Questão
de Ética
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Roteiro de aula · Volume I

Discutindo o especismo

Uma análise das principais tentativas de justificar o especismo

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Objetivos

  • O que é especismo e como ele se diferencia do antropocentrismo
  • Por que espécie, alma, inteligência e potencial não justificam desconsiderar os animais
  • Por que "é natural", "é tradição" e "a autoridade aprovou" não são boas razões
  • Como responder quando alguém diz que a ética é só uma invenção humana

Ajuda a turma já ter visto: nada. Este é um bom ponto de partida, junto do Volume XII.

Aula de 50 minutos

  1. 5 min
    Abertura. Faça a pergunta e deixe a turma responder sem corrigir: Pense em uma prática com animais que você considera normal. Ela continuaria parecendo normal se as vítimas fossem humanas, com prejuízos do mesmo tamanho?
  2. 15 min
    Leitura. Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais (6 min de leitura) e O que importa é a espécie? (3 min de leitura). Para turmas mais novas, leia a camada “Para crianças”: Algumas pessoas acham que machucar um animal só é errado porque deixa a pessoa malvada. Outras acham que os animais importam, mas menos. E outras acham que uma dor é uma dor, seja de um menino ou de um cachorro. Tratar alguém pior só por ser de outra espécie tem um nome: especismo.
  3. 15 min
    Discussão.
    • Pense em uma prática com animais que você considera normal. Ela continuaria parecendo normal se as vítimas fossem humanas, com prejuízos do mesmo tamanho? (Um panorama geral do debate sobre a consideração moral dos animais)
    • Que diferença entre você e um porco seria relevante para decidir se ele pode ser preso e morto? Por que essa diferença, e não outra? (O que importa é a espécie?)
    • Se descobríssemos que algumas pessoas não têm alma, estaria tudo bem fazê-las sofrer? Por que a sua resposta muda, ou não, quando o ser é um animal? (Características metafísicas poderiam justificar o especismo?)
    • Que capacidade você precisa ter para que uma queimadura seja ruim para você? (A posse de capacidades ou relações poderia justificar o especismo?)
  4. 10 min
    Atividade. Projete o simulador de debate. Em grupos, a turma escolhe a melhor resposta para cada objeção e explica por que as outras são fracas.
  5. 5 min
    Fechamento. Cada pessoa escreve em uma frase o que mudou no que pensava. Compare com o resumo do volume: Por que tratamos tão diferente um porco e um cachorro, ou um animal e um humano? O volume examina, uma a uma, as justificativas mais comuns para dar menos peso aos animais (espécie, alma, inteligência, natureza, tradição, autoridade, metaética) e mostra por que nenhuma delas se sustenta.

Folha de exercícios

  1. Quem diz que maltratar animais é errado só porque "embrutece" quem maltrata defende que...

    1. os animais importam por si
    2. os animais não importam por si, só indiretamente
    3. os animais importam tanto quanto os humanos
  2. O que o capítulo chama de padrão duplo?

    1. Dar o mesmo peso a dores de mesmo tamanho
    2. Aceitar com animais o que seria inaceitável com humanos em situação equivalente
    3. Priorizar quem sofre o dano maior
  3. Qual é o principal problema de dizer que os humanos importam mais "simplesmente porque são humanos"?

    1. É falso que existam humanos
    2. Assume como verdadeiro o que deveria provar
    3. Só vale para alguns humanos
  4. Preferir os da própria espécie é parecido com qual outra atitude que costumamos rejeitar?

    1. Preferir quem está em pior situação
    2. Preferir os da própria raça ou do próprio gênero
    3. Preferir quem sofre mais
  5. Qual é o problema "principal" do apelo a características metafísicas, segundo o capítulo?

    1. Ser antigo demais
    2. Ser irrelevante para a possibilidade de ser prejudicado ou beneficiado
    3. Ser defendido só por religiosos
  6. Por que o apelo à alma também enfrenta um problema de prova?

    1. Porque não é possível comprovar quem tem ou não alma
    2. Porque todos concordam que os animais têm alma
    3. Porque a ciência provou que ninguém tem alma
  7. Qual destes é o primeiro problema comum aos apelos a capacidades?

    1. Nenhum animal tem capacidades
    2. Muitos humanos não têm essas capacidades
    3. As capacidades não existem
  8. O que, segundo o capítulo, é relevante para a consideração moral?

    1. Ter linguagem
    2. Poder ser prejudicado ou beneficiado
    3. Ter relações políticas com os humanos
  9. Por que o caso da criança com doença terminal é usado no capítulo?

    1. Para mostrar que o sofrimento importa mesmo sem potencial futuro
    2. Para mostrar que crianças não sentem dor
    3. Para defender a experimentação em crianças
  10. Ter o potencial para algo é o mesmo que...

    1. ter de fato essa coisa
    2. nem sempre a mesma coisa que tê-la
    3. não ter nenhum interesse

Gabarito

  1. b) Nessa visão, o problema está no efeito sobre os humanos, não no prejuízo ao próprio animal. É a posição atribuída a Kant.
  2. b) O padrão duplo, aceitar com animais o que seria inaceitável com humanos em situação equivalente, é o que define o especismo.
  3. b) É uma petição de princípio: a conclusão aparece disfarçada de razão.
  4. b) O capítulo compara o "cada um com os seus" aplicado à espécie ao mesmo raciocínio aplicado a raça ou gênero.
  5. b) Mesmo que a característica existisse, ela não diz nada sobre quem pode ser prejudicado, que é o que importa.
  6. a) Não há como comprovar a posse dessas características, nem que só os humanos as teriam.
  7. b) Bebês, crianças pequenas e humanos com certas doenças não têm essas capacidades, e não achamos justo desconsiderá-los.
  8. b) O que está em jogo é a possibilidade de as nossas decisões prejudicarem ou beneficiarem os afetados.
  9. a) Se a criança morrerá antes de desenvolver as capacidades, ainda temos razões para não fazê-la sofrer. Logo, o potencial não é o que importa.
  10. b) Potencial e posse atual são diferentes; tratar alguém pelo que poderá ter é outro passo, que precisaria ser justificado.

Roteiro e exercícios são camada de estudo escrita para este site. Os textos lidos são de Luciano Carlos Cunha.