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de Ética
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Volume IV · Nível básico

O debate sobre a exploração animal

Uma análise dos argumentos das perspectivas divergentes

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Sobre este volume

Este livro descreve a situação típica dos animais explorados pelos humanos e também analisa os argumentos das posições divergentes no debate sobre se há ou não justificativa para a exploração animal.

ISBN 978-65-01-40062-4 · 1a edição, Março de 2025. Texto original de Luciano Carlos Cunha.

Em poucas palavras

Como vivem e morrem os animais explorados, por que a exploração é injusta e o que é o veganismo. Depois, uma a uma, as objeções mais comuns: as plantas, o "é natural", a ilha deserta, a economia, os empregos, a lei, os insetos e a experimentação animal.

Para crianças

Muitos animais passam a vida presos, longe da mãe, e são mortos para virar comida ou roupa. O veganismo é escolher não participar disso, do mesmo jeito que a gente não participaria se fossem pessoas.

Você vai aprender

  • A situação real dos animais criados para consumo e na pesca
  • Por que a exploração viola a igual consideração
  • O que o veganismo é e o que ele não é
  • Como responder às objeções mais frequentes ao veganismo

Ajuda ter lido: Volumes I e II.

Capítulos

  1. 1
    Como vivem e morrem os animais explorados pelos humanos?

    Os animais explorados, sobretudo na alimentação, vivem em confinamento, sofrem doenças, mutilações e transporte, e são mortos em abatedouros ou na pesca de modos que jamais aceitaríamos para humanos; não há justificativa para esse padrão duplo.

    23 min
  2. 2
    Por que a exploração animal é injusta?

    A exploração animal é injusta porque viola o princípio da igual consideração e não passa no teste da imparcialidade; por isso, continua injusta mesmo se sustentável, artesanal, sem sofrimento no abate ou fora do capitalismo.

    8 min
  3. 3
    O que é veganismo?

    Veganismo é a posição de evitar prejudicar os animais por respeito a eles próprios, recusando produtos e serviços da exploração; além de reduzir a demanda, ele expõe a injustiça que os animais sofrem.

    3 min
  4. 4
    E as plantas?

    A objeção das plantas falha: plantas estão vivas, mas, sem sistema nervoso centralizado, não há indícios de que sejam sencientes; e se fossem, comer animais mataria ainda mais plantas, e o que se seguiria seria o frutarianismo, não comer de tudo.

    9 min
  5. 5
    A objeção de que o consumo de animais é natural

    Em nenhum dos sentidos de "natural" (possibilidade, instinto, o que os animais fazem, cadeia alimentar) comer carne ser natural mostra que é justificável; e a resposta "não é natural" comete o mesmo erro.

    5 min
  6. 6
    A alegação de que consumir os animais acaba com o sofrimento deles

    Dizer que consumir animais os livra de vidas de sofrimento é uma desculpa: na exploração, o consumo é o que faz nascerem animais para sofrer; e quem a usa não a aplica a humanos nem busca reduzir nascimentos.

    6 min
  7. 7
    Criar animais para consumo está justificado, uma vez que os faz existir?

    A "defesa da substituição" diz que consumir animais os beneficia por trazê-los à existência; ela não se aplica à maioria dos casos, não dá direito de causar malefício e, mesmo pelo saldo total, tende a produzir um saldo muito negativo.

    12 min
  8. 8
    Importa o que faríamos em uma ilha deserta ou em uma casa em chamas?

    O que faríamos em uma ilha deserta ou em uma casa em chamas não justifica o consumo cotidiano de animais: o que faríamos não é necessariamente certo, e ações de situações extremas não se estendem a situações comuns.

    2 min
  9. 9
    É necessário consumir produtos de origem animal?

    Consumir produtos de origem animal não é necessário para ter boa saúde: entidades de nutrição de vários países reconhecem que uma alimentação vegana bem planejada é adequada em todas as fases da vida.

    1 min
  10. 10
    O veganismo é coisa para ricos?

    O veganismo não é coisa de ricos: os alimentos básicos de uma dieta vegana (arroz, feijão, legumes, frutas) estão entre os mais baratos; produtos veganos industrializados caros não são necessários, e mais demanda baixaria os preços.

    1 min
  11. 11
    Se o mundo se tornasse vegano, haveria um excesso de animais domésticos?

    Se o mundo se tornasse vegano, não haveria excesso de animais domésticos: eles nascem por reprodução forçada para atender à demanda, e menos demanda significaria gradualmente menos nascimentos.

    1 min
  12. 12
    O veganismo causaria uma ruína à economia e perda de empregos?

    Dizer que o veganismo arruinaria a economia e os empregos falha na ética (lucro não justifica prejudicar vítimas) e nos fatos (a demanda por produtos veganos também gera empregos, e a transição é gradual).

    3 min
  13. 13
    Mas, o veganismo tem mesmo um impacto prático?

    O veganismo tem impacto prático: mesmo sem eliminar toda contribuição à exploração, cada pessoa reduz a demanda, e o crescimento da exploração não mostra falta de impacto, só que ele precisa ser comparado ao que aconteceria sem os veganos.

    2 min
  14. 14
    Mas, o veganismo não causa ainda mais mortes do que consumir animais?

    A alegação de que o veganismo mata mais animais pela agricultura não tem evidência e ignora que os animais criados comem muito mais plantações; além disso, só num mundo que considera os animais alguém se esforçará para reduzir mortes indiretas.

    3 min
  15. 15
    A preocupação com espécies justifica o consumo de animais?

    A ideia de que comer animais preserva espécies domesticadas supõe que espécies importam por si, que importam mais do que os seres sencientes e que desapareceriam sem o consumo; a primeira é controversa, a segunda é rejeitável e a terceira é falsa.

    6 min
  16. 16
    A alegação de que é melhor deixar para depois a luta pelos animais

    "Primeiro os humanos, os animais depois" falha: cada pessoa faz diferença para os animais afetados, não há prova de que a maioria rejeitaria os argumentos, e pode ser um especismo disfarçado.

    2 min
  17. 17
    Os animais já não são protegidos pela lei?

    A exploração animal não é fruto de leis desrespeitadas: ela é legal. Os animais têm, juridicamente, o status de propriedade, o que impede proteção significativa; mudá-lo exige mudar o modo como as pessoas os enxergam.

    3 min
  18. 18
    A alegação de que os defensores dos animais estão impondo o seu estilo de vida

    Dizer que leis de proteção aos animais seriam "impor um estilo de vida" é autorrefutante: defende um direito contra imposições e, ao mesmo tempo, o direito de impor sofrimento e morte aos animais.

    3 min
  19. 19
    A exploração sobre insetos e por que devemos nos opor a ela

    Há evidências crescentes de senciência em insetos, e a exploração deles (para ração, alimento, seda, corante) já mata trilhões por ano em condições muito ruins; dado o número de vítimas, é um dos problemas mais importantes.

    8 min
  20. 20
    O debate sobre a experimentação animal

    Os argumentos da necessidade e da eficácia não justificam a experimentação animal; dar mais peso aos humanos não se sustenta, nem a posição "kantismo para humanos, utilitarismo para animais"; podemos continuar pesquisando sem usar animais.

    17 min