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Volume V · Diferenças entre ambientalismo e consideração pelos animais · capítulo 4

A divergência não está no foco no curto ou longo prazo

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Antes de ler camada de estudo, não faz parte do texto original

A diferença entre as duas posições não é que uma pensa no curto prazo e outra no longo: a preocupação com o sofrimento futuro dos animais já é uma preocupação centrada neles, e não ambientalista.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume V, p. 18 da edição em PDF

Considere a seguir dois tipos diferentes de intervenções que afetam os animais que se encontram na natureza28 e duas crenças comuns, porém equivocadas, em relação a ambas.

(1) Existem programas que envolvem matar um grande número de em nome da preservação da e do 29. Uma visão comum consiste em pensar que essas intervenções prejudicam alguns animais agora para evitar um prejuízo ainda maior para muitos animais em longo prazo.

(2) Em contraste, existem propostas para ajudar os animais selvagens que são focadas na preocupação com o bem dos próprios animais, e não em metas ambientalistas30. Uma visão comum consiste em pensar que essas propostas beneficiam alguns animais agora e negligenciam o risco de isso aumentar ainda mais o sofrimento e as mortes em longo prazo.

De acordo com essas duas crenças comuns, ambas as perspectivas possuem a mesma meta (beneficiar os animais) e a diferença entre elas seria que uma leva em conta o impacto de longo prazo das ações e a outra não. Perceberemos a razão pela qual ambas as crenças são equivocadas se repararmos em quais critérios seriam utilizados por defensores dos animais e por ambientalistas para avaliar o quão boa ou ruim seria a história completa do mundo31. Dessa maneira, evitaremos qualquer confusão que possa surgir em relação ao que cada uma dessas perspectivas almeja em curto e em longo prazo.

Defensores dos animais avaliarão o quão boa ou ruim é a história completa do mundo com base em como os seres são afetados positiva ou negativamente. Já as perspectivas ambientalistas a avaliarão de acordo com o grau com que os ecossistemas exibem características como complexidade, diversidade, raridade, propriedades estéticas, no quão bem representam certos ideais, se contêm ou não somente membros de espécies nativas, no

quão pouco foram transformados por humanos etc.32 No ambientalismo essas características são valorizadas em si (e não, instrumentalmente para garantir o bem dos animais).

Isso significa que o ambientalismo diria que, se uma história completa de mundo apresentar em maior grau os ecossistemas naquelas configurações, então ela é melhor, mesmo que seja muito pior para os animais (por exemplo, mesmo que contenha muito mais sofrimento e mortes prematuras, menos vidas positivas etc.).

Assim sendo, o objetivo das práticas ambientalistas de extermínio de animais selvagens não é prevenir que mais sofrimento e mortes prematuras ocorram dali para frente. O objetivo é garantir que os ecossistemas exibam aquelas propriedades, mesmo que isso aumente a quantidade de sofrimento e de mortes dali para frente.

Por outro lado, nos programas de ajuda aos animais selvagens que são motivados por preocupação com os próprios animais, o que é almejado é justamente garantir que, dali para frente, ocorra a melhor história de mundo para os animais afetados. Portanto, é também equivocada a crença de que a proposta de ajudar os animais selvagens ajuda alguns animais agora e negligencia a o impacto de tais ações em longo prazo.

Em resumo, os programas de ajuda aos animais selvagens que são motivados por preocupação com o bem dos próprios animais almejam exatamente aquilo que o senso comum acredita equivocadamente que é almejado pelo ambientalismo: que haja menos sofrimento e mortes prematuras dali para frente. Essa crença equivocada sobre o que é almejado por cada uma dessas perspectivas é um dos fatores que conduzem várias pessoas a rejeitarem a proposta de ajudar os animais e a aceitarem as medidas ambientalistas.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume V
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

A afirmação "não devemos ajudar porque isso causaria mais sofrimento no futuro" expressa uma preocupação...

O que os programas de ajuda aos animais selvagens almejam, segundo o capítulo?

Para pensar

Quando alguém diz "pense no longo prazo", em quem ele está pensando?

Notas do autor 5
  1. 28 Uma análise detalhada da situação dos animais na natureza pode ser encontrada em (2018; 2022a) e (2023 [2020]; 2016a). ↩
  2. 29 Para exemplos, ver nota 19. ↩
  3. 30 Para uma fundamentação dessa proposta, ver Cunha (2018; 2022a). Para exemplos práticos, ver Ética Animal (2023 [2020]). ↩
  4. 31 Para uma defesa da importância de se levar em conta histórias completas de mundo nas deliberações éticas, ver Ética Animal (2018) e O'Brien (2023). ↩
  5. 32 Para as muitas variantes do ambientalismo, ver (1992) e Zimmerman et. al. (1993). ↩
Fontes citadas neste texto 7

A lista completa do volume está em referências do Volume V.

Este capítulo no Volume XII

Como o autor resume este debate no Essencial sobre ética animal.

A defesa animal defende ajudar os animais selvagens sem se preocupar com as consequências, e o ambientalismo prescreve não ajudá-los por receio de que fazê-lo possa causar ainda mais sofrimento. (V, cap. 4).
A diferença entre essas posições não tem a ver com uma delas considerar o longo prazo e outra não. Ambas podem considerar o longo prazo. O que as diferencia são suas metas. Afirmar que certa ajuda não deveria ser conduzida porque poderia causar mais sofrimento em longo prazo é uma preocupação com os seres sencientes (portanto, não é uma preocupação ambientalista).

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