O argumento
"Se não comêssemos os animais, eles nem existiriam. Então criá-los para comer é um favor: damos a eles a vida."
Problema 1: a maioria não tem uma vida boa
Como vimos no capítulo 1, muitos animais criados para consumo vivem vidas que são, literalmente, um inferno. Fazer alguém nascer para sofrer não é um favor.
Alguém poderia responder: "então vamos reformar o sistema para que todos tenham vidas boas". Mesmo assim, há outro problema.
Problema 2: fazer um bem dá direito de fazer um mal?
Mesmo que os animais tivessem vidas boas, isso não dá o direito de matá-los.
Pense em pais e filhos. Os pais trazem os filhos à vida. Isso não dá aos pais o direito de matá-los depois. Dar a vida a alguém não torna esse alguém nossa propriedade.
A morte é um mal porque tira de alguém as coisas boas que ainda viveria. Então, se o animal teria uma vida boa pela frente, matá-lo é prejudicá-lo, não importa quem o fez nascer.
E quem não chegou a nascer?
O texto discute uma pergunta difícil: se a morte é ruim por impedir coisas boas, não seria igualmente ruim não fazer nascer um animal que teria uma vida boa?
A resposta do autor: há uma diferença entre prejudicar alguém que já existe e simplesmente não criar alguém novo. Quem nunca existiu não perdeu nada, porque não há ninguém ali para perder.
Resumindo
- Na prática, a maioria dos animais criados vive com muito sofrimento.
- Dar a vida não dá direito de matar, assim como pais não podem matar filhos.
- Prejudicar quem já existe é diferente de não criar alguém novo.