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Volume VII · A ética e a situação dos animais selvagens · capítulo 7

A proposta de ajudar os animais selvagens é antropocêntrica?

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A proposta de ajudar os animais selvagens não é antropocêntrica: ser proposta por humanos não a torna centrada em humanos; os animais não têm interesse em ter o sofrimento maximizado para que a natureza siga o seu curso.

Texto original Luciano Carlos Cunha · Volume VII, p. 23 da edição em PDF

Há uma objeção à proposta de ajudar os que acusa-a de impor valores antropocêntricos aos animais (ou de, pelo menos, humanizá-los, pensando que valorizam coisas que apenas os humanos valorizam)20.

Uma resposta simples a essa objeção é apontar que o objetivo da proposta de ajudar é prevenir acontecimentos que, de fato, prejudicariam os animais, como o sofrimento e as mortes prematuras. Não são apenas os humanos que têm interesse em evitar sofrimento e em desfrutar de vidas positivas: essas coisas são do interesse de qualquer ser senciente.

Os animais não humanos não têm interesse em ter o seu sofrimento e as suas mortes prematuras maximizados para que a natureza siga o seu curso. Apenas alguns humanos é que valorizam isso (normalmente apenas quando eles próprios não são as vítimas, diga-se de passagem). Portanto, defender "o correto é deixar a natureza seguir o seu curso, mesmo quando isso resultar em sofrimento ou morte para os animais" é que seria impor valores antropocêntricos aos animais (ou, pelo menos, humanizá-los).

Poderia ser objetado que o que se quer dizer com a alegação de que a proposta de ajudar os animais é é que ela implica que os humanos decidam o que acontecerá com os animais nos ecossistemas naturais. Entretanto, a palavra adequada aqui seria então antropogênica (no sentido de ser uma prática conduzida por humanos) e não antropocêntrica (já que a proposta em questão visa beneficiar os animais não humanos). Além disso, quando nossa decisão tem poder de alterar uma situação, então decidimos o que irá acontecer nela, quer decidamos mudá-la, quer decidamos deixá-la como está. Então, quem é contra ajudar os animais selvagens também está igualmente a decidir o que acontecerá com os animais nos ecossistemas naturais.

Texto de Luciano Carlos CunhaColeção Uma Jornada pela Ética Animal, Volume VII
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Pratique

Camada de estudo. As respostas se baseiam no texto do capítulo.

Qual a diferença entre antropogênico e antropocêntrico?

Quem valoriza que a natureza siga o seu curso mesmo à custa do sofrimento dos animais?

Para pensar

O que um animal com fome "quer"? É um valor humano?

Notas do autor 1
  1. 20 Ver, por exemplo, Kirkwood e Sainsbury (1996, p. 239). ↩
Fontes citadas neste texto 1

A lista completa do volume está em referências do Volume VII.

  • KIRKWOOD, J. K.; SAINSBURY, A. W. Ethics of Interventions for the Welfare of Free-living Wild Animals. Animal Welfare, v. 5, n. 3, p. 235-243, 1996.

Este capítulo no Volume XII

Como o autor resume este debate no Essencial sobre ética animal.

A proposta é antropocêntrica, pois surge dos humanos. (VII, cap. 7).
O fato de uma proposta ser antropogênica (isto é, surgir dos humanos) não significa que seja antropocêntrica (isto é, que sua meta é centrada em beneficiar humanos). A proposta em questão visa beneficiar os animais. Portanto, não é antropocêntrica.
A partir de nossa perspectiva humana, não conseguimos saber o que é melhor para os animais. Logo, o que é melhor para os animais é deixar a natureza seguir o seu curso. (VII, cap. 7).
É contraditório dizer, primeiro que não podemos saber o que é melhor para os animais, e depois dizer que sabemos que o melhor para eles é deixar a natureza seguir o seu curso. Além disso, nas situações em que a proposta de ajudar os animais selvagens visa intervir, nós sabemos o que é melhor para os animais. Seria absurdo dizer que talvez o melhor para os animais seria terem seus corpos queimados, morrerem de inanição, de doenças, nascerem para terem apenas sofrimento etc.

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