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de Ética
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Volume VI · A quem devemos consideração moral? · capítulo 11

Se os seres sencientes devem ser respeitados, então a natureza possui valor em si?

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Respeitar os seres sencientes não implica que a natureza tem valor em si: o que torna os sencientes consideráveis (poder ser afetado) não está presente na natureza como um todo; confundir "natureza" com "animais" gera esse equívoco.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume VI, p. 34 da edição em PDF

Por vezes é defendido que, se os seres devem receber , então a natureza possui valor em si, já que os seres sencientes fazem parte da natureza. No entender dessa visão, isso também mostraria que, se rejeitarmos que a natureza possui , estaremos ao mesmo tempo desconsiderando os seres sencientes.

Essa visão é por vezes endereçada como uma objeção contra a proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas dos processos naturais41. Essa proposta envolve intervir em como fome, sede, doenças e desastres naturais para beneficiar os animais42. A objeção alega então que, se defendermos que é correto intervir na natureza, também temos de manter que é correto intervir nos seres sencientes, mesmo que para prejudicá-los, já que eles fazem parte da natureza.

A premissa que subjaz a essa objeção é a de que, se uma parte de algo é moralmente considerável, então todo esse algo também o é. Entretanto, não há qualquer implicação necessária entre uma parte ser moralmente considerável e o todo do qual ela faz parte também ser. Isso é assim porque as razões para se considerar a parte podem não estar presentes no restante do grupo do qual ela faz parte e nem no todo.

É exatamente isso o que acontece no caso dos seres sencientes: a razão para os considerarmos é que são passíveis de ser afetados positiva ou negativamente (devido a serem capazes de experimentar certos estados como positivos e/ou outros como negativos). Essa característica não está presente em nenhuma outra parte da natureza e nem na natureza como um todo. Logo, haver boas razões para considerarmos os seres sencientes não implica que haja boas razões para se considerar outras partes da natureza, nem a natureza como um todo.

Assim, é falso que, se defendermos que é correto modificar a natureza, estaremos autorizando prejudicar os animais não humanos, já que fazem parte da natureza. Isso é seguramente evitado se deixarmos claro que a prescrição é: a natureza não senciente deve ser modificada para beneficiar os seres sencientes.

É exatamente a confusão de se pensar que "natureza" e "animais não humanos" são a mesma coisa que faz surgir a ideia (completamente equivocada) de que as visões que defendem preservar a natureza como um todo necessariamente também consideram os animais não humanos43. Esse mesmo equívoco com o uso dos termos também é o que parece levar várias pessoas a aprovarem toda e qualquer política ambientalista, acreditando equivocadamente que estão defendendo políticas que favorecem os animais não humanos44.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume VI
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

O que torna os sencientes moralmente consideráveis, segundo o capítulo?

Qual confusão gera a ideia de que o ambientalismo sempre considera os animais?

Para pensar

Quando alguém fala em "amar a natureza", de quem exatamente está falando?

Notas do autor 4
  1. 41 Sobre a situação típica dos animais que se encontram na natureza, ver (2016a) Animal Ethics (2020) e (2010b). ↩
  2. 42 Para os fundamentos dessa proposta, ver (2022a) e Animal Ethics (2020). ↩
  3. 43 A oposição entre ambientalismo e consideração pelos animais foi o tema do quinto volume desta coleção. Para uma revisão bibliográfica detalhada dessa questão, ver (2015). ↩
  4. 44 Para exemplos de práticas ambientalistas que envolvem exterminar animais, ver Conabio (2009) e Council of Europe (2016, 2020). Para críticas a esse tipo de prática, ver (2004), (2011, 2012), Ética Animal (2021b) e Genovez (2023). ↩
Fontes citadas neste texto 12

A lista completa do volume está em referências do Volume VI.

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