A ideia em debate
Alguns dizem: "animais com cérebros mais simples são menos sencientes". E daí concluem que deve haver uma escada de importância: humanos no topo, depois outros primatas, depois outros mamíferos, e assim por diante.
Senciência não tem graus
Se "senciência" quer dizer a capacidade de ter experiências, então não faz sentido falar em graus. Ou alguém tem experiências, ou não tem. É como estar ligado ou desligado.
O que tem graus é a intensidade
O que pode variar é o quanto uma experiência é forte, boa ou ruim. Isso tem um nome técnico: valência. Uma dor pode ser leve ou insuportável.
Cérebro maior quer dizer sentir mais?
Não necessariamente. É possível que seres diferentes sintam com intensidades diferentes diante da mesma coisa. Mas isso não quer dizer que um tipo de animal sempre sente mais forte do que outro, em todas as situações.
Às vezes pode ser o contrário. A dor serve para fazer o animal fugir do perigo. Num animal com menos capacidade de raciocinar, a dor pode precisar ser mais intensa para funcionar, porque ele não consegue pensar "isso é perigoso" de outro jeito.
Resumindo
- Ou se tem experiências, ou não: senciência não tem graus.
- O que varia é a intensidade das experiências.
- Cérebro mais simples não quer dizer sentir menos.