Duas posições comuns
Muita gente pensa duas coisas:
- é certo matar animais para comer, testar ou outros fins;
- não precisamos gastar recursos para salvar a vida de animais, por exemplo em doenças ou desastres.
A justificativa costuma ser: "os humanos são mais prejudicados pela morte do que os animais".
O autor faz uma experiência: vamos supor, só para o argumento, que isso fosse verdade. Mesmo assim, as duas posições estariam justificadas? A resposta é não.
"Sofrer menos" não é "não sofrer"
Se A perde mais do que B com a morte, isso não quer dizer que B não perde nada. Para justificar as duas posições, seria preciso mostrar que os animais quase não perdem nada ao morrer. E o volume já mostrou que eles perdem muito.
Perder mais justifica matar outro?
Mesmo que A perdesse mais com a morte do que B, isso não daria o direito de matar B para salvar A. Entre os humanos, o quanto cada um perde com a morte também varia muito, e ninguém acha certo matar uma pessoa idosa para salvar uma jovem.
E se nem para salvar uma vida isso estaria justificado, muito menos para fins desnecessários, como comer o animal.
E a quantidade?
Agora imagine que cada humano perdesse 100 vezes mais com a morte do que cada animal. Mesmo assim, há um número de animais a partir do qual salvar os animais faria mais bem. Com o mesmo dinheiro, às vezes dá para salvar milhares de animais em vez de uma pessoa.
Resumindo
- Ser menos prejudicado não é deixar de ser prejudicado.
- Perder mais com a morte não justifica matar outro, muito menos para comer.
- Dependendo do número de vidas, salvar animais pode ser a melhor escolha.