A explicação que estamos testando
No capítulo 1 vimos que a morte é um mal porque tira as coisas boas que ainda viriam. Este texto apresenta três objeções a essa explicação e as respostas a elas.
Objeção 1: "não dá para saber o futuro"
Nunca temos certeza se a vida de alguém seria boa ou ruim daqui para frente. Então como saber se a morte seria um mal?
Resposta: não precisamos de certeza. Podemos fazer estimativas. Um médico não sabe exatamente quanto tempo um paciente vai viver, mas sabe que tratar uma doença costuma valer a pena. Com a morte é parecido: dá para avaliar o que é mais provável.
Objeção 2: "e por que não lamentamos não ter nascido antes?"
Se perder tempo de vida no futuro é ruim, então perder tempo de vida no passado (por ter nascido mais tarde) também deveria ser. Mas ninguém lamenta não ter nascido antes.
Resposta: na vida real, ninguém pode nascer antes. Já o momento da morte pode mudar. Por isso faz sentido nos preocuparmos com ele. O texto mostra também que, se fosse possível escolher, faria sentido preferir ter mais tempo de vida, venha ele antes ou depois.
Objeção 3: "e os seres que nunca nasceram?"
Se a morte é ruim por impedir coisas boas, então quem nunca nasceu também teria sido prejudicado por não ter vivido. Isso parece estranho.
Resposta: só faz sentido falar em prejuízo para quem já existe. Quem nunca existiu não é alguém que perdeu algo. O autor reconhece que essa resposta também traz perguntas difíceis, por exemplo sobre se é bom que nasçam novos seres felizes.
Resumindo
- Mesmo sem certeza, dá para estimar se uma vida seria boa.
- O momento da morte pode mudar; o do nascimento, não.
- Só quem já existe pode perder algo com a morte.