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Quem é quem

Os autores e instituições citados na coleção: quem são e o que defendem no contexto da discussão. Ajuda a entender por que cada um é mencionado.

Contexto, não endosso: muitos autores são citados justamente como exemplos das posições que a coleção critica. A descrição resume a posição relevante para o debate, não toda a obra da pessoa. Os números indicam volume e capítulo.

Negam ou reduzem a consideração pelos animais

Lawrence Becker

Filósofo estadunidense.

Em The Priority of Human Interests (1983) defende a prioridade dos interesses humanos com base em laços sociais e proximidade.

Citado em 1 capítulo: I.4

John Benson

Filósofo britânico.

Em Duty and the Beast (1978) admite deveres para com animais, mas de peso menor que os deveres para com humanos.

Citado em 1 capítulo: I.1

Peter Carruthers

Filósofo britânico-americano, contratualista.

Em The Animals Issue (1992) sustenta que os animais não têm status moral direto, pois não podem participar de um contrato moral; nossas obrigações com eles seriam apenas indiretas.

Citado em 7 capítulos: I.1, I.4, I.12, I.14, II.10, XI.6, XII.1

Ruth Cigman

Filósofa britânica.

Em Death, Misfortune and Species Inequality (1981) argumenta que a morte não é um infortúnio para animais porque eles não teriam desejos categóricos sobre o próprio futuro.

Citado em 3 capítulos: III.2, III.6, XII.4

Philip Devine

Filósofo estadunidense.

Discutiu as bases morais do vegetarianismo e defendeu que é razoável dar mais peso aos humanos.

Citado em 1 capítulo: I.5

Cora Diamond

Filósofa estadunidense, de linha wittgensteiniana.

Em Eating Meat and Eating People (1978) defende que nossa moral é moldada por relações e pela ideia de "companheiros humanos", não por capacidades; aceita compaixão pelos animais, mas não igualdade.

Citado em 4 capítulos: I.1, I.2, I.14, XI.6

Luc Ferry

Filósofo e ex-ministro francês.

Em A Nova Ordem Ecológica (1992) critica a ecologia profunda e o antiespecismo, defendendo um humanismo em que só humanos têm dignidade plena.

Citado em 1 capítulo: I.4

R. G. Frey

Filósofo britânico-americano (1941–2012).

Em Interests and Rights (1980) negou que animais tenham interesses no sentido moral por não terem linguagem; defendeu a experimentação animal.

Citado em 1 capítulo: I.4

Raimond Gaita

Filósofo australiano.

Em The Philosopher's Dog (2002) explora a relação entre humanos e animais, defendendo uma visão que separa o lugar moral dos humanos.

Citado em 2 capítulos: I.2, I.14

Michael Leahy

Filósofo britânico.

Em Against Liberation (1991), de inspiração wittgensteiniana, nega que os animais tenham vida mental rica o bastante para pesar moralmente como os humanos.

Citado em 3 capítulos: I.4, I.5, XI.6

Tibor Machan

Filósofo libertário húngaro-americano (1939–2016).

Em Putting Humans First (2004) defende que os humanos têm prioridade moral por serem agentes morais e que animais não têm direitos.

Citado em 3 capítulos: I.6, XI.6, XII.1

H. J. McCloskey

Filósofo australiano.

Argumentou que só quem pode reivindicar algo para si pode ter direitos, o que excluiria os animais.

Citado em 1 capítulo: I.5

Mary Midgley

Filósofa britânica (1919–2018).

Em Animals and Why They Matter (1983) critica o tratamento dos animais, mas defende que a preferência pela própria espécie é um laço natural e até certo ponto legítimo.

Citado em 1 capítulo: I.4

Jan Narveson

Filósofo canadense, contratualista libertário.

Argumenta que a moralidade é um acordo entre quem pode cooperar e retaliar; como os animais não podem, não teriam direitos (Animal Rights, 1977).

Citado em 3 capítulos: I.1, I.4, I.12

William Paton

Farmacologista britânico (1917–1993).

Em Man and Mouse (1984) defende a experimentação animal por seus benefícios médicos para os humanos.

Citado em 1 capítulo: I.5

Lewis Petrinovich

Psicólogo evolucionista estadunidense.

Em Darwinian Dominion (1999) defende que favorecer a própria espécie é natural e moralmente justificado pela evolução.

Citado em 2 capítulos: I.4, I.12

Richard Posner

Juiz e teórico do direito estadunidense.

Em debate com Singer, defendeu que é legítimo dar preferência aos humanos e confiar na intuição de que humanos importam mais.

Citado em 2 capítulos: I.2, I.14

Roger Scruton

Filósofo conservador britânico (1944–2020).

Em Animal Rights and Wrongs (1996) afirma que direitos pertencem só a membros da comunidade moral, capazes de deveres; aos animais devemos apenas certa piedade.

Citado em 4 capítulos: I.6, III.8, IV.7, XII.1

Scott Wilson

Filósofo estadunidense.

Defende que o status humano depende da "norma da espécie" (The Species-Norm Account of Human Status, 2005).

Citado em 2 capítulos: I.1, II.2

Ética ambiental e holismo

Bernice Bovenkerk

Filósofa holandesa (Wageningen).

Trabalha na intersecção entre ética animal e ética ambiental, incluindo o manejo de animais selvagens.

Citado em 5 capítulos: VII.13, VII.21, VII.22, VII.26, XII.6

J. Baird Callicott

Filósofo ambiental estadunidense, principal intérprete da "ética da terra".

Defende uma ética holista: o bem da comunidade biótica (ecossistemas e espécies) é o critério último de valor. Em Animal Liberation: A Triangular Affair (1980) chegou a sustentar que esse bem pode prevalecer sobre o de indivíduos, inclusive humanos; depois suavizou a posição.

Citado em 14 capítulos: I.1, I.4, IV.15, V.1, V.2, V.7, V.8, VII.16, VII.20, XI.6, XII.1, XII.3, XII.5, XII.6

Robert Elliot

Filósofo australiano.

Em Faking Nature (1982) defende que a natureza original tem um valor que uma natureza restaurada não recupera.

Citado em 2 capítulos: V.1, VII.20

Kenneth Goodpaster

Filósofo estadunidense.

Em On Being Morally Considerable (1978) argumenta que estar vivo, e não ser senciente, é o critério de consideração moral.

Citado em 4 capítulos: V.1, VI.15, VI.17, VII.20

Eugene Hargrove

Filósofo ambiental estadunidense.

Fundamenta o valor da natureza em suas qualidades estéticas.

Citado em 3 capítulos: V.1, V.3, V.4

Ned Hettinger

Filósofo ambiental estadunidense.

Defende o valor da natureza "selvagem" e discute espécies exóticas e o respeito pela autonomia dos processos naturais.

Citado em 5 capítulos: IV.15, V.1, V.2, V.7, V.8

Holmes Rolston III

Filósofo ambiental estadunidense.

Atribui valor objetivo aos ecossistemas e às espécies, e defende que a predação faz parte do valor da natureza.

Citado em 8 capítulos: IV.15, V.1, V.2, V.7, V.8, VII.23, XII.3, XII.5

Eric Katz

Filósofo ambiental estadunidense.

Critica a restauração e a intervenção na natureza como formas de dominação humana sobre ela.

Citado em 2 capítulos: V.1, VII.20

Aldo Leopold

Ecólogo e silvicultor estadunidense (1887–1948).

Em A Sand County Almanac (1949) formulou a ética da terra: algo é certo quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica. O valor está no todo, não nos animais individualmente.

Citado em 6 capítulos: I.1, IV.15, V.1, V.7, V.8, VII.20

Pentti Linkola

Ecologista finlandês radical (1932–2020).

Colocava a preservação da natureza acima do bem dos humanos e de outros animais, chegando a defender a redução drástica e autoritária da população humana. É citado como exemplo extremo de ambientalismo holista.

Citado em 3 capítulos: V.7, V.9, VI.14

Arne Næss

Filósofo norueguês (1912–2009), fundador da ecologia profunda.

Atribui valor intrínseco à natureza e à diversidade da vida como um todo, não apenas aos seres sencientes.

Citado em 4 capítulos: I.1, I.4, V.7, V.8

Mark Sagoff

Filósofo ambiental estadunidense.

Em Animal Liberation and Environmental Ethics: Bad Marriage, Quick Divorce (1984) argumenta que a defesa dos animais e o ambientalismo são incompatíveis.

Citado em 1 capítulo: IV.15

Albert Schweitzer

Teólogo, médico e filósofo (1875–1965).

Propôs a "reverência pela vida": todo ser vivo merece respeito, o que inspira o biocentrismo.

Citado em 2 capítulos: V.7, VI.17

Jo-Ann Shelton

Pesquisadora estadunidense.

Analisa programas ambientalistas que matam animais considerados "fora do lugar", como espécies introduzidas.

Citado em 5 capítulos: V.1, V.8, VI.11, VII.10, XII.5

Michael Soulé

Biólogo estadunidense (1936–2020), um dos fundadores da biologia da conservação.

Defendeu que a diversidade biológica tem valor em si e que a conservação deve proteger espécies e ecossistemas.

Citado em 2 capítulos: V.6, VII.27

Paul W. Taylor

Filósofo estadunidense (1923–2015).

Em Respect for Nature (1986) defende o biocentrismo: todo ser vivo tem um "bem próprio" e valor inerente, sejam animais sencientes, plantas ou microrganismos.

Citado em 9 capítulos: IV.20, V.1, VI.15, VI.17, VI.21, VII.18, VII.20, VII.31, XII.6

Gary Varner

Filósofo estadunidense.

Em In Nature's Interests? (1998) defende que todos os seres vivos têm "interesses biológicos", embora dê prioridade a interesses de seres conscientes.

Citado em 3 capítulos: V.7, V.8, VI.20

Peter Wenz

Filósofo estadunidense.

Propõe uma teoria dos "círculos concêntricos": obrigações mais fortes com quem está mais próximo, em uma ética ambiental pluralista.

Citado em 3 capítulos: IV.15, V.7, V.8

Defendem a consideração pelos seres sencientes

Cheryl Abbate

Filósofa estadunidense.

Aplica a ética das virtudes à questão animal, mostrando que ela também condena prejudicar animais sem necessidade.

Citado em 2 capítulos: XI.5, XI.6

Carol J. Adams

Escritora ecofeminista estadunidense.

Em A Política Sexual da Carne (1990) relaciona a opressão das mulheres e a dos animais; associada à ética do cuidado.

Citado em 1 capítulo: V.7

Paola Cavalieri

Filósofa italiana.

Em The Animal Question (2001) estende a teoria dos direitos humanos aos animais; organizou com Singer o Projeto Grandes Primatas.

Citado em 1 capítulo: III.4

Luciano Carlos Cunha

Autor desta coleção, doutor em ética e filosofia política (UFSC).

Nas obras citadas, defende a igual consideração de todos os seres sencientes, inclusive os animais selvagens vítimas de processos naturais.

Citado em 74 capítulos: I.1, I.4, I.7, I.9, I.10, I.11, II.1, II.3, II.5, II.6, II.7, II.8, II.10, II.11 e mais 60

David DeGrazia

Filósofo estadunidense.

Em Taking Animals Seriously (1996) defende consideração séria pelos animais, mas admite pesos diferentes conforme a complexidade mental, sobretudo quanto ao dano da morte.

Citado em 1 capítulo: I.1

Daniel Dombrowski

Filósofo estadunidense.

Em Babies and Beasts (1997) analisa a história do argumento da sobreposição das espécies.

Citado em 2 capítulos: XI.5, XI.6

Josephine Donovan

Teórica feminista estadunidense.

Desenvolve a ética do cuidado aplicada aos animais, centrada na empatia e na atenção ao sofrimento.

Citado em 2 capítulos: V.7, XI.5

Jessica Ehnert

Filósofa.

Sistematizou o argumento da sobreposição das espécies (The Argument from Species Overlap, 2002).

Citado em 5 capítulos: I.4, I.6, I.10, I.12, II.2

Ética Animal (Animal Ethics)

Organização internacional sem fins lucrativos, que financiou esta coleção.

Promove a consideração moral de todos os seres sencientes, com foco no especismo, nos animais selvagens e na biologia do bem-estar.

Citado em 58 capítulos: I.1, I.2, II.3, II.4, II.5, II.7, II.10, II.11, II.12, II.13, IV.1, IV.4, IV.6, IV.7 e mais 44

Gary L. Francione

Jurista e filósofo estadunidense.

Defende a abordagem abolicionista: o problema central é os animais serem propriedade; propõe o veganismo como base moral e critica as reformas bem-estaristas.

Citado em 9 capítulos: II.1, IV.17, V.2, VI.1, VII.31, VIII.11, IX.13, XI.5, XI.6

Julian Franklin

Filósofo político estadunidense (1925–2013).

Em Animal Rights and Moral Philosophy (2005) argumenta que o imperativo categórico de Kant, bem entendido, exige tratar todos os seres sencientes como fins em si.

Citado em 5 capítulos: I.1, II.1, VI.1, XI.5, XI.6

Lewis Gompertz

Escritor e inventor britânico (1783–1861).

Pioneiro: em Moral Inquiries (1824) defendeu não usar produtos animais e já discutia ajudar animais contra danos naturais, como a predação.

Citado em 2 capítulos: XI.5, XI.6

Oscar Horta

Filósofo espanhol (Universidade de Santiago de Compostela), cofundador da organização Ética Animal.

Um dos principais autores sobre especismo e sobre o sofrimento dos animais selvagens; defende que danos naturais importam tanto quanto os causados por humanos.

Citado em 62 capítulos: I.1, I.3, I.4, I.6, I.7, I.10, I.11, I.12, I.14, II.1, II.2, II.3, II.5, II.10 e mais 48

Dale Jamieson

Filósofo estadunidense.

Escreve sobre ética animal e ambiental, incluindo zoológicos e mudança climática.

Citado em 2 capítulos: I.2, XI.2

Hugh LaFollette

Filósofo estadunidense.

Com Niall Shanks, em Brute Science (1996), questiona a validade científica da experimentação animal.

Citado em 1 capítulo: IV.20

Jesús Mosterín

Filósofo espanhol (1941–2017).

Em ¡Vivan los animales! (1998) critica a crueldade com os animais, mas admite hierarquias de consideração.

Citado em 2 capítulos: I.1, I.4

Carlos Naconecy

Filósofo brasileiro.

Autor de Ética & Animais (2006), introdução ao debate em língua portuguesa.

Citado em 2 capítulos: VI.6, VI.20

Nathan Nobis

Filósofo estadunidense.

Defende argumentos morais pelo veganismo e contra o uso de animais.

Citado em 2 capítulos: XI.5, XI.6

Martha Nussbaum

Filósofa estadunidense.

Estende a abordagem das capacidades aos animais: cada um deve poder florescer segundo a sua forma de vida (Justiça para os Animais, 2023).

Citado em 1 capítulo: VII.31

Ingmar Persson

Filósofo sueco.

Defende uma base de igualdade entre espécies (A Basis for (Interspecies) Equality, 1993).

Citado em 1 capítulo: I.1

Evelyn Pluhar

Filósofa estadunidense.

Em Beyond Prejudice (1995) desenvolve o argumento dos "casos marginais": se humanos sem certas capacidades contam, animais sem elas também.

Citado em 3 capítulos: I.1, XI.5, XI.6

James Rachels

Filósofo estadunidense (1941–2003).

Em Created from Animals (1990) defende o "individualismo moral": o tratamento deve depender das características de cada indivíduo, não da espécie.

Citado em 5 capítulos: I.8, I.9, VII.21, IX.6, XI.6

Tom Regan

Filósofo estadunidense (1938–2017).

Em The Case for Animal Rights (1983) defende que todo "sujeito-de-uma-vida" tem valor inerente e direitos, o que exclui usá-lo como mero recurso.

Citado em 11 capítulos: I.7, IV.15, VI.2, VI.9, VI.10, VI.13, VII.12, VII.31, XI.5, XI.6, XI.7

Bernard Rollin

Filósofo estadunidense (1943–2021), pioneiro da ética veterinária.

Defende que os animais têm interesses e um "telos" (natureza própria) que devem ser respeitados, e discutiu a experimentação animal.

Citado em 5 capítulos: I.6, II.4, II.9, XI.5, XI.6

Mark Rowlands

Filósofo britânico.

Aplica o contratualismo de Rawls aos animais: atrás do véu da ignorância, não saberíamos se seríamos humanos, então a justiça incluiria os animais.

Citado em 11 capítulos: I.11, I.14, II.1, II.10, II.11, III.12, IV.19, VI.1, VIII.12, IX.2, XI.6

Richard D. Ryder

Psicólogo britânico.

Cunhou o termo "especismo" em 1970 e depois propôs o "dorismo" (painism): o que importa é a dor de cada indivíduo.

Citado em 8 capítulos: I.1, I.14, II.10, IV.19, VI.8, VII.3, XI.6, XI.7

Peter Singer

Filósofo australiano, utilitarista.

Em Libertação Animal (1975) popularizou o termo "especismo" e o princípio da igual consideração de interesses: sofrimento de igual intensidade conta igualmente, seja de quem for.

Citado em 31 capítulos: I.1, I.5, I.6, I.11, II.2, II.3, II.5, II.6, III.2, III.4, III.6, III.8, IV.4, IV.7 e mais 17

Donald VanDeVeer

Filósofo estadunidense.

Argumentou que a posição original de Rawls, coerentemente aplicada, deveria incluir os animais (Of Beasts, Persons and the Original Position, 1979).

Citado em 3 capítulos: I.14, II.10, XI.6

Animais selvagens e danos naturais

Mikel Torres Aldave

Filósofo espanhol.

Defende que a ética animal deve se ocupar dos danos naturais sofridos pelos animais selvagens.

Citado em 4 capítulos: VII.1, VII.18, VII.31, XII.6

Yves Bonnardel

Ativista e escritor francês antiespecista.

Critica a idealização da natureza e defende que o antiespecismo deve considerar também os animais selvagens.

Citado em 5 capítulos: VII.1, VII.18, VII.31, VIII.12, XII.6

Stephen R. L. Clark

Filósofo britânico.

Em The Moral Status of Animals (1977) e no artigo sobre "o problema da predação" discute se teríamos de intervir na natureza.

Citado em 1 capítulo: I.6

Tyler Cowen

Economista estadunidense.

Em Policing Nature (2003) argumenta que, em princípio, temos razões para reduzir a predação quando isso for viável.

Citado em 6 capítulos: VII.1, VII.18, VII.31, VIII.12, IX.2, XII.6

Daniel Dorado

Filósofo espanhol.

Escreve sobre a ética da intervenção na natureza em favor dos animais.

Citado em 4 capítulos: V.1, VI.11, VII.20, XII.5

Jennifer Everett

Filósofa estadunidense.

Discute o "problema da predação" entre ética ambiental e ética animal.

Citado em 4 capítulos: VII.17, VII.22, VII.24, XII.6

Catia Faria

Filósofa portuguesa, pesquisadora da Ética Animal.

Autora de Animal Ethics in the Wild (2023); argumenta que temos razões para ajudar animais selvagens prejudicados por processos naturais.

Citado em 24 capítulos: II.8, III.7, IV.6, V.1, V.3, V.5, V.6, V.8, VI.11, VII.1, VII.10, VII.11, VII.19, VII.21 e mais 10

Kyle Johannsen

Filósofo canadense.

Em Wild Animal Ethics (2021) defende intervenções, com base na pesquisa, para reduzir o sofrimento dos animais selvagens.

Citado em 2 capítulos: VII.1, XII.6

Adriano Mannino

Filósofo e ativista suíço.

Defende a ética focada no sofrimento e a preocupação com animais selvagens e com riscos de sofrimento futuro.

Citado em 5 capítulos: VII.1, VII.37, VIII.4, IX.1, IX.12

Yew-Kwang Ng

Economista malaio-australiano.

Em Towards Welfare Biology (1995) propôs a "biologia do bem-estar" e argumentou que o sofrimento predomina na natureza por conta da reprodução em massa.

Citado em 3 capítulos: VII.3, VII.34, XII.6

Aaron Simmons

Filósofo estadunidense.

Discute direitos dos animais diante da predação e do dever de assistência.

Citado em 3 capítulos: VII.22, VII.24, XII.6

Asher Soryl

Pesquisador em ética animal.

Trabalha sobre o bem-estar dos animais selvagens e a viabilidade de intervenções para ajudá-los.

Citado em 9 capítulos: IV.6, V.3, V.6, VII.19, VII.24, VII.26, VII.27, IX.9, IX.13

Brian Tomasik

Ensaísta estadunidense.

Autor de Essays on Reducing Suffering; estima números de animais (sobretudo insetos) e defende reduzir o sofrimento dos animais selvagens e os riscos de sofrimento futuro.

Citado em 45 capítulos: I.14, II.4, II.5, II.10, III.10, III.12, IV.6, IV.19, VI.3, VI.6, VI.15, VI.16, VI.19, VII.1 e mais 31

Futuro, riscos-s e ativismo eficiente

Jacy Reese Anthis

Pesquisador estadunidense, cofundador do Sentience Institute.

Em The End of Animal Farming (2018) analisa estratégias para acabar com a pecuária, incluindo tecnologia alimentar e mudança institucional.

Citado em 5 capítulos: VIII.1, VIII.2, VIII.11, VIII.12, XII.15

Tobias Baumann

Pesquisador alemão, cofundador do Center for Reducing Suffering.

Autor de Avoiding the Worst (2022); principal referência da coleção sobre riscos-s (riscos de sofrimento em escala astronômica) e como preveni-los.

Citado em 22 capítulos: VII.35, VII.36, VII.37, VIII.4, VIII.5, VIII.12, IX.1, IX.2, IX.4, IX.5, IX.6, IX.7, IX.8, IX.9 e mais 8

Nick Beckstead

Filósofo estadunidense.

Defendeu, em sua tese (2013), a enorme importância de moldar o futuro distante.

Citado em 2 capítulos: IX.4, XII.13

Nick Bostrom

Filósofo sueco.

Popularizou o conceito de risco existencial e escreveu sobre superinteligência artificial.

Citado em 1 capítulo: X.3

Lukas Gloor

Pesquisador do Center on Long-Term Risk.

Escreveu sobre riscos-s e sobre a assimetria entre sofrimento e felicidade.

Citado em 4 capítulos: VII.35, VII.37, IX.6, XI.2

Hilary Greaves

Filósofa britânica (Oxford).

Coautora, com MacAskill, de The Case for Strong Longtermism.

Citado em 2 capítulos: IX.4, XII.13

William MacAskill

Filósofo escocês (Oxford), cofundador do altruísmo eficaz.

Em O Que Devemos ao Futuro (2022) defende o longoprazismo: dar grande peso a como nossas decisões afetam o futuro distante.

Citado em 1 capítulo: XI.7

Gaverick Matheny

Pesquisador estadunidense.

Defendeu o utilitarismo aplicado aos animais e foi pioneiro em propor a carne cultivada como forma de reduzir o sofrimento.

Citado em 2 capítulos: XI.5, XI.6

David Pearce

Filósofo transumanista britânico.

Em The Hedonistic Imperative (1995) propõe usar a biotecnologia para abolir o sofrimento de todos os seres sencientes, inclusive na natureza.

Citado em 7 capítulos: IV.6, VII.1, VII.18, VII.20, VII.31, VIII.12, IX.6

Magnus Vinding

Pesquisador dinamarquês do Center for Reducing Suffering.

Autor de Suffering-Focused Ethics (2020); defende dar prioridade a reduzir o sofrimento intenso, inclusive no futuro.

Citado em 7 capítulos: IV.19, IX.5, IX.6, IX.11, X.2, X.6, XII.14

Corey Lee Wrenn

Socióloga estadunidense.

Estuda o movimento de defesa dos animais e defende uma abordagem abolicionista e interseccional.

Citado em 1 capítulo: VIII.12

Teoria ética, valor e bem-estar

Roger Crisp

Filósofo britânico (Oxford).

Trabalha com teorias do bem-estar e defende uma forma de suficientismo baseada na compaixão.

Citado em 5 capítulos: IV.7, XI.2, XI.5, XI.6, XI.7

Joel Feinberg

Filósofo estadunidense (1926–2004).

Em The Rights of Animals and Unborn Generations (1974) argumenta que só quem tem interesses pode ter direitos, e que animais têm interesses, mas plantas não.

Citado em 2 capítulos: II.6, IV.17

Fred Feldman

Filósofo estadunidense.

Defende que a morte é um dano por privação do que de bom a pessoa teria.

Citado em 2 capítulos: III.1, III.2

Guy Fletcher

Filósofo britânico.

Autor de uma introdução às teorias do bem-estar (2016).

Citado em 3 capítulos: VI.5, VII.9, XI.2

Jürgen Habermas

Filósofo alemão.

Formulou a ética do discurso: normas válidas são as que todos os afetados aceitariam em um diálogo livre.

Citado em 1 capítulo: XI.6

R. M. Hare

Filósofo britânico (1919–2002).

Propôs o utilitarismo de dois níveis: regras intuitivas para o dia a dia e cálculo crítico para casos difíceis.

Citado em 5 capítulos: III.8, IV.7, XI.5, XI.6, XI.7

John Harsanyi

Economista húngaro-americano, prêmio Nobel.

Fundamentou o utilitarismo na escolha imparcial sob incerteza: o que escolheríamos sem saber quem seríamos.

Citado em 4 capítulos: I.14, II.10, III.12, XI.6

Nils Holtug

Filósofo dinamarquês.

Defende o prioritarismo (benefícios valem mais para quem está pior) e escreveu sobre o dano da morte.

Citado em 3 capítulos: III.10, XI.5, XI.6

Rosalind Hursthouse

Filósofa neozelandesa, expoente da ética das virtudes.

Argumenta, pela ética das virtudes, que a crueldade e a indiferença com os animais são vícios.

Citado em 2 capítulos: XI.5, XI.6

Shelly Kagan

Filósofo estadunidense (Yale).

Autor de Normative Ethics (1998), usado na coleção para explicar o "ponto focal" das teorias. Em How to Count Animals (2019) defende uma visão hierárquica: animais importam, mas menos que pessoas.

Citado em 6 capítulos: VI.5, XI.1, XI.2, XI.3, XI.5, XI.6

Christine Korsgaard

Filósofa kantiana estadunidense (Harvard).

Em Fellow Creatures (2018) defende, a partir de Kant, que os animais também são fins em si mesmos, contra a leitura de que só deveres indiretos se aplicariam a eles.

Citado em 5 capítulos: I.1, II.1, VI.1, XI.5, XI.6

Jeff McMahan

Filósofo estadunidense (Oxford).

Em The Ethics of Killing (2002) propõe que o dano da morte depende dos "interesses relativos ao tempo" e da conexão psicológica com o futuro, o que tornaria a morte menos grave para muitos animais. Também escreveu sobre o problema moral da predação.

Citado em 14 capítulos: I.1, I.14, III.3, III.6, III.7, III.9, III.12, IV.7, IV.20, VII.1, VII.18, VII.31, VIII.12, XII.6

Thomas Nagel

Filósofo estadunidense.

Em Death (1970) defende que a morte é um mal por privação; em Como é ser um morcego? (1974) discute a subjetividade da experiência.

Citado em 2 capítulos: III.1, III.2

Nel Noddings

Filósofa estadunidense (1929–2022).

Uma das fundadoras da ética do cuidado, centrada nas relações concretas.

Citado em 1 capítulo: XI.6

Robert Nozick

Filósofo libertário estadunidense (1938–2002).

Em Anarquia, Estado e Utopia (1974) descreveu a posição "kantismo para humanos, utilitarismo para animais", criticada na coleção.

Citado em 2 capítulos: IV.20, XI.2

Derek Parfit

Filósofo britânico (1942–2017).

Em Reasons and Persons (1984) analisou identidade pessoal, conexão psicológica e ética populacional, temas usados no debate sobre o dano da morte e os seres futuros.

Citado em 11 capítulos: II.13, III.2, III.8, III.10, IX.2, IX.4, XI.2, XI.5, XI.6, XI.7, XII.13

John Rawls

Filósofo político estadunidense (1921–2002).

Em Uma Teoria da Justiça (1971) propôs o véu da ignorância; ele próprio excluiu os animais da justiça, mas o teste da imparcialidade que propôs é usado para incluí-los.

Citado em 6 capítulos: I.14, II.1, II.10, III.12, VI.1, XI.6

W. D. Ross

Filósofo britânico (1877–1971).

Propôs deveres prima facie (fidelidade, não maleficência, beneficência etc.); negou direitos aos animais, embora admitisse deveres para com eles.

Citado em 3 capítulos: II.1, VI.1, XI.6

David Sobel

Filósofo estadunidense.

Trabalha com teorias do bem-estar baseadas em desejos informados.

Citado em 4 capítulos: III.2, VI.5, VII.10, XI.2

Larry Temkin

Filósofo estadunidense.

Teórico do igualitarismo e de como comparar resultados (Inequality, 1993; Rethinking the Good, 2012).

Citado em 3 capítulos: XI.3, XI.6, XI.7

Mary Anne Warren

Filósofa estadunidense (1946–2010).

Propôs uma visão de status moral com vários critérios, que dá aos animais um status menor que o das pessoas.

Citado em 3 capítulos: V.2, V.7, V.8

David Wasserman

Filósofo estadunidense.

Autor do verbete sobre o conceito de discriminação na Encyclopedia of Applied Ethics.

Citado em 2 capítulos: I.1, II.5

Ciência da senciência, dados e psicologia

Andrew Barron

Neurocientista australiano.

Com Colin Klein, argumentou que os insetos têm estruturas cerebrais capazes de experiência subjetiva (2016).

Citado em 3 capítulos: II.13, IV.19, VI.6

Marc Bekoff

Etólogo estadunidense.

Defende a "conservação compassiva", que tenta conciliar a conservação com o bem de cada animal.

Citado em 2 capítulos: V.6, VII.27

Jonathan Birch

Filósofo da ciência britânico (LSE).

Coordenou o relatório que levou o Reino Unido a reconhecer a senciência de polvos, lulas, caranguejos e lagostas (2021); defende o princípio da precaução.

Citado em 5 capítulos: II.13, IV.1, IV.19, VI.6, VI.18

Donald Broom

Cientista do bem-estar animal (Cambridge).

Estuda indicadores de senciência e de bem-estar em várias espécies.

Citado em 6 capítulos: II.3, II.4, IV.1, VI.1, VI.8, VI.18

Our World in Data

Publicação de dados da Universidade de Oxford.

Fonte das estatísticas globais de animais abatidos.

Citado em 3 capítulos: VIII.2, VIII.3, X.1

EFSA

Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Publicou pareceres científicos sobre senciência e bem-estar de animais usados na produção.

Citado em 3 capítulos: II.13, IV.19, VI.6

Gail Eisnitz

Investigadora estadunidense.

Em Slaughterhouse (1997) reuniu depoimentos de trabalhadores de abatedouros sobre o que acontece com os animais.

Citado em 1 capítulo: IV.1

Fishcount

Projeto britânico de pesquisa.

Estima o número de peixes capturados e criados por ano no mundo.

Citado em 6 capítulos: IV.1, IV.13, VIII.2, VIII.3, X.1, XII.10

Daniel Kahneman

Psicólogo israelense-americano (1934–2024), prêmio Nobel de economia.

Em Rápido e Devagar (2011) descreve os vieses e heurísticas que distorcem nossos julgamentos, base do Volume X.

Citado em 7 capítulos: III.6, IX.13, X.1, X.2, X.3, X.4, X.6

Jennifer Mather

Psicóloga comparada canadense.

Pesquisa cognição e senciência em invertebrados, sobretudo polvos.

Citado em 6 capítulos: II.3, II.4, IV.1, VI.1, VI.6, VI.18

Lynne Sneddon

Bióloga britânica.

Pesquisadora pioneira sobre a dor em peixes.

Citado em 3 capítulos: II.4, IV.1, VII.3

Frans de Waal

Primatólogo holandês (1948–2024).

Mostrou empatia e comportamentos pró-sociais em outros primatas, discutindo as origens da moral.

Citado em 1 capítulo: I.12

Clássicos da filosofia

Aristóteles

Filósofo grego (384–322 a.C.).

Fundador da ética das virtudes; via os animais como existindo para o uso humano, numa hierarquia natural.

Citado em 3 capítulos: X.2, XI.2, XI.5

Jeremy Bentham

Filósofo britânico (1748–1832), fundador do utilitarismo.

Escreveu que a pergunta não é se os animais podem raciocinar ou falar, mas se podem sofrer.

Citado em 4 capítulos: II.2, II.3, VI.1, XI.7

Epicuro

Filósofo grego (341–270 a.C.).

Defendeu que a morte não é um mal: "quando a morte está, nós não estamos". A coleção discute e rejeita essa visão.

Citado em 1 capítulo: III.1

Thomas Hobbes

Filósofo inglês (1588–1679).

Contratualista: a moral nasce de um acordo entre egoístas para evitar a guerra de todos contra todos.

Citado em 1 capítulo: XI.6

Immanuel Kant

Filósofo alemão (1724–1804), autor da ética do imperativo categórico.

Defendeu que só seres racionais são fins em si mesmos; os deveres em relação aos animais seriam indiretos (a crueldade com eles nos tornaria cruéis com humanos). Kantianos contemporâneos, como Korsgaard, argumentam que a própria teoria implica considerar os animais diretamente.

Citado em 4 capítulos: I.1, II.1, VI.1, XI.6

John Locke

Filósofo inglês (1632–1704).

Definiu pessoa pela consciência que se estende no tempo, ideia usada no debate sobre identidade e dano da morte.

Citado em 2 capítulos: III.8, IV.7

Lucrécio

Poeta e filósofo romano epicurista (séc. I a.C.).

Formulou o argumento da simetria: não lamentamos o tempo antes de nascer, então não deveríamos lamentar o tempo depois da morte.

Citado em 1 capítulo: III.3

John Stuart Mill

Filósofo britânico (1806–1873), utilitarista.

No ensaio Sobre a Natureza mostra que "natural" não significa "bom": a natureza pratica rotineiramente o que condenaríamos em humanos.

Citado em 6 capítulos: I.8, III.4, IV.19, VII.31, VIII.12, XI.7

Platão

Filósofo grego (c. 428–348 a.C.).

No diálogo Eutífron formulou o dilema: algo é bom porque os deuses o aprovam, ou os deuses o aprovam porque é bom?

Citado em 1 capítulo: I.13