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Volume XII · O essencial sobre ética animal · capítulo 15

Debates sobre estratégias de ativismo

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O quadro resume debates estratégicos do ativismo: veganismo ou redução, reforma ou abolição, argumentos indiretos ou diretos, foco amplo ou nos animais, tecnologia ou mudança social, população ou influentes, comportamento ou atitude, ações controversas, mudanças sociais ou institucionais.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume XII, p. 52 da edição em PDF

Outro tópico cuja discussão tem crescido bastante nos últimos anos é sobre a eficiência de diferentes tipos de estratégias na defesa dos animais62. O quadro a seguir exemplifica alguns debates sobre o grau de eficiência de diferentes estratégias de ativismo. Importante: esse debate não é necessariamente sobre “essa ou aquela estratégia?”. Pode ser sobre o quanto focar em uma ou em outra. Outra discussão adicional é se seria melhor todas as pessoas focarem em certas estratégias (e focarem ou não sempre na mesma), ou ter pessoas diferentes focando em estratégias diferentes, e compensar de acordo com o quão pouco uma estratégia foi tentada.

Alguns debates sobre várias estratégias de ativismo
O que está em questão Principal argumento das posições em conflito
Devemos focar em defender o veganismo ou a redução do consumo? (VIII, cap. 9).Pró foco na redução. Pode ser mais fácil conseguir que muito mais pessoas reduzam o consumo do que aceitarem se tornar veganas. Muito mais pessoas fazendo menos pode ter um impacto melhor para os animais do que poucas pessoas fazendo muito.Pró foco no veganismo. Defender a redução pode passar a impressão de que a exploração animal está correta. Mesmo se menos pessoas aderirem ao veganismo do que à redução, pode ser que o impacto total seja melhor para os animais, se essas pessoas forem mais engajadas no ativismo.
Devemos defender a reforma da exploração animal para que os animais sofram menos ou apenas sua abolição? (VIII, cap. 10,11)Pró reforma. Regulamentar a exploração animal pode diminuir o sofrimento dos animais explorados e pode ajudar a aboli-la gradualmente, pois pode fazer com o que público se torne cada vez mais preocupado com o que acontece com os animais.Contra reforma. Como os animais são itens de propriedade, as leis que exigem que sofram menos dificilmente terão efeito se reduzirem os lucros. O público pode pensar equivocadamente que eles estão a sofrer menos, e isso pode aumentar a demanda e, então, aumentar o número de animais explorados
No ativismo contra o consumo de animais, devemos focar no dano para os animais, ou também devemos falar de impactos ambientais e riscos para a saúde (isto é, argumentos indiretos)? (VIII, cap. 4).Pró argumentos indiretos. Para os animais, não importa o motivo, importa que as pessoas parem de explorá-los. Além disso, muitas pessoas defendem a exploração animal não porque acreditam que ela seja justa, mas porque gostam do sabor da comida de origem animal. Assim, se abandonarem o consumo de animais, seja lá por que motivo for, será mais fácil que depois se posicionem contra a exploração animal.Contra argumentos indiretos. Motivos diferentes têm consequências diferentes para os animais. Argumentos indiretos podem reforçar que o dano para os animais não é suficiente para que a exploração animal seja injusta. Além disso, apelar a argumentos antropocêntricos e ambientalistas pode reforçar essas visões e tornar mais difícil que as pessoas se preocupem com outros danos ainda maiores para os animais (como no caso dos animais na natureza e os riscos-s63).
Ao falar dos seres sencientes, devemos falar somente sobre os não humanos, ou de problemas humanos também? (VIII, cap., 4,6,8)Pró foco amplo. Abordar problemas humanos pode fazer com que outros movimentos sociais aceitem melhor o movimento de defesa dos animais, por perceberem que há metas comuns (a consideração por todos os seres sencientes).Pró foco nos animais. A vasta maioria das pessoas já foca em problemas humanos e negligencia a situação dos animais. Por isso, há razões para enfatizar a situação dos animais, uma vez que os recursos para a causa animal são muito mais limitados e ela é muito mais negligenciada.
Foco em mudança social ou tecnológica? (VIII, cap. 7, 12, IX, cap. 9).Pró mudança tecnológica. Certas tecnologias podem tornar obsoleto o uso de animais (por exemplo, carne celular), e isso pode beneficiar os animais mesmo que as pessoas não os considerem.Pró mudança social. O que irá determinar se a tecnologia será utilizada para causar sofrimento ou para preveni-lo são os valores que as pessoas cultivam.
Focar na população em geral ou em pessoas com influência e poder?Pró foco em pessoas com influência e poder. Um menor número dessas pessoas pode ter um impacto maior do que o impacto de uma maioria.Pró foco na população em geral. A maioria das mudanças precisará do apoio de um grande número de pessoas (sejam mudanças sociais ou institucionais).
Focar em mudanças de comportamento ou de atitude? Pró mudança de comportamento. Mudanças práticas engajam mais. Estas também podem quebrar a resistência à mudança de atitudes.Pró mudança de atitude. É difícil as pessoas mudarem o seu comportamento em relação aos animais se elas não mudarem o que elas pensam sobre eles.
O quão controversa/ complacente deve ser a abordagem? Pró ação controversa. A ação controversa chama a atenção para o problema.Contra ação controversa. A ação controversa pode gerar rejeição.
Focar em mudanças sociais ou em mudanças institucionais? Pró foco em mudanças institucionais. A maioria dos movimentos sociais que cresceram (como o ambientalismo por exemplo) o fizeram buscando por mudanças institucionais. Além disso, para uma mudança institucional ter efeito, é preciso convencer menos pessoas do que para uma mudança social ter efeito. Por fim, focar em mudanças institucionais enfatiza que não é uma questão de "decisão pessoal", e sim, que deveria haver leis obrigando todos a respeitarem os animais.Pró foco em mudanças sociais. Como os animais são propriedade perante a lei, é difícil conseguir uma mudança institucional que de fato os proteja. O que teria de ser feito é retirá-los da categoria de itens de propriedade. Mas, para que isso ocorra, é necessário que muitas pessoas reivindiquem tal mudança. Assim, a mudança social é necessária para a mudança institucional. Além disso, para que mudanças institucionais de fato sejam cumpridas, é necessária uma mudança na forma como as pessoas consideram os animais.
Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume XII
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Qual é o principal argumento contra as reformas, segundo o quadro?

O debate entre estratégias é necessariamente "essa ou aquela"?

Para pensar

Em qual desses debates você tem posição? Qual é o melhor argumento do lado oposto?

Notas do autor 2
  1. 62 Para um resumo detalhado destes e de outros debates, ver (2019). ↩
  2. 63 Há um estudo que sugere que as pessoas que deixam de consumir produtos de origem animal por razões ambientalistas se tornam mais resistentes à proposta de ajudar os animais na natureza.Ver Greig (2017). ↩
Fontes citadas neste texto 2

A lista completa do volume está em referências do Volume XII.

Aprofunde cada ponto

Os capítulos indicados pelo autor nos quadros acima.

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