Volume IV · O debate sobre a exploração animal · capítulo 12
O veganismo causaria uma ruína à economia e perda de empregos?
Antes de ler camada de estudo, não faz parte do texto original
Dizer que o veganismo arruinaria a economia e os empregos falha na ética (lucro não justifica prejudicar vítimas) e nos fatos (a demanda por produtos veganos também gera empregos, e a transição é gradual).
Algumas pessoas dizem: "se ninguém comer carne, muita gente perde o emprego". Mas, quando as pessoas compram outras coisas, surgem outros empregos para fazer essas coisas. E dinheiro não justifica fazer alguém sofrer.
Quando a fotografia digital chegou, empregos com filme fotográfico diminuíram e outros surgiram. E, se uma atividade lucrativa prejudica vítimas, o lucro não a torna justa.
- P1 O argumento diz que não devemos ser veganos porque isso prejudicaria a economia e os empregos.
- P2 Benefícios econômicos não justificam causar sofrimento e morte a vítimas, como não justificariam com humanos.
- P3 Além disso, a demanda por produtos veganos gera novas ofertas de emprego.
- C Logo, o argumento econômico não justifica a exploração animal.
Forma lógica do argumento central do capítulo. Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão se segue. Para discordar, é preciso mostrar qual premissa é falsa.
Eles dizem “Imagina quantos empregos o agronegócio gera.”
Resposta A escravidão também movimentava a economia, e isso não a justificava. E o dinheiro não desaparece: é gasto em outros produtos, que também empregam pessoas.
Mais objeções e respostas em Desbancando objeções.
Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume IV, p. 57 da edição em PDF
12.1. A objeção de que o veganismo causaria uma ruína à economia
A indústria de é um grande negócio. Movimenta muito dinheiro em todo o mundo. Com base nisso por vezes é defendido que, se muita gente se tornar vegana, haveria um colapso da economia e que, por essa razão, não devemos ser .
O primeiro problema com esse argumento é que, mesmo que o veganismo em larga escala causasse uma ruína na economia, ainda assim isso resultaria em um mundo com menos sofrimento e mortes do que haveria em um mundo onde continuasse a exploração animal.
O segundo problema é que é falso que o veganismo em larga escala causaria uma ruína à economia. À medida que diminuísse a demanda por produtos de origem animal, aumentaria a demanda por produtos veganos.
12.2. A objeção de que quem trabalha na exploração animal perderia o emprego
Por vezes é alegado que o veganismo em larga escala faria com que as pessoas que trabalham na exploração animal perdessem seus empregos e que, por essa razão, está justificada a exploração animal.
Há dois problemas fundamentais com esse argumento. Um problema diz respeito à concepção de ética assumida pelo argumento. O outro diz respeito ao que ele assume quanto aos fatos. A seguir veremos cada um deles separadamente.
O primeiro problema é que, mesmo que aquilo que o argumento alega viesse a ocorrer, perder um emprego, ainda que seja algo bastante ruim, nem de longe é comparável ao que os animais explorados sofrem. Se alguém tem alguma dúvida, basta imaginar em qual das duas situações preferiria estar.
Se humanos fossem criados e mortos para serem consumidos, para fazer roupas, ou para serem usados como modelos de testes, soaria ridículo dizer que não devemos acabar com tais práticas só porque isso faria os trabalhadores de tal sistema perderem seus empregos. O motivo pelo qual as atitudes são tão díspares dependendo de se estamos a falar da exploração sobre animais humanos ou sobre humanos é simplesmente o fato de que o respeito por humanos já é levado a sério em um grau muito maior do que é o respeito pelos animais não humanos.
Assim, o problema ético com o argumento é que ele assume uma concepção tendenciosa que dá maior peso ao prejuízo menor, só porque o prejuízo maior recairia sobre os animais não humanos. É portanto, uma concepção especista. Tal concepção jamais seria aceita se não soubéssemos quem seriam os beneficiados e quem seriam os prejudicados. Por exemplo, imagine que você tivesse que dizer qual dessas duas coisas é mais importante: (1) evitar perder o emprego, ou (2) evitar passar por tormentos extremos durante uma vida inteira e ser morto de maneira brutal. Ninguém em sã consciência diria que é mais importante evitar perder o emprego. Isso mostra que a concepção de ética assumida pelo argumento não passa no teste da imparcialidade. É, portanto, uma concepção tendenciosa e, por isso, injusta.
O segundo problema diz respeito ao que o argumento assume quanto aos fatos. O argumento assume que, quanto mais pessoas se tornassem veganas, menor seria a oferta de empregos. Entretanto, isso é se esquecer de que, à medida que aumentar a demanda por produtos veganos, aumentaria também as ofertas de emprego por conta disso, seja em empresas focadas exclusivamente em produtos veganos, seja em empresas que comercializam produtos decorrentes da exploração animal, mas que também trabalham com produtos veganos. Portanto, não há nenhuma conexão necessária entre um aumento no número de veganos e uma diminuição geral nas ofertas de empregos.
Pratique
Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.
Quais são os dois problemas do argumento apontados no capítulo?
Se mais pessoas se tornassem veganas, o que aconteceria com os empregos ligados a produtos veganos?
Para pensar
Que outras mudanças econômicas do passado eliminaram empregos e criaram outros?
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