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Volume IV · O debate sobre a exploração animal · capítulo 13

Mas, o veganismo tem mesmo um impacto prático?

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O veganismo tem impacto prático: mesmo sem eliminar toda contribuição à exploração, cada pessoa reduz a demanda, e o crescimento da exploração não mostra falta de impacto, só que ele precisa ser comparado ao que aconteceria sem os veganos.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume IV, p. 59 da edição em PDF

No mundo em que vivemos é quase impossível eliminar totalmente nossa contribuição com a , pois quase todos os produtos e serviços envolvem, em algum grau, exploração animal.

Além disso, as técnicas de plantio, colheita e o transporte de mercadorias vegetais também matam acidentalmente animais de pequeno porte (e mesmo intencionalmente, como no caso do extermínio dos animais que consomem a plantação).

Essas constatações são um lembrete importante para tentarmos fazer algo para diminuir as mortes que a produção de alimentos vegetais também causa aos animais. Entretanto, não são uma boa razão para se rejeitar o , pois o fato de não conseguirmos evitar todo o mal não justifica que não evitemos o máximo que conseguirmos.

O objetivo é evitar prejudicar o maior número de animais, mesmo que não consigamos evitar prejudicar todos. Mesmo que com o veganismo conseguíssemos evitar a morte apenas de um único animal, ainda valeria a pena. Além disso, na realidade, a prática do veganismo evita que uma grande quantidade de animais nasça apenas para sofrer e ser morto. Veremos isso em mais detalhes a seguir.

Algumas pessoas têm a impressão de que o veganismo não tem nenhum impacto prático porque percebem que, apesar do aumento no número de adeptos ao veganismo nas últimas décadas, houve também um aumento na quantidade de animais explorados. Entretanto, isso não mostra que o veganismo não tem um impacto prático. O que é necessário fazer para avaliar o impacto prático do veganismo não é comparar a quantidade de animais explorados atualmente com a quantidade de animais explorados em décadas passadas, mas imaginar como o mundo seria hoje se cada pessoa que é vegana não o fosse. Lembre-se de que, se o número de pessoas veganas fosse menor, o número de animais mortos atualmente seria ainda maior do que já é. A seguir, veremos algumas estimativas do impacto prático do veganismo.

Para efeito de argumentação assumamos que 2 trilhões de vertebrados sejam mortos para consumo anualmente (é provável que a quantidade real seja maior148). Levando em conta que a população humana é de aproximadamente 8 bilhões de pessoas, isso representa uma média de 250 animais vertebrados mortos por pessoa por ano. Levando em conta a expectativa de vida média de um humano (75 anos), a prática do veganismo faria com que cada pessoa evitasse ao longo da vida que pelo menos 18 mil vertebrados nascessem para passar por esse destino.

O cálculo acima diz respeito somente aos vertebrados. Se computarmos os invertebrados veremos que a quantidade anual de animais mortos na exploração animal por ano é muito maior: está entre 34 e 54 trilhões de indivíduos149. Isso representa uma média de 4250 a 6750 animais mortos por pessoa por ano. Levando em conta a expectativa de vida média humana de 75 anos, cada pessoa vegana evitaria ao longo da vida que algo entre 318 mil e 506 mil animais nasçam para passar por esse destino.

Assim, certamente que o veganismo possui um impacto prático. E, como vimos, esse impacto não é pequeno.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume IV
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Como avaliar o impacto prático do veganismo, segundo o capítulo?

É possível eliminar totalmente a contribuição com a exploração animal hoje?

Para pensar

Que outras ações coletivas dependem de muitas escolhas individuais pequenas para funcionar?

Notas do autor 2
  1. 148 Para estatísticas da exploração sobre vertebrados aquáticos, ver (2019). Para estatísticas da exploração sobre vertebrados terrestres, ver Our world in data (2018) e Sanders (2018). ↩
  2. 149 Para estatísticas sobre a exploração de invertebrados terrestres, ver Schukraft (2019) e Rowe (2020a, 2020b, 2021). Para estatísticas sobre a exploração de invertebrados aquáticos, ver Waldhorn; Altric (2023); Fishcount (2019). ↩
Fontes citadas neste texto 7

A lista completa do volume está em referências do Volume IV.

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