Volume IX · A ética e o futuro · capítulo 13
A tríade de influência e o sofrimento futuro
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A tríade de influência (intenção, conhecimento e poder de um agente) ajuda a avaliar o sofrimento que pode resultar das decisões: agentes que querem prejudicar ou são indiferentes, com muito poder, são os mais perigosos; querer o bem sem conhecimento ou sem poder tende a ser ineficaz.
Para saber o quanto alguém pode fazer o bem ou o mal, pense em três coisas: o que ele quer, o que ele sabe e o quanto ele pode. Alguém com boas intenções, mas que não sabe o que faz, pode atrapalhar. Alguém mau com muito poder é muito perigoso.
Um cirurgião precisa de três coisas: querer curar, saber operar e ter um centro cirúrgico. Faltando uma, o paciente corre risco.
- P1 Novas tecnologias podem dar grande poder a agentes que não se importam com os afetados.
- P2 O resultado de um agente depende da combinação entre intenção, conhecimento e poder.
- P3 Poder sem conhecimento arrisca causar dano mesmo com boas intenções; conhecimento sem poder é ineficaz.
- C Logo, para prevenir sofrimento futuro, é preciso aumentar o conhecimento e o poder de quem quer beneficiar os sencientes, e limitar o dos outros.
Forma lógica do argumento central do capítulo. Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão se segue. Para discordar, é preciso mostrar qual premissa é falsa.
Eles dizem “Basta ter boa intenção para fazer o bem.”
Resposta Boa intenção sem conhecimento pode causar danos, e sem poder não muda nada. Os três fatores precisam caminhar juntos.
Mais objeções e respostas em Desbancando objeções.
Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume IX, p. 88 da edição em PDF
13.1. Introdução
O surgimento de novas tecnologias pode multiplicar enormemente o potencial para se gerar sofrimento114. Isso é assim porque elas podem proporcionar um poder enorme a indivíduos que não se importam com aqueles que seriam afetados negativamente por tais tecnologias, ou mesmo a indivíduos que almejam prejudicá-los. Entretanto, novas tecnologias também podem ser ferramentas para minimizarmos o sofrimento115, desde que haja uma motivação para fazê-lo e o conhecimento adequado.
Esse é um exemplo de como um aumento de poder tem resultados muito diferentes dependendo da meta almejada pelo agente. Mas, como veremos a seguir, a meta dos agentes e o seu grau de poder não determinam sozinhos se o resultado será este ou aquele. Há pelo menos outro fator crucial: o grau de conhecimento que os agentes possuem para alcançar a meta almejada.
Neste capítulo, exploraremos a relação entre esses três fatores (meta almejada, conhecimento e poder), imaginando várias possibilidades de combinações entre eles, e investigando como essas combinações influenciam a probabilidade de o resultado ser mais negativo ou positivo para os afetados pelas decisões dos agentes.
13.2. A tríade de influência
Como saber se uma decisão terá resultados com saldo positivo ou negativo para os afetados por ela? Como estimar o tamanho desse saldo? De quais fatores isso depende? Embora haja muitos fatores, neste capítulo exploraremos a relação entre três fatores que parecem exercer grande influência: a meta almejada pelos agentes, o seu grau de conhecimento para alcançar essa meta e o seu grau de poder para obter os meios necessários para alcançá-la. Chamaremos esses fatores de .
No item 3, esses três fatores estão relacionados em uma tabela, da seguinte forma:
- Intenção: diz respeito à meta que o agente pretende alcançar e à relação desta com o grau de consideração que o agente dá a quem será afetado. Está dividida em:
- Prejudicar os afetados.
- Indiferente aos afetados. Nesse caso, o agente não almeja prejudicar, mas não se importaria em evitar o prejuízo caso este seja um efeito colateral da busca por sua meta, e prejudicaria caso fazê-lo for um bom meio para alcançar sua meta. Da mesma maneira, não almeja beneficiar, mas não evitaria o benefício caso este seja um efeito colateral da busca por sua meta e beneficiaria caso fazê-lo for um bom meio para alcançar sua meta. Em resumo, nesse tipo de intenção, se o agente causará mais prejuízo ou mais benefício, e em que medida, é algo que depende do que for mais eficiente para alcançar sua meta.
- Beneficiar os afetados.
- Agente inexistente ( que ocorrem sem um decisor racional).
- Conhecimento: diz respeito ao grau com que o agente sabe como usar os meios existentes para alcançar a meta que busca. Está dividido em pouco ou muito.
- Poder: diz respeito ao grau com que o agente possui os meios para alcançar a meta que busca. Está dividido em pouco ou muito. Isso inclui, por exemplo, a quantidade de recursos de que dispõe e o grau de influência que exerce sobre as decisões de outras pessoas ou nas instituições.
Obviamente, essas classificações são simplificações grosseiras. Por exemplo, os graus de poder e de conhecimento, bem como os tipos de intenção, não possuem apenas dois ou três estágios. Em vez disso, variam em um espectro gradual, com muitas possibilidades. Entretanto, ainda assim, as simplificações grosseiras podem nos dar alguns insights bastante úteis, pelo menos como pontapé inicial para investigarmos essa questão.
Importante: no que se segue, quando falarmos do quão longe ou perto alguém estaria da meta que almeja, isso aplica-se tanto a metas que têm um limite quanto às que são ilimitadas. Por exemplo, uma meta como "assistir à Copa do Mundo de 2026" tem um limite, pois, terminada a copa, a meta está finalizada. Já metas diversas como "maximizar os lucros com a " e "beneficiar os seres " são metas ilimitadas, pois sempre há como aumentar os resultados. Assim, quando dizemos "o meio A é mais é eficiente do que o meio B para alcançar a meta X", podemos estar a dizer tanto que tal meio alcança um mesmo resultado gastando menos recursos (dinheiro ou tempo, por exemplo) quanto que tal meio proporciona resultados maiores gastando a mesma quantidade de recursos.
13.3. Relacionando os fatores da tríade de influência
A tabela a seguir explora as possibilidades de combinações dos fatores da tríade de influência. Os resultados dizem respeito ao grau de probabilidade de as consequências serem positivas ou negativas para os afetados. Os motivos pelos quais os resultados são estes para cada possibilidade serão explicados nos itens 13.4, 13.5, 13.6 e 13.7.
| Possibilidade | Intenção | Conhecimento | Poder | Probabilidade de um resultado... |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Prejudicar | Pouco | Pouco | Pouco negativo (ou até mesmo positivo, mas pouco positivo) |
| 2 | Prejudicar | Pouco | Muito | Pouco negativo (ou até mesmo positivo, mesmo muito positivo) |
| 3 | Prejudicar | Muito | Pouco | Pouco negativo (mas, não positivo) |
| 4 | Prejudicar | Muito | Muito | Muito negativo |
| 5 | Indiferente | Pouco | Pouco | Pouco negativo |
| 6 | Indiferente | Pouco | Muito | Mais negativo do que em 5 e menos do que em 8. |
| 7 | Indiferente | Muito | Pouco | Mais negativo do que em 5 e menos do que em 8. |
| 8 | Indiferente | Muito | Muito | Muito negativo |
| 9 | Beneficiar | Pouco | Pouco | Pouco positiva (ou até mesmo negativa, mas pouco negativa) |
| 10 | Beneficiar | Pouco | Muito | Pouco positivo (ou até mesmo negativo, mesmo muito negativo) |
| 11 | Beneficiar | Muito | Pouco | Pouco positiva (mas não negativa) |
| 12 | Beneficiar | Muito | Muito | Muito positivo |
| 13 | Agente inexistente* | ____________ | _____ | Muito negativo (dada a maneira como ocorre a seleção natural) |
* Agentes inexistentes são os processos que ocorrem sem um agente deliberador como, por exemplo, processos naturais. Essa categoria foi adicionada para mostrar que a tabela em questão permite avaliar o quão mais negativas/positivas seriam as decisões dos agentes em comparação a resultados de processos naturais.
Nos itens 13.4, 13.5, 13.6 e 13.7 veremos as explicações sobre cada resultado e também exemplos.
Importante: em todas as explicações e exemplos, falaremos de "prejudicar/beneficiar muito/pouco", "dano/benefício pequeno/grande", "resultado pouco/muito negativo/positivo" etc. Isso deve ser entendido sempre proporcionalmente ao tamanho da meta. Por exemplo, se um agente pretende afetar (seja lá se for para beneficiar ou prejudicar) um quintilhão de seres, mas consegue afetar apenas um milhão, isso é pouco (em comparação à sua meta), mas ainda assim é um número grande de indivíduos afetados.
13.4. Quando a intenção é prejudicar
Na tabela inicial, tínhamos as seguintes possibilidades:
| Possibilidade | Intenção | resultado... | ||
|---|---|---|---|---|
| 1 | Prejudicar | Pouco | Pouco Pouco negativo (ou até mesmo positivo, mas pouco positivo) | |
| 2 | Prejudicar | Pouco | Muito | Pouco negativo (ou até mesmo positivo, mesmo muito positivo) |
| 3 | Prejudicar | Muito | Pouco Pouco negativo (mas, não positivo) | |
| 4 | Prejudicar | Muito | Muito | Muito negativo |
Essas possibilidades são explicadas e exemplificadas a seguir:
(1) Suponhamos um agente que almeja prejudicar, mas que tem pouco conhecimento sobre como alcançar sua meta e pouco poder para alcançá-la. É provável que não consiga causar um dano muito grande. Dado que tem pouco conhecimento sobre como alcançar sua meta, pode até mesmo sem querer produzir um benefício tentando causar um malefício. Entretanto, se isso ocorrer, como tem pouco poder, provavelmente também será um benefício pequeno.
(2) Suponhamos um agente que almeja prejudicar, tem muito poder para fazê-lo, mas tem pouco conhecimento sobre como fazê-lo. É provável que não consiga causar um dano muito grande. Como na possibilidade 1, como tem pouco conhecimento sobre como alcançar sua meta pode até mesmo sem querer produzir um benefício tentando causar um malefício. Entretanto, desta vez, se isso ocorrer, como tem muito poder, é possível até mesmo que cause um benefício grande sem querer.
Vejamos um exemplo que ilustra as possibilidades 1 e 2:
Suponhamos um agente que tenha o seguinte objetivo: toda vez que for possível um animal nascer para uma vida predominantemente positiva, tentar impedir que esse animal nasça. Imaginemos também que esse agente acredita equivocadamente que a maioria dos animais que nasce na natureza têm vidas predominantemente positivas (na realidade, ocorre exatamente o oposto116). Tal agente decide então tentar fazer com que nasçam cada vez menos animais nessa situação. Dada a sua falta de conhecimento sobre como alcançar sua meta, quanto mais poder esse agente tiver de evitar nascimentos de animais na natureza, maior o efeito positivo que causará (pois, na verdade, estará impedindo que os animais nasçam para uma vida repleta de sofrimento).
Vejamos agora as possibilidades 3 e 4:
(3) Suponhamos um agente que almeja prejudicar, tem muito conhecimento para alcançar sua meta, mas pouco poder para fazê-lo. Dada a falta de poder, é provável que não consiga causar um prejuízo muito grande. Entretanto, como possui bastante conhecimento para alcançar sua meta, provavelmente não causará um benefício sem querer, haja vista que sua meta é causar prejuízos.
(4) Suponhamos um agente que almeja prejudicar, tem muito conhecimento sobre como alcançar sua meta e muito poder para fazê-lo. A probabilidade de o resultado ser muito negativo para os afetados é altíssima.
Vejamos um exemplo que ilustra as possibilidades 3 e 4:
Suponhamos um agente que tenha o seguinte objetivo: maximizar o sofrimento por todo o universo. Imaginemos também que esse agente sabe que, quanto maior a taxa reprodutiva de um animal, maiores as chances de a maioria dos filhotes nascerem para vidas repletas de sofrimento117. Tal agente decide então tentar fazer com que os animais que maximizam a quantidade de filhotes se reproduzam em taxas cada vez mais elevadas. Como tal agente sabe muito bem quais são os meios para alcançar sua meta, quanto mais poder tiver, maior o efeito negativo que causará. Por exemplo, se na época em que viver já for possível colonizar outros planetas ou mesmo galáxias118, e tiver poder para fazer isso e enviar tais animais para se reproduzirem nesses outros locais, o efeito negativo será astronomicamente maior do que se tiver poder para fazer o mesmo apenas no planeta Terra.
13.5. O agente indiferente
Agora abordaremos as possibilidades relacionadas ao que chamaremos de agente indiferente. Esse tipo de agente possui as seguintes características:
- A meta que busca não é causar prejuízos, mas se a busca por sua meta tiver como efeito colateral causar prejuízos, não se refreará de buscá-la por isso.
- A meta que busca não é causar prejuízos, mas se causar prejuízos for instrumental para alcançar sua meta, buscará causar esses prejuízos.
- A meta que busca não é causar benefícios aos seres sencientes em geral, mas se a busca por sua meta tiver como efeito colateral beneficiá-los, não se refreará de buscá-la por isso.
- A meta que busca não é causar benefícios aos seres sencientes em geral, mas se beneficiá-los for instrumental para alcançar sua meta, buscará causar esse benefício.
No caso de decisões de agentes indiferentes, para analisarmos a probabilidade de o resultado ser positivo ou negativo (e o quanto), é crucial saber o quanto a maneira usual de o agente buscar sua meta causa sofrimento (instrumental ou colateral), e se há outra maneira mais eficiente de alcançar sua meta que cause menos sofrimento (ou mesmo não cause sofrimento, ou até mesmo previna sofrimento). Para efeito de simplificação, estamos supondo aqui agentes indiferentes racionais, isto é, que buscam alcançar sua meta do modo mais eficiente possível. Na vida real, nem sempre as pessoas escolhem o meio mais eficiente119.
Um exemplo típico de agente indiferente são as pessoas que exploram os animais120. Na vasta maioria dos casos, essas pessoas não almejam o prejuízo para os animais por si: o que almejam é maximizar os lucros com sua exploração. Entretanto, a maneira que consideram mais eficiente de maximizarem esse lucro tem como efeito colateral maximizar o prejuízo para os animais. Em algumas vezes, o sofrimento dos animais é também instrumental às metas que visam alcançar (e não apenas colateral). Por exemplo, por vezes causar sofrimento aos animais é instrumental para o ganho de informações (em determinadas pesquisas sobre dor, por exemplo).
Isso se aplica também aos consumidores de produtos e serviços decorrentes da exploração animal. Por exemplo, a maioria das pessoas que consome produtos de origem animal não o faz porque almeja o prejuízo para os animais por si, e sim, porque gosta de um sabor específico. O que acontece é que, no caso dessas pessoas, o prejuízo que isso acarreta para os animais não é considerado suficiente para que mudem sua prática. Nesse caso, pelo menos, são também agentes indiferentes.
Seja lá se estivermos a falar de produtores ou consumidores, como estamos falando de agentes indiferentes, para que mudem sua conduta não é suficiente mostrar que já estão disponíveis ou que podem ser desenvolvidos métodos substitutivos ao uso de animais (como a carne celular ou os métodos de pesquisa que não usam animais, por exemplo). Para que o agente indiferente mude sua prática, é necessário que ele acredite que o método que não prejudica os animais é mais eficiente para alcançar a sua meta.
Para efeito de simplificação, nas explicações e exemplos a seguir estão casos onde a maneira que o agente indiferente busca sua meta causa sofrimento (colateral e/ou instrumental). Vejamos como isso se relaciona com o grau de conhecimento e de poder que o agente indiferente possui para buscar sua meta:
Na tabela inicial tínhamos:
| Possibilidade | Intenção | resultado... | ||
|---|---|---|---|---|
| 5 | Indiferente | Pouco | Pouco Pouco negativo | |
| 6 | Indiferente | Pouco | Muito | Mais negativo do que em 5 e menos do que em 8. |
| 7 | Indiferente | Muito | Pouco Mais negativo do que em 5 e menos do que em 8. | |
| 8 | Indiferente | Muito | Muito | Muito negativo |
Vejamos as explicações de cada possibilidade e exemplos:
(5) Suponhamos um agente indiferente com pouco poder para alcançar suas metas e pouco conhecimento sobre como fazê-lo.
Se a maneira usual de o agente indiferente buscar sua meta causa sofrimento (colateral ou instrumental), como tem pouco conhecimento sobre como alcançá-la e pouco poder para fazê-lo, a probabilidade é de o efeito ser menos negativo do que nas possibilidades seguintes (pois, provavelmente, aqui ele alcançaria essas metas em um grau menor do que nas próximas possibilidades).
(6) Suponhamos um agente indiferente com pouco conhecimento sobre como alcançar suas metas, mas com muito poder para fazê-lo.
Se a maneira usual de o agente indiferente buscar sua meta causa sofrimento (colateral ou instrumental), apesar do muito poder para fazê-lo, como tem pouco conhecimento sobre como alcançá-la, a probabilidade é de o efeito negativo não ser maximizado (pois, provavelmente, ele alcançaria essas metas em um grau menor do que se tivesse mais conhecimento). Entretanto, dado o grau alto de poder, é provável que seja um efeito mais negativo do que na possibilidade 5.
(7) Suponhamos um agente indiferente com muito conhecimento sobre como alcançar suas metas, mas pouco poder para fazê-lo.
Nesse caso, se a maneira escolhida pelo agente indiferente para buscar sua meta causa sofrimento (colateral ou instrumental), é porque ele sabe que essa é uma maneira eficiente de alcançá-la (já que possui muito conhecimento sobre como alcançá-la). Entretanto, apesar do muito conhecimento, como tem pouco poder, a probabilidade é de o efeito negativo também não ser maximizado (pois, provavelmente, ele alcançaria sua meta em um grau menor do que se tivesse mais poder). Mas, novamente, dado o grau alto de conhecimento, é provável que seja um efeito mais negativo do que na possibilidade 5 (pois, em ambas as possibilidades, tem pouco poder, mas na possibilidade 7 tem mais conhecimento).
Agora, é incerto se o efeito negativo tenderia a ser maior ou menor do que na possibilidade 6, pois isso dependeria: (1) de se o que pesa mais na produção de sofrimento é o grau de poder ou o grau de conhecimento do agente indiferente e, (2) de qual seria a relação entre grau de conhecimento e grau de poder em cada exemplo de casos do tipo 6 e 7.
(8) Suponhamos um agente indiferente com muito conhecimento sobre como alcançar suas metas e muito poder para fazê-lo.
Nesse caso, como estamos falando de um agente com muito conhecimento, são altas as chances de ele descobrir a maneira mais eficiente de buscar sua meta. Como terá também muito poder para fazê-lo, o que é crucial aqui para determinar o quanto o resultado conterá de sofrimento é qual é a maneira mais eficiente de buscar sua meta, e o quanto ela tem como resultado o sofrimento.
É possível também que uma maneira eficiente de o agente indiferente alcançar sua meta também previna sofrimento (e talvez previna mais sofrimento do que causa). Por exemplo, quando os humanos constroem casas, prédios e rodovias em áreas selvagens, não almejam o sofrimento dos por si, mas normalmente também não se importam com o prejuízo causado aos animais selvagens que lá vivem (nessa situação tais agentes são, portanto, agentes indiferentes). Provavelmente muitos animais morrerão por conta da urbanização. Entretanto, a urbanização, por diminuir também a biomassa vegetal disponível, também diminui drasticamente as taxas de reprodução, e por isso também previne que uma quantidade gigantesca de animais chegue a nascer apenas para sofrer. Apesar do dano que tal prática causa, devido ao dano gigantesco que ela também previne, é provável que ela resulte em menos mortes e sofrimento do que haver no mesmo local uma floresta. Não se está aqui a dizer que tal prática é necessariamente justificável121. O que se pretende mostrar é apenas que as práticas dos agentes indiferentes por vezes também previnem sofrimento devido aos efeitos colaterais da maneira como buscam sua meta.
13.6. Quando o objetivo é beneficiar
Na tabela inicial, tínhamos as seguintes possibilidades:
| Possibilidade | Intenção | resultado... | ||
|---|---|---|---|---|
| 9 | Beneficiar | Pouco | Pouco Pouco positivo (ou até mesmo negativo, mas pouco negativo) | |
| 10 | Beneficiar | Pouco | Muito | Pouco positivo (ou até mesmo negativo, mesmo muito negativo) |
| 11 | Beneficiar | Muito | Pouco Pouco positivo (mas não negativo) | |
| 12 | Beneficiar | Muito | Muito | Muito positivo |
Essas possibilidades são explicadas e exemplificadas a seguir:
(9) Suponhamos um agente que visa beneficiar, mas tem pouco conhecimento sobre como alcançar sua meta e pouco poder para fazê-lo. Dado o pouco conhecimento e pouco poder, é provável que, se conseguir realizar algum resultado positivo, será pouco positivo. Dada a falta de conhecimento, é possível que cause até mesmo um resultado negativo sem querer mas, como tem pouco poder, provavelmente será menos negativo do que se tivesse mais poder.
(10) Suponhamos um agente que visa beneficiar, tem pouco conhecimento sobre como alcançar sua meta, mas muito poder para fazê-lo. Como tem pouco conhecimento, é provável que, se conseguir realizar algum resultado positivo, será pouco positivo (mas, como tem mais poder, provavelmente será mais positivo do que na possibilidade 9). Dada a falta de conhecimento, é possível que cause até mesmo um resultado negativo e, como tem muito poder, se isso acontecer, pode até mesmo causar um resultado muito negativo.
Vejamos um exemplo que ilustra as possibilidades 9 e 10:
Imaginemos que um grupo de pessoas queira beneficiar os animais selvagens. Imaginemos que essas pessoas decidem tentar fazer com que nasça o maior número possível de animais na natureza, por acreditarem equivocadamente que a maioria dos animais que nasce na natureza tem vidas predominantemente positivas (como vimos, na verdade acontece exatamente o oposto). O efeito negativo resultante será maior quanto mais poder de fazer nascer animais na natureza essas pessoas tiverem.
Vejamos agora as possibilidades 11 e 12:
(11) Suponhamos um agente que visa beneficiar, tem muito conhecimento sobre como alcançar sua meta, mas pouco poder para fazê-lo. Como tem pouco poder, é provável que, se conseguir realizar algum resultado positivo, será bem menos positivo do que se tivesse mais poder. Entretanto, como possui bastante conhecimento sobre como alcançar sua meta, as chances de causar um resultado negativo são baixas.
(12) Suponhamos um agente que visa beneficiar, tem muito conhecimento sobre como alcançar sua meta, e muito poder para fazê-lo. É provável que o resultado será muito positivo.
Vejamos um exemplo que ilustra as possibilidades 11 e 12:
Imaginemos que um grupo de pessoas queiram beneficiar os animais selvagens. Suponhamos também que essas pessoas tenham muito conhecimento sobre quais tipos de intervenções na natureza tenderiam a ter saldo positivo e quais tenderiam a ter saldo negativo ao longo do tempo para os animais que lá vivem122. O efeito positivo resultante será maior quanto mais poder essas pessoas tiverem (e quanto mais aumentarem o seu conhecimento ao longo do tempo).
13.7. Comparando com situações onde não há um agente decisor
A estrutura desenvolvida aqui permite compararmos qualquer uma das 12 primeiras possibilidades (onde há um agente com uma intenção de alcançar uma meta) não apenas entre si, mas com a possibilidade 13, onde não há um agente decisor. Na possibilidade 13 estamos a falar de resultados que decorrem dos processos naturais.
Para compararmos qualquer uma das 12 primeiras possibilidades à possibilidade 13 (em termos de se o resultado seria pior ou melhor para os afetados, e o quanto), temos de pesar a magnitude dos danos naturais que aconteceriam em comparação ao que provavelmente ocorreria se os riscos associados a cada uma das 12 possibilidades se materializassem.
Por exemplo, as vítimas da exploração animal são em número gigantesco: muitos trilhões ao ano. Entretanto, essa quantidade de vítimas, que já é enorme, se torna pequena comparada às vítimas de processos naturais. Por sua vez, se no futuro os humanos tiverem acesso à tecnologia de colonização espacial ou de criação de seres sencientes em meios digitais, é bem possível que o sofrimento atual (somando-se aquele causado por humanos e por processos naturais) torne-se "um grão de areia" em comparação ao sofrimento que seria criado123.
13.8. O que podemos tentar fazer?
A seguir estão algumas sugestões do que tentar fazer em termos de influenciar cada um dos tipos de decisores com o objetivo de que o resultado tenda para o positivo (ou, pelo menos, que seja menos negativo).
13.8.1. Em relação a quem já visa beneficiar
Tentando ampliar a meta
Já há várias pessoas tentando causar benefícios, mas geralmente não a todos os seres sencientes. Por exemplo, a maioria das pessoas que se dedica a alguma causa o faz apenas por causas humanas, apesar de a vasta maioria do sofrimento no mundo ser padecido por animais não humanos.
Além disso, mesmo no ativismo animal, muitos animais são deixados de lado. Por exemplo, quando se fala sobre animais usados para consumo, a vasta maioria que é usada (crustáceos e outros invertebrados) é deixada em segundo plano ou sequer é mencionada. Há uma negligência maior ainda da situação dos animais na natureza em decorrência dos processos naturais, mesmo que sejam muito mais numerosos do que os animais explorados.
Então, vale a pena fornecer informações para essas pessoas, tanto sobre os fatos (por exemplo, informar sobre quais são os animais mais usados, sobre a situação dos animais na natureza, sobre riscos-s etc.) quanto sobre argumentos que explicam por que devemos considerar todos os seres sencientes e levar em conta todas as formas de dano aos quais eles poderiam estar sujeitos.
Tentando aumentar o conhecimento
Podemos tentar fazer com que aqueles agentes que visam beneficiar obtenham mais conhecimento sobre como alcançar sua meta, especialmente se eles já têm mais poder (seja em termos de recursos, influência, poder de decisão etc.). Isso aumentaria a probabilidade de suas ações terem um saldo mais positivo mas, acima de tudo, preveniria que fossem contraproducentes.
Por exemplo, podemos tentar fornecer informações a esses agentes sobre e , sobre como os processos naturais afetam os animais, sobre quais os problemas que afetam as maiores quantidades de animais, sobre critérios para decidir quais causas e problemas priorizar e para avaliar estratégias e assim por diante.
Tentando aumentar o poder
Podemos sugerir que aqueles agentes que já têm mais conhecimento sobre como melhor alcançar a meta de beneficiar todos os seres sencientes continuem a aumentar esse conhecimento, e que também considerem fortemente tentarem aumentar o seu poder.
Por exemplo, podem tentar construir carreiras nas quais sejam bem remunerados, tentar algum cargo com poder de decisão ou aumentar o seu grau de influência (isso pode ser feito por meio da publicação de livros, artigos, ter canais em mídias sociais etc.).
13.8.2. Em relação a agentes indiferentes
Tentando fazer com que deixem de ser indiferentes
É possível tentar fazer com que os agentes indiferentes deixem de sê-lo. Muitos são indiferentes porque nunca pararam para pensar sobre essa questão. Por exemplo, a vasta maioria dos defensores dos animais, até algum ponto de suas vidas, foi indiferente em relação aos animais usados para consumo, e a maioria dos ativistas da causa animal ainda é indiferente à situação dos animais selvagens e ao futuro em longo prazo124. É claro, muitas pessoas não deixarão de ser indiferentes mesmo depois de conhecerem os argumentos, mas pelo menos alguma parte dessas pessoas pode vir a mudar.
Vale a pena focar em pessoas que percebemos que têm potencial para mudar (sobretudo, se elas têm muitos recursos ou ocupam posições de poder, incluindo poder de influência). Por exemplo, podemos enviar a essas pessoas materiais que não apenas mostrem as razões para se considerar todos os seres sencientes, mas também que ofereçam conhecimento sobre como melhor beneficiá-los.
Tentando fazer com que a maneira mais eficiente de alcançarem sua meta seja benéfica
Vimos que, se os agentes indiferentes prejudicarão ou beneficiarão outros seres sencientes, é algo que depende crucialmente de qual é o modo mais eficiente de alcançarem as suas metas. Assim sendo, podemos tentar fazer com que a maneira mais eficiente de alcançarem suas metas não envolva prejudicar seres sencientes. Por exemplo, podem ser pesquisadas maneiras
de se produzir produtos e serviços para substituir o uso de animais (como a carne celular e os métodos de pesquisa que não usam animais).
Entretanto, como deve estar claro, apenas a existência dessas outras possibilidades não é suficiente para que os agentes indiferentes deixem de prejudicar os seres sencientes: é preciso que essas outras possibilidades sejam mais eficientes para alcançar a mesma meta, ou permitam alcançá-la em maior medida.
Por exemplo, se a carne celular se tornar mais barata de ser produzida do que criar e matar animais para o mesmo fim, provavelmente os produtores optarão por utilizá-la. Entretanto, o grau de aceitação do público provavelmente dependerá de o produto oferecer vantagens em relação ao de origem animal (por exemplo, ser mais saboroso e/ou mais barato).
Em relação a isso, podemos traçar um paralelo histórico: as carroças só foram gradualmente substituídas por carros porque o carro apresentava ao público vantagens em termos de velocidade e comodidade. Entretanto, mesmo assim, como o continuou a vigorar, isso não eliminou completamente a exploração de animais como meio de transporte. Analogamente, mesmo se a vier diminuir o uso de animais para consumo caso venha a oferecer vantagens tanto aos produtores quanto ao público, o ativismo em defesa da consideração por todos os seres sencientes continua necessário. Entretanto, se ambas as estratégias forem combinadas, há um bom potencial de mudança.
Tentando limitar o poder
Também é possível tentar limitar o poder que os agentes indiferentes têm de prejudicar outros seres sencientes. Por exemplo, pode-se tentar criar legislações que garantam direitos legais para animais não humanos125 e para possíveis seres sencientes futuros.
13.8.3. Em relação a agentes que visam prejudicar
É possível tentar fazer com que visem beneficiar?
Poder-se-ia pensar que não há como fazer com que agentes que visam prejudicar passem a ter a meta de beneficiar. É claro, isso é muito mais difícil (talvez impossível) se estamos a falar de agentes sádicos ou psicopatas por exemplo. Entretanto, é importante lembrar que nem todos os agentes que têm como objetivo prejudicar alguém o fazem porque possuem essas tendências. Vários deles simplesmente incorporaram e reproduzem o conjunto de valores predominante em sua cultura sem refletir sobre isso. Além disso, o prejuízo que almejam causar geralmente é direcionado a grupos ou indivíduos específicos, e os motivos pelos quais as pessoas tentam fazê-lo são variáveis. Vão desde sentimentos de justiça retributiva até ódio por conta de preconceito contra indivíduos específicos. Seja lá qual for a motivação, em uma boa parte dos casos os indivíduos que o fazem acreditam estar fazendo a coisa certa. Assim, se passarem a acreditar, em determinado caso, que o que fazem não está certo, isso seria uma motivação para mudarem sua conduta.
Entretanto, normalmente os agentes que visam prejudicar possuem maior resistência à mudança do que agentes indiferentes. Assim, o nosso impacto por unidade de esforço e tempo gasto é provavelmente melhor se focarmos nas pessoas que demonstram estarem mais abertas à pensar nessas questões.
Tentando limitar o poder
Também é possível tentar limitar o poder que os agentes têm de prejudicar outros seres sencientes. Novamente, pode-se tentar criar legislações que garantam direitos legais para animais não humanos e para possíveis seres sencientes futuros.
Outras medidas que poderiam contribuir para tal prevenção seriam: (1) tentar diminuir a polarização na sociedade (pois esta aumenta as chances de conflitos e diminui as chances de reflexão na sociedade) e (2) fortalecer sistemas políticos onde o poder é menos concentrado126.
13.8.4. Em relação a acontecimentos sem agentes
No caso de acontecimentos sem agentes, podemos sempre tentar fazer com que o resultado dos processos naturais seja menos danoso para os animais. Por exemplo, por meio do desenvolvimento da área da biologia do bem-estar, podemos pesquisar a fundo sobre como mitigar os efeitos negativos dos processos naturais sobre os animais que vivem na natureza.
Podemos também tentar aumentar a preocupação com essa questão na sociedade. Por exemplo, podemos informar, tanto sobre como os processos naturais tipicamente prejudicam os animais, quanto sobre os argumentos que fundamentam a proposta de ajudá-los e as respostas às objeções a essa proposta.
13.9. Limites da análise feita aqui e como corrigi-los em análises posteriores
Obviamente, em nossa análise não foram contempladas todas as variáveis que influenciam nos resultados e, como já dito, as tabelas foram imaginadas a partir de simplificações grosseiras. A seguir está uma lista de simplificações que foram feitas e como elas poderiam ser aprimoradas em análises posteriores com vistas a aumentar a precisão.
(1) Foram estabelecidos os graus de conhecimento e poder em termos de "pouco" ou "muito". Há infinitos graus dessas variáveis. Outra possibilidade seria fazer uma análise em termos de "quanto menos" e "quanto mais".
(2) A análise supôs agentes totalmente indiferentes. A indiferença é geralmente uma questão de grau. Por exemplo, um agente indiferente em um grau moderado pode aceitar pagar o preço de não alcançar sua meta da maneira mais eficiente possível, caso haja uma alternativa para alcançá-la que cause menos sofrimento ou que previna sofrimento. Entretanto, em se tratando de prejuízos causados a animais não humanos, parece que a maioria das pessoas, pelo menos quanto ao consumo de animais, tende a ser agentes quase que totalmente indiferentes.
(3) A análise supôs agentes cuja intenção é somente prejudicar ou somente beneficiar. Há muitas situações onde os agentes têm intenção de prejudicar alguns indivíduos e beneficiar outros.
(4) A análise pressupôs que os agentes em questão são racionais, no sentido de que escolherão, dentre as várias alternativas, aquela que acreditam ser a mais eficiente para alcançar sua meta. Entretanto, na realidade os agentes muitas vezes agem de maneira irracional127. Há situações onde um agente, mesmo acreditando que determinada estratégia é mais eficiente para alcançar a sua meta, prefere continuar a aplicar a estratégia menos eficiente, não por considerar antiética a estratégia mais eficiente, mas por conta de algum (como, por exemplo, o simples fato de já estar acostumado a usar a estratégia menos eficiente). Uma possibilidade nesse sentido seria investigar quais vieses frequentemente afetam as nossas decisões.
(5) Trabalhamos com resultados do tipo "pouco/muito positivo" e "pouco/muito negativo". Na realidade, a maior parte das nossas decisões tem efeitos tanto negativos quanto positivos. Outra possibilidade seria fazer uma análise em termos de saldo positivo/negativo e tentar quantificar o tamanho desse saldo.
(6) Não comparamos aqui os 13 cenários uns com os outros no sentido de quais tenderiam a ser piores ou melhores, e em que medida. Uma tabela hierarquizando-os dessa maneira poderia ser tentada como um desenvolvimento posterior. Uma maneira de fazer isso seria, primeiro, listar quais das 13 possibilidades têm tendência a terem saldo positivo ou negativo, e tentar estimar o quão positivo ou negativo seria o saldo em cada uma das possibilidades. Obviamente, isso pode ser muito difícil de ser comparado. Por exemplo, como vimos, uma mesma possibilidade tem riscos de ser pouco positiva ou mesmo negativa, e pode ser em certas circunstâncias muito negativa. Isso tudo teria de ser levado em conta em uma comparação nesse sentido.
Entretanto, apesar dessas limitações, como já mencionado antes, a análise feita aqui oferece alguns insights úteis para nossas decisões. Esses insights estão listados a seguir.
13.10. Conclusões
Para se produzir um dano gigantesco, não é necessária uma intenção de produzir o dano. Por exemplo, a indiferença é suficiente. Além disso, é possível produzir um dano gigantesco mesmo com a intenção de reduzir o dano. Esse é o caso se estivermos equivocados quanto ao que conduzirá a tal meta. Esse dano pode ser maior do que o dano resultante de quando há a
intenção de produzir o dano. Isso dependerá do quanto o grau de poder de um agente que visa beneficiar ultrapassa o seu grau de conhecimento para alcançar sua meta.
Isso tudo converge para a conclusão de que as pessoas que querem tornar o mundo um lugar menos ruim precisam focar em: (1) obter cada vez mais conhecimento sobre quais as maneiras mais eficientes para alcançar essa meta e (2) tentar ter cada vez mais poder (em termos de recursos, influência, ocupar cargos públicos etc.).
Na ausência de uma dessas duas coisas, já é grande a probabilidade de não se fazer uma mudança efetiva. A presença do conhecimento sem poder é, provavelmente, ineficiente para alcançar um resultado positivo. Já a presença do poder sem conhecimento corre o risco de causar grandes danos, mesmo com boas intenções. Podemos resumir essas duas ideias com a frase "conhecimento sem poder pode ser inútil, mas poder sem conhecimento pode ser desastroso".
Pratique
Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.
Quais são os três fatores da tríade de influência?
O que tende a acontecer quando há poder sem conhecimento?
Para pensar
Pense em uma causa que você apoia. Ela tem intenção, conhecimento e poder suficientes? O que falta?
Notas do autor 14
- 114 Para uma introdução a esse tema, ver (2017, 2022) e (2019). ↩
- 115 Para exemplos, ver , 2024[2022], 2022b, 2022d. ↩
- 116 Para uma descrição do sofrimento dos animais selvagens, ver Ética Animal (2023 [2020]). Para uma discussão das implicações éticas dessa situação, ver (2022). ↩
- 117 Sobre isso, ver (2010). ↩
- 118 Sobre por que isso implicaria o risco de maximizar o sofrimento, ver O'brien (2022). ↩
- 119 Sobre isso, ver (2011). ↩
- 120 Para descrições detalhadas de como os animais são prejudicados em cada forma de exploração, ver Ética Animal (2016c). ↩
- 121 O debate ético em torno desta prática é abordado no capítulo 36 do Volume VII desta coleção. ↩
- 122 Esse tipo de pesquisa seria característico da biologia do bem-estar. Sobre biologia do bem-estar, ver e Horta (2020) e et. al. (2021). ↩
- 123 Para uma discussão sobre isso, ver Baumann (2022). ↩
- 124 Para uma introdução à preocupação com o futuro em logo prazo, ver Ética Animal (2018). ↩
- 125 É importante observar aqui que garantir direitos legais é diferente de criar leis para regulamentar a exploração. Sobre por que o status jurídico atual dos animais não humanos não os permite ter direitos legais, ver (1995). ↩
- 126 Para uma discussão sobre esses pontos, ver Baumann (2022, p. 65-76). ↩
- 127 Sobre isso, ver Kahneman (2011). ↩
Fontes citadas neste texto 12
A lista completa do volume está em referências do Volume IX.
- BAUMANN, T. Avoiding the worst final: how to prevent a moral cathastrophe. Center for Reducing Suffering, 2022.
- BAUMANN, T. S-risks: An introduction. Reducing Risks of Future Suffering: Toward a responsible use of new technologies, 2017.
- CUNHA, L. C. Razões para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implicações éticas. Curitiba: Appris, 2022.
- FARIA, C.; HORTA, O. Welfare biology. In: FISCHER, B. (org.). The routledge handbook Of animal ethics. New York/London: Routledge - Taylor & Francis group, 2020, p. 455-66.
- FRANCIONE, G. L. Animals, property and the Law. Philadelphia: Temple University Press, 1995.
- HORTA, O. Debunking the Idyllic View of Natural Processes: Population Dynamics and Suffering in the Wild. Télos, v. 17, p. 73-88, 2010b.
- KAHNEMAN, D. Thinking, fast and slow. New York: Farrar, Straus & Giroux, 2011.
- SORYL, A. A.; MOORE, A. J.; SEDDON, P. J.; KING, M. R. The Case for Welfare Biology. Journal of Agricultural and Environmental Ethics, v. 34, n. 7, 2021.
- TOMASIK, B. How Many Animals are There? Essays on Reducing Suffering, 07 ago. 2019a.
- ÉTICA ANIMAL. A importância do futuro. Ética Animal: ativismo e investigação em defesa dos animais, 24 out. 2018.
- ÉTICA ANIMAL. Animais usados por humanos. Ética Animal: ativismo e investigação em defesa dos animais, 26 abr. 2016c.
- ÉTICA ANIMAL. Introdução ao sofrimento dos animais selvagens. Oakland: Ética Animal, 2023 [2020].
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