Questão
de Ética
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Argumentos em forma lógica

O argumento central de cada capítulo, organizado em premissas e conclusão. Camada de estudo: uma reconstrução do raciocínio do autor, não o texto original.

Como ler: se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão se segue. Quem discorda da conclusão precisa apontar qual premissa é falsa, e por quê. Esse é o exercício que a coleção inteira faz com as objeções.

Volume I · Discutindo o especismo

Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais
  1. P1 Uma discriminação é um tratamento desfavorável que é injusto.
  2. P2 Dar menos peso a prejuízos de mesmo tamanho só porque a vítima pertence a outra espécie é um tratamento desfavorável.
  3. P3 A espécie, sozinha, não explica por que o prejuízo de alguém deveria contar menos.
  4. C Logo, esse tratamento é uma discriminação: o especismo.

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O que importa é a espécie?
  1. P1 Para justificar tratar alguém pior, é preciso apontar uma diferença relevante para o tratamento em questão.
  2. P2 Dizer "porque é humano" ou "porque é da nossa espécie" apenas repete o critério que está sendo questionado.
  3. P3 Repetir o critério em vez de justificá-lo é cometer petição de princípio.
  4. C Logo, esses apelos não justificam o antropocentrismo.

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Características metafísicas poderiam justificar o especismo?
  1. P1 O que está em jogo na consideração moral é a possibilidade de prejudicar ou beneficiar os afetados.
  2. P2 Ter alma ou outra característica metafísica não muda se alguém pode ser prejudicado ou beneficiado.
  3. P3 Além disso, essas características não podem ser comprovadas.
  4. C Logo, apelar a elas não justifica desconsiderar os animais.

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A posse de capacidades ou relações poderia justificar o especismo?
  1. P1 Se a falta de certas capacidades em bebês e em humanos com certas deficiências não justifica tratá-los pior, a falta delas nos animais também não justifica.
  2. P2 A falta dessas capacidades nesses humanos não justifica tratá-los pior.
  3. P3 Além disso, o que importa para a consideração é poder ser prejudicado ou beneficiado, e não ter essas capacidades.
  4. C Logo, a posse de capacidades ou relações não justifica o especismo.

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O suposto potencial que os humanos tem poderia justificar o especismo?
  1. P1 Há humanos que não têm sequer o potencial para desenvolver aquelas capacidades.
  2. P2 Não achamos justo fazer a esses humanos o que se faz aos animais.
  3. P3 As razões para não causar sofrimento a uma criança existem porque o sofrimento é ruim, não por causa do potencial dela.
  4. C Logo, o potencial não justifica desconsiderar os animais.

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O que importa é pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades?
  1. P1 O apelo ao grupo diz que os humanos sem certas capacidades contam porque a espécie deles, tipicamente, as tem.
  2. P2 Isso exige dos animais as capacidades, mas não exige dos humanos.
  3. P3 Um critério aplicado de modo diferente a cada grupo é tendencioso.
  4. P4 Além disso, nem a espécie nem as capacidades são relevantes para poder ser prejudicado.
  5. C Logo, o apelo ao grupo não justifica o especismo.

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Se espécies não forem uma construção social, então o especismo está justificado?
  1. P1 O racismo e o sexismo são injustos porque desfavorecem tendenciosamente indivíduos de certos grupos.
  2. P2 Eles continuariam injustos mesmo que raça e gênero fossem categorias puramente biológicas.
  3. P3 O mesmo vale para a espécie: ser uma categoria biológica não a torna relevante para o peso do sofrimento.
  4. C Logo, a distinção entre biológico e socialmente construído não justifica o especismo.

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Se o especismo for natural, então o especismo está justificado?
  1. P1 Se "natural" significasse "justificável", tudo o que acontece na natureza seria aceitável para nós.
  2. P2 Muitas coisas naturais, como doenças, infanticídio e violência, são claramente inaceitáveis quando nos afetam.
  3. P3 Logo, ser natural não torna algo justificável.
  4. C Portanto, o especismo ser natural, se fosse, não o justificaria.

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As práticas especistas serem tradições mostra que devemos respeitá-las?
  1. P1 Muitas tradições do passado, como a escravidão, eram profundamente injustas.
  2. P2 Logo, ser tradição não basta para mostrar que uma prática é justa.
  3. P3 As tradições que exploram animais causam sofrimento e morte às vítimas.
  4. C Se o que importa é como os indivíduos são afetados, temos razões fortes para abolir essas tradições.

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Se a ética é uma atividade humana, é justo desconsiderar os animais?
  1. P1 Os beneficiários de uma prática não precisam ser capazes de exercê-la.
  2. P2 A capacidade de refletir sobre o certo e o errado é relevante para saber quem é responsabilizável, não para saber quem pode ser prejudicado.
  3. P3 Muitos humanos também não são agentes morais e continuam sendo considerados.
  4. C Logo, a ética ser uma atividade humana não justifica desconsiderar os animais.

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Se a ética for uma invenção, é justo desfavorecer os animais?
  1. P1 Uma atividade ter sido inventada não implica que todas as posições dentro dela sejam arbitrárias.
  2. P2 Em ética, há posições tendenciosas e posições que não são, como o princípio da igual consideração.
  3. P3 O especismo é uma posição tendenciosa.
  4. C Logo, a ética ser uma invenção não justifica desfavorecer os animais.

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Se a ética foi inventada para autoproteção, é justo desfavorecer os animais?
  1. P1 O argumento conclui que só devemos considerar quem pode nos ameaçar, porque a ética teria surgido do autointeresse.
  2. P2 Descrever a origem de uma atividade não é o mesmo que justificar uma posição dentro dela.
  3. P3 Além disso, se valesse, o argumento autorizaria desconsiderar humanos indefesos.
  4. C Logo, o apelo ao autointeresse não justifica o especismo.

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Tentativas de justificar o especismo que apelam a autoridades
  1. P1 Uma autoridade aprova uma prática porque ela é certa, ou a prática se torna certa por ser aprovada.
  2. P2 Se ela aprova porque é certa, o que importa são as razões, que podem ser avaliadas por qualquer um.
  3. P3 Se a prática se torna certa só por ser aprovada, a aprovação é arbitrária.
  4. P4 Em nenhum caso a autoridade, sozinha, justifica a prática.
  5. C Logo, o apelo à autoridade não justifica o especismo.

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O apelo a graus diferenciados de status moral
  1. P1 A tese da magnitude diz que a força das razões depende do tamanho do prejuízo ou benefício, não da espécie.
  2. P2 A tese do status diz que alguns têm prioridade mesmo quando seriam menos prejudicados.
  3. P3 Uma regra justa é a que escolheríamos sem saber em que grupo estaríamos.
  4. P4 Sem saber, não escolheríamos dar um trunfo a um grupo contra danos maiores sofridos por outro.
  5. C Logo, o status moral diferenciado é injusto.

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Tentativas de justificar o especismo que apelam à metaética
  1. P1 Afirmar "não existe certo e errado" é uma tese metaética, não uma razão a favor de uma posição normativa.
  2. P2 Se fosse verdade, valeria igualmente contra o especismo e a favor dele.
  3. P3 Quem a usa costuma aplicá-la só quando as vítimas são animais, o que revela um padrão duplo.
  4. C Logo, apelos à metaética não justificam o especismo.

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Volume II · Considerando os seres sencientes

O que é relevante para saber a quem devemos consideração?
  1. P1 A consideração moral existe porque as nossas decisões podem prejudicar ou beneficiar os afetados.
  2. P2 Logo, devem ser considerados todos os que podem ser prejudicados ou beneficiados.
  3. P3 As defesas do antropocentrismo apenas assumem que os seus critérios (espécie, razão, linguagem) são relevantes, sem explicar por quê.
  4. C Portanto, o critério relevante é poder ser prejudicado ou beneficiado, e não esses critérios antropocêntricos.

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O que é o argumento da sobreposição das espécies?
  1. P1 As capacidades e relações usadas para excluir os animais não estão presentes em todos os humanos.
  2. P2 A falta delas em bebês e em certos humanos não justifica tratá-los pior.
  3. P3 Se a falta dessas características não justifica tratar humanos pior, ela também não justifica tratar animais pior.
  4. C Logo, essas capacidades e relações não justificam desconsiderar os animais.

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O que é senciência e por que ela é importante?
  1. P1 Para ser prejudicado ou beneficiado, é preciso que as coisas possam ser experimentadas como boas ou ruins.
  2. P2 A senciência é a capacidade de ter essas experiências.
  3. P3 Logo, só seres sencientes podem ser prejudicados ou beneficiados.
  4. C Portanto, a senciência é o que importa para a consideração moral.

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Quais seres são sencientes?
  1. P1 Não temos acesso direto às experiências de outros seres, nem de outros humanos.
  2. P2 Inferimos a senciência a partir de indicadores: sistema nervoso centralizado, fisiologia, comportamento em geral e vantagem evolutiva.
  3. P3 Vertebrados e muitos invertebrados, como polvos, crustáceos e insetos, apresentam esses indicadores.
  4. C Logo, temos boas razões para considerá-los sencientes.

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Por que igual consideração?
  1. P1 Prejuízos e benefícios de magnitude similar devem receber o mesmo peso.
  2. P2 Dar peso menor a um prejuízo só por causa da espécie viola esse princípio.
  3. P3 O especismo pode acontecer por exploração, por omissão de ajuda, por consideração menor ou contra certas espécies de animais.
  4. C Logo, a igual consideração exige rejeitar todas essas formas de especismo.

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Questões relativas a merecimento poderiam justificar o especismo?
  1. P1 Alguém só merece um dano se for um agente responsabilizável e tiver violado alguma regra.
  2. P2 Os animais não humanos não são agentes responsabilizáveis.
  3. P3 Logo, os animais não merecem os danos de que padecem.
  4. C Portanto, o merecimento não justifica deixar de priorizá-los quando sofrem o dano maior.

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A rejeição do especismo é compatível apenas com uma visão da ética?
  1. P1 Há teorias éticas muito diferentes: utilitarismo, maximin, igualitarismo e outras.
  2. P2 Elas discordam sobre muitas situações, mas todas exigem não ser tendencioso ao considerar o bem dos afetados.
  3. P3 O especismo é uma forma de ser tendencioso.
  4. C Logo, rejeitar o especismo é compatível com várias visões éticas, e não só com o utilitarismo.

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Se rejeitarmos o especismo, como decidiremos questões de prioridade?
  1. P1 Na maioria das situações não conseguimos ajudar todos.
  2. P2 Há critérios de prioridade que não dependem da espécie: gravidade da situação, número de vítimas, tamanho do benefício e impacto futuro.
  3. P3 Esses critérios são compatíveis com a igual consideração.
  4. C Logo, é falso que, sem hierarquias de espécie, ficaríamos sem guia para decidir.

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Mas, os humanos não são capazes de sofrer em maior grau?
  1. P1 A tese diz que humanos sempre sofrem mais por terem cognição mais sofisticada.
  2. P2 Em muitas situações, quem entende menos sofre mais, por não compreender o que acontece.
  3. P3 Além disso, menor capacidade cognitiva costuma aumentar a vulnerabilidade.
  4. P4 E, mesmo que alguém sofresse menos, isso não justificaria desconsiderá-lo.
  5. C Logo, o maior grau de cognição não justifica o tratamento dado aos animais.

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O que decidiríamos sob condições de imparcialidade?
  1. P1 Uma decisão justa é imparcial: é a que escolheríamos sem saber qual posição ocuparíamos entre os afetados.
  2. P2 Esse teste pode incluir não saber se nasceríamos humanos ou animais.
  3. P3 Sem saber, não escolheríamos a exploração animal nem dar menos peso aos animais.
  4. C Logo, a exploração animal e o especismo são injustos.

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Testando se uma atitude é ou não especista
  1. P1 Uma atitude é especista se trata pior seres sencientes por causa da espécie.
  2. P2 Se a decisão mudaria apenas ao mudarmos a espécie dos afetados, ou a nossa posição, a espécie está pesando na decisão.
  3. P3 As práticas que afetam os animais não passam nesse teste.
  4. C Logo, além de injustificadas, essas práticas pedem que façamos algo para mudá-las.

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Que importância devemos dar à situação dos animais?
  1. P1 A prioridade de uma causa depende da gravidade, do número de vítimas e do grau de negligência.
  2. P2 As vítimas não humanas são em número gigantescamente maior, em situação muito grave e muito mais negligenciadas.
  3. P3 A visão de que humanos devem vir sempre primeiro só parece razoável por causa do especismo.
  4. C Logo, sob imparcialidade, a causa animal deveria receber prioridade muito alta.

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Incerteza sobre senciência e benefício da dúvida
  1. P1 Não temos prova absoluta da senciência de nenhum ser além de nós mesmos.
  2. P2 Se um ser é senciente e o tratamos como se não fosse, o dano é grande; se não é e o tratamos como se fosse, o custo é pequeno.
  3. P3 Quando um erro é muito mais grave do que o outro, devemos errar para o lado da precaução.
  4. C Logo, seres de senciência incerta devem receber o benefício da dúvida.

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Volume III · Os animais e o dano da morte

De que consiste o dano da morte?
  1. P1 Alguém pode ser prejudicado pela presença do que é negativo ou pela ausência do que é positivo.
  2. P2 A morte impede o indivíduo de desfrutar o que de positivo ele viveria.
  3. P3 Logo, a morte é um dano, mesmo quando indolor.
  4. C E, mesmo que a visão epicurista fosse correta, ela negaria o dano da morte a todos, humanos inclusive, e não só aos animais.

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Discutindo a alegação de que os animais não são prejudicados com a morte
  1. P1 A morte prejudica por impedir o que de positivo o indivíduo viveria.
  2. P2 Isso não depende de o indivíduo entender o que é a morte nem de ter desejos orientados para o futuro.
  3. P3 Os animais sencientes podem ter pela frente uma vida minimamente significativa.
  4. C Logo, eles são prejudicados com a morte.

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Objeções à explicação do dano da morte enquanto impedimento do que é positivo
  1. P1 As objeções apontam a incerteza sobre o futuro, a assimetria entre o tempo antes do nascimento e depois da morte, e os seres que poderiam existir.
  2. P2 Em geral, podemos estimar se uma vida tende a ser positiva.
  3. P3 O momento da morte pode ser mudado; o do nascimento, tipicamente não, o que explica a assimetria.
  4. C Logo, essas objeções não derrubam a explicação do dano da morte como privação.

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Quem é incapaz de prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte?
  1. P1 O argumento diz que a morte prejudica pouco quem não é capaz de prazeres intelectuais.
  2. P2 Para isso, teria de mostrar que prazeres não intelectuais são pouco valiosos.
  3. P3 Mostrar que prazeres intelectuais seriam mais valiosos não mostra isso.
  4. P4 Além disso, experiências não intelectuais, como estar com quem se ama, podem ser tão valiosas quanto as intelectuais.
  5. C Logo, os animais não são pouco prejudicados com a morte por não terem prazeres intelectuais.

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Como avaliar o quão prejudicado alguém é com a morte?
  1. P1 A morte prejudica pelo que impede de positivo.
  2. P2 Quanto maior o valor de que alguém é privado, maior o dano.
  3. P3 Esse valor depende do tempo de vida perdido e da sua qualidade, medidos por AVAQs.
  4. C Logo, a magnitude do dano da morte pode ser estimada pelos AVAQs perdidos, inclusive para animais.

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Objeções à avaliação da magnitude do dano da morte com base em AVAQs
  1. P1 A objeção diz que os AVAQs têm implicações contraintuitivas, logo devem ser rejeitados.
  2. P2 Intuições podem refletir vieses, como o especismo, e precisam ser testadas.
  3. P3 A objeção não oferece um critério alternativo fundamentado de modo independente.
  4. C Logo, até que isso aconteça, temos razões para nos basear nos AVAQs.

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Os animais teriam uma conexão psicológica menor?
  1. P1 A objeção diz que os animais têm conexão psicológica fraca com o futuro, e por isso são pouco prejudicados com a morte.
  2. P2 Mentes mais simples tendem a variar menos, o que pode significar maior proporção de conteúdos em comum.
  3. P3 Além disso, alguém que viveu pouco e teria um bom futuro é muito prejudicado ao morrer, seja qual for a sua conexão psicológica.
  4. C Logo, a conexão psicológica não mostra que os animais são pouco prejudicados com a morte.

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Discutindo a alegação de que os animais são substituíveis
  1. P1 A tese diz que matar um animal é compensado pelo nascimento de outro com vida igualmente boa.
  2. P2 Se valesse, autorizaria matar crianças desde que outras nascessem para substituí-las.
  3. P3 Matar quem já existe prejudica alguém; deixar de criar um novo ser não prejudica ninguém que já exista.
  4. C Logo, os animais não são substituíveis.

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Seriam os animais não humanos pouco prejudicados com a morte?
  1. P1 O apelo à conexão psicológica diz que razões prudenciais (para o próprio futuro) dependem do grau de conexão.
  2. P2 Exemplos mostram que temos razões fortes para evitar eventos ruins e buscar bons, mesmo com pouca conexão psicológica.
  3. P3 Logo, a força dessas razões não depende da conexão psicológica.
  4. C Portanto, a conexão psicológica não mostra que os animais são pouco prejudicados com a morte.

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A alegação de que ter pouco tempo restante torna a morte um dano pequeno
  1. P1 A alegação diz que quem tem pouco tempo pela frente é pouco prejudicado com a morte.
  2. P2 Isso já é rejeitado no caso humano: idosos e doentes graves continuam sendo muito prejudicados se mortos.
  3. P3 Além disso, o tempo subjetivo pode passar de forma diferente para animais menores.
  4. P4 Rejeitar isso para humanos e aceitar para animais exigiria um status especial, que não se justifica.
  5. C Logo, ter pouco tempo pela frente não justifica matar.

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E, se humanos fossem mais prejudicados com a morte?
  1. P1 O capítulo supõe, só para argumentar, que humanos seriam mais prejudicados com a morte.
  2. P2 Daí não se segue que matar animais seja permitido: ser menos prejudicado ainda é ser prejudicado.
  3. P3 Também não se segue que se possa matar uns para salvar outros, nem que o número de vítimas não importe.
  4. C Logo, mesmo com essa suposição, as conclusões comuns sobre os animais não se seguem.

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Status moral diferenciado, dano da morte e erro em matar
  1. P1 As razões diretas contra matar podem depender do dano da morte (tese da magnitude) ou de um status especial (tese do status).
  2. P2 A abordagem de duas camadas dá a certos indivíduos um status protegido e trata os demais só pela magnitude.
  3. P3 Sob imparcialidade, não escolheríamos dar esse status a um grupo.
  4. C Logo, a força das razões contra matar deve depender só da magnitude do dano da morte.

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Reflexões adicionais: morte, aniquilação, decisão racional e probabilidades
  1. P1 "Morte" pode significar o fim da vida biológica ou a aniquilação da consciência.
  2. P2 Há incerteza sobre se a morte é aniquilação e, se não for, sobre se a vida pós-morte seria melhor ou pior.
  3. P3 Sabemos, por outro lado, como a vida atual provavelmente continuaria.
  4. C Logo, a possibilidade de vida após a morte não justifica matar indivíduos com uma vida boa.

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Volume IV · O debate sobre a exploração animal

Como vivem e morrem os animais explorados pelos humanos?
  1. P1 A exploração animal causa sofrimento intenso e morte a um número gigantesco de animais.
  2. P2 Tratar humanos assim seria considerado inaceitável porque sofrer e morrer desse modo prejudica gravemente as vítimas.
  3. P3 Os animais explorados também são gravemente prejudicados por isso.
  4. C Logo, aceitar com eles o que seria inaceitável com humanos é um padrão duplo injustificado.

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Por que a exploração animal é injusta?
  1. P1 Para não violar a igual consideração, teria de ser aceitável fazer o mesmo com humanos em situação de prejuízo similar.
  2. P2 Não aceitaríamos explorar humanos que sofressem prejuízos similares.
  3. P3 Sob imparcialidade, não aceitaríamos a exploração animal sem saber se seríamos humanos ou animais.
  4. C Logo, a exploração animal é injusta, seja qual for o seu modelo de produção.

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O que é veganismo?
  1. P1 Os animais são explorados porque há demanda por produtos e serviços de origem animal.
  2. P2 Pagar por esses produtos faz mais animais nascerem para sofrer e morrer.
  3. P3 Quem respeita os animais por eles mesmos tem razões para não contribuir com isso.
  4. C Logo, o veganismo é a posição coerente com o respeito aos animais, e também uma forma de expor a injustiça que sofrem.

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E as plantas?
  1. P1 Estar vivo não é o mesmo que ser senciente.
  2. P2 O principal indicador de senciência é um sistema nervoso centralizado, que as plantas não têm.
  3. P3 Se as plantas fossem sencientes, a criação de animais mataria ainda mais plantas, pois eles comem muitas plantas.
  4. C Logo, a objeção das plantas não justifica comer animais; se valesse, levaria ao frutarianismo.

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A objeção de que o consumo de animais é natural
  1. P1 "Comer carne é natural" pode significar ser possível, instintivo, feito por outros animais ou parte da cadeia alimentar.
  2. P2 Em nenhum desses sentidos, ser natural implica ser justificável.
  3. P3 Outros animais também matam filhotes e roubam, e não achamos que isso nos autoriza a fazer igual.
  4. C Logo, a objeção da naturalidade não justifica o consumo de animais.

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A alegação de que consumir os animais acaba com o sofrimento deles
  1. P1 O argumento diz que matar os animais é bom para eles, pois os livra de uma vida de sofrimento.
  2. P2 Na exploração, é a demanda que faz nascerem animais em condições de sofrimento.
  3. P3 Se a preocupação fosse real, o certo seria deixar de criar animais para sofrer, e não continuar consumindo.
  4. C Logo, o argumento é uma desculpa para continuar consumindo, e não um motivo real.

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Criar animais para consumo está justificado, uma vez que os faz existir?
  1. P1 O argumento diz que a criação beneficia os animais porque os faz existir.
  2. P2 A maioria dos animais explorados tem vidas de sofrimento intenso, nas quais nascer não é um benefício.
  3. P3 Mesmo quando fosse, causar um benefício não dá direito de causar um malefício.
  4. P4 E, pelo saldo total, a substituição tende a gerar mais sofrimento ao longo do tempo.
  5. C Logo, trazer animais à existência não justifica criá-los para consumo.

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Importa o que faríamos em uma ilha deserta ou em uma casa em chamas?
  1. P1 O argumento parte do que faríamos em situações catastróficas.
  2. P2 O que faríamos não é necessariamente o correto.
  3. P3 Mesmo que seja correto em emergências, as nossas situações cotidianas são muito diferentes.
  4. C Logo, cenários de ilha deserta não justificam o consumo de animais no dia a dia.

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É necessário consumir produtos de origem animal?
  1. P1 O argumento diz que o consumo de animais é justificado por ser necessário à saúde.
  2. P2 Entidades como a Academy of Nutrition and Dietetics e o NHS reconhecem que dietas veganas bem planejadas são saudáveis em todas as fases da vida.
  3. P3 Logo, consumir produtos de origem animal não é necessário para a saúde.
  4. C Portanto, a necessidade não justifica o consumo.

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O veganismo é coisa para ricos?
  1. P1 O argumento diz que o veganismo é inacessível por ser caro.
  2. P2 Os alimentos básicos de uma dieta vegana estão entre os mais baratos.
  3. P3 Produtos industrializados veganos mais caros não são necessários.
  4. P4 E, se fossem caros, isso seria razão para aumentar a demanda e baixar os preços.
  5. C Logo, o veganismo não é coisa para ricos.

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Se o mundo se tornasse vegano, haveria um excesso de animais domésticos?
  1. P1 Os animais domésticos de criação existem em tal número porque são reproduzidos para atender à demanda.
  2. P2 O mundo não se tornaria vegano de um dia para o outro, mas gradualmente.
  3. P3 Com menos demanda, menos animais seriam reproduzidos.
  4. C Logo, um mundo vegano teria muito menos animais domésticos, e não um excesso.

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O veganismo causaria uma ruína à economia e perda de empregos?
  1. P1 O argumento diz que não devemos ser veganos porque isso prejudicaria a economia e os empregos.
  2. P2 Benefícios econômicos não justificam causar sofrimento e morte a vítimas, como não justificariam com humanos.
  3. P3 Além disso, a demanda por produtos veganos gera novas ofertas de emprego.
  4. C Logo, o argumento econômico não justifica a exploração animal.

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Mas, o veganismo tem mesmo um impacto prático?
  1. P1 O impacto do veganismo deve ser medido pela comparação com o que aconteceria sem ele.
  2. P2 Cada pessoa vegana reduz a demanda por produtos de origem animal ao longo da vida.
  3. P3 Menos demanda significa menos animais criados e mortos.
  4. C Logo, o veganismo tem um impacto prático, e não pequeno.

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Mas, o veganismo não causa ainda mais mortes do que consumir animais?
  1. P1 O argumento diz que a agricultura para dietas veganas causa mais mortes do que o consumo de animais.
  2. P2 Não há evidência disso, e a criação de animais exige muito mais área plantada para ração.
  3. P3 Mesmo que fosse verdade, as consequências de longo prazo de defender a consideração pelos animais seriam melhores.
  4. C Logo, o argumento não justifica rejeitar o veganismo.

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A preocupação com espécies justifica o consumo de animais?
  1. P1 O argumento pressupõe que espécies importam por si.
  2. P2 Pressupõe que importam tanto que justificariam sofrimento extremo e morte de seres sencientes.
  3. P3 E pressupõe que essas espécies desapareceriam sem o consumo.
  4. P4 A primeira é controversa, a segunda tem fortes razões contra e a terceira é falsa.
  5. C Logo, o argumento não é sólido.

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A alegação de que é melhor deixar para depois a luta pelos animais
  1. P1 O argumento diz que devemos deixar a defesa dos animais para as próximas gerações.
  2. P2 Cada pessoa convencida faz grande diferença para os animais afetados pelas suas decisões.
  3. P3 Não há prova de que a maioria rejeitaria os argumentos a favor dos animais.
  4. P4 Além disso, "a melhor forma de ajudar os animais é colocar os humanos primeiro" pode ser especismo disfarçado.
  5. C Logo, não há razão para adiar a luta pelos animais.

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Os animais já não são protegidos pela lei?
  1. P1 A exploração animal é legalizada e acontece dentro de sistemas que a legitimam.
  2. P2 Os animais têm, juridicamente, o status de propriedade.
  3. P3 Enquanto forem propriedade, não podem ter direitos legais que protejam de modo significativo os seus interesses.
  4. C Logo, a lei não protege os animais da exploração; mudar isso exige mudar o modo como as pessoas os veem.

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A alegação de que os defensores dos animais estão impondo o seu estilo de vida
  1. P1 O argumento defende que não se deve impor regras sobre como as pessoas tratam os animais.
  2. P2 Ao mesmo tempo, aceita que se imponha aos animais sofrimento extremo e morte.
  3. P3 Isso é contraditório: defende um direito contra imposições e um direito de impor.
  4. C Logo, a acusação de "imposição de estilo de vida" não se sustenta.

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A exploração sobre insetos e por que devemos nos opor a ela
  1. P1 Há evidências crescentes de que muitos insetos são sencientes.
  2. P2 A exploração de insetos mata trilhões por ano, em condições de confinamento, privação e mortes dolorosas.
  3. P3 Se cada ser senciente importa, uma exploração com tantas vítimas é um problema dos mais importantes.
  4. P4 Essa conclusão se mantém mesmo se o bem de cada inseto tivesse peso menor.
  5. C Logo, devemos nos opor à exploração de insetos.

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O debate sobre a experimentação animal
  1. P1 A defesa da experimentação apela à necessidade, à eficácia e a um peso maior para os interesses humanos.
  2. P2 Não parece haver justificativa para dar peso diferente a prejuízos similares por causa da espécie.
  3. P3 Não aceitaríamos experimentos equivalentes em humanos não consentidos, mesmo se úteis.
  4. C Logo, a experimentação animal não se justifica; a pesquisa deve seguir por outros meios.

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Volume V · Diferenças entre ambientalismo e consideração pelos animais

Respeito pelos animais e ambientalismo: complementares ou opostos?
  1. P1 A consideração pelos animais valoriza em si o bem dos seres sencientes.
  2. P2 O ambientalismo, no sentido usado aqui, valoriza em si entidades não sencientes, como espécies e ecossistemas.
  3. P3 Quando esses valores conflitam, o ambientalismo pode prescrever prejudicar animais.
  4. C Logo, as duas posições não são a mesma coisa nem são sempre complementares.

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A divergência é quanto aos fins, não somente quanto aos meios
  1. P1 Ambientalismo e defesa animal são muitas vezes vistos como tendo a mesma meta e divergindo só nos meios.
  2. P2 Na verdade, a defesa animal valoriza os seres sencientes, e o ambientalismo valoriza espécies e ecossistemas.
  3. P3 Considerar indivíduos é compatível tanto com salvar a maioria quanto com outras posições; considerar o "todo" não é considerar a maioria.
  4. C Logo, a divergência é quanto aos fins.

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Apesar das diferenças, defesa animal e ambientalismo convergem na prática?
  1. P1 O argumento diz que, como os animais precisam do ambiente e o ambientalismo o preserva, as posições convergem.
  2. P2 O ambiente pode ser preservado em configurações muito diferentes.
  3. P3 O ambientalismo escolhe configurações por critérios como originalidade, raridade e biodiversidade, não pelo bem-estar dos animais.
  4. C Logo, a convergência ocorre em alguns casos, mas não em outros.

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A divergência não está no foco no curto ou longo prazo
  1. P1 Uma crença comum é que o ambientalismo pensa no longo prazo e a defesa animal, no curto.
  2. P2 Ambas podem considerar o longo prazo.
  3. P3 Recusar uma ajuda por medo de causar mais sofrimento depois é uma preocupação com os seres sencientes.
  4. C Logo, a divergência está nas metas, e não no horizonte de tempo.

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Equilíbrio ecológico e biodiversidade coincidem com o melhor para os animais?
  1. P1 Equilíbrio ecológico diz respeito à variação do tamanho das populações; biodiversidade, à variedade de espécies.
  2. P2 Nenhuma das duas noções se baseia no que é melhor para os seres sencientes.
  3. P3 Uma população pode ser estável justamente porque a maioria dos filhotes morre cedo.
  4. C Logo, equilíbrio e biodiversidade não indicam que os animais estão bem.

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Defesa dos animais e ambientalismo: a divergência é ética, e não, científica
  1. P1 A ecologia descreve como funcionam os ecossistemas.
  2. P2 Quais metas buscar, como o bem dos animais ou valores ambientalistas, é uma questão ética.
  3. P3 O conhecimento ecológico pode ser usado para qualquer uma dessas metas, inclusive pela biologia do bem-estar.
  4. C Logo, a defesa dos animais pode ser tão cientificamente informada quanto o ambientalismo.

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Por que o respeito pelos animais é confundido com o ambientalismo?
  1. P1 Defesa dos animais e ambientalismo têm metas divergentes e muitas vezes conflitantes.
  2. P2 Mesmo assim, são confundidos por vários fatores, inclusive a confusão entre ambientalismo e ecologia.
  3. P3 Essa confusão leva defensores dos animais a aprovar práticas ambientalistas muito prejudiciais aos animais.
  4. C Logo, entender a diferença é importante para não agir contra o que se defende.

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O que é almejado com os programas ambientalistas de extermínio?
  1. P1 Esses programas costumam ser apoiados por se acreditar que evitam algo pior para os animais.
  2. P2 Em vários casos, eles aumentaram muito o sofrimento e as mortes.
  3. P3 A meta real é preservar configurações ecológicas valorizadas, não o bem dos animais.
  4. P4 As pessoas que os aprovam só o fazem porque sabem que não serão vítimas.
  5. C Logo, os programas de extermínio não passam no teste da imparcialidade e não são justos.

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O ambientalismo é antropocêntrico?
  1. P1 A maioria dos ambientalistas subordina as metas ambientais ao bem dos humanos, mas não ao dos animais.
  2. P2 Isso é antropocentrismo.
  3. P3 Poucos, como Linkola, aplicariam o extermínio também a humanos, uma posição puramente ambientalista.
  4. P4 Ambas as posições sacrificam seres sencientes por entidades não sencientes, o que não se justifica.
  5. C Logo, há boas razões para rejeitar as duas.

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Questionando os pressupostos ambientalistas
  1. P1 O ambientalismo pressupõe que espécies e ecossistemas têm valor em si.
  2. P2 Isso não foi demonstrado, e menos ainda que valham mais que os seres sencientes.
  3. P3 Mesmo que tivessem valor em si, isso permitiria limitar interesses não básicos, mas não justificaria causar sofrimento e morte.
  4. P4 Os próprios ambientalistas já aceitam isso no caso humano.
  5. C Logo, práticas ambientalistas que causam sofrimento e morte são injustificáveis.

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Por que defensores dos animais relutam em reconhecer a divergência?
  1. P1 Muitos defensores dos animais apoiaram por anos programas e organizações ambientalistas.
  2. P2 Reconhecer a divergência exigiria revisar crenças e práticas, o que é difícil por causa de vieses.
  3. P3 Os defensores dos animais pedem aos outros que superem esses vieses em relação à exploração.
  4. C Logo, também devem superá-los em relação ao ambientalismo.

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Volume VI · A quem devemos consideração moral?

O que é relevante para saber a quem devemos consideração?
  1. P1 Um critério só está justificado se se basear em uma distinção relevante para a questão que pretende responder.
  2. P2 A questão da consideração moral é sobre quem pode ser prejudicado ou beneficiado pelas nossas decisões.
  3. P3 Ser senciente é o que torna alguém passível de ser prejudicado e beneficiado.
  4. C Logo, a senciência é o critério relevante para a consideração moral.

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Seria o critério da senciência, no fundo, antropocêntrico?
  1. P1 O antropocentrismo atribui valor aos animais conforme se pareçam com os humanos.
  2. P2 O critério da senciência não pergunta se um ser se parece com humanos, mas se pode ser prejudicado ou beneficiado.
  3. P3 A razão, ao contrário da senciência, não determina quem pode ser prejudicado.
  4. C Logo, o critério da senciência não é antropocêntrico.

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O critério da senciência discrimina contra quem não pertence ao reino animal?
  1. P1 A acusação diz que o critério discrimina quem não pertence ao reino animal.
  2. P2 O critério inclui apenas seres sencientes, e há animais que provavelmente não são sencientes.
  3. P3 Ele incluiria seres sencientes de qualquer reino ou substrato.
  4. C Logo, o critério da senciência não é o mesmo que "pertencer ao reino animal".

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Segundo o critério da senciência, o único problema é o sofrimento?
  1. P1 Um ser senciente é prejudicado pela presença do que é negativo e pela ausência do que é positivo.
  2. P2 A morte é um exemplo de dano pela ausência do positivo.
  3. P3 Logo, o critério da senciência reconhece danos que não envolvem sofrimento.
  4. C Pensar o contrário é um dos equívocos mais comuns sobre o critério.

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Se a senciência é o que importa, por que há males que não afetam as experiências?
  1. P1 Há prejuízos que não alteram a quantidade de experiências positivas e negativas.
  2. P2 Isso pode ser objeção ao hedonismo, a teoria de que o bem-estar se resume a experiências.
  3. P3 O critério da senciência diz quem pode ser prejudicado, e é compatível com teorias que incluem preferências.
  4. P4 Preferências também dependem da senciência para existir.
  5. C Logo, esses casos não refutam o critério da senciência.

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O critério da senciência exclui os insetos?
  1. P1 A objeção diz que o critério da senciência exclui os insetos e propõe trocar pelo critério da vida.
  2. P2 Há evidências de senciência em várias espécies de insetos estudadas.
  3. P3 As demais não foram reprovadas: apenas mal foram estudadas.
  4. C Logo, o critério da senciência inclui muitos insetos, e não há razão para trocá-lo pelo da vida.

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Aceitar o critério da senciência implica assumir que valores são subjetivos?
  1. P1 A objeção diz que, por valorizar seres com subjetividade, o critério assume que valores são subjetivos.
  2. P2 "Subjetivo" pode significar "referente à consciência" ou "sem verdade objetiva".
  3. P3 Uma coisa não implica a outra: o sofrimento pode ter objetivamente desvalor, mesmo sendo uma experiência consciente.
  4. C Logo, o critério não implica que valores são subjetivos.

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Animais com cérebros mais simples são menos sencientes?
  1. P1 A visão diz que cérebros mais simples implicam menor senciência e, por isso, menor consideração.
  2. P2 Senciência, valência e grau de cognição são coisas diferentes.
  3. P3 As experiências podem ser até mais intensas em seres ou fases com menos cognição.
  4. P4 Dar menos peso por causa da cognição é inteligentismo, uma discriminação.
  5. C Logo, não se justifica dar menor consideração a seres cognitivamente menos capazes.

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Se há necessidade da ética ambiental, então o critério da senciência está errado?
  1. P1 O argumento diz: se a ética ambiental é necessária e faz sentido, entidades não sencientes têm valor em si.
  2. P2 Também precisamos de uma ética da distribuição de renda, e a renda não tem valor em si.
  3. P3 Logo, a necessidade de uma ética sobre algo não mostra que esse algo tem valor em si.
  4. C Uma ética do manejo ambiental, guiada pelo bem dos seres sencientes, pode responder às questões ambientais.

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Não é absurdo um mundo com menos sofrimento, mas manejado pelos humanos?
  1. P1 A objeção diz ser absurdo preferir um mundo com menos sofrimento, mas manejado por humanos.
  2. P2 Imagine um ecossistema modificado, indistinguível de um natural, e melhor para os seres sencientes.
  3. P3 Dizer que ele é pior só por ter influência humana revela um preconceito contra a ação humana.
  4. C Logo, a objeção não refuta a ética centrada na senciência.

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Se os seres sencientes devem ser respeitados, então a natureza possui valor em si?
  1. P1 O argumento diz: se os sencientes devem ser respeitados e fazem parte da natureza, a natureza tem valor em si.
  2. P2 Os sencientes são considerados porque podem ser afetados positiva ou negativamente.
  3. P3 A natureza como um todo não tem essa característica.
  4. C Logo, considerar os sencientes não implica dar valor em si à natureza.

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O critério da senciência implica em aceitar as metas ambientalistas?
  1. P1 A defesa diz que, como alguns sencientes querem que a natureza siga o seu curso, o critério da senciência leva às metas ambientalistas.
  2. P2 Levar um interesse em conta não implica que se deva realizá-lo, se conflita com interesses mais fortes.
  3. P3 Realizar esse interesse implicaria sofrimento e morte para um número gigantesco de seres sencientes.
  4. C Logo, o critério da senciência não implica aceitar as metas ambientalistas.

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Espécies possuem interesses?
  1. P1 Para ter interesses, é preciso poder ser beneficiado ou prejudicado.
  2. P2 Espécies são entidades abstratas: categorias criadas para agrupar seres vivos por semelhanças.
  3. P3 Não há "alguém" que seja a espécie e que possa ser prejudicado por deixar de existir.
  4. C Logo, espécies não têm interesses; quem os tem são os indivíduos sencientes.

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Se alguma entidade não senciente tiver valor em si, quais as implicações?
  1. P1 Mostrar que algo tem valor em si não é o mesmo que mostrar que deve ter prioridade.
  2. P2 Só os seres sencientes podem sofrer e só para eles a morte impede experiências positivas.
  3. P3 Esses são danos particularmente graves, que nenhuma entidade não senciente pode sofrer.
  4. C Logo, em conflitos, há fortes razões para priorizar os seres sencientes.

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O biocentrismo é melhor, já que inclui um número maior de seres?
  1. P1 O argumento diz que, se incluir mais seres torna a senciência melhor que o antropocentrismo, a vida é melhor que a senciência.
  2. P2 O que justifica incluir os sencientes é poderem ser prejudicados, não o número.
  3. P3 Não foi mostrado que seres vivos não sencientes podem ser prejudicados.
  4. P4 E o biocentrismo excluiria seres sencientes não vivos, se existirem.
  5. C Logo, o biocentrismo não é melhor por ser mais abrangente.

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Senciência e vida: o que tem valor enquanto fim e o que tem valor enquanto meio?
  1. P1 A objeção diz que, como a vida é necessária para a senciência, a vida tem valor em si, e a senciência é só um meio para mantê-la.
  2. P2 Algo ser necessário para outra coisa não lhe dá valor em si.
  3. P3 Valorizamos estar vivos porque a vida permite experiências valiosas.
  4. C Logo, estar vivo tem valor como meio para experiências significativas, e não o contrário.

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Seres vivos não sencientes são passíveis de ser prejudicados?
  1. P1 O biocentrismo diz que seres vivos não sencientes podem ser prejudicados.
  2. P2 A linguagem comum fala no "bem" de plantas, mas também de carros e máquinas.
  3. P3 É difícil conceber valorizar estados sem experimentá-los como positivos ou negativos.
  4. C Logo, há razões para pensar que só seres sencientes podem ser prejudicados.

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O comportamento de certas plantas e fungos mostra que valorizam certas coisas?
  1. P1 Certos seres vivos não sencientes apresentam comportamentos complexos.
  2. P2 Esses comportamentos podem ser explicados por reações físico-químicas e reflexos.
  3. P3 A possibilidade de outra explicação não mostra que ela é a correta.
  4. C Sem estrutura física que crie as condições para experiências, o comportamento sozinho não basta para concluir que há senciência.

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A vida sem senciência tem valor?
  1. P1 O biocentrismo diz que a vida tem valor em si; o critério da senciência diz que vale pelas experiências que permite.
  2. P2 Em coma total irreversível, há vida, mas não parece haver nada de valioso para a pessoa.
  3. P3 Se pudéssemos continuar sencientes sem estar vivos, nossa existência continuaria valendo.
  4. C Logo, o valor está na senciência, e não na vida biológica.

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Todo ser vivo possui "interesses biológicos"?
  1. P1 O argumento diz que todos os seres vivos têm interesses biológicos, como os sencientes têm.
  2. P2 Nos sencientes, o interesse em satisfazer necessidades biológicas é instrumental ao seu bem-estar.
  3. P3 São as experiências, e não as necessidades, que tornam algo do interesse de alguém.
  4. C Logo, ter necessidades biológicas não basta para ter interesses no sentido moral.

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Se plantas forem consideráveis, tanto faz comer animais ou plantas?
  1. P1 O respeito às plantas é usado para dizer que tanto faz comer animais ou plantas.
  2. P2 Mesmo biocentristas, como Paul Taylor, reconhecem o sofrimento como algo intrinsecamente negativo para seres sencientes.
  3. P3 Comer animais causa sofrimento e consome muito mais plantas.
  4. C Logo, se as plantas fossem consideráveis, a implicação seria o frutarianismo, e não comer animais.

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Volume VII · A ética e a situação dos animais selvagens

O que fazer em relação aos animais que vivem na natureza?
  1. P1 Temos razões para evitar prejuízos porque eles são negativos para quem os sofre, e para buscar benefícios porque são positivos.
  2. P2 A força dessas razões depende do tamanho do prejuízo ou benefício, e não de sua origem ser humana ou natural.
  3. P3 Os animais selvagens sofrem prejuízos enormes por processos naturais.
  4. C Logo, temos razões fortes para tentar prevenir e reduzir esses danos naturais.

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Como não entender a questão
  1. P1 O argumento diz que danos naturais não são questão de ética porque não se pode responsabilizar a natureza nem os animais.
  2. P2 A questão é posta para nós: devemos ajudar, ou não?
  3. P3 Até afirmar que ajudar é opcional é uma posição ética, pois a ética trata também do que é permissível.
  4. C Logo, os danos naturais são, sim, uma questão de ética.

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Como os processos naturais tipicamente afetam os animais selvagens?
  1. P1 A maioria das espécies se reproduz produzindo um enorme número de filhotes.
  2. P2 Em populações estáveis, em média só um descendente por adulto sobrevive.
  3. P3 Os demais morrem cedo, em geral de forma dolorosa.
  4. P4 Mesmo que muitos ovos não cheguem a formar seres sencientes e que os filhotes sofressem menos, o número de vítimas continuaria gigantesco.
  5. C Logo, a situação dos animais selvagens é, em geral, muito ruim.

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A visão de que não é um problema porque as vítimas são animais não humanos
  1. P1 A visão comum só dá importância ao sofrimento dos animais selvagens quando afeta humanos ou metas ambientais.
  2. P2 O que explica por que o bem dos humanos importa por si é poderem ser prejudicados e beneficiados.
  3. P3 Isso vale para qualquer ser senciente.
  4. C Logo, o bem dos animais selvagens importa por si e tanto quanto o dos humanos.

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Fundamentos da proposta de ajudar vítimas de processos naturais
  1. P1 As razões para evitar prejuízos existem porque eles são negativos, seja qual for a origem (existência das razões).
  2. P2 A força dessas razões depende da magnitude, não da origem (força das razões).
  3. P3 Mesmo dando maior peso a danos humanos, a escala dos danos naturais ainda geraria razões fortes (peso do critério).
  4. C Logo, temos razões fortes para prevenir e minimizar danos naturais.

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A proposta de ajudar os animais selvagens é arrogante?
  1. P1 A acusação diz que ajudar os animais selvagens é arrogante por intervir na natureza.
  2. P2 Quase todos aceitam intervenções na natureza para beneficiar humanos ou para metas ambientalistas.
  3. P3 Logo, intervir na natureza, por si só, não é o problema.
  4. C A acusação revela oposição à meta de beneficiar os animais, e não à intervenção.

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A proposta de ajudar os animais selvagens é antropocêntrica?
  1. P1 A objeção diz que a proposta impõe valores humanos aos animais.
  2. P2 A proposta visa o que é bom para os animais: menos sofrimento e menos mortes prematuras.
  3. P3 Os animais não têm interesse em sofrer para que a natureza siga o seu curso; só alguns humanos valorizam isso.
  4. C Logo, a proposta não é antropocêntrica; antropogênica, no máximo.

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Quanto menos influência humana no mundo, melhor?
  1. P1 A frase pode significar que menos influência é melhor para os animais, ou que é melhor mesmo quando pior para eles.
  2. P2 No primeiro sentido, é preciso avaliar caso a caso, e nem sempre omitir-se é melhor.
  3. P3 No segundo, seria preciso mostrar que a influência humana é errada em si, o que a objeção apenas assume.
  4. C Logo, a frase não justifica rejeitar a proposta de ajudar.

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Seria a proposta de ajudar os animais selvagens bem-estarista?
  1. P1 A palavra "bem-estarista" é usada em vários sentidos, geralmente ligados a regulamentar a exploração.
  2. P2 A proposta de ajudar os animais selvagens não regula exploração alguma: visa diminuir danos naturais.
  3. P3 Preocupar-se com o bem-estar não é o mesmo que ser regulamentarista.
  4. C Logo, a proposta é compatível com qualquer posição no debate sobre regulamentação.

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A proposta de ajudar os animais selvagens viola a liberdade deles?
  1. P1 A objeção diz que ajudar viola a liberdade dos animais.
  2. P2 Para exercer a liberdade, é preciso estar vivo e livre de sofrimento extremo.
  3. P3 Ajudar, em geral, aumenta a capacidade dos animais de fazer o que querem.
  4. C Logo, ajudar não viola a liberdade dos animais; com frequência, a protege.

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A acusação de criar dependência
  1. P1 A objeção diz que ajudar tiraria dos animais a habilidade de sobreviver.
  2. P2 Muitas intervenções apenas reduzem nascimentos, sem criar dependência.
  3. P3 Ajudar animais já nascidos não tira habilidades; não ajudar é que os mata antes de poder usá-las.
  4. P4 Mesmo que houvesse dependência, seria melhor para eles do que sofrer mais e morrer cedo.
  5. C Logo, a acusação não justifica não ajudar.

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A acusação de paternalismo
  1. P1 Uma ação é paternalista quando visa beneficiar alguém contra a sua preferência.
  2. P2 Os animais não preferem continuar em fome, doença ou incêndio.
  3. P3 Quando fogem da ajuda, é por não entenderem a intenção, e não por preferirem sofrer.
  4. P4 Mesmo que fosse paternalismo, seria do tipo justificado, como no caso de crianças.
  5. C Logo, a acusação de paternalismo não justifica não ajudar.

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A objeção de que o sofrimento tem valor instrumental
  1. P1 A objeção diz que o sofrimento é útil para quem sofre, por isso não deve ser minimizado.
  2. P2 Ele só é útil quando o indivíduo consegue usá-lo para evitar males maiores.
  3. P3 A maioria dos animais na natureza sofre do nascimento até a morte prematura sem esse benefício.
  4. P4 Quando há benefício, é melhor obtê-lo sem sofrimento.
  5. C Logo, a utilidade do sofrimento não justifica deixar de ajudar.

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A proposta de ajudar os animais vê os humanos como separados da natureza?
  1. P1 A objeção diz que a proposta vê os humanos como separados da natureza.
  2. P2 Se os humanos são parte da natureza, os resultados das suas ações não são menos naturais.
  3. P3 Quem defende "não intervir" é que separa o humano do natural.
  4. P4 E ninguém aceita para si não se proteger de doenças ou desastres.
  5. C Logo, a acusação se volta contra quem a faz.

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Se a natureza não é má, o sofrimento natural é neutro?
  1. P1 A objeção diz que, por ser natural, o sofrimento é neutro em valor.
  2. P2 O que torna o sofrimento negativo é ser ruim para quem sofre, e não ter um culpado.
  3. P3 O sofrimento causado por quem não é responsabilizável continua negativo para a vítima.
  4. C Logo, temos razões para prevenir o sofrimento natural, tanto mais quanto maior for.

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Se a natureza é indiferente ao sofrimento dos animais, por que ajudá-los?
  1. P1 A natureza é indiferente ao sofrimento e à morte dos animais.
  2. P2 Ela também é indiferente ao sofrimento humano, e não concluímos que devemos ser indiferentes a ele.
  3. P3 Do fato de algo acontecer não se segue que deva acontecer.
  4. C Logo, a indiferença da natureza não justifica a nossa.

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Respeitar a natureza dos animais selvagens requer largá-los à própria sorte?
  1. P1 A posição diz que a natureza de cada animal é definida pelo território, e a dos selvagens exige não ajudá-los.
  2. P2 Se respeitar a natureza de alguém é beneficiá-lo, largá-lo à própria sorte não a respeita.
  3. P3 Se não é para beneficiar, não se explica por que isso valeria mais do que evitar o dano.
  4. P4 Quem defende essa visão está do lado doméstico; sem saber a que território pertence, não a aceitaria.
  5. C Logo, a posição não se justifica.

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Não é absurdo intervir em conflitos entre animais?
  1. P1 Intervenções em larga escala na predação já são praticadas há décadas, para proteger humanos, animais explorados ou metas ambientais.
  2. P2 Logo, intervir em conflitos entre animais não é absurdo em si.
  3. P3 Se uma intervenção tiver boa chance de piorar a situação, a própria proposta a desaconselha.
  4. C À medida que o conhecimento aumentar, mais intervenções seguras podem se tornar possíveis.

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Quais áreas devem responder o que fazer em relação aos animais selvagens?
  1. P1 Descrever o que acontece nos ecossistemas é tarefa da ecologia.
  2. P2 Quais metas buscar é uma questão ética, que nenhuma ciência descritiva responde.
  3. P3 O conhecimento ecológico pode ser usado para metas ambientalistas ou para o bem dos animais.
  4. C Logo, dizer que a ecologia prescreve não ajudar os animais é disfarçar uma posição moral.

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Ambientalistas devem se opor à ajuda aos animais selvagens?
  1. P1 Muitas formas de ajudar os animais também realizam metas ambientalistas, como a vacinação de abelhas.
  2. P2 Outras não conflitam com essas metas, pois não alteram as propriedades valorizadas dos ecossistemas.
  3. P3 Quando há conflito, só os seres sencientes sofrem e perdem experiências com a morte.
  4. P4 Os ambientalistas já aceitam limitar interesses não básicos de humanos, mas não causar-lhes sofrimento e morte.
  5. C Logo, os ambientalistas não precisam se opor à ajuda aos animais selvagens.

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Somos moralmente responsáveis apenas por práticas humanas?
  1. P1 Somos responsáveis por uma decisão quando ela é determinante para os resultados.
  2. P2 Decidir ajudar ou não os animais selvagens determina o que acontece com eles.
  3. P3 Não ter causado o dano, não ter intenção ou não ser próximo não elimina essa responsabilidade, como mostram casos humanos.
  4. C Logo, temos responsabilidade em relação aos danos naturais, e não apenas aos causados por humanos.

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Tentativas de defender que a prioridade é dos animais domesticados
  1. P1 Uma posição diz que temos dívida histórica com os domesticados e que eles dependem mais de nós.
  2. P2 Mesmo que isso desse prioridade a eles, não justificaria negar o dever de ajudar os selvagens.
  3. P3 A prioridade depende da gravidade e do número de vítimas, e os selvagens são vastamente mais numerosos.
  4. P4 Os selvagens também são muito dependentes das condições que os matam.
  5. C Logo, esses argumentos não excluem a ajuda aos animais selvagens.

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Ajudar os animais impediria que os genes mais adaptados prevalecessem?
  1. P1 A objeção diz que ajudar impediria que os genes mais adaptados prevalecessem.
  2. P2 Traços eficientes em transmitir genes, como ter muitos filhotes, não beneficiam os seus portadores.
  3. P3 Várias formas de ajuda, como reduzir nascimentos, não interferem nisso.
  4. P4 Aplicado aos humanos, o raciocínio seria considerado hediondo.
  5. C Logo, a preocupação com os genes não justifica não ajudar.

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Ajudar os animais selvagens não poderia tornar as coisas ainda piores?
  1. P1 A objeção diz que ajudar pode piorar as coisas no longo prazo, ou desequilibrar os ecossistemas.
  2. P2 Se não podemos prever o longo prazo, também não sabemos que não ajudar tem melhores consequências.
  3. P3 O equilíbrio ecológico depende de pontos de referência arbitrários e pode coexistir com sofrimento enorme.
  4. C Logo, a solução é pesquisar a fundo os fatores que afetam o bem-estar dos animais, e não deixar a natureza seguir o seu curso.

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Objeções que questionam a praticidade da proposta de ajudar
  1. P1 A objeção diz que, como não é possível ajudar todos, não devemos ajudar nenhum, ou que ajudaríamos uma parcela pequena do problema.
  2. P2 Para cada animal ajudado, a ajuda faz toda a diferença.
  3. P3 O que importa é a quantidade real de benefício, não a porcentagem do problema.
  4. C Logo, focar no sofrimento dos animais selvagens pode ser uma forma muito eficiente de reduzir o sofrimento no mundo.

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O que já vem sendo feito para ajudar os animais selvagens?
  1. P1 A objeção diz que a proposta é impraticável.
  2. P2 Animais selvagens já são vacinados, tratados de doenças e resgatados de situações de necessidade.
  3. P3 Alguns tratamentos aumentaram muito a sobrevivência, como no caso de morcegos com síndrome do nariz branco.
  4. C Logo, a proposta não é impraticável, e muito mais poderia ser feito.

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O que mais poderia ser feito para ajudar: estabelecendo a biologia do bem-estar
  1. P1 Os animais selvagens são estudados quase só como exemplares de espécies e componentes de ecossistemas.
  2. P2 Por isso, há poucos dados sobre o que afeta o seu bem-estar.
  3. P3 A biologia do bem-estar estudaria esses animais como indivíduos sencientes, reunindo várias áreas.
  4. C Desafiar os obstáculos ideológicos é crucial para que ela se desenvolva e ajude os animais.

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Quais tecnologias poderiam ser usadas para ajudar os animais na natureza?
  1. P1 Novas tecnologias permitem observar e medir coisas antes impossíveis na vida dos animais selvagens.
  2. P2 Esses dados podem indicar o que os afeta positiva ou negativamente.
  3. P3 Com mais conscientização sobre a situação dos animais selvagens, esse uso pode se expandir.
  4. C Logo, a tecnologia pode ajudar a prevenir e reduzir danos naturais.

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Os animais teriam o direito de não serem esterilizados?
  1. P1 A maximização de nascimentos contribui muito para o sofrimento e as mortes prematuras na natureza.
  2. P2 Há várias formas de ajuda que não envolvem esterilização.
  3. P3 Respeitar um suposto direito absoluto à reprodução implicaria muitos seres nascendo só para sofrer e morrer.
  4. P4 A esterilização de cães e gatos já é aceita pelos defensores dos animais, e no caso de ninhadas de milhares as razões são ainda mais fortes.
  5. C Logo, a objeção da violação dos direitos não justifica rejeitar a proposta.

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A questão do parasitismo
  1. P1 A objeção diz que tratar o parasitismo mataria muitos para salvar um.
  2. P2 Quando os parasitas não são sencientes, a morte não é um dano para eles.
  3. P3 Quando são, é preciso avaliar se teriam vidas minimamente significativas.
  4. P4 Prevenir novos casos não equivale a matar seres que já existem, e não tratar gera mais parasitas e mais vítimas.
  5. C Logo, a proposta não proibiria tratar o parasitismo; daria até razões para preveni-lo.

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A questão da predação
  1. P1 A predação causa sofrimento intenso e morte a um número enorme de animais.
  2. P2 As objeções (não é questão ética, predadores não têm culpa, é neutra, é absurdo, é fascismo, é sentimentalismo) não se sustentam.
  3. P3 Intervenções na predação já são amplamente aceitas quando protegem humanos e animais explorados.
  4. P4 Intervenções que pioram as consequências não devem ser feitas; mas algumas, como reduzir a produtividade primária, provavelmente têm saldo positivo.
  5. C Logo, há boas razões para diminuir a predação no mundo, com cautela.

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Discutindo nossa capacidade de avaliar quando viver vale ou não a pena
  1. P1 A objeção diz que não estamos em posição de avaliar quando uma vida vale a pena.
  2. P2 Há casos claros, como vidas de sofrimento extremo seguidas de morte quase imediata, que é o caso da maioria dos animais na natureza.
  3. P3 Quem defende não ajudar também faz avaliações sobre quais vidas valem a pena.
  4. P4 Melhorar vidas existentes não exclui prevenir nascimentos; menos nascimentos facilitam melhorar cada vida.
  5. C Logo, a objeção não justifica deixar a natureza seguir o seu curso.

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O argumento do prolongamento da agonia
  1. P1 A objeção diz que ajudar prolongaria vidas de sofrimento.
  2. P2 O que causa sofrimento aos animais na natureza geralmente também causa a sua morte.
  3. P3 Tratar essas causas prolonga a vida e aumenta o bem-estar ao mesmo tempo.
  4. P4 Muitas intervenções não prolongam vidas, apenas previnem nascimentos.
  5. C Logo, o argumento do prolongamento da agonia não justifica não ajudar.

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A objeção de que o saldo da situação dos animais na natureza pode ser positivo
  1. P1 A alegação diz que o prazer de poucos animais pode superar o sofrimento somado da maioria.
  2. P2 Mesmo que fosse assim, as razões para reduzir o sofrimento dos que sofrem não diminuem.
  3. P3 Uma unidade de recurso produz mais bem-estar quanto pior estiver quem a recebe.
  4. C Logo, mesmo quem só se importa com o saldo total tem razões para priorizar eliminar sofrimento.

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Qual o impacto do veganismo na situação dos animais selvagens?
  1. P1 O veganismo reduz os animais que nascem para sofrer na exploração e as mortes colaterais da agricultura.
  2. P2 Ele não implica necessariamente aumentar áreas verdes.
  3. P3 Resultados de primeiro grau não dependem de outros agentes; os de segundo grau dependem de como os outros reagem.
  4. P4 O maior potencial do veganismo está em divulgar a consideração por todos os sencientes.
  5. C Logo, prevenir danos naturais não implica rejeitar o veganismo.

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O debate sobre a destruição da natureza
  1. P1 Quase sempre se supõe que mais áreas verdes são positivas, por visões antropocêntricas ou ambientalistas.
  2. P2 Para quem se preocupa com os sencientes, mais habitats podem significar mais animais nascendo para sofrer.
  3. P3 Os defensores da matança altruísta e os seus críticos trocam argumentos sobre consequências, aceitação pública e riscos futuros.
  4. C O capítulo argumenta que o ônus da prova parece recair sobre os opositores, mas reconhece que a preocupação com efeitos contraproducentes pode vir de uma análise séria de riscos.

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O debate sobre a expansão e restauração da natureza
  1. P1 Discutir a expansão da natureza escapa das objeções frequentes, pois não envolve intervir em animais já existentes.
  2. P2 A maioria dos animais que nasceriam nesses novos habitats teria vidas curtas e de sofrimento.
  3. P3 As justificativas pela expansão (gerações futuras, valores ambientais, aceitação, risco de extinção humana) não bastam ou podem ser atendidas de outras formas.
  4. P4 Há maneiras de prevenir mudanças climáticas sem criar novos habitats, como eficiência energética e energias renováveis.
  5. C Logo, expandir o território natural só estaria justificado quando todas as alternativas fossem piores.

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Volume VIII · Um ativismo eficiente

Como escolher quais causas e problemas priorizar e quais as melhores estratégias?
  1. P1 Os recursos para ajudar são limitados, e há muitos problemas.
  2. P2 Para fazer o maior bem possível, devemos comparar gravidade, tratabilidade, tamanho do benefício, efeitos de longo prazo e negligência.
  3. P3 Atacar as causas tende a ter impacto maior ao longo do tempo do que tratar só os sintomas.
  4. C Logo, esses critérios orientam a escolha de causas, problemas e estratégias, mesmo sem dar respostas prontas.

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Como a causa animal se sai quanto aos critérios de prioridade?
  1. P1 A situação de cada animal explorado é muito grave, e o número de vítimas é gigantesco.
  2. P2 A causa recebe pouquíssimos recursos: 97% das doações nos EUA vão para causas humanas.
  3. P3 Há muito benefício possível com os recursos disponíveis.
  4. P4 Mesmo dando menos peso a cada animal, o número de vítimas mantém a prioridade.
  5. C Logo, a causa animal é prioritária pelos critérios usuais.

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Dentre os problemas que afetam os animais, quais são mais importantes?
  1. P1 O especismo leva a priorizar problemas humanos e, dentro da causa animal, os animais mais parecidos conosco.
  2. P2 Os animais aquáticos, os invertebrados, os animais selvagens e os seres futuros são vítimas em número astronomicamente maior.
  3. P3 Esses problemas são altamente negligenciados.
  4. C Logo, há razões duplas para focar neles: estão entre os mais graves, e é onde mais podemos fazer diferença.

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O uso de argumentos antropocêntricos e ambientalistas na causa animal
  1. P1 Argumentos indiretos podem levar pessoas a reduzir o consumo sem considerar os animais.
  2. P2 Motivações diferentes levam a comportamentos diferentes quando as circunstâncias mudam.
  3. P3 Eles podem reforçar que o dano aos animais não basta e fortalecer visões antropocêntricas e ambientalistas.
  4. P4 A falta de consideração pelos sencientes é uma das principais fontes de riscos de sofrimento futuro.
  5. C Logo, não se deve adiar a defesa direta da consideração pelos seres sencientes.

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A abordagem total e a abordagem suficiente
  1. P1 Algumas metas são compatíveis com um leque amplo de visões éticas e políticas.
  2. P2 A abordagem suficiente mostra isso e amplia a aceitação dessas metas.
  3. P3 A abordagem total discute o ideal completo, inclusive questões controversas.
  4. P4 Usar só uma delas tem riscos: ou não se ousa discutir o importante, ou se afasta quem discorda do resto.
  5. C Logo, é importante combinar as duas abordagens.

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O desvio de foco em debates: por que o especismo é raramente discutido?
  1. P1 Defensores de práticas que prejudicam os animais tendem a manter o foco em aspectos que não têm a ver com o prejuízo aos animais.
  2. P2 Os defensores dos animais muitas vezes aceitam o desvio sem perceber.
  3. P3 Enquanto o especismo não for discutido, a visão sobre os animais não muda.
  4. C Logo, não há boas razões para aceitar o desvio de foco.

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Crenças morais, motivação para agir e o papel da reflexão sobre ética
  1. P1 Há especialistas que escrevem contra o consumo de animais e continuam consumindo.
  2. P2 Isso pode ocorrer por várias razões: não acharem errado, acharem pouco errado, falta de sinceridade, vontade fraca ou decisão de não agir.
  3. P3 Nenhuma dessas explicações mostra que crenças morais não motivam.
  4. P4 E abandonar a persuasão racional não resolve, pois outras formas de persuasão têm os mesmos limites.
  5. C Logo, a reflexão ética continua tendo um papel central.

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Objeções normativas disfarçadas de objeções estratégicas
  1. P1 Uma objeção normativa rejeita a meta; uma estratégica aceita a meta e duvida do meio.
  2. P2 Às vezes uma objeção normativa é disfarçada de estratégica, para não expor a falta de bons argumentos contra a meta.
  3. P3 Quem afirma que uma meta é inalcançável tem o ônus de prová-lo.
  4. C Logo, há razões para rejeitar essas alegações quando não são fundamentadas.

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Foco no veganismo versus foco na redução do consumo
  1. P1 Devemos avaliar estratégias pelos seus efeitos, e não pelas nossas intuições iniciais.
  2. P2 Muitos defensores da redução e do veganismo compartilham a mesma meta: o fim da exploração.
  3. P3 A redução pode alcançar mais pessoas; o veganismo pode deixar mais clara a injustiça e engajar mais.
  4. C Logo, a divergência é sobretudo estratégica, e deve ser tratada como tal.

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Por que o termo bem-estarismo é altamente ambíguo
  1. P1 O termo bem-estarismo é usado para posições muito diferentes, em debates diferentes.
  2. P2 Há pelo menos sete sentidos, como aceitar a exploração "humanitária", defender reformas ou se preocupar com o bem-estar de qualquer animal.
  3. P3 Cada sentido diz respeito a um debate distinto.
  4. C Logo, aceitar ou rejeitar uma posição chamada de bem-estarista não implica aceitar ou rejeitar as outras.

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O debate sobre regulamentar a exploração animal
  1. P1 Há quem defenda que a exploração regulamentada para reduzir o sofrimento é aceitável.
  2. P2 Entre os que querem a abolição, discute-se se regulamentar leva a ela e se reduz o sofrimento.
  3. P3 Leis anticrueldade costumam exigir provas difíceis e excluir práticas da indústria.
  4. C Reformas precisam ser comparadas com outras estratégias, como carne cultivada, educação antiespecista e incentivo ao veganismo.

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O debate sobre a carne cultivada
  1. P1 A carne cultivada é produzida a partir de células, sem criar e abater animais.
  2. P2 As objeções (não é natural, riscos, sustentabilidade, impacto nos pobres, produtores interesseiros, não resolve tudo, ainda prejudica animais, reforça o especismo) podem ser respondidas ou não bastam para rejeitá-la.
  3. P3 Ela pode reduzir enormemente a exploração mesmo que as pessoas não mudem de valores.
  4. P4 Mas o foco só em tecnologia tem limites, pois os valores decidem como ela será usada.
  5. C Logo, a carne cultivada é uma estratégia promissora, a ser combinada com mudança social.

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Volume IX · A ética e o futuro

Riscos futuros para os seres sencientes: uma introdução
  1. P1 Novas práticas e tecnologias já multiplicaram enormemente o sofrimento, como a pecuária industrial.
  2. P2 No futuro, o número de seres sencientes e o poder tecnológico podem ser astronomicamente maiores.
  3. P3 Riscos de sofrimento nessa escala (riscos-s) têm desvalor esperado enorme, mesmo com probabilidade modesta.
  4. P4 Eles são fáceis de ignorar e pouco discutidos.
  5. C Logo, é necessário um amplo debate sobre como preveni-los.

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Imparcialidade temporal: o que é, e por que é importante
  1. P1 Temos um viés que nos faz dar menos peso ao que acontece mais tarde.
  2. P2 Um sofrimento não é menos ruim por ocorrer no futuro.
  3. P3 A imparcialidade exige não favorecer ninguém por fatores irrelevantes, e o momento é um deles.
  4. C Logo, devemos dar o mesmo peso aos seres sencientes futuros, humanos e não humanos.

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A objeção de que seres futuros são apenas seres em potencial
  1. P1 A objeção diz que devemos nos preocupar só com os seres que já existem.
  2. P2 Mesmo negando o dever de criar novos seres, temos deveres de não fazer nascer seres para sofrer e de não prejudicar os que existirão.
  3. P3 A causa animal já é, normalmente, sobre evitar que novos animais nasçam para sofrer.
  4. C Logo, não faz sentido rejeitar a preocupação com o futuro por ela tratar de seres futuros.

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Que razões existem para focarmos no longo prazo?
  1. P1 O futuro pode conter um número muito maior de seres sencientes do que o presente.
  2. P2 Não é garantido que ele será melhor por causa do progresso moral; depende do que fizermos agora.
  3. P3 Nossas decisões podem ter efeitos duradouros sobre esse futuro.
  4. C Logo, há boas razões para adotar um foco prático no longo prazo.

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Devemos focar em prevenir riscos-s ou riscos-x?
  1. P1 Riscos-x tratam da extinção humana; riscos-s, de sofrimento astronômico, inclusive de não humanos.
  2. P2 Algumas defesas do foco nos riscos-x apelam a ideias especistas, como priorizar humanos para obter mais recursos.
  3. P3 A sobrevivência da humanidade não garante menos sofrimento e pode até expandi-lo.
  4. C Logo, há razões para dar mais atenção aos riscos-s, sem que isso exclua os riscos-x.

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Quais metas priorizar em longo prazo?
  1. P1 Pessoas que querem o melhor impacto podem divergir sobre quais valores priorizar.
  2. P2 Várias visões (prioritárias, negativas, pluralistas) dão peso maior a evitar o sofrimento.
  3. P3 Não é necessário um pessimismo extremo sobre o futuro para adotar esse foco.
  4. C Logo, há razões para dar peso extra às metas de prevenir sofrimento e mortes prematuras.

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De que consiste o foco nos riscos-s?
  1. P1 O foco nos riscos-s busca reduzir o sofrimento futuro esperado.
  2. P2 Mesmo que o sofrimento futuro tenha "cauda pesada", ele pode vir da soma de muitos riscos, não de poucos.
  3. P3 Logo, o foco nos riscos-s não implica um foco estreito.
  4. C Individualmente, pode-se especializar; coletivamente, deve-se cobrir um leque amplo.

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Identificando fatores de risco para os riscos-s
  1. P1 É difícil estimar as consequências de longo prazo de cada decisão.
  2. P2 Mas, como na medicina, podemos identificar fatores que aumentam a chance ou a gravidade de catástrofes.
  3. P3 Exemplos: tecnologia avançada, desconsideração pelos sencientes, polarização, agentes malévolos com poder.
  4. P4 Os riscos crescem quando vários fatores coincidem, e a prevenção também se reforça.
  5. C Logo, reduzir fatores de risco é um caminho viável para prevenir riscos-s.

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Estratégias longoprazistas: amplas e direcionadas
  1. P1 O futuro é incerto, com muitos cenários possíveis.
  2. P2 Estratégias amplas têm impacto positivo em quase todos os cenários, mas menor em cada um.
  3. P3 Estratégias direcionadas têm grande impacto no cenário que tratam, mas podem ser inúteis em outros.
  4. P4 É preciso precaução: humildade, atenção aos vieses e metas aceitáveis por muitas perspectivas.
  5. C Logo, devemos combinar os dois tipos de estratégia com cautela.

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Por que focar na consideração pelos seres sencientes e no futuro?
  1. P1 A desconsideração pelos seres sencientes é uma das principais causas de riscos de sofrimento futuro.
  2. P2 Promover a consideração por todos os sencientes ataca essa causa.
  3. P3 Há riscos, como o uso de argumentos antropocêntricos e ambientalistas, que podem reforçar outras visões.
  4. P4 Ainda não sabemos a forma mais eficiente de prevenir riscos-s.
  5. C Logo, devemos promover a consideração pelos sencientes e manter a mente aberta para mudar de estratégia.

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Mudando o debate público, as formas de ativismo e as instituições políticas
  1. P1 A política (instituições e debate público) influencia a chance de riscos-s.
  2. P2 O tribalismo cria aparência de grande discordância e impede compromissos.
  3. P3 Debates honestos, abordagens de leque amplo e democracia reduzem riscos como a ascensão de agentes malévolos.
  4. P4 A situação atual é tão ruim que pequenas melhoras já fariam grande diferença.
  5. C Logo, melhorar a política é crucial para evitar os riscos-s.

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Moldando as tecnologias emergentes para prevenir sofrimento futuro
  1. P1 Novas tecnologias podem dar poder enorme a quem não se importa com os afetados.
  2. P2 A IA, a colonização espacial e a criação de novas formas de senciência podem gerar sofrimento astronômico.
  3. P3 Moldar essas tecnologias cedo, com valores não antropocêntricos, reduz esses riscos.
  4. C Divulgar amplamente a consideração por todos os sencientes ajuda tanto a evitar essas tecnologias quanto a reduzir os danos se forem criadas.

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A tríade de influência e o sofrimento futuro
  1. P1 Novas tecnologias podem dar grande poder a agentes que não se importam com os afetados.
  2. P2 O resultado de um agente depende da combinação entre intenção, conhecimento e poder.
  3. P3 Poder sem conhecimento arrisca causar dano mesmo com boas intenções; conhecimento sem poder é ineficaz.
  4. C Logo, para prevenir sofrimento futuro, é preciso aumentar o conhecimento e o poder de quem quer beneficiar os sencientes, e limitar o dos outros.

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Volume X · Vieses e sua influência

Vieses que nos induzem a negligenciar os problemas que possuem mais vítimas
  1. P1 Vieses são tendências que conduzem sistematicamente a raciocínios errados, diferentes de falácias.
  2. P2 Vários vieses fazem a compaixão diminuir quando o número de vítimas aumenta.
  3. P3 Por isso, os problemas com mais vítimas tendem a ser os mais negligenciados.
  4. C Para corrigir isso, devemos conhecer esses vieses e focar em quem quer raciocinar honestamente.

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Vieses que inclinam a uma negligência da situação dos animais selvagens
  1. P1 A situação dos animais selvagens tem uma das maiores quantidades de vítimas.
  2. P2 Vieses como o do status quo, a hipótese do mundo justo e a detecção de agente nos inclinam a vê-la como boa ou justificada.
  3. P3 Outros vieses nos fazem duvidar da viabilidade de ajudar e subestimar a receptividade do público.
  4. C Logo, essa negligência é, em parte, efeito de vieses que podemos aprender a corrigir.

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Vieses que contribuem para a negligência do longo prazo e dos riscos-s
  1. P1 Vieses nos inclinam a dar menos importância a questões do futuro.
  2. P2 Outros nos fazem ignorar o valor esperado de cenários pouco prováveis e muito graves.
  3. P3 A confiança excessiva em intuições reforça esses erros.
  4. C Logo, para levar a sério os riscos-s, precisamos de mente aberta e disposição para mudar de posição diante de boas razões.

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Vieses cognitivos e sua influência em nossas decisões que afetam os animais
  1. P1 Revisar crenças sobre fatos, ética e estratégias exige superar várias tendências psicológicas.
  2. P2 Vieses nos inclinam a defender o que já existe, a confiar demais em nós mesmos e a aceitar argumentos ruins quando nos favorecem.
  3. P3 Eles afetam tanto quem consome animais quanto quem os defende.
  4. C Logo, conhecê-los é essencial para discutir e decidir melhor.

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Raciocínio motivado e sua influência na avaliação dos argumentos
  1. P1 As pessoas tendem a exigir mais rigor de argumentos contra o que querem acreditar.
  2. P2 Muitas objeções comuns, como "plantas também sentem", são aceitas com pouco rigor.
  3. P3 Às vezes quem as levanta nem acredita nelas, mas as usa como desculpa.
  4. C Logo, as tentativas de justificar o especismo raramente são analisadas com o mesmo rigor que os argumentos contrários.

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Alguns vieses que podem influenciar a escolha de estratégias e a recepção do público
  1. P1 Os mesmos vieses que afetam o público afetam os ativistas ao escolher prioridades e estratégias.
  2. P2 Vieses como a negatividade e os efeitos de posição influenciam como uma mensagem é recebida.
  3. P3 Apresentar primeiro os argumentos pela consideração dos animais muda como as pessoas avaliam o restante.
  4. C Logo, considerar esses vieses ajuda a planejar estratégias melhores.

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Volume XI · Como as diversas teorias da ética abordam a questão animal?

Uma introdução às distinções centrais em teoria do valor
  1. P1 Perguntas sobre o que é bom ou ruim são diferentes de perguntas sobre o que devemos fazer.
  2. P2 Algo pode ter valor em si ou só como meio para outra coisa.
  3. P3 Uma situação pode ser boa sob certo aspecto e ruim sob outro.
  4. C Logo, avaliar quão boa é uma situação tudo considerado exige distinguir e pesar esses aspectos.

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Uma introdução às teorias do bem-estar
  1. P1 Há teorias do bem-estar monistas (um só aspecto) e pluralistas (vários aspectos).
  2. P2 Elas divergem em muitos casos, mas convergem em um grau mínimo.
  3. P3 As situações típicas dos animais explorados e selvagens são ruins por qualquer dessas teorias.
  4. C Logo, seja qual for a teoria do bem-estar adotada, os animais são altamente prejudicados nessas situações.

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Avaliando quão boa/ruim é uma situação que contém vários indivíduos
  1. P1 Uma situação com vários indivíduos pode ser avaliada por vários aspectos: total, prioridade, igualdade, suficiência, merecimento.
  2. P2 Teorias monistas consideram um só aspecto; pluralistas, vários.
  3. P3 Esses aspectos podem ser valorizados em si ou apenas como meio.
  4. C Quando conflitam, é preciso decidir como pesá-los.

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Julgamentos valorativos, descrições de fatos, objetividade e subjetividade
  1. P1 "Subjetivo" pode significar "referente à consciência" ou "sem verdade objetiva".
  2. P2 Todos os que sofrem experimentam o sofrimento como negativo em si.
  3. P3 Há coisas impossíveis de explicar sem recorrer ao seu valor ou desvalor.
  4. C Logo, julgamentos como "o sofrimento é ruim" podem ter alto grau de certeza, mesmo que haja divergência sobre o que fazer.

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Categorias de teorias da ética normativa
  1. P1 O consequencialismo foca nas consequências; a deontologia, nas regras; as éticas do caráter, nos traços de caráter.
  2. P2 Elas diferem no nível fundacional (por que algo importa), mas muitas vezes concordam no nível fatorial (o que fazer).
  3. P3 Os argumentos pela igual consideração dos sencientes podem ser aceitos a partir de qualquer dessas correntes.
  4. C Logo, as grandes teorias tendem a convergir na igual consideração.

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Em que medida as teorias da ética concordam sobre o que devemos aos animais?
  1. P1 As teorias que buscam metas (utilitarismo, prioritarismo, igualitarismo, suficientismo, maximin) não dão peso diferente a bem-estar igual por causa da espécie.
  2. P2 As que não se caracterizam por metas (kantismo, discurso, contratualismo, virtudes, cuidado), coerentemente aplicadas, também incluem os sencientes.
  3. P3 O merecimento e as possibilidades pluralistas não mudam essa conclusão.
  4. C Logo, as principais teorias implicam a igual consideração, a rejeição da exploração e razões para ajudar os animais selvagens.

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Pesando critérios
  1. P1 Situações podem ser boas sob certos aspectos e ruins sob outros.
  2. P2 Há muitas formas de pesar esses aspectos, como trunfos, pesos fixos, retornos decrescentes e suficiência.
  3. P3 Cada forma tem vantagens e problemas, como arbitrariedade ou dificuldade de cálculo.
  4. C Logo, pesar critérios é uma tarefa difícil, que exige explicitar o método escolhido e suas razões.

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Volume XII · O essencial sobre ética animal

Introdução
  1. P1 A ética animal discute muitas questões, cada uma com argumentos dos dois lados.
  2. P2 Um panorama esquemático permite entender o que está em jogo antes de se aprofundar.
  3. P3 Cada quadro indica onde o tema é discutido em detalhe.
  4. C Logo, este volume serve tanto para quem começa quanto para quem quer revisar.

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Tentativas de justificar a desconsideração pelos animais
  1. P1 A posição padrão diz que o uso de animais está plenamente justificado.
  2. P2 Cada justificativa apela a um critério: espécie, capacidades, natureza, tradição, autoridade etc.
  3. P3 Nenhuma explica por que esse critério seria relevante para poder ser prejudicado.
  4. C Logo, a posição padrão não está justificada.

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A defesa da consideração por todos os seres sencientes
  1. P1 Se a falta de certas capacidades não justifica tratar humanos pior, também não justifica tratar animais pior (sobreposição).
  2. P2 O relevante para a consideração é poder ser prejudicado e beneficiado, o que depende da senciência (relevância).
  3. P3 Prejuízos e benefícios iguais devem ter o mesmo peso (igual consideração).
  4. P4 Sem saber se nasceríamos humanos ou animais, não aceitaríamos o tratamento atual (imparcialidade).
  5. C Logo, todo ser senciente deve receber consideração moral plena.

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O debate sobre o critério da senciência
  1. P1 O critério da senciência diz quais seres devem ser considerados, não qual teoria ética adotar.
  2. P2 Ele não é antropocêntrico, não é reinismo e não reduz o dano ao sofrimento.
  3. P3 Inclui muitos invertebrados e não implica que valores sejam subjetivos.
  4. P4 O critério da vida não mostra que seres não sencientes possam ser prejudicados.
  5. C Logo, as críticas ao critério da senciência têm respostas sólidas.

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O dano da morte e as razões contra matar
  1. P1 A morte priva alguém do que de positivo viveria, entenda ele ou não o que é a morte.
  2. P2 Isso independe de desejos sobre o futuro, de prazeres intelectuais e da conexão psicológica.
  3. P3 Substituir um animal por outro não compensa o prejuízo de quem morreu.
  4. C Logo, matar animais, mesmo sem dor, os prejudica.

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Diferenças entre ambientalismo e consideração pelos animais
  1. P1 A posição antropocêntrica quer o ambiente melhor para os humanos; a centrada na senciência, melhor para os sencientes; a ambientalista, em certas configurações mesmo que pior para eles.
  2. P2 Os programas ambientalistas não visam salvar seres sencientes, sejam maioria ou minoria.
  3. P3 Equilíbrio e biodiversidade não medem o bem-estar dos animais.
  4. C Logo, ambientalismo e defesa animal divergem nos fins, não só nos meios.

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A situação dos animais selvagens e a proposta de ajudá-los
  1. P1 As razões para evitar prejuízos dependem da magnitude, e não de a origem ser humana ou natural.
  2. P2 Os animais na natureza sofrem danos enormes, e a maioria nasce para morrer cedo.
  3. P3 Mesmo descontando ovos destruídos, o número de vítimas é gigantesco.
  4. C Logo, a situação dos animais selvagens é tão importante quanto seria se os danos fossem causados por humanos.

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O debate sobre a proposta de ajudar os animais selvagens (parte 1)
  1. P1 As objeções alegam que ajudar seria arrogante, antropocêntrico, paternalista ou contrário à liberdade e à ecologia.
  2. P2 Muitas são contraditórias ou aplicam aos animais o que nunca aplicariam a humanos.
  3. P3 Ajudar é o que permite aos animais viver e exercer a liberdade.
  4. C Logo, essas objeções não justificam deixar de ajudar.

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O debate sobre a proposta de ajudar os animais selvagens (parte 2)
  1. P1 As objeções dizem que só somos responsáveis por práticas humanas, que a proposta é exigente demais ou impraticável.
  2. P2 A responsabilidade vem de nossas decisões determinarem os resultados, como no caso de médicos e desastres.
  3. P3 Já se vacina, trata e resgata animais selvagens, e há caminhos em larga escala.
  4. P4 O que importa é a quantidade real de benefício, não a porcentagem do problema.
  5. C Logo, essas objeções não justificam deixar de ajudar.

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Quais critérios utilizar para ajudar de modo eficiente?
  1. P1 Os recursos são limitados, então importa onde aplicá-los.
  2. P2 Gravidade, tratabilidade, negligência e tamanho do benefício orientam a escolha.
  3. P3 Efeitos de longo prazo podem inverter o que parece melhor no curto prazo.
  4. P4 Atacar causas, como o especismo, tem grande potencial ao longo do tempo.
  5. C Logo, esses critérios permitem ajudar de modo mais eficiente.

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Quais problemas afetam as maiores quantidades de animais?
  1. P1 A maioria das campanhas cita 80 bilhões de animais mortos por ano.
  2. P2 Somando peixes, crustáceos, insetos e outros, são entre 34 e 54 trilhões.
  3. P3 Os animais sencientes na natureza são estimados entre 1 e 10 quintilhões em um dado momento.
  4. C Logo, os problemas que afetam mais animais são justamente os menos lembrados.

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Conceitos centrais no debate sobre a importância do futuro
  1. P1 O futuro pode conter sofrimento astronômico (riscos-s), inclusive de não humanos e de seres não biológicos.
  2. P2 A seriedade de um risco-s é a gravidade multiplicada pela probabilidade.
  3. P3 O substratismo, como o especismo, pode produzir sofrimento em quantidades astronômicas.
  4. C Logo, devemos considerar os animais por serem sencientes, e não por serem animais ou seres vivos.

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Identificando fatores de risco para os riscos-s
  1. P1 É difícil prever as consequências de longo prazo de cada decisão.
  2. P2 Mas fatores de risco aumentam a chance ou a gravidade de riscos-s, mesmo sem determiná-los.
  3. P3 Entre eles: desconsideração pelos sencientes, progresso tecnológico mais rápido que o moral, polarização e agentes malévolos com poder.
  4. C Logo, reduzir esses fatores é uma forma viável de prevenir sofrimento futuro.

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Estratégias longoprazistas: amplas e direcionadas
  1. P1 Estratégias amplas têm impacto positivo em muitíssimos cenários, mas menor em cada um.
  2. P2 Estratégias direcionadas podem ter grande impacto, mas só no cenário que tratam.
  3. P3 Vieses e excesso de confiança podem distorcer a escolha.
  4. C Logo, é preciso combinar estratégias, cultivar a humildade e defender metas aceitáveis por muitos.

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Mudando o debate público e as instituições políticas
  1. P1 Uma política disfuncional incentiva a polarização e aumenta o risco de agentes malévolos no poder.
  2. P2 Pensar em nuances, avaliar argumentos e não pessoas e ser intelectualmente honesto reduzem o tribalismo.
  3. P3 A democracia protege contra a concentração de poder e garante a liberdade de levantar preocupações éticas.
  4. C Logo, melhorar o debate e as instituições, mesmo um pouco, reduz muito os riscos de sofrimento futuro.

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Debates sobre estratégias de ativismo
  1. P1 Há vários debates sobre a eficiência das estratégias de ativismo.
  2. P2 Em cada um, há argumentos razoáveis dos dois lados.
  3. P3 Muitas vezes a questão é quanto focar em cada estratégia, e não qual usar exclusivamente.
  4. C Logo, é preciso avaliar as estratégias com cuidado, e talvez distribuir pessoas entre várias delas.

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Avaliando diferentes estratégias
  1. P1 Estratégias diferentes podem ser comparadas por vários metacritérios.
  2. P2 Resta investigar quais critérios incluir, se é possível um resultado geral e que peso dar a cada um.
  3. P3 Também é preciso obter dados objetivos para pontuar as estratégias.
  4. C Logo, a avaliação de estratégias é um campo em aberto, com um roteiro de pesquisa.

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Conclusão
  1. P1 Este volume apresentou um panorama das principais questões da ética animal.
  2. P2 Muitas questões importantes ficaram de fora por questão de espaço.
  3. P3 Mesmo assim, ele oferece uma base sólida para entender essas e outras questões.
  4. C Logo, é um bom ponto de partida para se aprofundar nos outros volumes.

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