Questão
de Ética
EN

Volume I · Nível básico

Discutindo o especismo

Uma análise das principais tentativas de justificar o especismo

15 capítuloscerca de 58 min de leitura52 notas78 referências

0 de 15 lidos

Sobre este volume

Este livro faz uma análise crítica dos argumentos mais comumente endereçados como tentativa de defender que os animais não humanos, ou não deveriam receber consideração moral, ou deveriam recebê-la em menor grau do que os humanos.

ISBN 978-65-01-30510-3 · 1a edição, Janeiro de 2025. Texto original de Luciano Carlos Cunha.

Em poucas palavras

Por que tratamos tão diferente um porco e um cachorro, ou um animal e um humano? O volume examina, uma a uma, as justificativas mais comuns para dar menos peso aos animais (espécie, alma, inteligência, natureza, tradição, autoridade, metaética) e mostra por que nenhuma delas se sustenta.

Para crianças

Imagine que alguém diz que só pode brincar no parquinho quem tem cabelo comprido. Isso é injusto, porque o cabelo não tem nada a ver com brincar. Este livro mostra que tratar mal um animal só porque ele é de outra espécie é parecido: a espécie não tem nada a ver com poder sentir dor.

Você vai aprender

  • O que é especismo e como ele se diferencia do antropocentrismo
  • Por que espécie, alma, inteligência e potencial não justificam desconsiderar os animais
  • Por que "é natural", "é tradição" e "a autoridade aprovou" não são boas razões
  • Como responder quando alguém diz que a ética é só uma invenção humana

Ajuda ter lido: nada. Este é um bom ponto de partida, junto do Volume XII.

Capítulos

  1. 1
    Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais

    Há três grandes posições sobre os animais: eles não importam por si, importam menos que os humanos, ou importam igualmente quando sofrem prejuízos de mesmo tamanho. O especismo é dar menos peso a alguém só por causa da espécie.

    6 min
  2. 2
    O que importa é a espécie?

    Dizer que os humanos importam mais "porque são humanos", ou "porque são da nossa espécie", não justifica nada: é repetir a conclusão como se fosse a razão.

    3 min
  3. 3
    Características metafísicas poderiam justificar o especismo?

    Alma imortal, ser feito à imagem de uma divindade ou outras características metafísicas não justificam o especismo: não há como comprová-las, não se aplicariam só aos humanos e, sobretudo, nada têm a ver com poder sofrer.

    2 min
  4. 4
    A posse de capacidades ou relações poderia justificar o especismo?

    Razão, linguagem, senso de justiça ou relações políticas não justificam desconsiderar os animais: muitos humanos não as têm, alguns animais têm algumas delas, e elas são irrelevantes para saber quem pode ser prejudicado.

    2 min
  5. 5
    O suposto potencial que os humanos tem poderia justificar o especismo?

    O apelo ao potencial falha porque há humanos sem potencial para desenvolver certas capacidades, porque potencial não é o mesmo que ter, e porque o sofrimento de uma criança importa agora, não pelo que ela poderá vir a ser.

    2 min
  6. 6
    O que importa é pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades?

    Dizer que importa pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades é tendencioso: exige capacidades dos animais, mas aceita humanos sem elas só pelo grupo.

    5 min
  7. 7
    Se espécies não forem uma construção social, então o especismo está justificado?

    Mesmo que a espécie seja uma categoria biológica, e não uma construção social, isso não torna justo discriminar por espécie: escravizar pela altura ou pela cor da pele também se basearia em traços biológicos e seria injusto.

    2 min
  8. 8
    Se o especismo for natural, então o especismo está justificado?

    Do fato de algo ser natural, comum entre os animais ou instintivo, não se segue que seja bom ou justo; não há correlação entre o que é natural e o que é justificável.

    4 min
  9. 9
    As práticas especistas serem tradições mostra que devemos respeitá-las?

    O fato de uma prática ser tradicional não mostra que é justa: muitas tradições foram injustas, e defender tradições porque beneficiam pessoas ou porque teriam valor em si não justifica prejudicar as vítimas.

    5 min
  10. 10
    Se a ética é uma atividade humana, é justo desconsiderar os animais?

    Só humanos agirem moralmente não mostra que só humanos devem ser considerados: confundir quem é responsabilizável com quem precisa de consideração é como exigir que o paciente seja médico para ser atendido.

    3 min
  11. 11
    Se a ética for uma invenção, é justo desfavorecer os animais?

    Mesmo que a ética seja uma invenção humana, isso não torna todas as posições igualmente arbitrárias: a matemática e a ciência também são atividades criadas, e nelas há posições melhores e piores.

    3 min
  12. 12
    Se a ética foi inventada para autoproteção, é justo desfavorecer os animais?

    Mesmo que a ética tivesse surgido como autoproteção, descrever como uma atividade surgiu não justifica uma concepção dentro dela; e a ideia de que a ética é só autointeresse nem descreve bem como as pessoas agem.

    3 min
  13. 13
    Tentativas de justificar o especismo que apelam a autoridades

    O apelo a autoridades, religiosas ou não, não justifica o especismo: pelo dilema de Eutífron, ou a autoridade aprova algo por boas razões, e então o que importa são as razões, ou a aprovação é arbitrária.

    4 min
  14. 14
    O apelo a graus diferenciados de status moral

    A tese do status especial, segundo a qual alguns teriam um "trunfo" que lhes dá prioridade mesmo sofrendo menos, não passa no teste da imparcialidade: só a defende quem está no grupo privilegiado.

    8 min
  15. 15
    Tentativas de justificar o especismo que apelam à metaética

    Dizer "em ética não existe certo e errado" não justifica o especismo: essa afirmação metaética costuma aparecer só quando as justificativas acabam, é aplicada com padrão duplo e, seja verdadeira ou falsa, não favorece nenhum lado.

    6 min