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de Ética
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Volume VI · A quem devemos consideração moral? · capítulo 4

Segundo o critério da senciência, o único problema é o sofrimento?

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O critério da senciência não reconhece só o sofrimento como dano: um ser senciente também é prejudicado pela ausência do que lhe seria positivo, como na morte.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume VI, p. 16 da edição em PDF

A é a capacidade de ter experiências. É aquilo que diferencia os indivíduos das coisas: seres sencientes são alguém; coisas não sencientes são algo. Isto é, os seres sencientes não são meros corpos vivos: são indivíduos que podem ser afetados positiva ou negativamente. No caso dos seres sencientes, há alguém a "habitar" aqueles corpos.

Dar a alguém é evitar prejudicá-lo e buscar beneficiá-lo. O critério da senciência defende que devemos dar consideração moral a todos os seres capazes de ter experiências (isto é, a todos os seres sencientes).

Por vezes é dito que, se o critério da senciência estivesse correto, então todas as questões morais seriam resolvidas com o uso de analgesia e anestesia. Dado que há formas de alguém ser prejudicado sem sofrer (por exemplo, com a morte12, mesmo que sem sofrimento; ou ganhar um prêmio e não ser avisado disso), por vezes é alegado então que deve haver algo de errado com o critério da senciência. Essa objeção conclui então que, para sermos contra o assassinato sem dor e outros danos que não causam sofrimento, temos de rejeitar o critério da senciência e postular que a vida biológica tem mesma.

O erro com esse argumento é pressupor que considerar os seres sencientes implica somente a preocupação em evitar o seu sofrimento, o que é falso. Como vimos no capítulo 1, um ser senciente é prejudicado pela presença daquilo que lhe for prejudicial e também pela ausência daquilo que lhe for benéfico. Os dois exemplos que a objeção traz (o e o de alguém não ser avisado de que ganhou um prêmio) são reconhecidos pelo critério da senciência. Aliás, a forma mais óbvia de explicar o dano nesses casos é a partir da senciência: são danos pela ausência de (todas ou algumas) experiências positivas.

Para explicar o dano da morte e o dano que alguém padece por não ser avisado de que ganhou um prêmio, é necessário imaginar o que o indivíduo experimentaria em cada situação (continuar vivo versus morrer, e ser avisado do prêmio versus não ser avisado) e avaliar em qual delas ele estaria em uma condição melhor. Assim, a objeção, sem perceber, assume o critério da senciência.

Portanto, é falso que o critério da senciência não reconheceria a existência de danos que não envolveriam sofrimento. Pensar que sim é, talvez, um dos equívocos mais comuns em relação ao critério da senciência, e uma das razões pelas quais algumas pessoas o têm rejeitado. Evitar sofrimento é uma parte importantíssima da consideração pelos seres sencientes, mas não é a única preocupação.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume VI
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Pensar que o critério da senciência só se preocupa com o sofrimento é...

A morte prejudica um ser senciente principalmente pela...

Para pensar

Que outros danos, além da dor, você consegue imaginar para um animal?

Notas do autor 1
  1. 12 Para uma análise do dano da morte para os animais não humanos, ver o terceiro volume desta coleção. Ver também (2007, p. 537-778; 2010c) e (2022a, p. 61-92) ↩
Fontes citadas neste texto 3

A lista completa do volume está em referências do Volume VI.

  • CUNHA, L. C. Razões para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implicações éticas. Curitiba: Appris, 2022a.
  • HORTA, O. Igualitarismo, igualación a la baja, antropocentrismo y valor de la vida. Revista de Filosofía da Universidad Complutense de Madrid, v. 35, n. 1, p. 133-152, 2010c.
  • HORTA, O. Un desafío para la bioética: la cuestión del especismo. Tese (Doutorado em Filosofia). Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela, 2007.

Este capítulo no Volume XII

Como o autor resume este debate no Essencial sobre ética animal.

Há danos que não necessariamente causam sofrimento, como o dano da morte. Logo, o critério da senciência está errado. (VI, cap. 4).
Aceitar o critério da senciência não implica afirmar que a única forma de dano é o sofrimento. Por exemplo, um ser senciente também é prejudicado se é impedido de experimentar o que lhe seria positivo (que é o que acontece quando morre, por exemplo).

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