Volume XII · O essencial sobre ética animal · capítulo 14
Mudando o debate público e as instituições políticas
Antes de ler camada de estudo, não faz parte do texto original
Melhorar o debate público e as instituições é crucial para evitar riscos-s: pensar em nuances, discutir argumentos e não pessoas, honestidade intelectual, abordagem abrangente, proteger a democracia, representar todos os sencientes; pequenas melhoras já fariam grande diferença.
Quando as pessoas conversam com respeito, sem achar que tudo é "nós contra eles", conseguem resolver problemas difíceis. Proteger a democracia e lembrar de quem não vota, como os animais, também ajuda.
Uma reunião em que todos ouvem os argumentos, e não só quem fala, decide melhor do que uma em que todos gritam.
- P1 Uma política disfuncional incentiva a polarização e aumenta o risco de agentes malévolos no poder.
- P2 Pensar em nuances, avaliar argumentos e não pessoas e ser intelectualmente honesto reduzem o tribalismo.
- P3 A democracia protege contra a concentração de poder e garante a liberdade de levantar preocupações éticas.
- C Logo, melhorar o debate e as instituições, mesmo um pouco, reduz muito os riscos de sofrimento futuro.
Forma lógica do argumento central do capítulo. Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão se segue. Para discordar, é preciso mostrar qual premissa é falsa.
Eles dizem “Se o argumento veio do outro lado, deve estar errado.”
Resposta Essa tendência impede o debate sério. O quadro sugere avaliar argumentos sem saber quem os propôs.
Mais objeções e respostas em Desbancando objeções.
Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume XII, p. 50 da edição em PDF
A seguir, o termo política será utilizado em um sentido amplo, englobando tanto as instituições quanto o debate público. Uma política disfuncional pode incentivar a polarização, impedir esforços para reduzir , aumentar o risco de agentes malévolos chegarem ao poder e, no extremo, pode até mesmo impedir a discussão sobre qualquer questão ética61.
Assim sendo, tentar melhorar a política (tanto em termos de instituições quanto em termos do nível do debate público) é crucial para evitar os riscos-s. A seguir estão algumas estratégias nesse sentido.
| Estratégias para melhorar o debate público e as instituições | |
|---|---|
| Estratégia | Explicação |
| Pensar em termos de nuance – e não em termos de "0 ou 1", "nós x eles" etc. (IX, cap. 11.3, 11.4) | Se tentarmos pensar em termos de pontos positivos e negativos de cada perspectiva, e pensarmos em termos de graus de confiança em vez de certezas rígidas, podemos evitar uma mentalidade do tipo "0 ou 1", "nós e eles" etc. O tribalismo cria uma aparência de grande discordância mesmo quando a discordância é limitada. Reduzir o tribalismo abre as portas para a cooperação e compromissos mútuos. |
| Discutir o argumento, seja lá quem deu o argumento. Isto é, evitar as falácia ad hominem e apelo à autoridade. (IX, cap. 11.4). | A tendência geral é a de que, se quem deu o argumento pertence ao "nosso lado" ou ao grupo que queremos defender, o seu argumento é aceito, mesmo que não tenha razão, e se pertence ao "outro lado", é rejeitado, mesmo que o argumento seja sólido e aponte um problema sério com nossa visão. Essa tendência tem impedido o debate sério sobre qualquer questão, mesmo nos meios acadêmicos. Uma maneira de evitar essa tendência é discutir os argumentos sem saber quem são seus proponentes (ou, se isso não for possível, tentar imaginar o que pensaríamos se não soubéssemos). |
| Honestidade intelectual (IX, cap. 11.4). | Discutir os argumentos de maneira séria e intelectualmente honesta, sem distorcer a posição e os argumentos de quem discorda, e reconhecendo que podemos estar enganados quanto a muitas coisas. |
| Adotar uma abordagem abrangente. (VIII, cap. 5; IX, cap. 11.5). | Consiste em enfatizar que as metas que queremos alcançar podem ser aceitas mesmo que as pessoas discordem de nós em outros pontos. Isso diminui a polarização (pois mostra que, apesar das divergências, pode haver metas comuns). Metas como a consideração por todos os seres sencientes, a prevenção dos riscos-s e do sofrimento dos animais selvagens, e a rejeição do especismo e do substratismo podem ser aceitas sem termos de aceitar uma visão específica, seja em ética ou política. Enfatizar isso aumenta o potencial de aceitação dessas metas por parte de pessoas das mais variadas posições éticas e políticas. Outro exemplo: melhorar a cultura política e as instituições é bom não apenas para reduzir os riscos-s, mas para várias outras metas (o que aumenta a probabilidade de cooperação). |
| Proteger a democracia. (IX, cap. 11.6). | A democracia previne que um único indivíduo consiga muito poder, e então, reduz a influência de agentes malévolos. Em termos de riscos-s, é mais importante evitar catástrofes institucionais do que tentar alcançar as melhores instituições possíveis. Por exemplo, em termos de riscos-s, a diferença entre uma democracia e um regime totalitário é muito maior do que entre uma democracia funcional e uma democracia falha. As democracias liberais modernas oferecem proteção aos direitos humanos e liberdades civis, como a liberdade de expressão, que são uma precondição para se levantar preocupações éticas. |
| Representação política de todos os seres sencientes. (IX, cap. 11.6). | Tentar instituir representantes para seres sencientes que não podem representar a si próprios (como os animais não humanos e os seres sencientes futuros, sejam eles futuros animais ou possíveis seres sencientes em meios digitais). |
| Por que uma pequena melhora já faria grande diferença. (IX, cap. 11.7). | A situação atual (das instituições e do debate público) é tão ruim que uma melhora marginal já seria muito benéfica. É realista esperar sermos menos enviesados e tribais, que as instituições funcionem melhor, e que nos baseemos mais em valores refletidos e evidências, mesmo que não consigamos mudar a maior parte do cenário Melhoras modestas e contínuas podem, depois de um tempo longo o suficiente, fazer uma grande diferença. |
Pratique
Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.
Por que a representação política de todos os seres sencientes é proposta?
Em termos de riscos-s, o que é mais importante?
Para pensar
Em uma discussão recente, você reconheceu algum bom argumento do "outro lado"?
Fontes citadas neste texto 2
A lista completa do volume está em referências do Volume XII.
- BAUMANN, T. Avoiding the worst final: how to prevent a moral cathastrophe. Center for Reducing Suffering, 2022.
- VINDING, M. Reasoned Politics. Copenhagen: Ratio Ethica, 2022.
Aprofunde cada ponto
Os capítulos indicados pelo autor nos quadros acima.
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