Como saber se uma decisão é justa?
Uma boa pista: uma decisão justa é a que tomaríamos de forma imparcial, sem puxar a sardinha para o nosso lado.
O véu da ignorância
O filósofo John Rawls ficou famoso por um teste. Imagine que você vai escolher as regras do mundo, mas ainda não sabe quem vai ser nele. Pode nascer rico ou pobre, saudável ou doente, de qualquer raça ou gênero. O que você escolheria nessas condições seria o justo.
E os animais?
Rawls achava que esse teste não valia para os animais, porque eles não têm senso de justiça. O autor responde: para ser responsabilizado por uma injustiça é preciso ter senso de justiça. Mas para sofrer uma injustiça, não. Bebês também não têm senso de justiça e podem ser injustiçados.
O filósofo Mark Rowlands lembra outra coisa: o véu existe para apagar vantagens que vêm da sorte, como as características com que se nasce. E nascer humano ou nascer porco também é uma questão de sorte.
O que decidiríamos atrás do véu
Agora imagine que você não sabe se vai nascer humano ou outro animal.
- Exploração animal: você aceitaria a pecuária sabendo que pode nascer como uma galinha numa granja? Provavelmente a acharia muito injusta.
- Especismo: você aceitaria uma regra que dá menos peso a quem não é humano? Provavelmente não.
- Animais selvagens: você aceitaria que ninguém ajudasse os animais que sofrem com fome e doenças na natureza, sabendo que poderia ser um deles? Provavelmente também não.
Resumindo
- Decisões justas são as que tomaríamos sem saber quem seríamos.
- Para sofrer uma injustiça não é preciso ter senso de justiça.
- Atrás do véu, rejeitaríamos a exploração, o especismo e o abandono dos animais selvagens.