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de Ética
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Volume VI · A quem devemos consideração moral? · capítulo 2

Seria o critério da senciência, no fundo, antropocêntrico?

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O critério da senciência não é antropocêntrico: não considera os animais por se parecerem com humanos, mas porque podem ser prejudicados e beneficiados, o que a razão ou a linguagem não determinam.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume VI, p. 14 da edição em PDF

Os proponentes do escolhem uma característica típica humana (por exemplo, o modo de raciocinar) e atribuem estatura moral aos animais não humanos de acordo com o grau de similaridade com os humanos nessa característica. Por vezes os defensores do critério da são acusados de fazerem o mesmo9: percebem que a senciência é uma característica dos humanos, e escolhem considerar apenas os seres que são sencientes (excluindo plantas, fungos e bactérias por exemplo). A objeção conclui que, em ambos os casos, só recebe consideração quem tiver similaridades com humanos (só mudando, em cada caso, a característica escolhida como padrão de similaridade).

A principal resposta a essa crítica aponta para duas coisas.

Em primeiro lugar, há diferença entre utilizar o modo de raciocinar e utilizar a senciência como critério de : como vimos no capítulo 1, o primeiro não determina quem é passível de ser prejudicado e/ou beneficiado, e o segundo sim.

Em segundo lugar, não é que os proponentes do critério da senciência primeiro postulam que humanos importam, e depois procuram, dentre os animais que pretendem também considerar, alguma similaridade com humanos. Não estão a defender: “devemos considerar os seres sencientes porque se parecem com humanos”, mas exatamente o contrário: “devemos considerar humanos porque são sencientes”. O critério da senciência continuaria indicando quais seres são passíveis de ser prejudicados e beneficiados (e, portanto, quais devem receber consideração moral) mesmo que os humanos não fossem sencientes. Assim, é falso que o critério da senciência seja, no fundo, antropocêntrico.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume VI
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Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Qual a diferença entre usar a razão e usar a senciência como critério?

Os defensores do critério da senciência dizem que devemos considerar os sencientes porque...

Para pensar

Se descobríssemos um ser senciente que não se parece em nada conosco, ele deveria contar?

Notas do autor 1
  1. 9 Para um exemplo dessa acusação ver (1981, p. 20, 21). ↩
Fontes citadas neste texto 1

A lista completa do volume está em referências do Volume VI.

  • REGAN, T. The Nature and Possibility of an Environmental Ethic. Environmental Ethics, vol. 3, n. 1, p. 19-34, 1981.

Este capítulo no Volume XII

Como o autor resume este debate no Essencial sobre ética animal.

O critério da senciência é antropocêntrico, pois busca nos animais uma similaridade com humanos (a senciência). (VI, cap. 2)
O critério da senciência não defende que devemos considerar os animais sencientes porque se parecem com humanos, e sim, porque são passíveis de ser prejudicados e beneficiados.

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