A objeção
"Devemos nos preocupar só com quem já existe. Os seres do futuro ainda não existem; são só seres em potencial." Segundo essa ideia, faz sentido lutar pelo veganismo ou pelos animais selvagens, porque "são sobre quem já existe", mas não pensar nos seres que viverão daqui a séculos.
Essa objeção aparece muito quando se fala de mentes digitais que poderiam sentir no futuro.
Primeira resposta: o futuro também chega
O autor questiona a ideia de que só devemos nos preocupar com quem já existe. Os seres do futuro vão existir e vão sofrer ou ser felizes de verdade. Quando chegar a vez deles, o que fizermos hoje terá afetado a vida deles.
Pense no lixo nuclear: as pessoas que serão prejudicadas por ele daqui a mil anos ainda não existem. Mesmo assim, achamos errado guardá-lo de forma perigosa.
Uma distinção importante
Alguém pode dizer: "não temos o dever de fazer nascer novos seres, mas temos o dever de não matar os que existem. Então só temos deveres com indivíduos, e não com possibilidades".
O autor mostra que dá para concordar com isso e, mesmo assim, aceitar que temos deveres em relação a como nossas decisões afetam os seres que vão existir. Não se trata de criar seres, e sim de não deixar um mundo terrível para quem certamente vai nascer.
Resumindo
- A objeção diz que só importa quem já existe.
- Mas os seres do futuro vão sentir de verdade quando existirem.
- Temos razões para não deixar um mundo pior para eles.