A ideia em debate
Alguns dizem: "a ética é uma coisa de humanos. Só os humanos pensam sobre certo e errado. Então só os humanos devem receber consideração."
O autor apresenta três críticas a essa ideia.
Crítica 1: nem todo humano "faz ética"
Bebês, crianças pequenas e algumas pessoas com doenças graves não conseguem pensar sobre certo e errado. Mesmo assim, todos concordamos que eles importam. Então "fazer ética" não pode ser a condição para importar.
Crítica 2: quem é ajudado não precisa saber ajudar
Pense num médico. Ele precisa saber medicina para tratar os pacientes. Mas os pacientes não precisam saber medicina para serem tratados. Um bebê não entende nada de remédios e mesmo assim pode ser curado.
Com a ética é igual. Quem toma decisões precisa saber pensar sobre ética. Mas quem é afetado pelas decisões não precisa.
O argumento confunde duas perguntas:
- Quem pode ser responsabilizado? Quem consegue refletir sobre o que faz.
- Quem precisa ser levado em conta? Quem pode ser prejudicado ou ajudado.
Crítica 3: o argumento anda em círculo
Quando alguém lembra que os bebês não pensam sobre ética, o defensor do argumento costuma dizer: "mas eles são da mesma espécie de quem pensa". Isso é voltar ao apelo ao grupo, que já vimos que não funciona. No fim, quem decide de novo é a espécie.
Resumindo
- Muitos humanos não pensam sobre ética e continuam importando.
- Para ser levado em conta, basta poder ser prejudicado ou ajudado.
- O argumento acaba voltando para "é da espécie certa".