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Volume XII · O essencial sobre ética animal · capítulo 14

Mudando o debate público e as instituições políticas

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Melhorar o debate público e as instituições é crucial para evitar riscos-s: pensar em nuances, discutir argumentos e não pessoas, honestidade intelectual, abordagem abrangente, proteger a democracia, representar todos os sencientes; pequenas melhoras já fariam grande diferença.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume XII, p. 50 da edição em PDF

A seguir, o termo política será utilizado em um sentido amplo, englobando tanto as instituições quanto o debate público. Uma política disfuncional pode incentivar a polarização, impedir esforços para reduzir , aumentar o risco de agentes malévolos chegarem ao poder e, no extremo, pode até mesmo impedir a discussão sobre qualquer questão ética61.

Assim sendo, tentar melhorar a política (tanto em termos de instituições quanto em termos do nível do debate público) é crucial para evitar os riscos-s. A seguir estão algumas estratégias nesse sentido.

Estratégias para melhorar o debate público e as instituições
Estratégia Explicação
Pensar em termos de nuance – e não em termos de "0 ou 1", "nós x eles" etc. (IX, cap. 11.3, 11.4)Se tentarmos pensar em termos de pontos positivos e negativos de cada perspectiva, e pensarmos em termos de graus de confiança em vez de certezas rígidas, podemos evitar uma mentalidade do tipo "0 ou 1", "nós e eles" etc. O tribalismo cria uma aparência de grande discordância mesmo quando a discordância é limitada. Reduzir o tribalismo abre as portas para a cooperação e compromissos mútuos.
Discutir o argumento, seja lá quem deu o argumento. Isto é, evitar as falácia ad hominem e apelo à autoridade. (IX, cap. 11.4).A tendência geral é a de que, se quem deu o argumento pertence ao "nosso lado" ou ao grupo que queremos defender, o seu argumento é aceito, mesmo que não tenha razão, e se pertence ao "outro lado", é rejeitado, mesmo que o argumento seja sólido e aponte um problema sério com nossa visão. Essa tendência tem impedido o debate sério sobre qualquer questão, mesmo nos meios acadêmicos. Uma maneira de evitar essa tendência é discutir os argumentos sem saber quem são seus proponentes (ou, se isso não for possível, tentar imaginar o que pensaríamos se não soubéssemos).
Honestidade intelectual (IX, cap. 11.4).Discutir os argumentos de maneira séria e intelectualmente honesta, sem distorcer a posição e os argumentos de quem discorda, e reconhecendo que podemos estar enganados quanto a muitas coisas.
Adotar uma abordagem abrangente. (VIII, cap. 5; IX, cap. 11.5).Consiste em enfatizar que as metas que queremos alcançar podem ser aceitas mesmo que as pessoas discordem de nós em outros pontos. Isso diminui a polarização (pois mostra que, apesar das divergências, pode haver metas comuns). Metas como a consideração por todos os seres sencientes, a prevenção dos riscos-s e do sofrimento dos animais selvagens, e a rejeição do especismo e do substratismo podem ser aceitas sem termos de aceitar uma visão específica, seja em ética ou política. Enfatizar isso aumenta o potencial de aceitação dessas metas por parte de pessoas das mais variadas posições éticas e políticas. Outro exemplo: melhorar a cultura política e as instituições é bom não apenas para reduzir os riscos-s, mas para várias outras metas (o que aumenta a probabilidade de cooperação).
Proteger a democracia. (IX, cap. 11.6).A democracia previne que um único indivíduo consiga muito poder, e então, reduz a influência de agentes malévolos. Em termos de riscos-s, é mais importante evitar catástrofes institucionais do que tentar alcançar as melhores instituições possíveis. Por exemplo, em termos de riscos-s, a diferença entre uma democracia e um regime totalitário é muito maior do que entre uma democracia funcional e uma democracia falha. As democracias liberais modernas oferecem proteção aos direitos humanos e liberdades civis, como a liberdade de expressão, que são uma precondição para se levantar preocupações éticas.
Representação política de todos os seres sencientes. (IX, cap. 11.6).Tentar instituir representantes para seres sencientes que não podem representar a si próprios (como os animais não humanos e os seres sencientes futuros, sejam eles futuros animais ou possíveis seres sencientes em meios digitais).
Por que uma pequena melhora já faria grande diferença. (IX, cap. 11.7).A situação atual (das instituições e do debate público) é tão ruim que uma melhora marginal já seria muito benéfica. É realista esperar sermos menos enviesados e tribais, que as instituições funcionem melhor, e que nos baseemos mais em valores refletidos e evidências, mesmo que não consigamos mudar a maior parte do cenário Melhoras modestas e contínuas podem, depois de um tempo longo o suficiente, fazer uma grande diferença.
Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume XII
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Por que a representação política de todos os seres sencientes é proposta?

Em termos de riscos-s, o que é mais importante?

Para pensar

Em uma discussão recente, você reconheceu algum bom argumento do "outro lado"?

Notas do autor 1
  1. 61 Para uma discussão detalhada sobre esse tópico, ver (2022, p. 65-76) e (2022). ↩
Fontes citadas neste texto 2

A lista completa do volume está em referências do Volume XII.

  • BAUMANN, T. Avoiding the worst final: how to prevent a moral cathastrophe. Center for Reducing Suffering, 2022.
  • VINDING, M. Reasoned Politics. Copenhagen: Ratio Ethica, 2022.

Aprofunde cada ponto

Os capítulos indicados pelo autor nos quadros acima.

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