Volume III · Nível intermediário
Os animais e o dano da morte
Uma investigação sobre o dano da morte e sua magnitude
Sobre este volume
Este livro apresenta os principais argumentos em discussão no debate sobre o dano da morte para animais não humanos. Investiga quais são as condições para que a morte seja um dano e também quais critérios deveríamos utilizar para avaliar a magnitude do dano da morte.
ISBN 978-65-01-35507-8 · 1a edição, Fevereiro de 2025. Texto original de Luciano Carlos Cunha.
Em poucas palavras
Matar sem dor é errado? O volume investiga em que consiste o dano da morte, por que ele não depende de entender o que é morrer, e examina as tentativas de dizer que a morte prejudica pouco os animais: falta de prazeres intelectuais, conexão psicológica fraca, substituibilidade, pouco tempo de vida.
Para crianças
Se alguém apaga a sua vela antes da hora, você perde todas as coisas boas que ainda ia viver, mesmo que não doa. Com os animais é igual: morrer cedo tira deles os dias bons que viriam.
Você vai aprender
- Por que a morte é um dano mesmo quando é indolor
- Como medir o tamanho do dano da morte (AVAQs)
- Por que os animais não são "substituíveis"
- A diferença entre o dano da morte e o erro de matar
Ajuda ter lido: Volumes I e II.
Começando do zero?
Cada capítulo tem uma versão simplificada, em linguagem para quem não conhece o tema. Leia a versão simples e depois o texto completo do autor.
- De que consiste o dano da morte?
- Discutindo a alegação de que os animais não são prejudicados com a morte
- Objeções à explicação do dano da morte enquanto impedimento do que é positivo
- Quem é incapaz de prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte?
- Como avaliar o quão prejudicado alguém é com a morte?
- Objeções à avaliação da magnitude do dano da morte com base em AVAQs
- Os animais teriam uma conexão psicológica menor?
- Discutindo a alegação de que os animais são substituíveis
- Seriam os animais não humanos pouco prejudicados com a morte?
- A alegação de que ter pouco tempo restante torna a morte um dano pequeno
- E, se humanos fossem mais prejudicados com a morte?
- Status moral diferenciado, dano da morte e erro em matar
- Reflexões adicionais: morte, aniquilação, decisão racional e probabilidades
Capítulos
- 1De que consiste o dano da morte?5 min
Contra a visão epicurista de que a morte não é um dano, o capítulo defende que ela prejudica por impedir o que de positivo o indivíduo viveria; e, mesmo que Epicuro estivesse certo, isso valeria para humanos e animais igualmente.
- 2Discutindo a alegação de que os animais não são prejudicados com a morte5 min
Os animais são prejudicados com a morte, mesmo sem entender o que ela é e sem desejos sobre o futuro: todo ser senciente com possibilidade de uma vida minimamente significativa pela frente perde algo ao morrer.
- 3Objeções à explicação do dano da morte enquanto impedimento do que é positivo3 min
O capítulo examina três objeções à ideia de que a morte é um dano por privação (o problema epistemológico, a assimetria temporal e a dos seres em potencial) e mostra que elas não derrubam a explicação.
- 4Quem é incapaz de prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte?2 min
Dizer que quem não tem prazeres intelectuais é pouco prejudicado com a morte não se sustenta: prazeres intelectuais não são necessariamente mais valiosos, e mesmo que fossem, isso não tornaria os outros prazeres pouco valiosos.
- 5Como avaliar o quão prejudicado alguém é com a morte?8 min
O tamanho do dano da morte depende de quanto tempo de vida o indivíduo perde e da qualidade desse tempo, o que pode ser expresso em AVAQs; também há razões para levar em conta o que ele já viveu.
- 6Objeções à avaliação da magnitude do dano da morte com base em AVAQs7 min
A objeção de que medir o dano da morte por AVAQs tem implicações absurdas apela a intuições que podem ser enviesadas; até que outro critério seja fundamentado de modo independente, temos razões para usar os AVAQs.
- 7Os animais teriam uma conexão psicológica menor?3 min
Mesmo que a conexão psicológica com o futuro importasse para o dano da morte, mentes mais simples podem ter uma conexão proporcionalmente maior, pois os seus conteúdos variam menos; e ter conexão forte nem parece necessário para ser muito prejudicado.
- 8Discutindo a alegação de que os animais são substituíveis5 min
A ideia de que os animais são substituíveis, isto é, de que matar um não é errado se outro de vida igualmente boa nascer no lugar, falha: autorizaria pais a substituir filhos e confunde ser "o mesmo" qualitativamente com ser o mesmo indivíduo.
- 9Seriam os animais não humanos pouco prejudicados com a morte?8 min
O capítulo mostra, com exemplos como o de Bia e a viagem às pirâmides, que a força das nossas razões para buscar o bom e evitar o ruim não depende da conexão psicológica; logo, ela não mostra que os animais são pouco prejudicados com a morte.
- 10A alegação de que ter pouco tempo restante torna a morte um dano pequeno12 min
Ter pouco tempo de vida pela frente, por ser idoso ou por pertencer a uma espécie de vida curta, não torna a morte um dano pequeno; e animais com cérebros menores podem até perceber o tempo de modo mais lento.
- 11E, se humanos fossem mais prejudicados com a morte?7 min
Mesmo supondo que humanos fossem mais prejudicados com a morte, isso não justificaria matar animais para benefícios menores, nem matar uns para salvar outros, nem ignorar o número de vítimas.
- 12Status moral diferenciado, dano da morte e erro em matar14 min
O erro de matar e a razão para salvar vidas devem depender da magnitude do dano da morte; a abordagem de "duas camadas", que dá um status privilegiado a certos indivíduos, não passa no teste da imparcialidade.
- 13Reflexões adicionais: morte, aniquilação, decisão racional e probabilidades6 min
Considerar a possibilidade de vida após a morte não muda radicalmente a avaliação: há incerteza sobre ela e sobre como seria, enquanto sabemos como a vida atual provavelmente continuaria; logo, isso não justifica matar quem tem uma vida boa.