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Volume XII · O essencial sobre ética animal · capítulo 9

Quais critérios utilizar para ajudar de modo eficiente?

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Para ajudar de modo eficiente, usamos critérios: gravidade (número de vítimas e quão ruim é para cada), tratabilidade, negligência, tamanho do benefício, efeitos de longo prazo e atacar causas, e não só sintomas.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume XII, p. 37 da edição em PDF

Suponha que temos o objetivo de tornar o mundo um lugar menos ruim, e que queremos fazê-lo da maneira mais eficiente possível. Quais critérios podemos utilizar para selecionar: (1) quais causas priorizar, (2) quais problemas priorizar dentro dessas causas e (3) para escolher as estratégias? A seguir está uma lista de critérios que têm sido propostos33.

Critérios Explicação
Gravidade da situação. (VIII, cap. 1.2).Normalmente é medida levando-se em conta ambos os fatores a seguir: (1) Quantidade de vítimas (2) O quão ruim é a situação de cada vítima
Quando um problema tem mais vítimas, mas em outro as vítimas estão em pior situação, como proceder? (VIII, cap. 1.2; XI, cap. 1.6 e 7).Uma possibilidade é perguntar: (1) O quão pior precisa ser a situação da minoria para que tenham prioridade? (2) O quão maior precisa ser o número de vítimas que não estão na pior situação para que tenham prioridade? Entretanto, há várias outras possibilidades, que são abordadas em: VIII, cap. 1.2; XI, cap. 1.6, 7.
Tratabilidade do problema. (VIII, cap. 1.3).Exemplo. Problema A: 900 mil vítimas. Problema B: 500 mil vítimas. As vítimas de A e B estão em situações igualmente ruins. Pela gravidade da situação, devemos priorizar A. Mas, suponha que, com os recursos que temos, podemos, ou ajudar 400 mil vítimas de A, ou ajudar em igual medida 450 mil vítimas de B. Assim, apesar de A ser uma situação pior, é B que apresenta a pior situação possível de ser melhorada.
Grau de negligência. (VIII, cap. 1.7).Quanto maior a quantidade de pessoas já envolvidas em tentar resolver um problema, maior a probabilidade de o problema ser minimizado sem a nossa ajuda. E, quanto mais negligenciada uma causa, cada pessoa adicional faz mais diferença, pois ainda há várias oportunidades fáceis de se fazer uma diferença significativa que ainda não foram tentadas.
Tamanho do benefício a ser causado. (VIII, cap. 1.4).Imagine que o problema A tem 100 vítimas com sofrimento de -50 e o problema B tem 90 vítimas com sofrimento de -40. Ou seja, A é mais grave. Ambos os problemas são igualmente negligenciados e é possível ajudar todas as vítimas de um ou de outro. Contudo, imagine que, com uma mesma quantidade de recursos, podemos: ou passar todas as vítimas de A de -50 para -49 (um alívio muito leve), ou passar todas as vítimas de B de -40 para -10 (um alívio considerável). Priorizando B causaríamos um bem maior com a mesma quantidade de recursos.
O tamanho do benefício é sempre o fator mais importante? (VIII, cap. 1.4).Suponhamos que, no exemplo acima, a decisão fosse entre: ou passar as 100 vítimas de A de -50 para -30 (benefício total = 2.000, 20 por vítima), ou passar as 90 vítimas de B de -40 para -10 (benefício total = 2.700, 30 por vítima). Nesse caso, algumas pessoas diriam que devemos escolher a primeira opção (pois o benefício vai para as vítimas na pior situação e beneficia um número maior de vítimas), mesmo que na segunda opção produzamos um benefício maior (para cada vítima e na soma total).
Como saber quando pesa mais o tamanho do benefício e quando pesa mais a gravidade da situação? (VIII, cap. 1.2; XI, cap. 1.6 e 7).Há várias possibilidades. Por exemplo: (1) estabelecer que um dos aspectos é um trunfo (absoluto ou até certo ponto); (2) relação contínua: não há trunfos, e cada aspecto têm, ou peso fixo (igual ou diferente), ou peso variável, no cálculo total; (3) combinar as abordagens 1 e 2: usar trunfos (absolutos ou até certo ponto) até uma linha de corte e a partir daí utilizar uma relação contínua (de peso fixo ou variável). Um exemplo de abordagem contínua (sem trunfos), com cada aspecto tendo peso variável é a abordagem com retornos decrescentes, onde o peso de cada aspecto diminui proporcionalmente à medida que é preenchido. Uma possibilidade nesse sentido seria buscar maximizar os benefícios, mas estabelecer que uma unidade de benefício tem mais valor quanto mais grave for o problema ao qual seria direcionado esse benefício.
Por que é crucial tentar estimar os efeitos de longo prazo? (VIII, cap. 1.5)Comparando-se duas estratégias, é possível que uma cause mais benefícios inicialmente, mas que, levando-se em conta a história completa (e, portanto, os efeitos de longo prazo), seja a outra que causará um benefício total maior. Também é possível que uma estratégia cause grandes benefícios em curto prazo mas tenha efeitos negativos em longo prazo, podendo até mesmo ter um saldo total negativo.
Por que priorizar estratégias que atacam as causas (e não somente os sintomas)? (VIII, cap. 1.5 e 1.6)Por exemplo, se compararmos uma estratégia que ajuda muitos animais caso estes se encontrem em um incêndio com outra que previne incêndios, provavelmente a segunda possui o melhor impacto ao longo do tempo. É por isso que combater o especismo tem um grande potencial de impacto positivo ao longo do tempo, pois ataca diretamente uma das principais causas dos problemas que afetam os animais (uma vez que o especismo faz as pessoas darem pouca importância à situação dos animais, seja dos explorados, seja dos selvagens).
Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume XII
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Por que combater o especismo tem grande potencial de impacto, segundo o quadro?

No exemplo da tratabilidade, por que B pode ser prioritário mesmo com menos vítimas que A?

Para pensar

Use a Calculadora de prioridades com o exemplo do quadro: 900 mil e 500 mil vítimas.

Notas do autor 1
  1. 33 Para uma discussão sobre esses critérios, ver (2021. p; 193-228), Dickens (2021) e Simčikas (2021). ↩
Fontes citadas neste texto 1

A lista completa do volume está em referências do Volume XII.

  • CUNHA, L. C. Uma breve introdução à ética animal: desde as questões clássicas até o que vem sendo discutido atualmente. Curitiba: Appris, 2021.

Aprofunde cada ponto

Os capítulos indicados pelo autor nos quadros acima.

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