Questão
de Ética
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Glossário

89 conceitos usados na coleção, em linguagem simples, com o capítulo em que cada um é discutido.

Conceitos básicos

Agente moral
Quem pode ser responsabilizado pelo que faz, por entender razões morais. Bebês e animais não são agentes morais. Vol. I, cap. 10 →
Antropocentrismo
Forma de especismo que coloca os humanos no centro: só os humanos importariam por si, ou importariam mais. Vol. I, cap. 1 →
Consideração moral
Levar em conta, nas nossas decisões, o bem de alguém por ele mesmo, e não só pelos efeitos sobre terceiros. Vol. I, cap. 1 →
Especismo
Discriminação contra quem não pertence a certa espécie: dar menos peso (ou nenhum) a prejuízos e benefícios só por causa da espécie de quem os recebe. Vol. I, cap. 1 →
Exploração animal
Uso de animais como recursos: para comida, vestuário, testes, entretenimento, trabalho ou companhia. Vol. IV, cap. 1 →
Igual consideração
Princípio de que prejuízos e benefícios de mesma magnitude devem ter o mesmo peso, seja qual for a espécie, a raça ou o gênero de quem os recebe. Vol. II, cap. 5 →
Inteligentismo
Discriminação com base no grau de inteligência: dar mais peso a quem é cognitivamente mais complexo. Vol. VI, cap. 8 →
Paciente moral
Quem pode ser afetado moralmente pelas decisões de outros e, por isso, deve ser considerado. Não precisa ser agente moral. Vol. I, cap. 10 →
Senciência
Capacidade de ter experiências positivas e negativas, como sofrer e desfrutar. Quem é senciente pode ser prejudicado e beneficiado. Vol. II, cap. 3 →
Status moral
O grau de importância moral atribuído a alguém. A tese do status especial diz que alguns têm prioridade mesmo sofrendo menos. Vol. I, cap. 14 →
Valência
O caráter positivo ou negativo de uma experiência: o que faz algo ser sentido como bom ou ruim. Vol. VI, cap. 8 →
Veganismo
Posição de não participar da exploração animal, recusando produtos e serviços que dependem dela, na medida do possível. Vol. IV, cap. 3 →

Argumentos e testes

Apelo à autoridade
Aceitar uma conclusão porque alguém importante a defendeu, em vez de avaliar as razões oferecidas. Vol. I, cap. 13 →
Apelo à natureza
Argumentar que algo é certo porque é natural. Do fato de algo ser natural não se segue que seja bom ou justo. Vol. I, cap. 8 →
Apelo à tradição
Argumentar que algo é certo porque sempre foi feito. Muitas tradições foram injustas. Vol. I, cap. 9 →
Argumento da relevância
O que importa para a consideração moral é poder ser prejudicado ou beneficiado; isso depende da senciência, não da espécie nem da inteligência. Vol. II, cap. 1 →
Argumento da sobreposição das espécies
Se a falta de certas capacidades em alguns humanos não justifica tratá-los pior, a falta delas nos animais também não justifica. Também chamado de argumento dos casos marginais. Vol. II, cap. 2 →
Benefício da dúvida
Na incerteza sobre se um ser é senciente, errar para o lado da precaução: o erro de tratá-lo como objeto custa mais do que o erro contrário. Vol. II, cap. 13 →
Dilema de Eutífron
Algo é bom porque uma autoridade aprova, ou ela aprova porque é bom? Se for a segunda, o que importa são as razões, não a autoridade. Vol. I, cap. 13 →
Tese da magnitude
A força das razões para evitar prejudicar e para beneficiar alguém depende do tamanho do prejuízo ou benefício, não da espécie. Vol. I, cap. 14 →
Tese do status especial
Alguns indivíduos teriam um "trunfo", geralmente chamado de dignidade, que lhes dá prioridade mesmo quando seriam menos prejudicados. Vol. I, cap. 14 →
Teste da imparcialidade
Perguntar o que escolheríamos se não soubéssemos qual posição ocuparíamos entre os afetados, inclusive de que espécie seríamos. Vol. II, cap. 10 →
Véu da ignorância
Recurso de Rawls: escolher princípios sem saber quem seremos na sociedade. Aplicado à ética animal, sem saber nem a espécie. Vol. II, cap. 10 →
Ônus da prova
A obrigação de justificar uma afirmação. Quem defende prejudicar alguém precisa justificar o prejuízo. Vol. VIII, cap. 8 →

Dano da morte

AVAQ
Ano de vida ajustado pela qualidade: mede quanto tempo de vida alguém perde e quão bom esse tempo seria. Usado em saúde pública. Vol. III, cap. 5 →
Conexão psicológica
Quanto alguém mantém de memórias, intenções e desejos entre dois momentos. Algumas visões dizem que a morte prejudica menos quem tem pouca conexão. Vol. III, cap. 7 →
Dano da morte
O prejuízo que a morte causa a quem morre. A visão mais aceita: a morte priva o indivíduo do que de positivo ele viveria. Vol. III, cap. 1 →
Privação
Explicação do dano da morte: ela impede (priva) o indivíduo das experiências positivas que teria. Vol. III, cap. 1 →
Substituibilidade
A ideia de que matar um animal não é errado se outro for criado no lugar. A coleção mostra por que ela falha. Vol. III, cap. 8 →
Visão epicurista da morte
A ideia de Epicuro de que a morte não é um dano, pois quando ela chega o indivíduo já não existe para ser prejudicado. Vol. III, cap. 1 →

Ambientalismo e natureza

Ambientalismo
Nesta coleção: visões que dão valor em si a entidades não sencientes, como espécies e ecossistemas, mesmo quando isso é pior para os seres sencientes. Vol. V, cap. 1 →
Biocentrismo
Visão de que todo ser vivo, senciente ou não, merece consideração moral. Vol. VI, cap. 15 →
Biodiversidade
Variedade de espécies em um lugar. É uma medida de espécies, não do bem-estar dos indivíduos. Vol. V, cap. 5 →
Ecocentrismo
Visão de que ecossistemas e a natureza como um todo têm valor moral próprio. Vol. V, cap. 1 →
Equilíbrio ecológico
Relativa constância do tamanho das populações ao longo do tempo. Não indica, por si, que os animais estão bem. Vol. V, cap. 5 →
Holismo
Visão que valoriza o todo (espécie, ecossistema, comunidade biótica) em vez dos indivíduos que o compõem. Vol. V, cap. 2 →

Animais selvagens

Animais selvagens
Animais que vivem na natureza, fora do controle humano direto. São a grande maioria dos seres sencientes. Vol. VII, cap. 1 →
Biologia do bem-estar
Campo de pesquisa proposto para estudar os animais em seus ambientes do ponto de vista do que os afeta positiva ou negativamente. Vol. VII, cap. 27 →
Danos naturais
Prejuízos que os animais sofrem por processos naturais, como fome, doenças, parasitismo, frio e desastres. Vol. VII, cap. 3 →
Estratégia reprodutiva r
Reproduzir-se com enorme número de filhotes, dos quais quase todos morrem cedo. É a regra entre os animais e explica por que o sofrimento predomina na natureza. Vol. VII, cap. 3 →
Matança altruísta
Proposta de destruir habitats para que menos animais nasçam e sofram. É debatida entre os próprios defensores dos animais selvagens. Vol. VII, cap. 36 →
Paternalismo
Agir pelo bem de alguém contra o que ele prefere. Vol. VII, cap. 12 →
Predação
Um animal caçar e comer outro. A coleção discute se e quando teríamos razões para intervir. Vol. VII, cap. 31 →
Produtividade primária
Quantidade de biomassa produzida pelas plantas em um ambiente. Reduzi-la tende a reduzir o número de animais que nascem para sofrer. Vol. VII, cap. 31 →

Futuro e riscos-s

Estratégias amplas e direcionadas
Amplas tentam ter bom impacto em quase todos os cenários; direcionadas apostam em cenários específicos. Vol. IX, cap. 9 →
Fator de risco
Algo que não é em si uma catástrofe, mas aumenta muito a chance ou a gravidade dela, como na medicina. Vol. IX, cap. 8 →
Imparcialidade temporal
Dar o mesmo peso a um sofrimento seja quando ele ocorrer: hoje, daqui a cem ou daqui a um milhão de anos. Vol. IX, cap. 2 →
Longoprazismo
Posição de que influenciar positivamente o futuro de longo prazo é uma prioridade moral. Vol. IX, cap. 4 →
Riscos-s
Riscos de que no futuro ocorra sofrimento em escala gigantesca, maior do que todo o sofrimento existente na Terra até agora. Vol. IX, cap. 1 →
Riscos-x
Riscos existenciais: de aniquilação da humanidade ou de perda permanente do seu potencial. Vol. IX, cap. 1 →
Substratismo
Discriminação com base no material de que o corpo é feito (orgânico ou não). O carbonismo é a sua forma contra seres não orgânicos. Vol. XII, cap. 11 →
Tríade de influência
Os três fatores que determinam o impacto de um agente sobre os seres sencientes: a sua intenção, o seu conhecimento e o seu poder. Vol. IX, cap. 13 →
Valor esperado
Gravidade de um cenário multiplicada pela probabilidade de ele ocorrer. Para cenários ruins, fala-se em desvalor esperado. Vol. IX, cap. 1 →

Ativismo e estratégia

Abolicionismo
Defesa do fim da exploração animal, e não apenas de sua regulamentação. Vol. VIII, cap. 11 →
Abordagem total e suficiente
A total defende uma visão completa de ética; a suficiente mostra que certas metas podem ser aceitas a partir de muitas visões diferentes. Vol. VIII, cap. 5 →
Argumentos indiretos
Defender o fim do consumo de animais pela saúde ou pelo ambiente, e não pelo dano aos próprios animais. Vol. VIII, cap. 4 →
Bem-estarismo
Termo ambíguo que pode nomear desde quem aceita explorar animais "sem crueldade" até quem defende reformas como caminho para a abolição. Vol. VIII, cap. 10 →
Carne cultivada
Carne produzida a partir de células cultivadas, sem criar e abater animais. Vol. VIII, cap. 12 →
Desvio de foco
Tirar o especismo do centro do debate, discutindo só saúde, ambiente ou detalhes práticos. Vol. VIII, cap. 6 →
Negligência (critério)
Quanto menos pessoas já trabalham em um problema, mais diferença faz cada pessoa a mais. Vol. VIII, cap. 1 →
Objeção normativa disfarçada
Discordância sobre metas apresentada como se fosse só uma dúvida estratégica ("seria ótimo, mas não vai dar certo"). Vol. VIII, cap. 8 →
Tratabilidade
O quanto de um problema é possível resolver com os recursos disponíveis. Vol. VIII, cap. 1 →

Vieses

Efeito da vítima identificável
Tendência a ajudar mais uma vítima com rosto e nome do que muitas vítimas anônimas. Vol. X, cap. 1 →
Efeito de credencial moral
Sentir-se autorizado a agir mal depois de ter feito algo bom. Vol. X, cap. 4 →
Negligência do escopo
Não ajustar a preocupação ao tamanho do problema: reagimos quase igual a mil ou a um milhão de vítimas. Vol. X, cap. 1 →
Raciocínio motivado
Avaliar argumentos com mais rigor quando contrariam o que queremos acreditar, e com menos quando nos favorecem. Vol. X, cap. 5 →
Viés cognitivo
Desvio sistemático no modo de julgar, que nos leva a conclusões erradas sem perceber. Vol. X, cap. 1 →
Viés do status quo
Preferir as coisas como já são, só por já serem assim. Vol. X, cap. 2 →

Teoria ética

Consequencialismo
Família de teorias cujo ponto focal são as consequências: o certo é o que produz os melhores resultados. Vol. XI, cap. 5 →
Contratualismo
Teorias para as quais a moral é o que seria acordado entre as partes em condições adequadas. Vol. XI, cap. 6 →
Deontologia
Família de teorias cujo ponto focal são regras ou deveres, que valem mesmo quando quebrá-los traria resultados melhores. Vol. XI, cap. 5 →
Hedonismo
Teoria de que o bem-estar consiste em experiências positivas e na ausência das negativas. Vol. XI, cap. 2 →
Igualitarismo
Teorias que dão valor a reduzir desigualdades entre os indivíduos. Vol. XI, cap. 6 →
Incomensurabilidade
Quando dois valores não podem ser medidos em uma escala comum. Vol. XI, cap. 7 →
Maximin
Regra de escolher a opção cujo pior resultado é o melhor: priorizar ao máximo quem está pior. Vol. XI, cap. 6 →
Metaética
Área que estuda a natureza dos juízos morais: se há verdades morais, se são objetivas, como as conhecemos. Vol. I, cap. 15 →
Pluralismo
Visões que reconhecem mais de um aspecto valioso, que precisam ser pesados entre si. Vol. XI, cap. 7 →
Ponto focal
O que cada família de teorias considera mais fundamental: consequências, regras ou traços de caráter. Vol. XI, cap. 5 →
Prioritarismo
Benefícios contam mais quanto pior estiver quem os recebe. Vol. XI, cap. 6 →
Suficientismo
O que mais importa é que todos alcancem um nível suficiente de bem-estar. Vol. XI, cap. 6 →
Teorias do bem-estar
Investigam o que torna a vida de alguém boa: prazer (hedonismo), satisfação de desejos ou uma lista de bens objetivos. Vol. XI, cap. 2 →
Utilitarismo
Consequencialismo que busca maximizar o bem-estar total dos afetados. Vol. XI, cap. 6 →
Utilitarismo negativo
Versão do utilitarismo que dá prioridade a reduzir o sofrimento sobre aumentar a felicidade. Vol. XI, cap. 6 →
Valor em si
Valor que algo tem como fim, por si mesmo, e não como meio para outra coisa (valor instrumental). Vol. XI, cap. 1 →
Valor instrumental
Valor que algo tem como meio para alcançar outra coisa que se valoriza. Vol. XI, cap. 1 →
Ética das virtudes
Teorias cujo ponto focal é o caráter: o certo é o que uma pessoa virtuosa faria. Vol. XI, cap. 5 →
Ética do cuidado
Teoria centrada nas relações e na atenção às necessidades concretas dos vulneráveis. Vol. XI, cap. 6 →
Ética do discurso
Teoria de que normas válidas são as que todos os afetados aceitariam em um diálogo livre. Vol. XI, cap. 6 →
Ética normativa
Área que investiga o que devemos fazer e por quê: quais ações são certas ou erradas. Vol. XI, cap. 5 →