A crítica
Alguns dizem que existem formas de prejudicar alguém que não mudam as suas experiências. Por exemplo: falar mal de alguém pelas costas, sem que a pessoa nunca descubra, ou desrespeitar o desejo de alguém depois que ele morreu. Se isso é um prejuízo, então o que importa não seria só a senciência?
Separando duas coisas
O autor mostra que é preciso separar:
- o critério da senciência: a ideia de que só os seres que sentem podem ser prejudicados ou beneficiados;
- uma teoria sobre o que é bom para quem sente. Uma delas, chamada hedonismo, diz que só as experiências (prazer e dor) contam.
A resposta
Os exemplos acima podem ser uma objeção ao hedonismo. Por exemplo, talvez desrespeitar as preferências de alguém o prejudique mesmo que ele não perceba.
Mas eles não são uma objeção ao critério da senciência. Repare: em todos esses exemplos, a vítima é um ser senciente. Só faz sentido falar em desrespeitar as preferências de quem tem preferências, e só tem preferências quem sente.
Uma pedra ou uma montanha não podem ser difamadas nem ter seus desejos desrespeitados, porque não têm ponto de vista nenhum.
Resumindo
- Pode haver prejuízos que não mudam o que alguém sente.
- Isso questiona o hedonismo, e não o critério da senciência.
- Mesmo esses prejuízos só atingem seres sencientes.