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Volume VI · A quem devemos consideração moral? · capítulo 3

O critério da senciência discrimina contra quem não pertence ao reino animal?

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O critério da senciência não é "reinismo": não inclui todos os animais (esponjas provavelmente não sentem) nem exclui outros reinos por princípio; inclui qualquer ser senciente, inclusive não orgânico, se vier a existir.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume VI, p. 15 da edição em PDF

O critério da prescreve darmos a todos os seres que tiverem a capacidade de ter experiências, como sofrimento e prazer. O critério da senciência por vezes é acusado de cometer uma discriminação baseada nos reinos, por incluir na esfera de consideração moral membros do reino animal e excluir membros de outros reinos, como plantas e fungos.

Entretanto, os proponentes do critério da senciência não afirmam que devemos considerar os seres sencientes porque essa é uma característica do reino animal. Em vez disso, defendem que consideremos boa parte dos animais porque são sencientes e, portanto, são passíveis de ser prejudicados e beneficiados.

Embora todo ser senciente encontrado até hoje pertença ao reino animal, há membros do reino animal que, devido a não terem um sistema nervoso, ou não o terem minimamente organizado, muito provavelmente não são sencientes10 (como as esponjas e as águas-vivas, por exemplo). Os proponentes do critério da senciência não defendem considerar esses animais pois, de acordo com o critério da senciência, não há possibilidade de eles serem prejudicados e/ou beneficiados (seja lá o que fizermos, lhes será indiferente, pois não há alguém ali para quem as coisas poderiam ir melhor ou pior; há apenas um corpo vivo).

Se algum dia fosse descoberto que, por exemplo, certo vegetal ou fungo é senciente, então o critério da senciência incluiria-o na esfera de consideração moral, dando-lhe . Entretanto, não há até hoje evidências de algo assim. No futuro, se vierem a existir robôs sencientes, máquinas sencientes, seres sencientes em meios digitais, ou qualquer outra forma de senciência não orgânica, o critério da senciência os incluiria na esfera de consideração moral, dando-lhes igual consideração (pois seriam passíveis de ser prejudicados e/ou beneficiados)11.

Portanto, a acusação de “reinismo” não se sustenta. O critério da senciência é diferente do critério "pertencer ao reino animal".

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume VI
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Que exemplos de animais provavelmente não sencientes o capítulo dá?

Um ser senciente não orgânico seria incluído pelo critério?

Para pensar

Que seres você inclui na sua consideração só por serem "animais", sem perguntar se sentem?

Notas do autor 2
  1. 10 Sobre isso, ver (2015e). ↩
  2. 11 Sobre por que deveríamos nos preocupar seriamente com a possibilidade da senciência não orgânica, ver (2015b). ↩
Fontes citadas neste texto 2

A lista completa do volume está em referências do Volume VI.

Este capítulo no Volume XII

Como o autor resume este debate no Essencial sobre ética animal.

O critério da senciência comete uma discriminação baseada nos reinos, pois exclui quem não pertence ao reino animal (VI, cap. 3).
Ser senciente não é o mesmo que ser um animal. Há animais não sencientes (como as esponjas, por exemplo) e no futuro poderá haver seres sencientes não animais (por exemplo, se a senciência em meios digitais for possível). O critério prescreve considerar todos os seres sencientes, independentemente de pertencerem ou não ao reino animal.

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