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de Ética
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Volume VI · A quem devemos consideração moral? · capítulo 7

Aceitar o critério da senciência implica assumir que valores são subjetivos?

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Aceitar o critério da senciência não implica que valores são subjetivos: há uma confusão entre "subjetivo" no sentido de referir-se à consciência e no sentido de não haver verdade objetiva.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume VI, p. 23 da edição em PDF

A ética centrada na defende que, para uma situação ser boa/ruim, melhor/pior, é preciso haver um ou mais indivíduos que sejam prejudicados ou beneficiados em tal situação. O critério da senciência defende que os seres para quem as coisas podem ir melhor ou pior são os seres sencientes, isto é, os seres que possuem uma subjetividade, pois são capazes de experiências que podem ser positivas ou negativas, podem ter suas preferências satisfeitas ou frustradas e assim por diante.

Consideremos agora uma objeção ao critério da senciência. Essa objeção diz que devemos rejeitá-lo porque, se aceitarmos que, para uma situação ser melhor ou pior, é necessária a existência de seres com subjetividade (como é assumido na ética centrada na senciência), então estaremos assumindo uma concepção subjetiva do valor (isto é, assumindo que não existe algo que todos deveriam reconhecer como bom ou ruim objetivamente, independentemente do que preferirem).

Entretanto, uma coisa não implica necessariamente a outra. O que toda concepção de valor centrada na senciência assume é que, para existir valor/desvalor no mundo, é necessária a existência de seres capazes de ser afetados positiva ou negativamente. Isso é compatível com afirmar que há coisas que todos deveriam reconhecer como boas ou ruins.

Por exemplo, poderia ser dito que a felicidade tem objetivamente e que o sofrimento tem objetivamente desvalor em si. Segundo essa concepção, os seres sencientes apenas reconhecem aquilo que contém valor ou desvalor: não são eles que criam o valor ou desvalor. Poderia ser dito, por exemplo, que não são os seres sencientes que "inventam" que o sofrimento é ruim e que o prazer é bom. O valor do prazer e o desvalor do sofrimento vêm de suas características intrínsecas.

Defender que existem coisas boas/ruins em si de modo objetivo não implica ter que dizer que coisas que não são experiências (tais como espécies, ecossistemas, ou a vida meramente biológica, sem senciência) possuem valor em si. Defender que existem coisas boas ou ruins em si objetivamente é compatível com afirmar que, para existir valor ou desvalor, há que haver seres para quem as coisas podem ser positivas ou negativas.

Em resumo, a objeção em questão confunde dois sentidos do termo "subjetivo". Algo pode ser subjetivo no sentido de fazer referência à consciência. Algo pode ser subjetivo no sentido de não haver uma verdade objetiva a seu respeito. Entretanto, como vimos, uma coisa não implica necessariamente a outra.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume VI
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Qual confusão o capítulo aponta?

É possível dizer que a felicidade tem valor objetivo e o sofrimento, desvalor objetivo?

Para pensar

Você acha que a sua dor é ruim só porque você acha que é ruim?

Este capítulo no Volume XII

Como o autor resume este debate no Essencial sobre ética animal.

O critério da senciência valoriza apenas seres que possuem uma subjetividade. Então, assume que valores são subjetivos (isto é, que não há certo/errado quanto a valores). (VI, cap. 7).
Isso é confundir dois sentidos do termo "subjetivo". Algo pode ser subjetivo no sentido de fazer referência à consciência. Algo pode ser subjetivo no sentido de não haver uma verdade objetiva a seu respeito. Entretanto, uma coisa não implica necessariamente a outra. Por exemplo, poderia ser dito que a felicidade tem objetivamente valor em si e que o sofrimento tem objetivamente desvalor em si.

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