Volume I · Nível básico
Discutindo o especismo
Uma análise das principais tentativas de justificar o especismo
Sobre este volume
Este livro faz uma análise crítica dos argumentos mais comumente endereçados como tentativa de defender que os animais não humanos, ou não deveriam receber consideração moral, ou deveriam recebê-la em menor grau do que os humanos.
ISBN 978-65-01-30510-3 · 1a edição, Janeiro de 2025. Texto original de Luciano Carlos Cunha.
Em poucas palavras
Por que tratamos tão diferente um porco e um cachorro, ou um animal e um humano? O volume examina, uma a uma, as justificativas mais comuns para dar menos peso aos animais (espécie, alma, inteligência, natureza, tradição, autoridade, metaética) e mostra por que nenhuma delas se sustenta.
Para crianças
Imagine que alguém diz que só pode brincar no parquinho quem tem cabelo comprido. Isso é injusto, porque o cabelo não tem nada a ver com brincar. Este livro mostra que tratar mal um animal só porque ele é de outra espécie é parecido: a espécie não tem nada a ver com poder sentir dor.
Você vai aprender
- O que é especismo e como ele se diferencia do antropocentrismo
- Por que espécie, alma, inteligência e potencial não justificam desconsiderar os animais
- Por que "é natural", "é tradição" e "a autoridade aprovou" não são boas razões
- Como responder quando alguém diz que a ética é só uma invenção humana
Ajuda ter lido: nada. Este é um bom ponto de partida, junto do Volume XII.
Começando do zero?
Cada capítulo tem uma versão simplificada, em linguagem para quem não conhece o tema. Leia a versão simples e depois o texto completo do autor.
- Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais
- O que importa é a espécie?
- Características metafísicas poderiam justificar o especismo?
- A posse de capacidades ou relações poderia justificar o especismo?
- O suposto potencial que os humanos tem poderia justificar o especismo?
- O que importa é pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades?
- Se espécies não forem uma construção social, então o especismo está justificado?
- Se o especismo for natural, então o especismo está justificado?
- As práticas especistas serem tradições mostra que devemos respeitá-las?
- Se a ética é uma atividade humana, é justo desconsiderar os animais?
- Se a ética for uma invenção, é justo desfavorecer os animais?
- Se a ética foi inventada para autoproteção, é justo desfavorecer os animais?
- Tentativas de justificar o especismo que apelam a autoridades
- O apelo a graus diferenciados de status moral
- Tentativas de justificar o especismo que apelam à metaética
Capítulos
- 1Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais6 min
Há três grandes posições sobre os animais: eles não importam por si, importam menos que os humanos, ou importam igualmente quando sofrem prejuízos de mesmo tamanho. O especismo é dar menos peso a alguém só por causa da espécie.
- 2O que importa é a espécie?3 min
Dizer que os humanos importam mais "porque são humanos", ou "porque são da nossa espécie", não justifica nada: é repetir a conclusão como se fosse a razão.
- 3Características metafísicas poderiam justificar o especismo?2 min
Alma imortal, ser feito à imagem de uma divindade ou outras características metafísicas não justificam o especismo: não há como comprová-las, não se aplicariam só aos humanos e, sobretudo, nada têm a ver com poder sofrer.
- 4A posse de capacidades ou relações poderia justificar o especismo?2 min
Razão, linguagem, senso de justiça ou relações políticas não justificam desconsiderar os animais: muitos humanos não as têm, alguns animais têm algumas delas, e elas são irrelevantes para saber quem pode ser prejudicado.
- 5O suposto potencial que os humanos tem poderia justificar o especismo?2 min
O apelo ao potencial falha porque há humanos sem potencial para desenvolver certas capacidades, porque potencial não é o mesmo que ter, e porque o sofrimento de uma criança importa agora, não pelo que ela poderá vir a ser.
- 6O que importa é pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades?5 min
Dizer que importa pertencer à mesma espécie dos que têm certas capacidades é tendencioso: exige capacidades dos animais, mas aceita humanos sem elas só pelo grupo.
- 7Se espécies não forem uma construção social, então o especismo está justificado?2 min
Mesmo que a espécie seja uma categoria biológica, e não uma construção social, isso não torna justo discriminar por espécie: escravizar pela altura ou pela cor da pele também se basearia em traços biológicos e seria injusto.
- 8Se o especismo for natural, então o especismo está justificado?4 min
Do fato de algo ser natural, comum entre os animais ou instintivo, não se segue que seja bom ou justo; não há correlação entre o que é natural e o que é justificável.
- 9As práticas especistas serem tradições mostra que devemos respeitá-las?5 min
O fato de uma prática ser tradicional não mostra que é justa: muitas tradições foram injustas, e defender tradições porque beneficiam pessoas ou porque teriam valor em si não justifica prejudicar as vítimas.
- 10Se a ética é uma atividade humana, é justo desconsiderar os animais?3 min
Só humanos agirem moralmente não mostra que só humanos devem ser considerados: confundir quem é responsabilizável com quem precisa de consideração é como exigir que o paciente seja médico para ser atendido.
- 11Se a ética for uma invenção, é justo desfavorecer os animais?3 min
Mesmo que a ética seja uma invenção humana, isso não torna todas as posições igualmente arbitrárias: a matemática e a ciência também são atividades criadas, e nelas há posições melhores e piores.
- 12Se a ética foi inventada para autoproteção, é justo desfavorecer os animais?3 min
Mesmo que a ética tivesse surgido como autoproteção, descrever como uma atividade surgiu não justifica uma concepção dentro dela; e a ideia de que a ética é só autointeresse nem descreve bem como as pessoas agem.
- 13Tentativas de justificar o especismo que apelam a autoridades4 min
O apelo a autoridades, religiosas ou não, não justifica o especismo: pelo dilema de Eutífron, ou a autoridade aprova algo por boas razões, e então o que importa são as razões, ou a aprovação é arbitrária.
- 14O apelo a graus diferenciados de status moral8 min
A tese do status especial, segundo a qual alguns teriam um "trunfo" que lhes dá prioridade mesmo sofrendo menos, não passa no teste da imparcialidade: só a defende quem está no grupo privilegiado.
- 15Tentativas de justificar o especismo que apelam à metaética6 min
Dizer "em ética não existe certo e errado" não justifica o especismo: essa afirmação metaética costuma aparecer só quando as justificativas acabam, é aplicada com padrão duplo e, seja verdadeira ou falsa, não favorece nenhum lado.