieta vegana.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 9: É necessário consumir produtos de origem animal?
Eles dizem“Vegano só come produto caro de mercado chique.”
Resposta curta
Pode comer, mas não precisa. A base é a comida mais barata que existe. E quem deixa de comprar carne, queijo e embutidos costuma gastar menos.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 10: O veganismo é coisa para ricos?
Eles dizem“Se todo mundo virar vegano, o que vamos fazer com tantas vacas?”
Resposta curta
Elas não continuariam nascendo, porque são inseminadas para nascer. A transição seria gradual e o número diminuiria aos poucos.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 11: Se o mundo se tornasse vegano, haveria um excesso de animais domésticos?
Eles dizem“Imagina quantos empregos o agronegócio gera.”
Resposta curta
A escravidão também movimentava a economia, e isso não a justificava. E o dinheiro não desaparece: é gasto em outros produtos, que também empregam pessoas.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 12: O veganismo causaria uma ruína à economia e perda de empregos?
Eles dizem“Não adianta, a indústria só cresce.”
Resposta curta
Ela cresceria ainda mais sem os veganos. O certo é comparar com o cenário sem eles, e não com o passado.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 13: Mas, o veganismo tem mesmo um impacto prático?
Eles dizem“Vegano também mata, na colheita morrem ratos e insetos.”
Resposta curta
A pecuária precisa de muito mais lavoura para alimentar os animais, além de matar os próprios animais criados. E só quem leva os animais em conta vai querer reduzir também essas mortes indiretas.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 14: Mas, o veganismo não causa ainda mais mortes do que consumir animais?
Eles dizem“Se pararmos de comer, as galinhas vão entrar em extinção.”
Resposta curta
Espécies não sentem; os indivíduos sim. E não há razão para supor que essas espécies desapareceriam: muitas podem continuar existindo sem exploração.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 15: A preocupação com espécies justifica o consumo de animais?
Eles dizem“Se as pessoas nem respeitam humanos, imagine os animais. Deixa para depois.”
Resposta curta
Os animais que sofrem hoje não podem esperar. E cada pessoa que muda de atitude já evita muito sofrimento, mesmo que a maioria não mude.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 16: A alegação de que é melhor deixar para depois a luta pelos animais
Eles dizem“Maltratar animal já é crime; não precisa de mais nada.”
Resposta curta
As leis de maus-tratos protegem pouco e excluem o que é "prática da indústria". Confinar, mutilar e abater em massa é legal. O problema central é o status de propriedade.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 17: Os animais já não são protegidos pela lei?
Eles dizem“Cada um come o que quer; vegano não pode impor nada.”
Resposta curta
Comer um animal não é uma escolha que afeta só quem come: há uma vítima. A liberdade de cada um termina onde começa o prejuízo a outro.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 18: A alegação de que os defensores dos animais estão impondo o seu estilo de vida
Eles dizem“Comer inseto é sustentável, é o futuro da proteína.”
Resposta curta
Sustentável para quem? Para os insetos, significa trilhões de mortes. Se sentem, o custo moral é imenso, e há proteínas vegetais sem vítimas.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 19: A exploração sobre insetos e por que devemos nos opor a ela
Eles dizem“Graças aos testes em animais temos remédios e vacinas.”
Resposta curta
Benefícios também poderiam vir de testes em humanos não consentidos, e nós os proibimos. A questão não é se a experimentação traz benefícios, mas se é justo impor os custos a quem não consentiu.
Aprofunde: Vol. IV, cap. 20: O debate sobre a experimentação animal
Volume V · Diferenças entre ambientalismo e consideração pelos animais
Eles dizem“Quem ama os animais também defende a natureza, é tudo a mesma luta.”
Resposta curta
Às vezes coincidem, mas os fundamentos são diferentes. Programas que matam milhares de animais "invasores" mostram que o ambientalismo pode sacrificar animais em nome de outras metas.
Aprofunde: Vol. V, cap. 1: Respeito pelos animais e ambientalismo: complementares ou opostos?
Eles dizem“O ambientalismo mata alguns para salvar muitos animais; a defesa animal só pensa no indivíduo.”
Resposta curta
A meta dos programas ambientalistas não é salvar seres sencientes, sejam muitos ou poucos, mas manter certas configurações dos ecossistemas. E entre defensores dos animais há quem aceite e quem rejeite matar um para salvar muitos.
Aprofunde: Vol. V, cap. 2: A divergência é quanto aos fins, não somente quanto aos meios
Eles dizem“Proteger a floresta é proteger os animais.”
Resposta curta
Às vezes. Mas uma floresta pode ser mantida de jeitos que maximizam nascimentos que acabam em sofrimento e morte. Para saber o que é melhor para os animais, é preciso olhar para o bem-estar deles, como faria a biologia do bem-estar.
Aprofunde: Vol. V, cap. 3: Apesar das diferenças, defesa animal e ambientalismo convergem na prática?
Eles dizem“Ajudar animais selvagens é imediatismo; o ambientalismo pensa no futuro.”
Resposta curta
Os programas de ajuda motivados pelos animais buscam justamente menos sofrimento e mortes dali para frente, que é o que muita gente imagina, por engano, que o ambientalismo busca.
Aprofunde: Vol. V, cap. 4: A divergência não está no foco no curto ou longo prazo
Eles dizem“Natureza equilibrada é natureza saudável para os bichos.”
Resposta curta
Equilíbrio é uma medida de números, não de bem-estar. Na maioria das espécies, o equilíbrio é mantido por uma enorme mortalidade de filhotes, ou seja, por muito sofrimento.
Aprofunde: Vol. V, cap. 5: Equilíbrio ecológico e biodiversidade coincidem com o melhor para os animais?
Eles dizem“Defensores dos animais são sentimentais; ambientalistas seguem a ciência.”
Resposta curta
A ciência não escolhe metas. Dizer que ela "manda" preservar espécies é disfarçar uma posição moral de neutralidade científica.
Aprofunde: Vol. V, cap. 6: Defesa dos animais e ambientalismo: a divergência é ética, e não, científica
Eles dizem“Mas todo mundo sabe que ambientalista é quem defende os bichos.”
Resposta curta
É justamente essa crença que o capítulo examina. Muitos programas apoiados como "pró-animais" têm metas que não incluem o bem dos animais.
Aprofunde: Vol. V, cap. 7: Por que o respeito pelos animais é confundido com o ambientalismo?
Eles dizem“Espécie invasora tem que ser eliminada para proteger as nativas.”
Resposta curta
Proteger o quê, exatamente? Se a meta fosse reduzir sofrimento, muitos programas teriam sido cancelados. Valorizar "nativo" mais do que a vida de quem sente é um critério que nunca aceitaríamos para humanos.
Aprofunde: Vol. V, cap. 8: O que é almejado com os programas ambientalistas de extermínio?
Eles dizem“Ambientalismo não é antropocêntrico, ele defende a natureza toda.”
Resposta curta
Na prática, a maioria limita as metas ambientais quando elas prejudicariam humanos, mas não quando prejudicam animais. Isso é dar peso especial aos humanos.
Aprofunde: Vol. V, cap. 9: O ambientalismo é antropocêntrico?
Eles dizem“Mas a natureza tem valor em si, independentemente de quem sente.”
Resposta curta
Pode ser. Ainda assim, o ambientalista não aceita matar humanos para preservá-la; aceita só limitar interesses como lazer e lucro. O mesmo deveria valer para os animais.
Aprofunde: Vol. V, cap. 10: Questionando os pressupostos ambientalistas
Eles dizem“Criticar o ambientalismo enfraquece a causa animal.”
Resposta curta
O que enfraquece a causa é apoiar práticas que prejudicam os animais por engano. Ser coerente é aplicar a nós mesmos o que pedimos aos outros.
Aprofunde: Vol. V, cap. 11: Por que defensores dos animais relutam em reconhecer a divergência?
Volume VI · A quem devemos consideração moral?
Eles dizem“Cada um escolhe o critério que quiser para decidir quem importa.”
Resposta curta
Critérios precisam ser relevantes para a pergunta. Ninguém aceitaria escolher cirurgiões pela cor do cabelo; também não faz sentido decidir quem pode ser prejudicado pela espécie.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 1: O que é relevante para saber a quem devemos consideração?
Eles dizem“Vocês só valorizam a senciência porque os humanos são sencientes.”
Resposta curta
A ordem é a inversa: os humanos importam porque são sencientes, e pelo mesmo motivo todos os sencientes importam.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 2: Seria o critério da senciência, no fundo, antropocêntrico?
Eles dizem“Senciocentrismo é só animalismo disfarçado.”
Resposta curta
Esponjas e águas-vivas são animais e provavelmente ficam de fora; seres sencientes digitais, se existirem, ficam dentro. O critério é a senciência, não o reino.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 3: O critério da senciência discrimina contra quem não pertence ao reino animal?
Eles dizem“Se o que importa é não sofrer, matar sem dor está liberado.”
Resposta curta
Esse é o equívoco que o capítulo corrige. A senciência diz quem pode ser prejudicado; a morte prejudica quem sente ao tirar o que viria de bom.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 4: Segundo o critério da senciência, o único problema é o sofrimento?
Eles dizem“Há males que não afetam a experiência, então a senciência não é tudo.”
Resposta curta
Esses males ainda recaem sobre alguém que sente e prefere. O critério da senciência não se compromete com o hedonismo.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 5: Se a senciência é o que importa, por que há males que não afetam as experiências?
Eles dizem“Se você liga para insetos, deveria adotar o biocentrismo.”
Resposta curta
Não é preciso: as evidências sugerem que muitos insetos são sencientes. O critério da senciência já os inclui.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 6: O critério da senciência exclui os insetos?
Eles dizem“Se o valor está nas experiências, então é tudo relativo.”
Resposta curta
Que o valor envolva experiências não o torna opinião. Pode-se sustentar que o sofrimento é objetivamente ruim, e os sencientes apenas o reconhecem.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 7: Aceitar o critério da senciência implica assumir que valores são subjetivos?
Eles dizem“Cérebro de peixe é pequeno, ele sente pouco.”
Resposta curta
Tamanho e complexidade do cérebro não medem a intensidade do sofrimento. Por pressão seletiva, a dor pode ser até mais intensa em animais e fases com menos cognição.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 8: Animais com cérebros mais simples são menos sencientes?
Eles dizem“Se a ética ambiental existe, a natureza tem valor próprio.”
Resposta curta
A ética ambiental pode tratar do ambiente pelo que ele significa para quem sente, assim como a ética econômica trata do dinheiro pelo que ele significa para as pessoas.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 9: Se há necessidade da ética ambiental, então o critério da senciência está errado?
Eles dizem“Natureza manipulada pelo homem não é natureza de verdade.”
Resposta curta
Pode até não ser "original", mas a pergunta é se seria pior. Para quem vive nela, menos sofrimento é melhor, tenha ou não mão humana.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 10: Não é absurdo um mundo com menos sofrimento, mas manejado pelos humanos?
Eles dizem“Se você defende os animais, tem de defender a natureza toda.”
Resposta curta
Uma coisa não implica a outra. É essa confusão entre "natureza" e "animais" que faz parecer que preservar a natureza é sempre bom para os animais.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 11: Se os seres sencientes devem ser respeitados, então a natureza possui valor em si?
Eles dizem“Muita gente quer a natureza intocada; isso também é interesse de seres sencientes.”
Resposta curta
Conta, mas tem de ser pesado. De um lado, uma preferência estética; do outro, o sofrimento e a morte de incontáveis animais.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 12: O critério da senciência implica em aceitar as metas ambientalistas?
Eles dizem“A espécie tem interesse em sobreviver.”
Resposta curta
Quem tem interesse em viver é cada indivíduo. A espécie é uma classificação; ela não sente a própria extinção.
Eles dizem“Se a natureza tem valor, podemos sacrificar animais por ela.”
Resposta curta
Ter valor não é ter prioridade. Nem os ambientalistas aceitam sacrificar humanos pelas metas ambientais; o mesmo raciocínio vale para os animais.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 14: Se alguma entidade não senciente tiver valor em si, quais as implicações?
Eles dizem“O biocentrismo é mais inclusivo, então é mais ético.”
Resposta curta
Incluir não é um valor em si. Um critério bom inclui quem pode ser prejudicado e não exclui ninguém que possa, o que o biocentrismo não faz com possíveis sencientes artificiais.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 15: O biocentrismo é melhor, já que inclui um número maior de seres?
Eles dizem“A dor existe só para nos manter vivos; o que vale é a vida.”
Resposta curta
Se a vida biológica valesse por si, valeria a pena continuar como um corpo vivo sem qualquer experiência, ou só com sofrimento extremo. Quase ninguém pensa assim.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 16: Senciência e vida: o que tem valor enquanto fim e o que tem valor enquanto meio?
Eles dizem“Uma planta "quer" luz, então tem interesses.”
Resposta curta
Ela cresce em direção à luz por reações físico-químicas, como um girassol mecânico. "Querer", no sentido de valorizar, exige experiência.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 17: Seres vivos não sencientes são passíveis de ser prejudicados?
Eles dizem“Plantas reagem à música e ao toque, então sentem.”
Resposta curta
Reagir a estímulos não exige experiência, como mostram termostatos e portas automáticas. Falta-lhes a estrutura que, nos animais, gera experiência.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 18: O comportamento de certas plantas e fungos mostra que valorizam certas coisas?
Eles dizem“Toda vida é sagrada, sinta ou não.”
Resposta curta
Os exemplos do capítulo mostram que, quando se trata de nós, o que queremos preservar é a experiência. Um corpo vivo sem nenhuma experiência, para sempre, não é o que valorizamos.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 19: A vida sem senciência tem valor?
Eles dizem“Se o peixe tem interesse em comer, a planta tem interesse em água.”
Resposta curta
O peixe tem interesse em comer porque comer o faz sentir-se bem e viver bem. A planta não sente nada; a "necessidade" dela é uma condição de funcionamento, não um interesse.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 20: Todo ser vivo possui "interesses biológicos"?
Eles dizem“Se até as plantas importam, tanto faz o que eu como.”
Resposta curta
Se as plantas importassem, comer animais seria o pior dos dois mundos: animais sofrem e consomem muitíssimas plantas. A conclusão lógica seria o frutarianismo.
Aprofunde: Vol. VI, cap. 21: Se plantas forem consideráveis, tanto faz comer animais ou plantas?
Volume VII · A ética e a situação dos animais selvagens
Eles dizem“Com os animais selvagens, basta deixá-los em paz.”
Resposta curta
Deixá-los em paz não os protege da fome, das doenças e dos desastres. Se o que importa é o bem deles, a origem do dano não muda a nossa razão para ajudar.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 1: O que fazer em relação aos animais que vivem na natureza?
Eles dizem“Natureza é natureza, ética é coisa de gente.”
Resposta curta
A ética é sobre as decisões de quem pode decidir. Diante de animais sofrendo, decidir não fazer nada também é uma decisão moral.
Eles dizem“Os animais selvagens vivem livres e felizes.”
Resposta curta
Os poucos que vemos adultos são a exceção. A regra, para a imensa maioria, é nascer e morrer em poucos dias ou semanas.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 3: Como os processos naturais tipicamente afetam os animais selvagens?
Eles dizem“Só me preocupo com bicho selvagem se ele transmitir doença ou estiver em extinção.”
Resposta curta
Isso é tratar o animal como recurso ou como amostra de espécie. O sofrimento dele é ruim para ele, independentemente disso.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 4: A visão de que não é um problema porque as vítimas são animais não humanos
Eles dizem“Temos dever de não prejudicar, mas não de ajudar.”
Resposta curta
Mesmo quem só aceita deveres fortes de não prejudicar costuma admitir razões para ajudar vítimas humanas de desastres. A escala dos danos naturais torna essas razões muito fortes no caso dos animais.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 5: Fundamentos da proposta de ajudar vítimas de processos naturais
Eles dizem“Quem somos nós para interferir na natureza?”
Resposta curta
Somos os mesmos que interferem o tempo todo, com medicina, agricultura e cidades. E não ajudar também decide o destino dos animais.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 6: A proposta de ajudar os animais selvagens é arrogante?
Eles dizem“Ajudar animais selvagens é humanizá-los.”
Resposta curta
Não ter fome, frio e doença não é um valor "humano". É o que qualquer animal busca. Quem valoriza o "curso da natureza" acima disso são os humanos.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 7: A proposta de ajudar os animais selvagens é antropocêntrica?
Eles dizem“O melhor que podemos fazer pelos animais é sumir da vida deles.”
Resposta curta
Às vezes, sim; às vezes, não. Para um animal preso em uma enchente, "sumir" significa deixá-lo morrer.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 8: Quanto menos influência humana no mundo, melhor?
Eles dizem“Ajudar bicho selvagem é bem-estarismo, coisa de quem não é abolicionista.”
Resposta curta
Abolicionistas também se importam com o bem-estar dos animais. A proposta não regulamenta exploração nenhuma.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 9: Seria a proposta de ajudar os animais selvagens bem-estarista?
Eles dizem“Bicho selvagem tem que ser livre, não tratado.”
Resposta curta
Livre de quê? Da fome, das doenças e dos parasitas? Muitas vezes a "liberdade" defendida é só a de morrer cedo.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 10: A proposta de ajudar os animais selvagens viola a liberdade deles?
Eles dizem“Se a gente ajudar, eles vão ficar dependentes.”
Resposta curta
Dependência é melhor que morte por inanição. E a maior parte da ajuda proposta é reduzir nascimentos, o que não cria dependência nenhuma.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 11: A acusação de criar dependência
Eles dizem“Não temos o direito de decidir o que é bom para eles.”
Resposta curta
Já decidimos, de um jeito ou de outro: não ajudar também é uma decisão sobre eles. E não é difícil saber que nenhum animal prefere morrer de fome.
Eles dizem“O sofrimento faz parte e ensina os animais a sobreviver.”
Resposta curta
Para quem morre logo, não ensina nada. E, mesmo para nós, preferimos aprender sem sofrer quando podemos.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 13: A objeção de que o sofrimento tem valor instrumental
Eles dizem“Quem quer mudar a natureza se acha superior a ela.”
Resposta curta
Quem usa roupa, mora em casa e toma remédio também "muda a natureza" para si. Querer o mesmo para os animais não é se achar superior.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 14: A proposta de ajudar os animais vê os humanos como separados da natureza?
Eles dizem“Natureza não é boa nem má, então o sofrimento natural não é um problema.”
Resposta curta
O sofrimento não fica menos ruim para quem sofre porque ninguém teve culpa. A culpa importa para julgar agentes, não para medir o dano das vítimas.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 15: Se a natureza não é má, o sofrimento natural é neutro?
Eles dizem“Sofrimento e morte fazem parte da vida.”
Resposta curta
Fazem parte, como doenças fazem parte da vida humana. Isso nunca foi razão para não tratá-las.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 16: Se a natureza é indiferente ao sofrimento dos animais, por que ajudá-los?
Eles dizem“Bicho selvagem tem que ser selvagem; ajudar é desrespeitar a natureza dele.”
Resposta curta
Por que respeitar a natureza de alguém? Se é pelo bem dele, deixá-lo morrer de fome não respeita nada. E quem defende isso nunca aceitaria para si.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 17: Respeitar a natureza dos animais selvagens requer largá-los à própria sorte?
Eles dizem“Querer impedir o leão de caçar é absurdo.”
Resposta curta
Já impedimos predadores de caçar quando a vítima é humana ou é gado. A proposta não é sair intervindo agora, mas estudar o que ajudaria sem piorar as coisas.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 18: Não é absurdo intervir em conflitos entre animais?
Eles dizem“Isso é assunto de ecologia, não de ética.”
Resposta curta
A ecologia descreve; não diz se devemos valorizar espécies ou o bem dos animais. Essa escolha é ética, e quem nega isso já fez uma escolha ética.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 19: Quais áreas devem responder o que fazer em relação aos animais selvagens?
Eles dizem“Ajudar animais selvagens vai contra a conservação.”
Resposta curta
Na maior parte dos casos não vai: só reduz o sofrimento dos habitantes. Quando vai, os interesses básicos de quem sente deveriam ter prioridade, como já têm no caso humano.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 20: Ambientalistas devem se opor à ajuda aos animais selvagens?
Eles dizem“Não fui eu que causei, não é problema meu.”
Resposta curta
Também não fomos nós que causamos as doenças, e achamos certo tratá-las. Quem pode evitar um mal grave a custo razoável tem razões para fazê-lo.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 21: Somos moralmente responsáveis apenas por práticas humanas?
Eles dizem“Primeiro vamos libertar os animais das fazendas; os selvagens depois.”
Resposta curta
As duas causas podem andar juntas. E, pela quantidade de vítimas, o sofrimento dos animais selvagens é imenso.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 22: Tentativas de defender que a prioridade é dos animais domesticados
Eles dizem“Ajudar animal fraco atrapalha a seleção natural.”
Resposta curta
A seleção natural não busca o bem de ninguém; busca a transmissão de genes, mesmo à custa de sofrimento imenso. E ninguém aceita largar humanos vulneráveis para "melhorar a espécie".
Aprofunde: Vol. VII, cap. 23: Ajudar os animais impediria que os genes mais adaptados prevalecessem?
Eles dizem“A natureza já se equilibra sozinha; melhor não mexer.”
Resposta curta
Equilíbrio, aqui, quer dizer que quase todos os filhotes morrem e a população fica estável. É estável, mas não é bom para os animais.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 24: Ajudar os animais selvagens não poderia tornar as coisas ainda piores?
Eles dizem“São tantos que nunca vamos dar conta. Então nem adianta.”
Resposta curta
Também não damos conta de todos os humanos que precisam, e isso nunca foi motivo para não ajudar nenhum. Cada indivíduo ajudado conta.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 25: Objeções que questionam a praticidade da proposta de ajudar
Eles dizem“É impossível ajudar bicho selvagem.”
Resposta curta
Já se faz: vacinação contra raiva em raposas, probióticos para morcegos e sapos, resgates em incêndios. O obstáculo maior não é técnico, é de prioridade.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 26: O que já vem sendo feito para ajudar os animais selvagens?
Eles dizem“A biologia da conservação já cuida dos animais selvagens.”
Resposta curta
A conservação cuida de populações e espécies. Um campo que estude o bem-estar de cada animal ainda praticamente não existe.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 27: O que mais poderia ser feito para ajudar: estabelecendo a biologia do bem-estar
Eles dizem“Mesmo que quiséssemos, não teríamos como saber o que acontece com cada animal.”
Resposta curta
Imagem térmica, sensores, drones e análise de dados já permitem estimar populações e identificar indivíduos. O conhecimento tende a crescer.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 28: Quais tecnologias poderiam ser usadas para ajudar os animais na natureza?
Eles dizem“Esterilizar animais selvagens viola o direito deles de se reproduzir.”
Resposta curta
Ninguém aceita esse "direito" quando o filho nasceria só para sofrer. E os mesmos defensores dos animais que castram gatos teriam razões ainda mais fortes no caso de espécies com milhares de filhotes por ninhada.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 29: Os animais teriam o direito de não serem esterilizados?
Eles dizem“Se todos importam, você teria de proteger os parasitas também.”
Resposta curta
Os não sencientes não podem ser prejudicados. E, mesmo no caso dos sencientes, a prevenção de novos casos não mata ninguém e evita muito sofrimento.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 30: A questão do parasitismo
Eles dizem“Querer acabar com a predação é ir contra a natureza e destruir os ecossistemas.”
Resposta curta
Ninguém propõe intervenções que piorem as coisas. A proposta é investigar formas cuidadosas, como reduzir a produtividade primária, que diminuem o número de animais que nascem para sofrer.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 31: A questão da predação
Eles dizem“Quem somos nós para dizer que a vida de um animal selvagem não vale a pena?”
Resposta curta
Não é preciso decidir todos os casos. Basta reconhecer os claros: nascer para morrer de fome em dois dias. E quem diz "deixa como está" também está julgando que essas vidas valem a pena.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 32: Discutindo nossa capacidade de avaliar quando viver vale ou não a pena
Eles dizem“Salvar um animal selvagem é só prolongar o sofrimento dele.”
Resposta curta
Só se não fizermos nada contra as outras causas de sofrimento. Ajudar bem é atacar a causa, como a fome ou a doença, que é também o que o mataria.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 33: O argumento do prolongamento da agonia
Eles dizem“Na natureza, no saldo, há mais coisa boa do que ruim.”
Resposta curta
Mesmo que fosse, e isso é muito duvidoso, a dor de milhões não fica menor por causa da alegria de poucos. Ajudar quem está pior é o que mais aumenta o saldo.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 34: A objeção de que o saldo da situação dos animais na natureza pode ser positivo
Eles dizem“Se o veganismo liberar terra para florestas, vai aumentar o sofrimento natural; então não faz sentido ser vegano.”
Resposta curta
O veganismo não implica necessariamente aumentar áreas verdes; o uso da terra é outra decisão. E o ideal que ele divulga é o que pode levar a proteger também os animais selvagens.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 35: Qual o impacto do veganismo na situação dos animais selvagens?
Eles dizem“Se você se preocupa com o sofrimento selvagem, então quer destruir as florestas.”
Resposta curta
Não necessariamente. Há divergência entre os próprios defensores. Muitos rejeitam a matança altruísta por seus riscos e preferem reduzir nascimentos, vacinar e tratar doenças.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 36: O debate sobre a destruição da natureza
Eles dizem“Reflorestar é sempre bom para os animais.”
Resposta curta
Para os poucos que sobrevivem, talvez; para a imensa maioria que nasceria para morrer cedo, não. E há outras formas de proteger o clima que não multiplicam esse sofrimento.
Aprofunde: Vol. VII, cap. 37: O debate sobre a expansão e restauração da natureza
Volume VIII · Um ativismo eficiente
Eles dizem“Cada um ajuda a causa que gosta; não dá para comparar.”
Resposta curta
Dá para comparar com critérios. Escolher pela afinidade pode deixar de lado problemas com muito mais vítimas e muito menos ajuda.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 1: Como escolher quais causas e problemas priorizar e quais as melhores estratégias?
Eles dizem“Defender animal com tanta gente passando necessidade?”
Resposta curta
Se o objetivo é um mundo com menos sofrimento, negligenciar a causa com mais vítimas e menos recursos é ir contra esse objetivo.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 2: Como a causa animal se sai quanto aos critérios de prioridade?
Eles dizem“A prioridade é acabar com o abandono de cães e gatos.”
Resposta curta
É um problema real, mas pequeno em número perto de trilhões de peixes, crustáceos e insetos explorados, e dos animais na natureza.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 3: Dentre os problemas que afetam os animais, quais são mais importantes?
Eles dizem“Para os animais tanto faz o motivo; o importante é a pessoa parar de consumir.”
Resposta curta
No curto prazo, talvez. Mas quem parou só pela saúde volta quando surge um produto "saudável", e não se importa com os animais selvagens nem com os do futuro.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 4: O uso de argumentos antropocêntricos e ambientalistas na causa animal
Eles dizem“Para defender os animais, você tem que aceitar toda a minha ideologia.”
Resposta curta
Não precisa. A consideração pelos seres sencientes pode ser aceita por pessoas de visões éticas e políticas muito diferentes. Isso amplia a causa.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 5: A abordagem total e a abordagem suficiente
Eles dizem“Mas e a proteína? E o preço? E o clima?”
Resposta curta
São perguntas que podem ser respondidas, mas não podem tomar o lugar da principal: é justo fazer os animais sofrerem e morrerem para isso?
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 6: O desvio de foco em debates: por que o especismo é raramente discutido?
Eles dizem“Nem os filósofos dos animais viram veganos; então argumento não adianta.”
Resposta curta
Isso mostra que argumentos não bastam sozinhos, não que sejam inúteis. E qualquer outra forma de convencer também pode ser ignorada.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 7: Crenças morais, motivação para agir e o papel da reflexão sobre ética
Eles dizem“Seria ótimo um mundo vegano, mas isso é utopia.”
Resposta curta
Se é ótimo, vale perguntar o que podemos fazer para chegar mais perto. E quem diz que é impossível precisa mostrar por quê, já que tantas mudanças "impossíveis" aconteceram.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 8: Objeções normativas disfarçadas de objeções estratégicas
Eles dizem“Quem defende redução não é de verdade pelos animais.”
Resposta curta
Muitos defendem a redução justamente por acharem que ela ajuda mais os animais. A pergunta é empírica e estratégica, e não de lealdade.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 9: Foco no veganismo versus foco na redução do consumo
Eles dizem“Isso é bem-estarismo, então está errado.”
Resposta curta
Qual dos sete sentidos? Rejeitar a exploração "humanitária" não obriga a rejeitar a preocupação com o bem-estar dos animais selvagens, por exemplo.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 10: Por que o termo bem-estarismo é altamente ambíguo
Eles dizem“Basta regulamentar a exploração para não ter crueldade.”
Resposta curta
Essas leis costumam exigir que se prove que o explorador sentiu prazer em causar sofrimento, e não alcançam as práticas padrão da indústria. Além disso, matar continua sendo um dano.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 11: O debate sobre regulamentar a exploração animal
Eles dizem“Carne de laboratório não é natural e ainda é de origem animal.”
Resposta curta
Ser natural não diz se é bom. E, se não prejudica os animais, o que importa é isso, e não o rótulo. Os problemas reais, como o uso de soro fetal, estão sendo superados.
Aprofunde: Vol. VIII, cap. 12: O debate sobre a carne cultivada
Volume IX · A ética e o futuro
Eles dizem“Isso é ficção científica; temos problemas reais agora.”
Resposta curta
A pecuária industrial também pareceria ficção há cem anos. Um risco pouco provável, mas gigantesco, pode merecer mais atenção do que um problema pequeno e certo.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 1: Riscos futuros para os seres sencientes: uma introdução
Eles dizem“Quem ainda não nasceu não importa.”
Resposta curta
Quando nascer, vai sentir o que tivermos deixado para ele. Nossas decisões de hoje afetam seres que vão existir, e é por isso que o lixo tóxico enterrado é errado.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 2: Imparcialidade temporal: o que é, e por que é importante
Eles dizem“Seres futuros são só possibilidades, não pessoas reais.”
Resposta curta
Os animais que deixarão de nascer em fazendas também são "possibilidades", e é justamente por eles que o veganismo faz sentido.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 3: A objeção de que seres futuros são apenas seres em potencial
Eles dizem“O progresso moral vai resolver tudo sozinho.”
Resposta curta
Não é garantido. Depende de divulgarmos a consideração por todos os sencientes agora. A tecnologia pode avançar mais rápido que a ética.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 4: Que razões existem para focarmos no longo prazo?
Eles dizem“O mais importante é a humanidade sobreviver; o resto vem depois.”
Resposta curta
Uma humanidade que sobreviva espalhando sofrimento em escala astronômica não seria um bom resultado. E a ideia de que só humanos contam é especista.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 5: Devemos focar em prevenir riscos-s ou riscos-x?
Eles dizem“Melhor seria focar em criar o máximo de felicidade possível.”
Resposta curta
Pode ser uma meta digna, mas várias teorias concordam que aliviar o sofrimento extremo é mais urgente do que aumentar a felicidade de quem já está bem.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 6: Quais metas priorizar em longo prazo?
Eles dizem“Quem fala em riscos-s só pensa em IA e ficção científica.”
Resposta curta
O foco é amplo: inclui pecuária, animais selvagens, novas formas de senciência, política e muitos outros. Cada pessoa pode cuidar de uma parte.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 7: De que consiste o foco nos riscos-s?
Eles dizem“É impossível prever o futuro, então não adianta se preocupar.”
Resposta curta
Não precisamos prever o futuro exato. Basta reconhecer o que aumenta os riscos, assim como fazemos com a saúde.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 8: Identificando fatores de risco para os riscos-s
Eles dizem“Não sabemos qual cenário vai acontecer, então não adianta planejar.”
Resposta curta
Por isso existem estratégias amplas, que funcionam em quase todos. E as direcionadas valem para cenários de alto risco.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 9: Estratégias longoprazistas: amplas e direcionadas
Eles dizem“É melhor usar argumentos de saúde e ambiente, que convencem mais.”
Resposta curta
Podem convencer no curto prazo, mas não ensinam a considerar os seres sencientes, que é o que protege contra o sofrimento futuro.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 10: Por que focar na consideração pelos seres sencientes e no futuro?
Eles dizem“Política não tem nada a ver com animais.”
Resposta curta
Quem decide leis, tecnologias e prioridades são instituições políticas. Animais e seres futuros não votam; precisam de quem os represente.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 11: Mudando o debate público, as formas de ativismo e as instituições políticas
Eles dizem“Máquinas não sentem; não precisamos nos preocupar com isso.”
Resposta curta
Talvez as atuais não sintam. Mas, se mentes digitais sencientes forem criadas, poderão existir em números enormes e ser fáceis de ignorar, por não terem rosto nem gritarem.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 12: Moldando as tecnologias emergentes para prevenir sofrimento futuro
Eles dizem“Basta ter boa intenção para fazer o bem.”
Resposta curta
Boa intenção sem conhecimento pode causar danos, e sem poder não muda nada. Os três fatores precisam caminhar juntos.
Aprofunde: Vol. IX, cap. 13: A tríade de influência e o sofrimento futuro
Volume X · Vieses e sua influência
Eles dizem“Se fosse tão grave, todo mundo estaria preocupado.”
Resposta curta
O número de pessoas preocupadas não acompanha a gravidade: problemas com mais vítimas costumam despertar menos compaixão, por vieses conhecidos.
Aprofunde: Vol. X, cap. 1: Vieses que nos induzem a negligenciar os problemas que possuem mais vítimas
Eles dizem“Na natureza tudo tem um propósito; o sofrimento faz parte do plano.”
Resposta curta
Essa impressão tem nome: viés teleológico e hipótese do mundo justo. Ver propósito onde há só processos naturais nos leva a justificar sofrimentos que nunca aceitaríamos para nós.
Aprofunde: Vol. X, cap. 2: Vieses que inclinam a uma negligência da situação dos animais selvagens
Eles dizem“É muito improvável, não vale a pena se preocupar.”
Resposta curta
Improvável não é impossível. Quando o cenário é gigantesco, mesmo uma probabilidade pequena pode gerar um desvalor esperado enorme.
Aprofunde: Vol. X, cap. 3: Vieses que contribuem para a negligência do longo prazo e dos riscos-s
Eles dizem“Eu sou racional, não sou influenciado por vieses.”
Resposta curta
Achar-se imune a vieses é um viés catalogado no capítulo: o viés de ponto cego. Todos somos influenciados, inclusive os defensores dos animais.
Aprofunde: Vol. X, cap. 4: Vieses cognitivos e sua influência em nossas decisões que afetam os animais
Eles dizem“Se as plantas sentem, tanto faz.”
Resposta curta
Quem diz isso costuma aceitar essa ideia sem qualquer evidência e não a aplica em mais nada. É um sinal típico de raciocínio motivado: a conclusão veio antes do argumento.
Aprofunde: Vol. X, cap. 5: Raciocínio motivado e sua influência na avaliação dos argumentos
Eles dizem“O importante é ter boas intenções, o resto é detalhe.”
Resposta curta
Boas intenções não protegem contra vieses na hora de escolher estratégias. E a forma e a ordem da mensagem mudam o quanto ela convence.
Aprofunde: Vol. X, cap. 6: Alguns vieses que podem influenciar a escolha de estratégias e a recepção do público
Volume XI · Como as diversas teorias da ética abordam a questão animal?
Eles dizem“Valor é questão de gosto, não dá para discutir.”
Resposta curta
Dá para fazer distinções claras: valor em si e instrumental, aspecto e todo. Sem elas, discussões éticas viram confusão.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 1: Uma introdução às distinções centrais em teoria do valor
Eles dizem“Animal não tem projetos de vida, então não tem bem-estar de verdade.”
Resposta curta
Pelo hedonismo, pela satisfação de preferências ou por várias teorias pluralistas, sofrer, ser impedido de agir e morrer cedo são prejuízos. Não é preciso ter "projetos" para estar mal.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 2: Uma introdução às teorias do bem-estar
Eles dizem“Basta somar o bem de todos.”
Resposta curta
Somar é um critério possível, mas não o único: muitas teorias dão peso especial a quem está pior ou à igualdade. E todas incluem os animais quando são sencientes.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 3: Avaliando quão boa/ruim é uma situação que contém vários indivíduos
Eles dizem“Bom e ruim são só opiniões.”
Resposta curta
Sobre muita coisa, sim. Mas a ruindade do sofrimento para quem sofre é experimentada por todos que sofrem, e é das coisas de que temos mais certeza.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 4: Julgamentos valorativos, descrições de fatos, objetividade e subjetividade
Eles dizem“Defender os animais depende de ser utilitarista.”
Resposta curta
O capítulo mostra que consequencialistas, deontologistas e éticos das virtudes podem chegar à mesma conclusão, por caminhos diferentes.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 5: Categorias de teorias da ética normativa
Eles dizem“Cada teoria ética diz uma coisa sobre os animais; não há consenso.”
Resposta curta
Há divergência nos fundamentos, mas o capítulo mostra uma convergência forte nas implicações: igual consideração, contra a exploração e a favor de ajudar os animais selvagens.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 6: Em que medida as teorias da ética concordam sobre o que devemos aos animais?
Eles dizem“É só somar tudo e ver o que dá mais.”
Resposta curta
Somar é uma das opções (monismo agregativo), mas tem problemas, como ignorar quem está pior. Há muitas alternativas, e cada uma precisa ser justificada.
Aprofunde: Vol. XI, cap. 7: Pesando critérios
Volume XII · O essencial sobre ética animal
Eles dizem“É natural e tradicional usar os animais.”
Resposta curta
Do fato de um comportamento ser natural ou tradicional não se segue que seja bom, justo ou sequer aceitável.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 1: Tentativas de justificar a desconsideração pelos animais
Eles dizem“Nem sempre o dano maior deve ter prioridade, por exemplo se a vítima mereceu.”
Resposta curta
Para merecer um dano, é preciso ser responsabilizável e ter violado uma regra, o que não é o caso dos animais.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 2: A defesa da consideração por todos os seres sencientes
Eles dizem“Se plantas forem sencientes, tanto faz comer animais ou plantas.”
Resposta curta
O que se segue é o frugivorismo, e não comer de tudo; assim como, de humanos e animais sentirem, segue-se o veganismo, e não comer os dois.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 3: O debate sobre o critério da senciência
Eles dizem“Comê-los os beneficia, pois os faz nascer, e a morte de um é anulada pelo nascimento de outro.”
Resposta curta
Se isso justificasse matar, pais poderiam matar filhos desde que fizessem nascer outros. Matar quem já existe é mais grave do que deixar de produzir novos seres.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 4: O dano da morte e as razões contra matar
Eles dizem“Ambientalismo e defesa animal querem a mesma coisa, só discordam dos meios.”
Resposta curta
Têm metas diferentes. A defesa dos animais valoriza o bem-estar dos sencientes; o ambientalismo, entidades não sencientes como ecossistemas e espécies.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 5: Diferenças entre ambientalismo e consideração pelos animais
Eles dizem“Os animais selvagens vivem bem se os deixarmos em paz.”
Resposta curta
Desnutrição, doenças, parasitas, clima e predação são a norma. Com ninhadas de milhares, quase todos os filhotes morrem cedo.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 6: A situação dos animais selvagens e a proposta de ajudá-los
Eles dizem“A proposta implicaria intervir em conflitos entre animais, e isso é errado mesmo que melhore a situação.”
Resposta curta
Isso assume que a ação correta pode ter consequências piores sem mostrar por quê. E, quando humanos são vítimas de animais, ninguém defende isso: é especismo.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 7: O debate sobre a proposta de ajudar os animais selvagens (parte 1)
Eles dizem“Não há como ajudar todos, logo não devemos ajudar nenhum.”
Resposta curta
Também não há como ajudar todos os humanos, e isso não implica não ajudar nenhum. Para cada animal ajudado, a ajuda faz toda a diferença.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 8: O debate sobre a proposta de ajudar os animais selvagens (parte 2)
Eles dizem“Melhor ajudar o problema mais grave, sempre.”
Resposta curta
Nem sempre: se o recurso ajuda muito mais vítimas em outro problema igualmente ruim, ou se o benefício é muito maior, pode valer a pena priorizá-lo.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 9: Quais critérios utilizar para ajudar de modo eficiente?
Eles dizem“Animais mortos para comida são uns 80 bilhões por ano.”
Resposta curta
Esse número inclui só mamíferos e aves. Com peixes, camarões, insetos e cochonilhas, a estimativa é centenas de vezes maior.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 10: Quais problemas afetam as maiores quantidades de animais?
Eles dizem“Só seres de carne e osso podem sofrer de verdade.”
Resposta curta
Se surgirem seres sencientes digitais, desconsiderá-los por serem feitos de outro material seria substratismo, tão arbitrário quanto o especismo.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 11: Conceitos centrais no debate sobre a importância do futuro
Eles dizem“Não dá para se preparar para um futuro que não conhecemos.”
Resposta curta
Na saúde fazemos isso o tempo todo: evitamos fatores de risco sem saber a trajetória de cada pessoa.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 12: Identificando fatores de risco para os riscos-s
Eles dizem“É melhor apostar tudo em uma única solução.”
Resposta curta
Com tanta incerteza, apostar tudo em um cenário é arriscado. Estratégias amplas protegem contra o imprevisto.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 13: Estratégias longoprazistas: amplas e direcionadas
Eles dizem“Se o argumento veio do outro lado, deve estar errado.”
Resposta curta
Essa tendência impede o debate sério. O quadro sugere avaliar argumentos sem saber quem os propôs.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 14: Mudando o debate público e as instituições políticas
Eles dizem“Só existe um jeito certo de ser ativista.”
Resposta curta
O quadro mostra argumentos razoáveis dos dois lados em cada debate. Pode ser melhor ter pessoas diferentes em estratégias diferentes.
Aprofunde: Vol. XII, cap. 15: Debates sobre estratégias de ativismo