Nível intermediário
Nível intermediário
A morte, o ambientalismo, o critério da senciência, o ativismo e os vieses.
Como estudar este nível
- Leia primeiro a camada “Em uma frase” e depois o texto original.
- Responda às perguntas em “Pratique” sem voltar ao texto; depois confira.
- Ao fim de cada volume, faça o teste do volume.
Volume III · Os animais e o dano da morte
- 1De que consiste o dano da morte?5 min
Contra a visão epicurista de que a morte não é um dano, o capítulo defende que ela prejudica por impedir o que de positivo o indivíduo viveria; e, mesmo que Epicuro estivesse certo, isso valeria para humanos e animais igualmente.
- 2Discutindo a alegação de que os animais não são prejudicados com a morte5 min
Os animais são prejudicados com a morte, mesmo sem entender o que ela é e sem desejos sobre o futuro: todo ser senciente com possibilidade de uma vida minimamente significativa pela frente perde algo ao morrer.
- 3Objeções à explicação do dano da morte enquanto impedimento do que é positivo3 min
O capítulo examina três objeções à ideia de que a morte é um dano por privação (o problema epistemológico, a assimetria temporal e a dos seres em potencial) e mostra que elas não derrubam a explicação.
- 4Quem é incapaz de prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte?2 min
Dizer que quem não tem prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte não se sustenta: prazeres intelectuais não são necessariamente mais valiosos, e mesmo que fossem, isso não tornaria os outros prazeres pouco valiosos.
- 5Como avaliar o quão prejudicado alguém é com a morte?8 min
O tamanho do dano da morte depende de quanto tempo de vida o indivíduo perde e da qualidade desse tempo, o que pode ser expresso em AVAQs; também há razões para levar em conta o que ele já viveu.
- 6Objeções à avaliação da magnitude do dano da morte com base em AVAQs7 min
A objeção de que medir o dano da morte por AVAQs tem implicações absurdas apela a intuições que podem ser enviesadas; até que outro critério seja fundamentado de modo independente, temos razões para usar os AVAQs.
- 7Os animais teriam uma conexão psicológica menor?3 min
Mesmo que a conexão psicológica com o futuro importasse para o dano da morte, mentes mais simples podem ter uma conexão proporcionalmente maior, pois os seus conteúdos variam menos; e ter conexão forte nem parece necessário para ser muito prejudicado.
- 8Discutindo a alegação de que os animais são substituíveis5 min
A ideia de que os animais são substituíveis, isto é, de que matar um não é errado se outro de vida igualmente boa nascer no lugar, falha: autorizaria pais a substituir filhos e confunde ser "o mesmo" qualitativamente com ser o mesmo indivíduo.
- 9Seriam os animais não humanos pouco prejudicados com a morte?8 min
O capítulo mostra, com exemplos como o de Bia e a viagem às pirâmides, que a força das nossas razões para buscar o bom e evitar o ruim não depende da conexão psicológica; logo, ela não mostra que os animais são pouco prejudicados com a morte.
- 10A alegação de que ter pouco tempo restante torna a morte um dano pequeno12 min
Ter pouco tempo de vida pela frente, por ser idoso ou por pertencer a uma espécie de vida curta, não torna a morte um dano pequeno; e animais com cérebros menores podem até perceber o tempo de modo mais lento.
- 11E, se humanos fossem mais prejudicados com a morte?7 min
Mesmo supondo que humanos fossem mais prejudicados com a morte, isso não justificaria matar animais para benefícios menores, nem matar uns para salvar outros, nem ignorar o número de vítimas.
- 12Status moral diferenciado, dano da morte e erro em matar14 min
O erro de matar e a razão para salvar vidas devem depender da magnitude do dano da morte; a abordagem de "duas camadas", que dá um status privilegiado a certos indivíduos, não passa no teste da imparcialidade.
- 13Reflexões adicionais: morte, aniquilação, decisão racional e probabilidades6 min
Considerar a possibilidade de vida após a morte não muda radicalmente a avaliação: há incerteza sobre ela e sobre como seria, enquanto sabemos como a vida atual provavelmente continuaria; logo, isso não justifica matar quem tem uma vida boa.
Volume VI · A quem devemos consideração moral?
- 1O que é relevante para saber a quem devemos consideração?8 min
Um critério só se justifica se for baseado em uma distinção relevante para a questão; para saber a quem dar consideração, o relevante é poder ser prejudicado ou beneficiado, o que leva ao critério da senciência.
- 2Seria o critério da senciência, no fundo, antropocêntrico?1 min
O critério da senciência não é antropocêntrico: não considera os animais por se parecerem com humanos, mas porque podem ser prejudicados e beneficiados, o que a razão ou a linguagem não determinam.
- 3O critério da senciência discrimina contra quem não pertence ao reino animal?1 min
O critério da senciência não é "reinismo": não inclui todos os animais (esponjas provavelmente não sentem) nem exclui outros reinos por princípio; inclui qualquer ser senciente, inclusive não orgânico, se vier a existir.
- 4Segundo o critério da senciência, o único problema é o sofrimento?2 min
O critério da senciência não reconhece só o sofrimento como dano: um ser senciente também é prejudicado pela ausência do que lhe seria positivo, como na morte.
- 5Se a senciência é o que importa, por que há males que não afetam as experiências?3 min
Danos que não alteram as experiências, como violar alguém inconsciente, podem ser objeção ao hedonismo, mas não ao critério da senciência, que também é compatível com danos às preferências reais ou informadas.
- 6O critério da senciência exclui os insetos?4 min
O critério da senciência não exclui os insetos: há evidências de senciência em várias espécies, e as demais mal foram estudadas; se há alguém nesses corpos, eles merecem a mesma consideração que qualquer senciente.
- 7Aceitar o critério da senciência implica assumir que valores são subjetivos?2 min
Aceitar o critério da senciência não implica que valores são subjetivos: há uma confusão entre "subjetivo" no sentido de referir-se à consciência e no sentido de não haver verdade objetiva.
- 8Animais com cérebros mais simples são menos sencientes?8 min
Não há boas razões para dizer que animais com cérebros mais simples são menos sencientes ou merecem menos: são tão "alguém" quanto qualquer senciente, as experiências podem até ser mais intensas em certos estágios, e dar menos peso por cognição é inteligentismo.
- 9Se há necessidade da ética ambiental, então o critério da senciência está errado?3 min
Que exista uma ética ambiental não mostra que entidades não sencientes tenham valor em si: também precisamos de ética sobre distribuição de renda, e a renda não tem valor em si. Uma "ética do manejo ambiental" pode bastar.
- 10Não é absurdo um mundo com menos sofrimento, mas manejado pelos humanos?3 min
A ideia de que um mundo com menos sofrimento, mas manejado por humanos, seria pior revela um preconceito: um ecossistema indistinguível do natural e melhor para os sencientes não seria pior só por ter influência humana.
- 11Se os seres sencientes devem ser respeitados, então a natureza possui valor em si?2 min
Respeitar os seres sencientes não implica que a natureza tem valor em si: o que torna os sencientes consideráveis (poder ser afetado) não está presente na natureza como um todo; confundir "natureza" com "animais" gera esse equívoco.
- 12O critério da senciência implica em aceitar as metas ambientalistas?2 min
O fato de alguns sencientes terem interesse em que a natureza siga o seu curso não implica aceitar as metas ambientalistas: considerar um interesse não é ter de realizá-lo, e realizá-lo aqui causaria sofrimento e morte a um número gigantesco de outros.
- 13Espécies possuem interesses?4 min
Espécies não têm interesses: são entidades abstratas, categorias criadas para agrupar seres vivos semelhantes; quem pode ser beneficiado ou prejudicado são os indivíduos sencientes que as compõem.
- 14Se alguma entidade não senciente tiver valor em si, quais as implicações?3 min
Mesmo que entidades não sencientes tivessem valor em si, haveria fortes razões para priorizar os seres sencientes em conflitos: só eles podem sofrer e só para eles a morte impede experiências positivas.
- 15O biocentrismo é melhor, já que inclui um número maior de seres?3 min
Um critério mais abrangente não é necessariamente melhor: teria de ser mostrado que os seres incluídos podem de fato ser prejudicados; e o biocentrismo exclui possíveis sencientes não vivos, discriminando-os.
- 16Senciência e vida: o que tem valor enquanto fim e o que tem valor enquanto meio?4 min
Que estar vivo seja necessário para ser senciente não dá à vida valor em si; é o contrário: a vida biológica tem valor como meio para experiências significativas, e não a senciência como meio para a vida.
- 17Seres vivos não sencientes são passíveis de ser prejudicados?3 min
Seres vivos não sencientes não parecem passíveis de ser prejudicados: o uso cotidiano de expressões como "a planta está feliz" não mostra que há alguém ali para quem as coisas vão bem ou mal.
- 18O comportamento de certas plantas e fungos mostra que valorizam certas coisas?5 min
Comportamentos de plantas e fungos (crescer em direção à luz, fechar folhas ao toque) podem ser explicados como reações físico-químicas; sem estrutura que dê lugar a experiências, comportamento sozinho não indica senciência.
- 19A vida sem senciência tem valor?4 min
A vida sem senciência não parece ter valor: exemplos como o coma total irreversível, a seguradora estelionatária e a senciência sem vida mostram que o que valorizamos são as experiências, não a vida biológica.
- 20Todo ser vivo possui "interesses biológicos"?3 min
Seres vivos não sencientes não têm "interesses biológicos" no sentido moral: nos sencientes, satisfazer necessidades biológicas é só um meio para o bem-estar; ter necessidades não basta para ter interesses.
- 21Se plantas forem consideráveis, tanto faz comer animais ou plantas?2 min
Se plantas fossem moralmente consideráveis, não se seguiria que tanto faz comer animais ou plantas: os animais sofrem e consomem muitas plantas; a implicação seria o frutarianismo, e até Paul Taylor reconhece a importância do sofrimento.
Volume V · Diferenças entre ambientalismo e consideração pelos animais
- 1Respeito pelos animais e ambientalismo: complementares ou opostos?6 min
Defesa dos animais e ambientalismo partem de fundamentos opostos: uma valoriza os indivíduos que sentem; o outro, entidades não sencientes como espécies e ecossistemas. Por isso há práticas ambientalistas que exterminam animais.
- 2A divergência é quanto aos fins, não somente quanto aos meios5 min
A diferença entre ambientalismo e defesa animal está nos fins, e não só nos meios: considerar indivíduos não é sempre preferir um contra muitos, e considerar "o todo" não é considerar a maioria, mas entidades abstratas.
- 3Apesar das diferenças, defesa animal e ambientalismo convergem na prática?2 min
Defesa animal e ambientalismo às vezes convergem, mas não sempre: o meio ambiente pode ser preservado em várias configurações, e as preferidas pelo ambientalismo muitas vezes não são as melhores para os animais.
- 4A divergência não está no foco no curto ou longo prazo3 min
A diferença entre as duas posições não é que uma pensa no curto prazo e outra no longo: a preocupação com o sofrimento futuro dos animais já é uma preocupação centrada neles, e não ambientalista.
- 5Equilíbrio ecológico e biodiversidade coincidem com o melhor para os animais?3 min
Equilíbrio ecológico (estabilidade das populações) e biodiversidade (variedade de espécies) não medem o bem-estar dos animais; só por coincidência resultam em algo melhor para eles, e muitas vezes resultam em situações muito ruins.
- 6Defesa dos animais e ambientalismo: a divergência é ética, e não, científica4 min
A divergência entre defesa animal e ambientalismo é ética, não científica: a ecologia descreve, não prescreve metas, e uma posição centrada no bem dos animais pode ser tão bem informada cientificamente quanto qualquer outra, por exemplo pela biologia do bem-estar.
- 7Por que o respeito pelos animais é confundido com o ambientalismo?7 min
Vários fatores explicam a confusão entre defesa dos animais e ambientalismo, como a crença de que ambos querem o bem dos animais e a confusão entre ambientalismo e ecologia; ela leva defensores dos animais a apoiar práticas que os prejudicam muito.
- 8O que é almejado com os programas ambientalistas de extermínio?4 min
Programas ambientalistas de extermínio de espécies "invasoras" não visam reduzir o sofrimento e as mortes dos animais (às vezes os aumentam muito): visam manter configurações valorizadas. Não passam no teste da imparcialidade.
- 9O ambientalismo é antropocêntrico?3 min
A maioria dos ambientalistas é antropocêntrica, pois não aplica aos humanos o que aplica aos animais; raros, como Linkola, aplicariam também a humanos. Há razões para rejeitar ambas as posições.
- 10Questionando os pressupostos ambientalistas8 min
Não foi mostrado que entidades não sencientes (espécies, ecossistemas) tenham valor em si, nem que valham mais que os sencientes; mesmo que valessem, isso não justificaria violar interesses básicos como não sofrer e não morrer.
- 11Por que defensores dos animais relutam em reconhecer a divergência?6 min
Defensores dos animais relutam em reconhecer a divergência com o ambientalismo por receio de contrariá-lo e pela dificuldade de revisar crenças e práticas antigas; são os mesmos vieses que eles pedem aos outros que superem.
Volume VIII · Um ativismo eficiente
- 1Como escolher quais causas e problemas priorizar e quais as melhores estratégias?15 min
Para escolher causas, problemas e estratégias, podemos usar critérios: gravidade da situação (número de vítimas e quão ruim é para cada uma), tratabilidade, tamanho do benefício possível, efeitos de longo prazo, atacar causas e não só sintomas, e grau de negligência.
- 2Como a causa animal se sai quanto aos critérios de prioridade?8 min
Pelos critérios de prioridade (gravidade, número de vítimas, negligência e tratabilidade), a causa animal se sai muito bem; o número de vítimas é tão grande que até quem dá menos peso aos animais teria de priorizá-la.
- 3Dentre os problemas que afetam os animais, quais são mais importantes?7 min
Dentro da causa animal, os problemas mais negligenciados e graves são os animais criados para alimentação (sobretudo aquáticos e invertebrados), os animais na natureza vítimas de processos naturais e o futuro; por isso, é aí que podemos fazer mais diferença.
- 4O uso de argumentos antropocêntricos e ambientalistas na causa animal7 min
Usar só argumentos antropocêntricos ou ambientalistas (saúde, meio ambiente) para defender os animais tem riscos: motivações diferentes têm consequências diferentes, podem reforçar que o dano aos animais não basta e atrapalhar a preocupação com problemas maiores, como os animais selvagens e o futuro.
- 5A abordagem total e a abordagem suficiente13 min
A abordagem total defende uma visão completa de ética; a suficiente mostra que certas metas (como a consideração por todos os sencientes) podem ser aceitas a partir de visões muito diferentes. É importante combinar as duas.
- 6O desvio de foco em debates: por que o especismo é raramente discutido?13 min
Em debates, quem defende práticas que prejudicam os animais costuma desviar o foco para saúde, meio ambiente ou detalhes práticos; aceitar esse desvio impede discutir o especismo, sem o que a situação dos animais dificilmente muda.
- 7Crenças morais, motivação para agir e o papel da reflexão sobre ética6 min
O caso de especialistas em ética animal que consomem animais levanta a questão da motivação moral: talvez não achem errado, achem pouco errado, não sejam sinceros, tenham vontade fraca ou decidam não agir; nenhuma forma de persuasão escapa desses limites.
- 8Objeções normativas disfarçadas de objeções estratégicas16 min
Às vezes quem discorda de uma meta (objeção normativa) a apresenta como dúvida estratégica ("seria ótimo, mas não vai dar certo"); o ônus da prova é de quem faz essas alegações, e há razões para desconfiar delas.
- 9Foco no veganismo versus foco na redução do consumo10 min
O debate entre focar no veganismo ou na redução do consumo é, em geral, sobre estratégia, e não sobre a meta, que é compartilhada; há argumentos dos dois lados, e é preciso avaliá-los sem decidir de antemão pela intuição.
- 10Por que o termo bem-estarismo é altamente ambíguo4 min
"Bem-estarismo" tem pelo menos sete sentidos, que dizem respeito a debates diferentes; aceitar ou rejeitar uma das posições assim chamadas não implica aceitar ou rejeitar as outras.
- 11O debate sobre regulamentar a exploração animal23 min
O debate sobre regulamentar a exploração envolve duas questões causais: se reformas levam à abolição e se reduzem o sofrimento; há argumentos dos dois lados, e reformas devem ser comparadas a outras estratégias, como carne cultivada e educação antiespecista.
- 12O debate sobre a carne cultivada35 min
A carne cultivada pode reduzir muito a exploração; o capítulo examina as objeções de quem defende a carne convencional e de defensores dos animais, e conclui que ela tem grande potencial, inclusive, no futuro, para reduzir danos naturais.
Volume X · Vieses e sua influência
- 1Vieses que nos induzem a negligenciar os problemas que possuem mais vítimas12 min
Vieses são tendências psicológicas que levam sistematicamente a raciocínios errados; vários deles (vítima identificável, negligência do escopo, desaparecimento da compaixão) fazem com que os problemas com mais vítimas sejam justamente os mais negligenciados.
- 2Vieses que inclinam a uma negligência da situação dos animais selvagens28 min
Vários vieses levam a negligenciar os animais selvagens: status quo, preferência por certos tipos de animais, número de vítimas, crença de que a natureza é boa (como a hipótese do mundo justo), tentativa de justificar o sofrimento, dúvida sobre a viabilidade e subestimação do público.
- 3Vieses que contribuem para a negligência do longo prazo e dos riscos-s14 min
Vieses como o viés temporal, a dificuldade de lidar com probabilidades e valor esperado e a confiança excessiva em intuições contribuem para negligenciar o longo prazo e os riscos-s; a resposta é manter a mente aberta a questões contraintuitivas.
- 4Vieses cognitivos e sua influência em nossas decisões que afetam os animais30 min
Muitos vieses dificultam revisar crenças e estratégias sobre os animais: status quo, justificação do sistema, credencial moral, heurística de afeto, mera exposição, custo irrecuperável, superioridade ilusória, ponto cego, verdade ilusória, viés de autoridade, entre outros.
- 5Raciocínio motivado e sua influência na avaliação dos argumentos4 min
Raciocínio motivado é avaliar argumentos com níveis de rigor diferentes conforme a conclusão nos agrade; além disso, muitas pessoas levantam objeções em que não acreditam, como desculpas; isso explica por que as tentativas de justificar o especismo raramente são examinadas com rigor.
- 6Alguns vieses que podem influenciar a escolha de estratégias e a recepção do público16 min
Ativistas também são afetados por vieses ao escolher estratégias (negatividade, sobrecarga de escolhas, nostalgia, efeitos de ordem), e o público também ao receber a mensagem; apresentar primeiro os argumentos pela consideração dos animais pode mudar como o resto é recebido.